Notas iniciais
Hoje é último dia de postagem do ano e eu gostaria de agradecer a cada um de vocês que esteve esse ano comigo, me ajudando a escrever, me dando motivação, puxando minha orelha quando as coisas não saíam do jeito que vocês queriam. Quando eu "criei" a Snow Girl eu prometi para mim mesma que ela seria exatamente como meus amigos aqui de casa dizem que eu sou: fria, difícil de lidar, sarcástica e implicante. Mas eu não consegui. Já na minha primeira postagem eu estava completamente elétrica, com medo da rejeição e esperando um monte de críticas ruins. O que eu recebi foi muito amor, umas pessoas doidas mandando eu postar logo e um monte de coisas engraçadas. Eu queria saber sobre vocês, queria compartilhar meu gosto musical e surtava quando alguém elogiava a música do dia (é, eu sei que parei de postar, mas não tenho culpa, ok? Inspiração às vezes vem do nada)... ou seja: o objetivo da Snow Girl já era e eu nunca fiquei tão feliz por uma coisa dar errado. Eu não sei se existe um Deus — ou alguns deuses — lá fora, mas se existir alguma coisa, eu sou extremamente grata por ter conhecido pessoas tão maravilhosas, inteligentes e engraçadas. Obrigada, meninas, por fazerem o ano de 2014 tão inesquecível para mim. Só não vou dizer os nomes porque se não daria um livro aqui, mas mesmo os meus amados fantasmas fizeram o meu ano melhor — eu estou sempre de olho no meu contador de acessos, gatos, vocês podem não comentar mas eu sei que existem, viu? — e mais motivado. Mais uma vez: obrigada amores. Vejo vocês em 2015! No último capítulo de DANC: "— Ouça, meu passado não é exatamente bom. Na verdade, até meus dezoito anos eu poderia perfeitamente deletar tudo da memória. Eu era arrogante, prepotente e não dava a mínima para nada. Meu pai destruiu o meu quarto quando soube que eu costumava levar prostitutas lá e eu sequer pisquei, só coloquei móveis novos lá — contou, alterado. — Quando fiz dezoito ele literalmente me obrigou a tomar minhas responsabilidades, ele me mantinha cativo em meu próprio quarto com um monte de papeis de relatórios na minha frente e um prato de comida que deveria durar o dia todo. Eu aprendi a crescer e me arrependi das coisas que fiz quando estava mal. Eu não falei nada. Dimitri sacudiu a cabeça. — Confie em mim, Layla — ele pegou minhas mãos. — Eu nunca quis outra mulher como quero você. Assenti. Eu confiava."

O sétimo dia do ano veio estranhamente ensolarado para o inverno russo e Anya, que tinha voltado dois dias antes, dizia que era um bom presságio para o casamento.

Como ela era minha assistente, não vimos necessidade de esconder dela que iríamos nos casar e Anya, para minha eterna surpresa, me abraçou firmemente.

— Obrigada — ela disse baixinho, em inglês, o que me surpreeendeu mais ainda. — Eu nunca vi esse menino parecendo tão menino quanto agora. Você o fez ser um homem normal como ele não era desde a morte da rainha Katherine.

Eu sorri, emocionada.

— Fico feliz em ser útil, senhora — fiz uma mesura.

Ela havia secado as lágrimas e sorrido.

— Pois então, deve treinar e aperfeiçoar o seu russo, futura rainha da Rússia.

Fiz careta para suas palavras e ela deu uma risadinha.

— Hoje é o seu dia, não deveria fazer careta — repreendeu.

— Desculpe, Anya — eu disse enquanto ela terminava de arrumar o meu cabelo.

Para o rei, Anya e eu planejávamos passar o dia com suas filhas e eu só voltaríamos para o jantar de natal. Essa era a explicação para o meu sumiço de um dia inteiro que na verdade eu estaria me casando com o seu filho.

Me sentia meio mal por estar enganando-o, mas Dimitri havia prometido que o mais rápido possível estaríamos contando tudo para nossas famílias. Aquilo me acalmou um pouco.

Anya terminou com meu cabelo e passou a me maquiar. Eu me sentia como uma boneca tamanho gigante enquanto ela aplicava produto atrás de produto em cada centímetro possível de minha pele.

Por fim, Anya disse que eu estava pronta.

Olhei-me no espelho e me surpreendi com o resultado.

Ela havia feito um coque baixo, simples e elegante em minha nuca, deixando minha franja especulativamente no rosto e havia colocado minha coroa favorita sobre meus cabelos, uma cheia de diamantes que havia pertencido à minha avó America e que ela me dera no meu aniversário de quinze anos.

A maquiagem suave realçava minha pele bronzeada que não combinava em nada com a paisagem nevada lá fora, mas combinava perfeitamente com o vestido branco, apenas ligeiramente mais bufante que os que eu costumava usar normalmente. Poderia ser um vestido normal, se eu não estive arrumada para o meu casamento clandestino.

