Notas iniciais
Peço para que escutem essa trilha sonora enquanto leem a Fic: https://www.youtube.com/watch?v=_nH1rCXv36A // Obrigada e boa leitura!

Era uma noite de inverno como outra qualquer em Westeros. Jaime Lannister permanecia em pé, apoiando-se no parapeito de uma das janelas de seu quarto em Rochedo Casterly, vislumbrando as poucas estrelas que teimavam continuar aparecendo no céu, e a lua que brilhava timidamente ao longe.

— Você ainda está aqui? — O Lannister perguntou, quebrando o silêncio, quando percebeu a presença da donzela atrás de si.

— Não fale como se estivesse surpreso. — Respondeu Brienne de Tarth. — Você é o único que ainda não me deixou partir.

Jaime Lannister se virou para olhá-la. Estava usando uma roupa azul que cobria quase todo seu corpo. Em seu peito, havia o símbolo de sua Casa — dois sóis em um fundo rosa sobrepondo a duas luas crescentes em um fundo azul.

Está de calças, como sempre, pensou, sorrindo ao lembrar da imagem da garota com um vestido cor-de-rosa em Harrenhal. Havia um ferimento em sua bochecha, igual da última vez que a vira, e seus cabelos continuavam sujos e despenteados. Seus olhos brilhavam como duas pedras preciosas. Só sua expressão que estava séria. Jaime ansiava por um sorriso seu.

— Não finja que você não gosta. — Respondeu zombeteiro, dando um sorriso malicioso, mas a expressão da Beleza de Tarth permanecia séria.

— Eu não gosto de ficar no seu caminho. — Lamentou Brienne.

— Garota, você sabe que nunca está no meu caminho. — Respondeu Jaime, ainda sorrindo. Quero vê-la feliz, pensou. Por quê você não está feliz?, se perguntou.

— Meu nome é Brienne! — Exclamou a garota, ficando momentaneamente irritada, fazendo Jaime gargalhar. Deuses, como senti falta de provocá-la, pensou, se entristecendo de repente.

— Além disso, não machuca ver esse lugar sombrio ser iluminado pelo seu sorriso animado. — Comentou Jaime, se recompondo da tristeza inevitável.

Se aproximou de Brienne, mas logo parou. Algo dentro dele dizia que não era possível senti-la, tocá-la. Não de verdade. Mas Jaime se recusava a entender o porquê. Se recusava a acreditar que a garota que estava na sua frente apenas existia em sua cabeça.

Sentou-se na cadeira vermelha e dourada, as cores de sua Casa, que ficava em frente da lareira acesa. Olhou para o lado, e Brienne não estava mais lá. Fechou os olhos, permitindo-se derramar uma ou duas lágrimas. Um leão deveria rugir, não chorar, pensou Jaime, com raiva de si mesmo. Já vinguei sua morte, garota, então porque continuo a me sentir tão vazio?

Havia percebido que vingança não era o suficiente. Não era o necessário. Brienne era o necessário.

Sua mão esquerda se fechou em punho ao lembrar do momento em que a mulher foi tirada dele.

Ela estava levando-o para uma armadilha, mas apenas porque a Senhora Coração de Pedra a deixou sem escolha. Brienne achou que podia resolver tudo sozinha, que poderia se sacrificar por Jaime. Pensou que, mesmo com sua morte, tudo ficaria bem. É claro que não ficaria tudo bem, garota estúpida, Jaime se lamentou.

Desde então, Jaime não saía de Rochedo Casterly. Estava com os cabelos brancos, a barba por fazer, o rosto pálido por não ver o sol, e muito mais magro por comer apenas o essencial para sobreviver.

Abriu os olhos novamente. Brienne estava parada do lado da cadeira, apoiando-se na mesma. Poucos instantes depois, a garota se agachou ao lado do Lannister, para encará-lo. Jaime se recusou a olhá-la nos olhos.

— Você precisa me deixar ir. — Brienne disse, por fim, quase como um sussurro. Sua voz estava rouca, e parecia mais triste do que Jaime jamais vira.

— Você não é uma prisioneira. — Retrucou o homem, fitando as chamas dançantes da lareira. Jaime viu de soslaio que Brienne abaixou a cabeça. Uma lágrima escorreu pela cicatriz de seu rosto. — Eu não consigo deixá-la ir. — Respondeu, por fim, ainda sem conseguir olhá-la.

— Isso não é maneira de viver. — Insistiu Brienne, agora seu rosto estava mais próximo do Lannister.

— Isso não parece ser um problema para você. — Respondeu Jaime, cansado das insistências da garota.

— Não estou falando de mim... — Continuou Brienne, teimosa como sempre. Um silêncio tomou conta do quarto por longos segundos. — Jaime... Você precisa me deixar ir. — Suplicou a donzela de Tarth.

O Lannister levou sua mão esquerda até o rosto, afim de se esconder, afim de fazer com que esse tormento, essa falta, simplesmente acabasse.

— Eu não posso...

— Sim, sim, você pode! — Gritou Brienne, desesperada e angustiada. — Você deve! Você precisa viver, Jaime!

