Deixe o seu destino agir, guiar seu coração.
1 Cap. 1 - Sonhar acordada tem nível de intensidade?
Notas iniciais
Caminhava devagar. Sem rumo e milhões de pensamentos na cabeça. Vez ou outra, chutava alguma pequena pedra que estivesse em seu caminho. Uma das mãos que mantinha no bolso de seu moletom retira e ajeita o capuz. Não tinha a quem visitar. Apenas tinha ela, e ela mesma ali. Nas ruas, haviam poucos carros e nenhuma pessoa à vista. O céu ficava mais alaranjado com o passar do tempo. Logo anoiteceria, mas ela não ligava. De repente, fica parada, fitando a prefeitura de sua cidade, que era cercada de muitas árvores. Não sabia o que havia atrás daquele prédio gigantesco. Foi então que seus pensamentos foram rompidos pela curiosidade de saber o que havia além daquele lugar. Havia uma rótula em frente ao prédio e em meio da mesma, havia um espaço com grama e umas pequenas e finas árvores. Atravessando a rua rapidamente, ela se põe parada naquele pequeno pedaço de terra em meio ao tráfego de alguns poucos carros. O céu começou a ter uns tons de rosa e mais no horizonte, a escuridão se aproximava. Se mantinha parada, fitando a prefeitura e deixando sua imaginação ir mais além.
Ao passar dos minutos, já não havia mais nenhum carro nas ruas. Os postes se acenderam e a escuridão estava mais perto. Estava sentada naquele pedaço de terra, com nada além de sua curiosidade e sua imaginação criando histórias.
Um silêncio toma conta do lugar, de repente. Ela fica um pouco assustada, e olha para os lados, percebendo que havia ficado ali por horas e não notou o tempo passar. Sua mãe estaria preocupada. Suspira, como se tivesse de voltar a realidade que não a trazia tanta paz assim, se levanta e projeta seu caminho de volta para casa. É então que ouve uma música.
Uma música contagiante. Como se a natureza tentasse transmitir suas emoções. Uma melodia misteriosa, que despertava um grau de curiosidade sem fronteiras nela. Foi quando se deu conta de algo e suspirou surpresa.
– Essa melodia…
Se pôs a escutar com mais atenção. E para seu espanto, era exatamente o que estava pensando.
– Lost… Lost Woods?! — fala para si, em sussurro.
A curiosidade invadiu seus pensamentos e quando deu por si, já estava parada em frente à prefeitura. Sacudiu a cabeça, a fim de se livrar do transe.
– Poderá ser…? — sussurrou.
Havia um amontoado de árvores logo á esquerda de onde estava. Como se fosse um local vazio que haviam esquecido. Um pequeno barranco se estendia entre as árvores, e foi por onde ela foi subindo. Ao fim dele, a terra voltara a ser plana e o número de árvores aumentara. A música a hipnotizava e a fazia prosseguir ainda mais. A melodia aumentava a medida que se distanciava cada vez mais. Sua respiração já estava pesada. E se for só uma ilusão? Estaria sonhando acordado de uma maneira tão intensa? Ela não sabia, apenas se esgueirava entre os galhos e as pilhas de folhas, sendo guiada pela melodia.
– Devo estar ficando louca…
De súbito, a melodia parou. Fato que a fez parar de caminhar também. Seu coração começara a descompassar e o medo tomar conta de seus pensamentos. Pensamentos que foram dissipados quando avistou uma pequena luz azul mais a frente. Novamente movida pela curiosidade, seus pés se moveram sozinho, a fazendo prosseguir.
– É... Eu estou louca.
A pequena luz se movia rapidamente entre os galhos das árvores, parando vez ou outra para esperar pela garota.
– Hey! — exclamou.
Se pode ouvir risadinhas.
– A luz… Riu?! — espantou-se e continuou a segui-la.
O tempo parecia passar mais rápido a cada passo que dava atrás da luz que ria baixinho. De repente, a pequena luz sumiu. Já sem fôlego, a garota retira alguns arbustos de sua frente e se depara com uma floresta. Mas não uma floresta qualquer…
– Floresta Kokiri?! Não! Não pode ser verdade! — gritou um pouco alto demais.
Um ser pequeno, com orelhas pontudas, vestido verde e cabelos loiro claros prendidos à dois rabos de cavalo em forma de pompons se aproximou. Tinha a aparência de uma criança de dez anos.
– O que é você? Não parece Hylian! — perguntou a garotinha sorridente.
– Eu o que? O que sou? Hylian?! — sua mente já não sabia o que processar.
– Talvez Link saiba o que você é! Ele veio nos visitar hoje!
– L… L… Link?! — gaguejou, nervosa.
– Conhece Link? Nunca ouvimos falar de você, se for o caso! — suas risadinhas eram constantes — Quer que eu leve você até ele? — ela se balançava para frente e para trás na ponta dos pés.
– Eu… Eu…
– Venha! Vou te acompanhar! — puxou a garota pelo braço e a correu pela floresta.
Haviam pequenas casas por todo lado. Uma pequena aldeia habitada por crianças de orelhas pontudas.
– Eu só posso estar sonhando… — sussurrou.
– Se estivesse mesmo sonhando, poderia me sentir? — perguntou a sorridente garotinha de rabo de pompom segurando firme sua mão.
– Isso não faz sentido…
– Não precisa fazer sentido se você acredita!... Veja, chegamos!
Haviam parado em frente a uma pequena casa em cima de uma árvore. Uma escada dava acesso à pequena casa. Podia se ouvir que havia alguém lá dentro.
– Ele está lá. É só subir! Até mais tarde! — saiu correndo por aí.
– Obrigada!... Eu acho… — coçou a nuca, ainda com dificuldade de acreditar em tudo aquilo.
