Degolados - Casa Dos Horrores

1 Capítulo 1 - chegada à casa dos horrores


Notas iniciais
* A chave da Elizabeth/Alice abre todas as portas para que ela escape, na história original, ela ganhou essa chave para fugir da rainha, mas ela vive procurando a verdadeira, porque a dela é uma cópia.

A pequena garota de cabelos loiros estava assistindo um filme qualquer na sala, nada que atraísse seu interesse para tela, apenas passando o tempo; procurou algo nos canais de culinária, “Mas para que eu vou ver canal de culinária se nem sei cozinhar?”, pensou a menina, “Sou realmente uma imbecil, mas o que está passando não importa, irei dormir de qualquer jeito não é?”.

Assim se prepara para dormir, ajeitava o cobertor (que acabara de ser dobrado por umas de suas irmãs de consideração) a seu favor, colocava em um filme preto e branco, diminuindo sua atenção mais ainda da televisão, só que depois de todo o preparo havia esquecido a luz acesa e não conseguira fechar os olhos com aquela luz forte que a sala tinha.

Vencendo a preguiça, consegue levantar alcançando o interruptor, apertando-o com o sentimento de conquista, dando mais vontade de voltar para o seu cobertor quentinho e assim voltou para ele, se enroscando toda no cobertor, até se ajeitar com a cabeça sob o braço do sofá.

O som da televisão ficava cada vez menor, os sons estranhos que sempre apareciam naqueles momentos também sumiam, os olhos da pequena menina iam ficando mais pesados, o cobertor mais quente e tudo ficando mais escuro. Silêncio total. Não pensava em nada a pequena menina, apenas aproveitava esses momentos silenciosos e escuros para dormir, porém isso tudo é quebrado por um objeto desconhecido se quebrando no chão.

Os olhos da pequena menina se arregalam como as de uma coruja durante a noite, mas ela não estava caçando algo, estava assustada. Foi jogada fora de seu momento de silêncio total, por causa de um barulho desconhecido.

O ambiente estava diferente. A televisão não passava mais um filme, estava apenas chiando, sem imagem alguma, estava tudo escuro ( o que fazia o ambiente mais sombrio para a pequena garota, já que tinha medo de escuro) e ninguém dava sinal de que estava acordado, “ Acordei em um filme de terror?”, pensou enquanto andava nas pontas dos pés até o corredor perto da sala.

Espiava o corredor atravessando apenas a cabeça pela porta, olhando para os dois lados, ambos estavam escuros; só piorava o medo da pequena garota que voltava para o sofá nas pontas dos pés, quando avista atrás do sofá um objeto caído, “O que será agora?”, disse a pequena, cada vez mais curiosa.

Foi se aproximando cada vez mais do objeto, chegando mais perto e vendo melhor o que era; um relógio de bolso todo destroçado, havia algumas peças dele jogadas a sua volta e outras um pouco mais longe, estava aberto, provavelmente foi jogado com muita força. A pequena era muito curiosa, agachava e pegava o relógio quebrado para ver melhor os detalhes, tentava fecha-lo, mas não fechava, estava quebrado obviamente por causa da queda, “Eu não me lembro de ter um relógio de bolso em casa”, refletiu, passando o dedo indicador sobre o relógio.

Por trás da pequena se ouvia um barulho estranho, parecia um ruído (que estava mais para um atordoante gargarejo), a fez levantar lentamente, virando-se para trás. Ali estava um coelho em um terno, mais alto que a menina; não havia olhos, apenas dois buracos que derramavam sangue, suas orelhas longas estavam mordidas, sua pelagem branca estava cinza e ao tentar “andar”, mancava, “Acho que ele foi pego pela raposa”, pensou a garota.

O coelho estava vindo na direção da pequena garota, gargarejando com a boca bem aberta ( dava para ver os poucos dentes que tinha) e esticando seus braços finos na direção da garota.

S-Sai! N-Não chegue perto! – Não sabia ao certo se o coelho entendia, não falava a língua dos coelhos, mas tinha que avisar de alguma forma que não o queria por perto.

A garota dava passos curtos para trás, sem perceber que o chão em baixo dela estava rachando, o próximo passo afundou sua perna até o joelho, fazendo a pequena cair de costas no chão e derrubar o relógio de bolso quebrado para longe; o buraco ia aumentando e afundando de vez a garota, deixando o coelho sozinho na superfície.

O buraco parecia ser fundo, que deu tempo de a garota olhar à sua volta e imaginar o que iria acontecer. Primeiramente olhava para baixo para ter uma noção do que viria a seguir, mas era muito fundo; em seguida olhou para as paredes e reparou que estavam forradas por quadros, viu molduras com pinturas penduradas em prego e dessas mesmas paredes saíam vários canos, muitos canos, que derramavam um líquido estranho.

