Notas iniciais
Eu sei que vocês estão irritadas comigo por causa dos últimos acontecimentos, mas cadê o amor? Tretas foram pedidas, tretas foram entregues. Por alguma razão que eu desconheço eu chorei escrevendo esse capítulo. E não me perguntem o porquê porque eu estou tão abismada com minhas lágrimas quanto vocês certamente ficarão ao constatar que a tia Snow tem a capacidade de chorar por motivos bobos. Como eu me recuso a crer que chorei sem motivos, vou culpar a música The courage or the fall - The Civil Twilights que também é o tema do Dimitri (quem puder também dar uma olhadinha na tradução vai entender :3) Gostaria de dedicar esse capítulo à Expelliarmus que recomendou a fic e eu gostaria muito de falar com você, pessoinha, e agradecer a recomendação lindona que você mandou. Sua conta parece que não existe mais, então vou responder suas perguntas aqui: Sim, sou fã de Outlander; Sim, amo PJO/HDO *-* Enfim...Previously on DaNC (quem assiste Arrow imagina aquela voz massa aqui): "Quando percebi este fato eu notei que era exatamente isso que Dimitri havia andado escondendo de mim. Ele estava fazendo negócios com rebeldes. — Por que você não e contou? — exigi em voz baixa, magoada, mesmo estando brava com ele por causa do negócio traição/quase-soco. Dimitri deu de ombros parecendo envergonhado. — Eu não queria que você tivesse que se preocupar com isso antes da hora — sussurrou. — Mas agora isso já não importa, não é? Você está louca para se livrar de mim. — Não diga isso — retruquei. — Estou furiosa com você, mas eu não quero que você morra — minha voz falhou na última palavra. Dimitri ergueu um canto da boca em uma expressão que nem de longe era um sorriso. — Eu me recuso a morrer até você me perdoar inteiramente, e Deus sabe que eu sou um homem teimoso quando quero sê-lo."

Assim que deu o anúncio e trocou duas palavras comigo, Dimitri pediu licença e foi para seu escritório e eu o segui; como ele era bem mais rápido que eu e suas pernas bem mais longas que as minhas, cada passo dele equivalia a dois meus e logo eu estava parada diante de uma porta fechada.

— Dimitri! Dimitri! — eu gritava insistentemente e ele não abria. — Vamos conversar.

Ele me ignorou redondamente durante toda a noite e por fim Anya veio me buscar para levar para a cama.

— Ele irá partir pela manhã, senhora. Fale com ele então — ela disse. Os olhos azuis enormes e brilhantes demais.

— Ele é um idiota — murmurei para Anya enquanto ela me levava pelas escadarias mal-iluminadas que lembravam muito a noite em que Dimitri e eu fomos ao festival de inverno em Moscou.

— Sim ele é. E está com o seu ego ferido, querida. Deixe-o um pouco para pensar sobre essa decisão, talvez ele mude de ideia — mas essa última frase foi dita sem convicção alguma, nós duas sabíamos que ele não mudaria.

Assenti e entrei em meu quarto em silêncio.

Naquela noite sonhei com Dimitri beijado Kira em seguida explodindo e acordei chorando idiotamente. Anya havia me abraçado por um bom tempo até eu me acalmar o suficiente para tomar banho.

No banheiro, lavei todos os resquícios da noite anterior tomando especial cuidado para pensar em como convencer Dimitri a permanecer na casa dele enquanto eu ia para a minha. Eu sabia que essa era uma decisão idiota, que eu usaria dois pesos e duas medidas e que dificilmente o convenceria, mas ele não poderia se arriscar assim sem razão alguma além de querer se provar e eu não podia permitir.

Anya me ajudou a vestir uma roupa preta mais apropriada para um velório que consistia em um vestido preto e simples de mangas ¾.

Desci para o café e encontrei a família Serov toda reunida, com exceção de uma única pessoa.

— Escritório — o rei disse sem sequer me olhar. Me perguntei se ele também achava que era culpa minha que Dimitri estivesse se preparando para uma missão kamikaze.

Minha mão já estava estendida para a porta quando ela se abriu.

Nós ficamos nos olhando por alguns segundos. Meus olhos desceram de seu cabelo para seus olhos e deles para sua boca e eu senti que ele fazia o mesmo caminho.

— Dimitri — sussurrei pegando suas mãos e apertando. — Não faça isso, você vai morrer.

Ele desviou os olhos de mim, ignorando-me.