Seu coração estava apertado, assim como sua garganta, que mal podia engolir a saliva. Deu um longo suspiro e subiu a escada.
Adentrou a passos leves, a pequena casa.
– Com licença… — falou baixinho.
Um homem alto, cabelos loiro cinzentos, orelhas pontudas e roupas verdes estava organizando algumas bugigangas quando percebe a presença da garota. Vira-se rapidamente e se assusta.
– Wow! Quem é você?! — exclama, tropeçando em um vaso que havia por perto.
– Puxa vida… É você mesmo… — ela mal podia crer.
– Eu sou eu mesmo, que sou, que?... E quem é você?! — sua expressão de apavorado era hilária.
– Sou Mei… — agora ela tentava se segurar para não rir do homem.
– Mei? — ficou pensativo por uns instantes.
– Ahm… Como deve ter percebido, não sou daqui — deu uma leve risada.
– Eu sei.
– Sabe?! Como assim?! — a garota já estava confusa o bastante.
– Bem, não pensei que fosse acontecer logo hoje… Bem, me chamo Link — estendeu a mão para cumprimentar — Rei de Hyrule.
– Rei de Hyrule?! Como um cara tão preguiçoso consegue se tornar rei? — exclamou.
– O que?! Hey!
Ela gargalhou.
– Não resisti, desculpe — sorriu tentando segurar o riso.
– Falando assim você até parece… Ah, deixa pra lá — coçou a cabeça, ficando sem jeito.
– Quem? Navi? — ela não sabe o porque mencionou isso.
– Como sabe sobre… Bem, esqueça isso. Temos que ver Zelda, já que está aqui. Vamos — vai saindo pela porta e já descendo a escada.
– Ver Zelda?! Hey! — corre atrás.
– Sim. Porque estávamos te esperando há muito tempo. — sorri.
~~~
Pov Mei~
Corri para alcançar a pessoa que eu não estava acreditando que eu havia conhecido.
– Hey! Espere! — desci a escada quase caindo.
– Sua voz... — balançou a cabeça — Vamos, Zelda vai ficar feliz em te receber — sorriu.
Era estranho estar ali, já sabendo de toda a história. Me pergunto se eles sabem do que eu sei sobre eles...
– Então, você e Zelda casaram... Cara, eu sempre quis isso — falei por falar e percebi que Link estava meio desconfiado.
– O que quer dizer? — coçou a cabeça.
– Longa história... Eu conto depois — pisquei.
– Luke vai gostar de te conhecer — riu, me olhando de canto.
– E pra quê essa cara de moleque travesso?! — e ele riu da minha cara.
– Espere e verá — sorriu de canto.
No fundo me batia um ciúme de ele estar casado. Não me julgue, Link sempre foi muito bonito... Me pergunto quem é esse Luke.
– Sabe... Pode parecer estranho, mas me sinto familiarizado à você — fitou o horizonte e em seguida me olhou bem nos olhos.
Meus olhos brilharam, senti isso. Era mais estranho ainda, mas eu sentia o mesmo. Como se Link fosse um grande amigo. E agora mais velho, sinto ele como um pai, porque o jeito como me olha... Parece querer me proteger e querer o meu bem... Acho que estou enlouquecendo.
– Entendo... Estranho, mas sinto isso também — finalmente falei.
Link me encarou por alguns segundos e sorriu.
– Talvez porque você me lembre alguém.
~~~
Ao chegarmos no castelo, meu coração queria saltar pela boca. Conhecer Zelda? Me belisca, que eu devo estar sonhando mesmo! Será possível mesmo? Eu estar dentro da Lenda de Zelda?! E como eles sabem sobre mim?! Cara, hoje o dia vai ser longo... Subitamente, apertei fortemente o braço de Link. Ele pôde perceber meu medo, pois tudo aquilo era novo para mim. E eu não tinha certeza se estava apenas sonhando ou...
– Se quer saber... Você não está sonhando. Logo, lhe explicaremos tudo, Mei — Link falou como se pudesse ler minha mente.
– E quem é Luke? — saí de meu estado de estátua e finalmente falei.
– Meu filho -sorriu, corado.
Eu fiquei sem reação. Não sei se era pura alegria de eles terem um filho ou eu estava muito nervosa.
Adentrando o castelo, fiquei radiante ao passar por tantos lugares nostálgicos. Mas não poderia surtar por isso, me achariam louca. Mas não escondi minha alegria. Link ria com meus leves gritinhos e quando eu apontava pra tudo como uma criança num zoológico.
– Você é bem parecida comigo, tenho que admitir — Link falou, rindo da minha cara de pateta.
– Sério? — aquilo havia me deixando muito feliz, não sei porque.
Talvez porque eu sempre quis estar ali?!
Entramos na sala do trono e lá estava ela. Parada, conversando com uma mulher mais velha, de cabelos brancos e armadura azul.
– Zelda, querida... Ela chegou. Finalmente.
Zelda se virou rapidamente e suspirou, em seguida esboçou um sorriso radiante. Segurou a mão da mulher com quem conversava.
– Finalmente! — exclamou ela correndo em minha direção.
– Zelda... — sussurrei, com um sorriso bobo estampado em minha cara e Impa tentava não rir, se aproximando e fazendo um sinal com a cabeça, me cumprimentando.
Link bagunçou meus cabelos e sorriu. Zelda me abraçou e falou algo como estar me esperando há tantos anos... Eu mal prestava atenção, estava abobalhada por estar ali, com eles... Hyrule, Princesa que agora é Rainha Zelda, Herói do Tempo Link... Impa, só pode ser ela... Será isso tudo, verdade? Acho que não existe grau alto de sonhar acordada... E mesmo que seja um sonho... Não quero acordar tão cedo!
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