Caindo, caindo, caindo. Já fazia um tempo que estava caindo e nesse tempo pensava em seu triste fim, não tinha como sobreviver de uma queda como aquela, “ E se eu usar um dos quadros como paraquedas?”, falou em voz alta, pensou em seguir o exemplo dos desenhos animados, mas isso quebraria todas as leis da física, se bem que a garota nunca foi amiga da física ( E aquele buraco não seguia fielmente essas leis também).

O buraco estava ficando mais estreito, ficando difícil de desviar dos quadros e canos que havia na parede; chegou uma hora em que bateu seu pé em um quadro, fazendo a pequena dar cambalhotas, uma seguida da outra, quando subitamente, bum, bum! Caiu de costas no chão, “Ah!”, a garota deu um grito de dor, logo em seguida passando a mão em suas costas ( conferindo se não havia quebrado nada). Quando olhava para cima só via a escuridão do buraco sem fim.

A garota se levantava com dificuldade, se apoiando na parede para tentar andar e seguir a diante no corredor que acabou de cair. Seguia até o fim do correr, onde tinha uma porta semi aberta, “ Bem, não tenho outra saída a não ser esta porta”, falou a garota, engolindo seco, pois não lhe agradava cenários de terror.

Abria a porta devagar ( para o caso se tivesse um monstro, teria chance de fugir, viu isso em filmes de terror dos E.U.A), entrando aos poucos na sala, por sorte não havia um monstro, mas havia uma boneca, feita de pano, com botões negros no lugar dos olhos, seus cabelos eram fios de lã cor marrom, estava vestida e um vestido azul marinho, cheio de babados. Não parecia, para a pequena garota, uma ameaça, por isso foi se aproximando devagar; a boneca dava um pulo soltando um “Hey”.

Oh! Olá...”, a garota falava para a boneca, “ Por favor, você sabe onde está a saída desta casa?”, podia ser estranho uma boneca falar, mas já que falava, por que não aproveitar a oportunidade para perguntar algo?

Só há...uma saída aqui...”, a boneca falava com uma certa dificuldade, parecia que tinha algo dentro de sua boca que a incomodava, “ E onde ela está?”, falou a garota, já estava perto da boneca, o suficiente para pegá-la, “Você...tem que achar a chave...para sair...”, a boneca se levantava para andar em direção a uma porta cor de carmim.

Mas onde vou encontra-la? Nunca a vi antes”, a pequena não se atrevia a chegar perto da boneca.

É aquela chave...que você sempre carrega...”, dessa vez a boneca abria uma porta menor na porta cor de carmim, mas não entrava.
Minha chave*?”, a garota passava a mão em seu colo do peito percebendo que a chave que sempre carregava, havia sumido, sentiu um arrepio no corpo (Não podia perder a chave, era importante demais para perde-la, pois abria todas as portas), “A minha chave! Onde está?”, disse a pequena desesperadamente.

Dessa vez a boneca se apoia na porta cor carmim, tossindo, tentando tirar algo que estava incomodando sua pequena garganta de pano “P-Procure... cof cof... pela casa... cof cof... pode estar em qualquer lugar... cof cof”, dizia a boneca, encostando o corpo na porta, apenas tossindo.

A única saída era a porta cor carmim, a pequena ia até a maçaneta dourada e redonda da porta, virando-a para a direita, mas nada acontecia. A pequena tentava mais uma vez, porém sem sucesso, “Pode estar em qualquer lugar”, pensou a garota, todavia naquela sala não havia nada, nenhum móvel ou quadro, apenas a pequena garota e a boneca, “Quem sabe se eu perguntar a boneca, ela me dê uma dica”, sem perder um minuto foi perguntar se ajoelhando na frente dela, “Onde está a chave?”, falou a pequena, porém a única resposta que teve foi a da boneca apontando para a boca, de onde saia apenas tosse, “ Por favor, me diga, estou cansada de ficar aqui”, e a boneca continuou com o gesto.

A pequena começou a pensar, “De repente ela esteja apontando para a chave”, ela pegou a boneca, colocando-a sentada em seu colo, batendo-a nas costas, mas ela continuava engasgada. Para ver melhor, abria a boca da boneca com as mãos e conseguia ver um pedaço vermelho, “Oh! Acho que é a chave”, a pequena colocava alguns dedos dentro da boca de pano e mesmo assim, não alcançou a suposta chave. Dessa vez, colocava aos poucos, a mão inteira, encostando apenas alguns dedos na suposta chave; assim afundava a mão, até o punho, finalmente a alcançando e puxando-a para fora. Era uma chave cor carmim e enorme, não conseguia imaginar como a boneca teria engolido aquilo.

A pequena de pano não falava mais, também não conseguiria fazê-lo por sua boca estar rasgada dos lados, ficando sem mexer, nem se quer gemia de dor; apenas a colocava em um canto da sala e colocava a chave que encontrara, na fechadura da porta cor de carmim, entrando em um corredor cheio de chaves penduradas por fitas vermelhas. Fechava a porta se esquecendo da boneca de pano.