Delilah

4 A única maneira de se livrar da tentação é cedendo


Notas iniciais
E cá estou eu, atrasada, pra variar. Mas eu confesso que essa fanfic está ridiculamente maior do que eu inicialmente previ. Tipo, no começo eu disse pra beta que não passava dos cinco capítulos. Pois eu estou escrevendo o quinto capítulo sem horizonte para que ela termine porque é simplesmente tanta coisa pra acontecer que eu não consigo parar XD

Ah, e claro que vai ter outro lemon. Principalmente pra atender a pedidos dos leitores riariaria.

Obrigada pelas reviews! XD

Eles procuraram um hotel barato para passar a noite.

Ficaram sem jeito quando a atendente olhou de Arthur para Alfred, e deste para aquele novamente, com o olhar mais desconfiado do mundo. Pudera, dadas as condições dos dois: cabelos desgrenhados, roupas meio amassadas, molhadas por um estranho suor em uma noite fria o suficiente para arrancar as pessoas das ruas e bochechas coradas. Ao menos haviam tido a dignidade de afivelar os cintos e normalizar as respirações no meio tempo em que Arthur dirigiu até o estabelecimento.

Eles subiram as escadas do pequeno hotel com alguma pressa, segurando as mãos como um casal de namorados despreocupados e, ao mesmo tempo, rindo da cara da mulher como duas crianças travessas. Podiam culpar os resquícios do álcool que não estariam mentindo. Alfred puxou Arthur para si e o beijou outra vez, a incontável da noite. Deram de encontro com a máquina de vender gelo e se dividiram entre rir, continuar o beijo e não escorregar nos cubos caídos no chão. Arthur derrubou uma vassoura e Alfred tropeçou nos próprios cadarços antes de finalmente chegarem ao quarto indicado pela suspeitosa recepcionista e cujo número milagrosamente ambos fizeram questão de gravar.

Após destrancar, Arthur empurrou a porta do quarto com os pés, sem desgrudar os lábios de Alfred, que fechou a porta da mesma forma que Arthur havia feito para abri-la. Este se deixou guiar sem muita coordenação até a cama, onde desabou com Alfred em cima de si. Tentou jogar a chave na mesinha de cabeceira, mas sem sucesso, dado que ela passou direto e caiu no carpete, debaixo da poltrona. Não que o fato, dada dimensão de sua insignificância fosse chamar a atenção dos dois famintos sobre a cama. Alfred teve mais sorte e seus óculos chegaram intactos à superfície da mesa. Mas fato era que eles se beijavam tão ardentemente que não tinham tempo para pensar que provavelmente perderiam algum tempo procurando a chave no dia seguinte.

Arthur arqueou o quadril para permitir que Alfred se livrasse de suas incômodas calças. Sua blusa completamente aberta expunha seu peito aos caprichos das mãos do mais novo, que brincavam traçando linhas imaginárias por toda sua extensão, descendo pro abdômen. Os arrepios que se seguiram foram os melhores de toda a vida de Arthur.

Ele engoliu seco e respirou fundo quando as mãos de Alfred começaram a massagear a protuberância escondida somente pelas boxers de marca que usava.

“Oh, Deus, aí, aí mesmo.” Grunhiu, tentando mover os quadris.

As mãos de Alfred adentraram a boxer sorrateiramente e passaram a massagear o membro de Arthur, cuja respiração começou a ficar pesada. Alfred se inclinou e passou a brincar com a pele ainda intacta do pescoço de Arthur, ora chupando, ora mordiscando ora lambendo-a, na vil intenção de deixar sua marca ali para a posteridade. Na nebulosidade do prazer no qual sua mente se via mergulhada, jamais se passou por sua cabeça que o pescoço era um lugar exposto demais para um sujeito comprometido.

Ao contrário de Alfred, Arthur sempre fora bastante paciente. Mas curiosamente não lhe caiu como uma surpresa a urgência com a qual o mais jovem se livrou de suas roupas. E, por Deus, que corpo! As orbes verde-esmeralda de Arthur percorreram de modo faminto o corpo bem definido do companheiro, de cima para baixo, sem qualquer pudor e sem deixar de notar a pele um pouco mais escura que a sua. Ele apostaria que a única explicação plausível para ter aquele corpo, era a de que Alfred deveria ser do tipo viciado em academia. Não que ele se importava. Ele tinha uma visão privilegiada, afinal.

