Defeituoso

5 Did i build this ship to wreck?


Naquele momento, Gabriel achou que ia desmaiar de tanto que se assustou.

Nunca tinha beijado ninguém antes e também nunca tinha idealizado um momento ideal para isso, mas ser beijado do nada, ainda mais depois de todas as revelações da noite, o desestabilizou totalmente.

Eram tantas informações ao mesmo tempo que não sabia se empurrava Luis, se surtava por não saber como se mexer ou se tinha um ataque cardíaco pela língua que entrava em contato com a sua.

Luis sabia que tinha sido impulsivo, sabia que não devia simplesmente tascar um beijo na pessoa depois de jogar tantas bombas de uma vez, mas eles estavam tão perto e Gabriel era tão fofo com a expressão confusa que não teve como resistir. Se fosse estapeado depois disso não reclamaria nem um pouco, na verdade até gostaria, porém isso era uma fantasia para depois que estivessem devidamente juntos e marcados.

Durante o beijo podia sentir que Gabriel nunca tinha feito aquilo antes, a resposta inesperada era desajeitada, mas não incomodava nem um pouco, apenas o incentivou a continuar, aproveitando para deitar Gabriel na cama, deixando tudo mais cômodo. Secretamente ele e seu lobo estavam com o sentimento de possessividade e ego inflado, pois seria o primeiro e único a tocá-lo daquela maneira íntima.

"Meu Deus, o que eu estou fazendo? O que está acontecendo e porque eu estou deixando?" Gabriel pensava inquieto

Assim que se separaram rapidamente pela falta de ar, já que Gabriel ainda não tinha experiência e estava muito nervoso, Luis desceu os beijos para seu pescoço aproveitando que o moreno ainda não tinha processado exatamente o que estava acontecendo.

Não ia mentir, durante a adolescência, enquanto ainda estava se descobrindo, tinha se deitado e experimentado diversas coisas com diversas pessoas, mas desde que colocou os olhos em Gabriel mais ninguém importava ou conseguia entretê-lo.

Aquele momento de amassos desajeitados, fazia todas as experiências passadas parecerem perda de tempo. Definitivamente aquele lobinho de pele macia era feito para si, tudo nele o levava ao limite sem precisar de muito, desde o cheiro de folhas de chá, até os olhos confusos tentando decidir o que fazer.

Não queria pensar que estava apressando demais as coisas quando não sabia quando ou até se poderia tocar e apertar Gabriel daquele jeito novamente, não sabia quando ia poder lamber aqueles lábios e, principalmente, não sabia quando ia poder ouvir os gemidos que ele desconfiava que o menor nem sabia que estava soltando.

Decidido a arcar com as consequências depois, tratou de tirar a camiseta de Gabriel para se afundar mais uma vez na carne macia.

Como se lesse os receios de Luis, Gabriel despertou do transe em que estava assim que sentiu os beijos quentes em seu peito desnudo e o empurrou com tudo. Muitas coisas estavam passando por sua cabeça, choque, medo, surpresa, mas o principal era a vergonha.

Como se não bastasse sua inexperiência em atividades românticas, ainda tinha deixado Luis ver parte de seu corpo feio e gordo, não queria ser tocado, não queria sentir dedos se afundado na gordura de sua barriga ou de suas costas, não queria de maneira alguma ser visto como era.

Queria gritar, queria chorar, queria não ter percebido tudo tão rápido, queria poder se iludir e sentir mais daquilo por um minuto, mas estava fora de questão.

As palavras trancaram em sua garganta e apenas ficou longos minutos sentado na cama, agarrando a camiseta contra o corpo, tentando normalizar a respiração.

Luis tinha levado um choque com o empurrão, como alguém que acorda na parte mais importante de um sonho. Não se arrependia, tinha acabado de se declarar e esperava que Gabriel entendesse a magnitude de todas as suas palavras e ações, apenas admitia que deveria ter considerado ir mais devagar e não cedido aos instintos, mas se pudesse voltar no tempo para alguns minutos atrás não faria nada de diferente, na verdade, apertaria mais forte e não o deixaria fugir de seus braços.

Sabia que tinha que amenizar as coisas para não estragar o que mal tinha começado ainda e aproveitou o tempo que Gabriel ficou em silêncio sentado ao seu lado para isso.

"Não é justo, eu esperei anos para chegar perto dele e nosso primeiro momento juntos não dura nem 5 minutos" pensou contrariado

Tentou se aproximar calmamente do lobo assustado do seu lado e tocou-lhe o ombro, bem perto da meia lua que mostrava que era um ômega e pode ver o arrepio que passou pelo corpo dele

— Desculpe se te assustei, não era minha atenção. Não quero que se sinta pressionado a nada. Como disse antes, teremos tempo para você me conhecer e decidir por conta própria se quer ficar comigo ou não.

— Eu vou deitar — Gabriel disse sem se virar, já colocando novamente a blusa e se levantando para ir para o quarto ao lado — Estou cansado, foram dois dias muito intensos e não consegui parar por nem um minuto, fora todas as histórias que ainda tenho que processar. Se sentir fome tem coisas na cozinha que nós trouxemos da vila

— Eu sei que está cansado, mas não podemos já deixar as coisas começarem errado, não quero impasses ou que tenha inseguranças quando se trata de mim e...

Não deixando Luis terminar de falar, Gabriel se levantou e foi para o quarto de hóspedes ao lado.