— E daí? — sua voz suave era pior que se ele tivesse gritado comigo. — Você me odeia. Por quê eu não iria?

— Eu não te odeio, você sabe disso — tentei dissuadi-lo em desespero. — Dimitri, por favor! Você só está com vontade de se provar.

— Layla, amor, as coisas estão muito complicadas — ele disse passando as mãos pelo cabelo. — Eu só quero conversar com os líderes e ver como podemos entrar em um acordo.

— Eles vão te matar — sussurrei. — Eu sei que vão.

— Não vão. Confie em mim em relação a isso — a ênfase leve quase não foi percebida nas três últimas palavras. Porque eu não tinha confiado nele da outra vez e por isso as coisas entre nós estavam estranhas.

— Pense no seu pai! Ele já perdeu a esposa e um filho, quer que ele perca o outro também?

— Layla, ele sabe mais do que ninguém que isso é necessário e mesmo que eu morra — ele acariciou meu rosto e meu corpo traidor se inclinou em sua direção — você será a rainha. Meu coração é seu coração, meu sangue é seu sangue agora, minha esposa.

— Você é um idiota! — atirei para ele quase às lágrimas.— Qual é o seu problema? Você tem um maldito exército. Não precisa se meter nisso!

Dimitri abaixou-se levemente para que seu rosto ficasse no mesmo nível do meu, ele parecia esperar a minha fúria, porque sequer piscou.

— Layla, esse é o meu povo. Nosso povo. Um líder de verdade é sempre o primeiro a se sacrificar em situações muito piores que essa.

— Você não precisa se sacrificar — teimei, ainda irritada demais para manter um tom moderado. — Você pode ficar aqui, onde é seguro.

Dimitri suspirou e me beijou ternamente nos lábios e na testa.

— Não. Falamos sobre isso depois que eu voltar.

Ele já estava na porta quando eu resolvi usar minha última arma.

— Se você for, eu vou voltar para Illéa — ameacei com toda a ferocidade que consegui. — Você nunca mais vai me ver e dessa vez nem se o próprio Deus pedir eu fico aqui.

Isso o fez olhar pra mim.

Seus olhos se fecharam e eu cruzei os dedos esperando.

Quando ele os reabriu, o que eu vi ali me tirou o fôlego.

— Quando você estiver de volta a seu quarto em Illéa, não se esqueça que eu sempre vou amá-la.

Ainda assisti incrédula quando Dimitri entrava no grande carro preto e se preparava para sair da minha vida de vez.

Corri de volta para o meu quarto, chorando como uma garotinha patética de cinco anos. Eu não podia acreditar que Dimitri estava sendo tão descuidado com a própria vida para me punir, sendo deliberadamente suicida. "Um líder de verdade é sempre o primeiro a se sacrificar em situações como essa." Eu odiava ele e sua mania de ser o príncipe perfeito e também a sua síndrome de super-herói! Dimitri era apenas humano bobo e com o ego ferido por sua esposa idiota e traída, mas ele não tinha o direito de fazer aquilo com o próprio pai e nem comigo, mesmo que eu não entendesse nada da nossa relação naquele momento.

Joguei um travesseiro contra a parede.

— Argh! Teimoso — esbravejei.

— Alteza — Anya chamou com um fiapinho de voz, parecendo me temer.

— Diga — falei de forma rude demais, mas nem dei importância. Eu queria esganar Dimitri.

— O… príncipe deixou isso para a senhorita — ela indicou uma caixa sobre minha escrivaninha.

— Quando? — minha voz parecia rouca.

— Durante o seu banho, Alteza.

— Obrigada, Anya — eu disse, pegando a caixa. Era bastante leve e algo lá dentro rolou quando eu a ergui.

Minha assistente fez uma mesura e saiu.

Examinei a caixa. Dentro dela havia uma retângulo prateado — um laptop — e uma caixinha menor e preta. Abri a caixinha preta e meu coração quase parou. Aninhada em veludo negro estava minha aliança.

Tendo um mau pressentimento sobre isso, abri o laptop. Dentro dele havia um bilhete com uma única palavra na caligrafia fina e elegante de Dimitri escrita em inglês e em russo: confiança.

Colocando o bilhete junto com a caixinha da aliança na caixa maior, dei o play.

Na tela, Dimitri entrava em seu escritório com Sasha, já era mais de meia-noite.

Ele se sentou em sua cadeira atrás da mesa e ela diante dele.