“Gostando do que vê?” Alfred perguntou com um sorriso malicioso.

Arthur bufou. “É melhor desinflar esse ego, garoto.”

Alfred mordiscou o lóbulo da orelha de Arthur e sussurrou. “É excitante a forma com a qual você salienta nossa diferença de idade.”

“Idiota. Não me lembro de ter te dito minha idade. E não é como se fosse tão grande assim.”

Alfred ignorou a curiosidade de perguntar quantos anos Arthur tinha por ter coisas mais importantes a fazer.

Como tirar a última peça de roupa que lhe restava.

Ele se livrou das boxers de Arthur e olhou com desejo para o membro totalmente rígido que finalmente estava livre. Um arrepio percorreu a espinha de Arthur e ele não sabia se era devido ao contato da pele quente com o ar frio do ambiente ou à maneira com a qual Alfred lhe olhava.

As mãos do mais novo se fecharam no membro de Arthur e começaram a se movimentar, para cima e para baixo, fazendo com que este grunhisse baixinho e inclinasse o corpo mais para frente só para auxiliar no movimento. As mãos trêmulas de Arthur buscaram o membro de Alfred e imitaram o gesto. Suas línguas se encontravam e se tocavam, mas seus lábios mal fizeram contato um com o outro. Alfred aproximou ainda mais os corpos, afastando a mão de Arthur de seu membro e friccionando-o ao dele. Arthur deu um gemido prolongado e inclinou a cabeça para trás, permitindo que Alfred gozasse de toda a liberdade do mundo para se ocupar de seu colo e de seu pescoço.

Foi quando Arthur decidiu que seu papel naquele jogo deveria ser mais incisivo. Reuniu toda sua força de vontade e afastou Alfred, delicadamente o deitando na cama, sem, em momento algum, cessar o contato visual entre ambos. Alfred indagou-o com o olhar e só recebeu um sorriso divertido. Arthur lambeu sua bochecha e depois lhe deu um selinho, como se dissesse: aguarde e verá.

Em um movimento suave, ele pareceu deslizar até o membro de Alfred, ficando ‘cara-a-cara’ com ele. Alfred arfou ao perceber as intenções do parceiro um pouco tarde demais. A língua de Arthur timidamente tocou seu membro e depois começou a brincar com ele, fazendo isso durante algum tempo até que finalmente Arthur decidisse colocar todo o membro do outro em sua boca. A atitude causou uma série de reações em Alfred, que pareceu ao mesmo tempo corar e ofegar, com os lábios entreabertos.

Se Arthur era experiente, Alfred não era capaz de dizer. Mas que ele sabia o que fazia, isso era indiscutível. A maneira com a qual sua boca se movimentava, do mesmo modo que o sinal que ele fizera para Alfred não movimentar os quadris provava isso. Em todo caso, a habilidade de Arthur parecia lhe levar as alturas. Alfred, apesar de deitado, se agarrava às madeixas loiras bagunçadas do parceiro, vez ou outra as puxando de leve para alertar Arthur de que o prazer era demais para ele aguentar.

Alfred grunhiu mais alto quando sentiu que já estava no seu limite. Não teve tempo – ou talvez sequer tenha se passado por sua cabeça – avisar isso ao parceiro. Arthur logo sentiu o líquido quente em sua boca e, sem saber ao certo o que fazer, mas movido pelo momento, engoliu quase tudo o que pôde. Aproximou o rosto do de Alfred, que limpou o resto do próprio sêmen que escorria pelo canto da boca de Arthur, e o beijou, sentindo aquele esquisito – não muito agradável – gosto dele próprio.

“Você podia ter avisado.” Arthur murmurou entre o beijo, sem qualquer vestígio de irritação na voz.

“Desculpa.” Disse baixinho, quase se encolhendo, fazendo o outro sorrir e tornar a lhe beijar.