O Lannister agora a encarou. Era quase insuportável olhá-la naqueles olhos de safiras que tanto aprendera a amar. Uma dor inundava seu peito de uma maneira que não sabia descrever. Dói muito, Brienne. Faça parar.

— E se eu não quiser viver? — Gritou Jaime de volta, tão angustiado quanto a dama. — Por quê você simplesmente não pode ficar? — Continuou gritando, agora se permitindo chorar.

— Você sabe porque. — Respondeu Brienne, abaixando a cabeça.

A garota levou sua mão até a mão esquerda de Jaime. O mesmo tomou um susto quando conseguiu sentir, de maneira tão real, seu toque. Está quente, percebeu, e assim apertou mais a mão da Beleza de Tarth, como se dessa forma, ela não fugiria dele novamente.

Sentiu um pingo quente cair por entre seus dedos, e percebeu que eram as lágrimas da garota.

Brienne se levantou apenas para se agachar novamente, só que agora na frente do homem. Olhou-o nos olhos, e Jaime fez o mesmo. "Nunca feche esses olhos, Beleza de Tarth. É a parte mais bonita que você tem", se lembrou de ter dito uma vez à ela.

A garota levou sua mão até a de Jaime novamene, e o Lannister continuou a se sentir surpreso como ela transmitia calor.

— Oh, garota estúpida e teimosa. — Disse Jaime, quebrando o silêncio. — Por quê você teve que tentar resolver tudo sozinha...

— Eu sei. — Respondeu Brienne, se lamentando, pois sabia que não havia mais nada a se fazer. Abaixou os olhos, não conseguindo encará-lo. Jaime fez o mesmo, pois também não conseguia encará-la.

— Eu sinto sua falta... — Disse Jaime, finalmente. Sua voz estava rouca.

— Eu sei.

— Eu a amo. — Continuou o Lannister. Ao proferir essas três palavras, a garganta do homem se apertou. Dói muito, garota... Faça parar. Volte para mim, pensou.

Brienne suspirou, sua respiração estava trêmula. Ela se levantou lentamente, acariciando o rosto de Jaime, e depositou um beijo demorado em sua testa.

— Deixe-me ir. — Pediu mais uma vez.

— Por quê? — Perguntou Jaime, segurando o rosto de Brienne, vislumbrando-o uma última vez antes de fechar os olhos.

— Você sabe o por quê... — Disse a donzela, por fim.

Jaime permaneceu de olhos fechados, sentindo o gosto salgado de suas lágrimas, até que a dor em seu peito cessasse. Mas nunca cessou.

Não soube dizer o momento em que pegou uma coberta, que cobria seu corpo, afim de imaginar que era Brienne ali, afim de conseguir sentir seu toque quente, um toque que na verdade nunca existiu. As lágrimas da garota, na verdade, eram as suas. Brienne nunca esteve chorando, pois ela não estava ali. É tudo tão confuso..., pensou Jaime.

Olhou para a mão em que a donzela de Tarth havia segurado, ainda quente por conta das cobertas.

— Você estava aqui, não estava? — Perguntou para o quarto vazio. — Você estava aqui... — Disse para si mesmo, enquanto fitava a lareira à sua frente. As chamas dançantes se transformavam em imagens. Imagens do momento em que Jaime perdera sua mão da espada, do momento em que salvara Brienne do urso. Do momento em que Brienne o salvou da Senhora Coração de Pedra e, com isso, perdeu sua própria vida. Sentiu algo salgado na boca, e percebeu que eram lágrimas. Minhas lágrimas, notou, sem se dar o trabalho de limpá-las. Não de Brienne. Brienne nunca esteve aqui, tentou se convencer. Mas o toque era tão quente...

Ele, então, apenas adormeceu na cadeira desconfortável do seu quarto em Rochedo Casterly, sonhando com Brienne de Tarth e todas as coisas que gostaria de ter dito e feito, mas que agora era tarde demais. Agora só tenho você em minha memória, garota, lamentou-se mais uma vez.

Acordou de repente, como sempre acontecia, e olhou para o canto do quarto sem vida, onde estava a espada que dera à Brienne, com uma única missão, a missão que a fez perder a vida. Cumpridora de Promessas, a voz da garota ecoou pelos seus ouvidos.

O fogo na lareira cessara, o que indicava que mais um dia havia se passado.

— Brienne... — Murmurou, como se fosse um mantra. — Estou te esperando. — Sussurrou para si mesmo. — Volte... — Pediu mais uma vez.

Fechou os olhos novamente, desejando, no meio de seus devaneios, mais uma vez, que a dor fosse embora.

—xx-

"Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá; eu não durmo
Eu sou mil ventos que sopram
Eu sou o diamante que cintila na neve

Eu sou a luz do sol e grãos maduros
Eu sou a suave chuva de outono

Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá; eu não durmo
Quando você acorda no silêncio da manhã
Eu sou a pressa rápida

De aves tranquilas, circulando de voo
Eu sou as estrelas que brilham suave durante a noite

Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá; eu não morri"

—xx-

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!