Os dois conversaram muito, mas como não dava para ouvir, me concentrei no mostrador de horas. Era quase duas da manhã quando os dois saíram, Dimitri parecendo um tanto quanto abatido e Sasha resoluta.

A imagem mudou para o corredor do lado de fora dando continuidade à cena, os dois encontraram Yeva no corredor e ela falou com eles parecendo brava, Dimitri e Sasha falaram um pouco com ela e continuaram seu caminho, os dois andando em silêncio até o segundo andar e Dimitri seguindo para o terceiro. Nova cena: uma menina em roupas íntimas sentada no chão diante do seu quarto. Dimitri se ajoelhou no chão e estalou os dedos diante dela. Kira abriu os olhos e se mexeu. Os dois conversaram um pouco e Dimitri passou a gesticular muito enquanto Kira sacudia a cabeça. Por fim ele suspirou e abriu a porta para ela com uma chave que trazia no bolso. Bateu co ma mão na testa e refez o caminho para o andar de baixo, as câmera os acompanhando, pegou alguma coisa em seu escritório sorrindo e colocou no bolso. Voltou a subir as escadarias e ele então abriu a porta do meu quarto.

Pouco mais de cinco minutos depois ele saiu, mesmo pelo vídeo com um ângulo meio estranho dava para ver que ele estava extremamente pálido e se encostou com as costas à porta e a cabeça pendendo sobre as pernas. Dimitri puxou o próprio cabelo parecendo furioso e assustado, partindo meu coração em milhares de pedaços.

A imagem da câmera mudou para um vídeo em alta resolução de Dimitri.

— Layla — ele disse na tela fazendo com que eu me sobressaltasse —, enquanto você vê essas imagens eu possivelmente estou indo em direção ao leste e, conhecendo-a como conheço, sei que está furiosa comigo por isso — ele sorriu. — Mas deixe-me explicar tudo corretamente antes que você volte para Illéa. Como você acabou de ver, eu não menti sobre não tê-la traído e espero que isso tire parte da sua fúria direcionada a mim em relação a esse assunto.

"Sei também que você… — ele pausou como se procurasse um termo — ficou assustada e com medo do meu comportamento depois da consequente briga e eu não tenho palavras para dizer como me abomino por aquele ato covarde. Não foi a minha intenção bater em você, eu nunca o faria, mas a raiva e a inconformidade por você ter desconfiado de mim parece apenas abrir as comportas de tudo que eu estive sentindo e eu acabei descontado na parede do seu quarto."

Dimitri mudou de posição e afastou um pouco a câmera.

— Há alguns dias você tem notado que eu tenho sido esquivo e eu contei que estava preocupado com a reação dos seus pais sobre nosso casamento e isso é verdade, mas você percebeu que não era tudo e realmente não era. Quando fomos à boate, eu não fui exatamente para te mostrar uma parte da Rússia, eu fui atrás de informações e acabei descobrindo que o líder rebelde é ninguém menos que o meu próprio irmão.

Quase deixei o laptop cair com isso e consequentemente perdi uma parte do discurso de Dimitri, que continuava.

— … estou indo em direção à Yuri. Sei que você acha que eu tenho um desejo imenso de me provar e isso é verdade, mas o meu orgulho de líder é infinitamente menor que o meu amor por você e se fosse possível eu teria ficado e resolvido nossos problemas antes de partir, mas não posso porque eu preciso fazer meu irmão parar. Não planejo morrer e espero que você esteja em casa quando eu voltar, mas sei que não posso desejar isso, pois eu mesmo me coloquei nessa situação através de fatores que eu pude e de muitos outros que não pude controlar. Deixo sua aliança como um lembrete de que por maior que sejam os nossos problemas e diferenças, o meu amor pro você permanece imutável e aceso como um rubi. Eternamente seu, Dimitri Ivanov Serov.

Fechei o laptop com força. Eu não queria ver aquilo.

Permaneci ali por alguns minutos, estática. Dimitri sequer havia entrado no quarto com Kira. Eu o havia acusado injustamente. E ele quase tinha me socado, lembrei-me, mas isso não abrandou nem um milésimo da dor que eu sentia por ter causado aquilo. Eu, meu ciúme e meu ego.

O pior de tudo é que eu podia ver com perfeição como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu o tivesse ouvido.

Eu queria desesperadamente falar com Dimitri, pedir desculpas, mas ele não estava mais ali. Peguei minha aliança na caixa e coloquei-a de volta no dedo a qual ela pertencia.

Notas finais
É isso, beijos!