“Agora, teremos que reanimá-lo, querido.” Arthur ronronou com um sorriso provocante desenhado no rosto, seus dedos adentrando a própria boca. Alfred assistiu deslumbrado a forma com a qual a língua de Arthur brincava com seus dedos, e chegou mesmo a sentir ciúmes daqueles dedos, lembrando-se do que aquela língua fora capaz de fazer com ele alguns minutos atrás.

Quando julgou adequado, Arthur se afastou um pouco do maior, que pode observar, com alguma curiosidade e assombro, o local para onde uma das mãos dele foi parar. Ele se apoiou em seus cotovelos e olhou para o parceiro com um misto de desejo crescente e preocupação.

“Você não quer que eu faça isso pra você?” Ele perguntou com alguma insegurança na voz. Não era como se ele já houvesse feito sexo com um homem antes. Mas não era como se ele fosse contar isso para Arthur.

Arthur manteve o sorriso no rosto e negou com a cabeça, inclinando-se ligeiramente para frente, de modo que seu rosto ficou próximo do de Alfred.

“Hoje não.”

Arthur levou um dedo ao seu orifício, penetrando-se lentamente. Alfred engoliu seco. Ele assistiu toda a cerimônia com a respiração pesada – mas com tanto medo de interromper e perder sua diversão particular – que buscava não emitir nenhum ruído. Ele assistiu Arthur se tocar com um dedo, depois com dois e com três. Sentiu o membro pulsar, mas ignorou. Engoliu seco novamente quando Arthur deu um longo gemido de prazer, seus olhos inebriantes pela sensação. Alfred sentiu vontade de jogar Arthur na cama e fazer as piores coisas imagináveis com ele, só observando aquela expressão extasiada. Foi quando seu membro começou a doer de tão rígido que ele gemeu baixinho para chamar a atenção do outro.

“Arthur.” Ele arfou quando as íris esverdeadas cheias de luxúria o fitaram. Seu tom era quase autoritário. “Pare com isso agora e me deixa te foder senão não sei do que vou ser capaz.”

Arthur pareceu surpreso ante a demanda, mas fez o que Alfred pediu. Aproximou-se do maior e se sentou em seu colo, seus membros roçando um no outro e causando arrepios em ambas as espinhas. Arthur respirou fundo, como se tomasse coragem para fazer o que viria a seguir. Ajoelhou-se sobre Alfred e se apoiou em seu ombro. Uma das mãos de Alfred automaticamente foi parar em seu quadril enquanto com a outra ele segurava o membro. A medida que Arthur descia, ele sentia seu orifício ser invadido, gradativamente, pelo pênis rígido do outro. Alfred não apressou as coisas, deixou o parceiro seguir o próprio ritmo. Arthur sibilou de dor, mas não deu indícios de que pararia.

Ele esperou até que seu corpo se ajustasse ao intruso, com respiração espaçada. Quando a dor lhe pareceu mais suportável ele assentiu e incentivou Alfred a se movimentar, movimentando-se ele mesmo. Alfred, por sua vez, começou a aumentar o ritmo das estocadas e a cada nova enterrava-se mais fundo no amante. As unhas de Arthur deixariam cicatrizes nos ombros de Alfred ao passo que os beijos mais urgentes, meio desajeitados e cheios de dentes começavam a deixar ambos os lábios inchados. A dor não deixou de existir, mas passou a ser mera coadjuvante diante da sensação prazerosa que emergiu daquela relação, principalmente após Alfred atingir certo ponto vital e arrancar um grito de prazer do amante. Arthur gemia alto o nome de Alfred a cada nova estocada e o mais novo parecia querer mais daquilo, enterrando-se com tanta força no corpo do amante que provavelmente ele não seria capaz de andar dignamente no dia seguinte. Quando Alfred começou a masturbar Arthur, ele jurou que ficaria louco com tanto prazer.

“Hmmm, Al!” Arthur ofegava, seu corpo molhado roçando no do amante e o barulho de corpos de batendo invadindo o quarto.

Arthur. Arthur. Oh, Arthur, tão bom.” Alfred gemia como um mantra.