— O véu estará dentro da minha bolsa — sussurrou Anya. Ela também se sentia uma clandestina. — Não podemos correr o risco de alguém vê-la vestida assim. O buquê estará no carro.

Assenti em agradecimento. Se eu abrisse a boca certamente iria vomitar e isso era uma péssima ideia.

Anya havia providenciado o transporte com um dos guardas do palácio que era seu amigo de longa data e que ela fizera jurar que não falaria nada sobre aquilo para ninguém.

Saímos pelas portas do fundo para o dia frio e o carro preto. Eu estava agradecida pelo meu vestido revestido com tecido térmico para manter o calor corporal.

Fomos conduzidas por ruas largas e quase vazias enquanto Anya colocava o véu por baixo do meu cabelo. Ela sorria e cantarolava baixinho como se fosse apenas um dia comum.

Por fim o carro parou e eu a olhei em pânico.

— Tudo vai dar certo — ela disse como se lesse minha mente. — Fique aqui dentro que eu vou avisar ao musicista da sua chegada.

Agradeci novamente e comecei a contar minhas respirações para me acalmar antes que eu desmaiasse. Ela saiu levando o buquê.

Cedo demais, Anya voltou.

— Vamos, princesa.

— Eu vou desmaiar — sussurrei.

— Não, não vai — disse com paciência. — Segure minha mão.

Assenti e saí tremendo do carro, mas nada que o tecido macio fizesse poderia deter os tremores de medo que percorriam meu corpo.

Eu ia me casar. Ah, meu Deus.

Onde eu tinha me metido?

Ouvir a música também não ajudou muito. A única coisa que definitivamente me acalmou foi Dimitri — o cabelo ligeiramente comprido tinha sido cortado à semelhança do de Robert, quase curto demais para o meu gosto — parado no altar com uma expressão séria, os olhos fixos em mim.

Eu estava ali por ele. Eu o amava e queria pertencer a ele queria que ele pertencesse a mim, lembrei-me.

Entrei na capela vazia com Anya a meu lado e lamentei que papai não pudesse ter a honra de levar sua única filha ao altar.

Entreguei o buquê para Anya assim que alcancei a ara. Dimitri pegou minha mão e nós nos ajoelhamos diante do sacerdote.

Não tinha muita certeza do porquê, mas o padre estava lendo nossos votos em latim, eu conseguia acompanhá-lo, claro, mas não tão bem quanto o russo. Queria perguntar para Dimitri sobre isso, mas eu não interromperia meu casamento para isso, não é?

Então chegou a parte mais temida de todas. Nós nos levantamos.

Dimitri começou, ainda bem.

— Eu, Dimitri Ivanov Serov, recebo por minha esposa a ti, Layla Piper Schreave, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida — ele disse, solenemente.

Dimitri sorriu para mim e assentiu.

— Eu, Layla Piper Schreave, recebo por meu esposo a ti, Dimitri Ivanov Serov, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida — prometi.

— Confirme o Senhor, benignamente, o consentimento que manifestastes perante a sua Igreja, e Se digne enriquecer-vos com a Sua bênção. Não separe o homem o que Deus uniu — disse o sacerdote. — As alianças, por favor.

Olhei em pânico para Dimitri, mas ele apenas colocou a mão no bolso do paletó e entregou ao homem, arqueando uma sobrancelha para mim como se dissesse "Você realmente achou que eu iria esquecer disso?".

Dei de ombros levemente. Eu teria esquecido.

O padre pegou os dois aros de metal e colocou sobre o púpito. Então pousou a mão sobre elas e disse:

—Abençoai e santificai, Senhor, o amor dos vossos servos Dimitri e Layla, para que, entregando um ao outro estas alianças em sinal de fidelidade, recordem o seu compromisso de amor.

Dimitri pegou um anel.

— Layla, receba esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade.

Minha aliança era um lindo aro de ouro que fazia uma curva ao redor do rubi solitário como se as duas pontas do anel o segurassem.

Eu o olhei emocionada, deslizando por meu dedo anelar.

Decididamente não enxergando nada, peguei o outro aro, simples e grosso e deslizei pelo dedo de Dimitri, dizendo:

— Dimitri, receba esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade.

— Em juízo, pode beijar a noiva.

Dimitri tocou o véu com as pontas dos dedos e o ergueu delicadamente.

Ele beijou cada uma de minhas pálpebras para secar minhas lágrimas, a ponta do nariz e por fim meus lábios. Havia algo de vitorioso quando nossas bocas finalmente se encontraram e eu pensei que iria realmente desmaiar naquele momento.

— Princesa Layla Schreave Serov — sussurrou em inglês, os olhos fixos nos meus com um fogo negro que derretia tudo dentro de mim —, eu te amo.

Notas finais
Aaaaaaaawn, eu sei! Casamentos supostamente são eventos para compartilhar com quem se ama, mas a pessoa mais importante em um casamento é aquela que você quer compartilhar a vida, certo? #TiaSnowFilosofando Enfim... logo logo a viadagem acaba, de um jeito ou de outro haushaus Até logo ♥