Arthur veio antes, seu sêmen melando ambos os abdomens. Alfred precisou de mais algumas estocadas para que seu líquido preenchesse o interior de Arthur e ambos colapsassem sobre a cama, Alfred de costas para o colchão com Arthur sobre si. Esperaram alguns minutos até que o cansaço do pós-sexo passasse e suas próprias respirações se normalizassem. Os dedos de Alfred brincavam com a sobrancelha de Arthur, mas este estava tão cansado que sequer ligou. Seus olhos encontraram os de Alfred, em um curto momento de adoração mútua. Alfred deu um sorriso cansado, mas genuinamente feliz e beijou a testa do amante, que pouco a pouco se deixava invadir pela letargia do sono.

Alfred cuidadosamente saiu do corpo de Arthur e com o mesmo zelo se virou, fazendo com que o menor caísse delicadamente no colchão. Ele se ajeitou, cansado demais para se preocupar com a esquisita sensação do sêmen de Alfred escorrendo por suas coxas e mesmo para se levantar e se limpar. Em vez disso, contrariando toda sua teoria de aversão a dormir sujo de sexo, ele se aninhou nos braços fortes do amante e mergulhou no sono mais pacato que teria em anos.

USUK

Arthur procurou não surtar no dia seguinte.

Ele acordou com o barulho dos passos pesados no andar de cima. Tudo em seu corpo doía, da cabeça até a retaguarda. Sentiu o peso dos braços de Alfred em sua cintura e, ao abrir os olhos, deu de cara com a expressão serena do garoto e ficou encarando-a por um bom tempo, pensando no que faria.

Internamente, Arthur queria gritar, chorar de desespero, se enterrar no poço do arrependimento e se afogar na lama. Sentia-se um lixo, o pior dos seres humanos, ridiculamente miserável. Ele traíra Emily, sua tão preciosa Emily, apunhalara-a pelas costas, consciente disso. Tamanha era a dor da verdade que ele precisou fechar os olhos respirar fundo para não chorar feito uma criancinha pela burrada que havia feito.

Quando ele abriu novamente os olhos e novamente viu o rosto angelical de Alfred, de repente, tudo pareceu não importar. Porque ele se lembrou de quão magnífica a noite anterior havia sido e de o quão as alturas aquele estranho garoto o fizera ir. Ele se lembrou da ternura dele e da determinação em seus olhos. De alguma forma, o garoto mexera com ele, mais do que Arthur poderia imaginar.

Ele não estava apaixonado, porque Arthur não era o tipo que se apaixonava à primeira vista. Mas ele começara a sentir uma estranha necessidade de Alfred. E ele sequer havia saído do seu lado.

Ele engoliu saliva e traçou caminhos invisíveis pelo rosto do outro, admirando-o em silêncio. Atentou para os lábios entreabertos do rapaz, por onde sua respiração forte, mas constante, saía. Passou alguns minutos assim, dividido entre sua consciência e a realidade à sua frente, sem muita certeza do que faria ou não faria a partir daquele momento. Seus planos, que começaram ingênuos, presos à crença de que a noite anterior não passaria de algumas horas de conversa vazia e drinks, haviam saído de seu controle.

Por mais que Arthur desejasse continuar mergulhado na saborosa sensação daquele aconchego, ele, como adulto que era, sabia de suas responsabilidades.

Buscando causar a menor agitação possível na cama, Arthur se afastou de Alfred, delicadamente substituindo seu corpo por um travesseiro quando percebeu que o sonolento Alfred dera por falta do que abraçar, e se levantou, prendendo a própria respiração no temor de acordá-lo. Caminhou na ponta dos pés até o banheiro e fechou a porta em silêncio. Foi só depois de fazer suas necessidades matinais e de tomar uma ducha para tirar o cheiro de sexo impregnado que ele viu, enquanto escovava os dentes, seu reflexo no espelho. Seus lábios estavam levemente inchados e avermelhados, mas o suficiente para alguém experiente não precisar de mais provas. Em seu pescoço havia três manchas avermelhadas, duas de um lado, uma do outro e em seu peito e ombro havia mais quatro. Sua expressão de pânico o encarava do espelho.

Arthur respirou fundo e de imediato soube para onde devia ir. Arrumou-se com pressa, sem sequer pentear o cabelo, vestindo a roupa que só cheirava a cigarro do dia anterior. Dobrou as roupas de Alfred, deixando-as sobre a poltrona, e deixou um pequeno bilhete na mesinha-de-cabeceira, ao lado de seus óculos. Ao sair, virou-se uma última vez e viu que ele ainda dormia abraçado ao travesseiro que pensava ser Arthur.

USUK

Alfred acordou por volta das duas da tarde, sem qualquer noção de tempo ou espaço e com o celular praticamente berrando em algum canto do quarto. Encarou o travesseiro que abraçava, buscando entender o que acontecera, mas a musiquinha constante e a sonolência depois de acordar após tantas horas apagado não lhe permitiam pensar muito bem. Mecanicamente se levantou – o cobertor escorregando por seu corpo nu até o carpete – e caminhou até o monte de roupas dobradas sobre a poltrona, tateando sua calça em busca do bolso onde estava o celular. Ele deu uma rápida olhada no nome de Kiku no visor.

“mmm o quê?”

“Está tudo bem, Alfred-san?” o tom do amigo era preocupado.

“mm.” Ele bocejou, preguiçoso. “Está sim, por quê?”

Um silêncio do outro lado da linha antecipou o tom perigoso na voz de Kiku. “Alfred-san, você sabe que Feliks e eu ligamos para sua casa... Algumas vezes. E para seu irmão. Que também não sabia onde você estava. Eu já perdi a conta de quantas vezes telefonamos para seu celular, mas estou certo de que superaram a casa dos trinta.”

“SESSENTA!!” Alfred ouviu Feliks berrar.

“Cara... Eu to no viva voz?”

“Sim.” Kiku respondeu.

“Pro caso de você, sabe, totalmente ter sido sequestrado e essas coisas, achamos mais seguro que o escritório todo escutasse sua voz. Bom, não o escritório todo, já que é hora do almoço e tudo mais e só estamos eu e o Kiku aqui. Na verdade, usurpamos a sua sala hoje. E bom, não exatamente a sua voz, porque no começo pensávamos que podiam ser os gritos de agonia, mas ok.”

Alfred precisou de um minuto para entender.

“O quê?”

“Cara, você, totalmente faltou o trabalho hoje sem avisar nada! E ainda sumiu durante o dia inteiro!”

“Oh...” Ele quase viu Kiku de braços cruzados e Feliks com a expressão mais indignada do mundo à sua frente, esperando uma resposta. “Desculpa?”

Um suspiro veio do outro lado da linha. Alguns segundos se passaram.

“EU FALTEI O TRABALHO?”

Agora tudo fazia sentido. E Alfred só precisava perceber que havia perdido o trabalho para acordar de vez para o mundo. Ele olhou de um lado para o outro do quarto, caminhou até o banheiro, mas Arthur não estava ali. Internamente, sentiu-se triste pela falsa ilusão que criara que a noite anterior não seria algo tão efêmero.

“O que você fez ontem à noite, Alfred?” A voz de Kiku interrompeu seus devaneios.

“Uh. Coisas.” Ele não conseguiu esconder o tom empolgado ante às memórias, apesar de não saber se sorria ou se corava violentamente.

“Coisas.” Kiku respondeu cético.

“COISAS? O ALFRED FEZ COISAS ONTEM À NOITE?”

O aludido afastou o celular do ouvido ante o berro.

“Eu realmente agradeceria se vocês desabilitassem o viva-voz.” Suspirou.

“Ok.” Respondeu Kiku.

“Você pode até não querer dizer agora, Jones, mas espere por nosso encontro.” Disse Feliks, antes de Alfred perceber que os ruídos na ligação diminuíram.

“Kiku, preciso que vocês me cubram. Digam que fiquei doente e que roubaram o meu celular. Qualquer coisa.”

“Vamos pensar em algo. Em troca, você nos dirá o que aconteceu.”