Ainda não tinha voltado ao normal e a vergonha ainda pulsava por seu corpo, podia sentir o toque e os lábios de Luis nos seus, porém não queria e muito menos merecia. Tomou banho o mais demorado que podia, como se a água pudesse levar tudo que estava sentindo e adormeceu minutos depois de deitar na cama, amanhã pensaria em tudo, por enquanto só queria o merecido descanso.

No quarto, Luis se sentia frustrado, não queria que aquilo tivesse acontecido, estava preparado para chutes, gritos ou até mais beijos, mas o silêncio o incomodava demais, queria ler mentes, queria magicamente transportar todos os sentimentos que tinha para a cabeça de Gabriel e ver se ele compreendia tudo sem complicações.

Odiava a falta de comunicação, mas compreendia, não tinha sido um dia fácil e obviamente não deixaria aquilo passar, apenas se controlaria mais e faria uma abordagem mais sutil.

Mesmo que a noite não tivesse sido como esperava, ainda tinha na ponta da língua o gosto doce de Gabriel e só aquilo já era suficiente para apaziguar suas angústias.

Com um sorriso nos lábios, desceu para a cozinha, estava mesmo morrendo de fome e tinha muito o que fazer, afinal, tinha negligenciado os assuntos da matilha por quase dois dias seguidos.

"Carlos vai me matar por ter trocado a noite pelo dia de novo" Pensou rindo consigo mesmo enquanto esquentava um prato pronto no microondas

****************************************************************************

No dia seguinte Luis não teve nem oportunidade de ver Gabriel pela manhã, tinha passado a noite toda trabalhando nas questões da matilha e, quando achou que teria uma pausa, o sol já raiava lá fora e Carlos não demorou muito para bater na porta de seu escritório, listando todas as coisas que tinham que fazer naquele dia.

Definitivamente, ser o líder da matilha tinha seus prós e seus contras. Tinha em mente que quanto mais rápido terminasse tudo e deixasse Carlos satisfeito, mais rápido poderia voltar para casa e aproveitar o tempo com Gabriel, era importante que não criassem uma distância desnecessária como aquela.

Determinado e já tendo uma ideia de como se desculpar, levantou para pelo menos tomar um banho rápido e mesmo sabendo que não deveria, não resistiu a vontade de dar uma espiada no quarto em que o pequeno lobo dormia sereno, sabia o quanto ele estava cansado.

Ao abrir a porta teve o vislumbre de um Gabriel enrolado nas cobertas em uma posição engraçada e com uma expressão relaxada, tentou entrar o mais silenciosamente possível e simplesmente sentou para olhá-lo por um instante.

Amava aquele homem desde o momento que o tinha visto pela primeira vez, durante toda a sua vida as incertezas o rodearam, mas quando se tratava de Gabriel tudo parecia tão simples e tão claro, queria cuidar dele, queria que tivessem uma história juntos e, por mais piegas que fosse, queria segurar sua mão e transmitir todo carinho que sentia.

Tinha certeza que se algum dia dissesse para alguém os seus sentimentos de forma tão honesta, seria motivo de zombaria, mas até isso não parecia ruim contanto que o tivesse ao seu lado.

Perdido em pensamentos, levou delicadamente a mão ao rosto de Gabriel para lhe fazer um carinho suave e este, instintivamente, se aconchegou querendo mais, sem noção do que acontecia devido ao sono pesado.

Não era tolo, sabia da vida tão diferente da sua que menino tivera, os abusos, a solidão, a necessidade. Queria fazer tudo desaparecer, mas sabia que não podia, então lhe restava apenas a esperança de proporcionar lembranças maravilhosas para sobrepor esses fantasmas.

— Vamos, já estamos atrasados — Ouviu Carlos dizer baixinho perto da porta semi-aberta e deu um suspiro frustrado por ter aquele momento íntimo quebrado, mas entendia que existiam pessoas além de Gabriel que dependiam de sua competência como líder.

Se levantou devagar e viu como ele se remexeu insatisfeito quando a mão que acariciava seu rosto se foi, deu um sorriso leve enquanto fechava a porta.

— Não diga nada, eu juro que vou te bater se você disser — Se adiantou, sabia que Carlos tinha visto tudo e que ia zoar eternamente da sua cara por ser tão apaixonado.

— Eu não disse nada, você mesmo está se entregando que está todo bobo apaixonadinho.

Entre uma lutinha sem sentido iniciada por Luis e risos, saíram para os compromissos do dia que acabava de começar.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Com uma sensação muito preguiçosa, Gabriel abriu os olhos e se permitiu alguns minutos a mais na cama para assimilar tudo que estava acontecendo e onde estava. Mesmo que já tivesse aceitado que tudo tinha mudado da água para o vinho, era inevitável acordar desorientado pela sensação diferente de uma cama macia como aquela, tão diferente da que tinha deixado em seu simples antigo quarto. .

Depois de uns bons vinte minutos, aceitou que não conseguiria mais voltar a dormir e também, tanto sua barriga roncava como sua bexiga pedia por alívio, então decidiu levantar de uma vez e começar o dia, mesmo que não soubesse muito bem o que fazer com o tempo livre que tinha agora.

Depois de ter devidamente feito tudo que precisava no pequeno banheiro que tinha no quarto, tomou coragem e abriu a porta, observando por um minuto se havia algum movimento na casa. Sabia que se esconder não era a melhor opção e que era impossível, mesmo sabendo que Luis jamais invadiria seu espaço, algo em seu íntimo sabia também que ele não o deixaria em paz enquanto não conversassem sobre o acontecido de ontem.

Só de olhar para a grande porta branca no corredor já se sentia retrair de vergonha, lembrava claramente de cada uma das sensações que correram pela sua pele ao sentir os beijos e tinha vergonha de admitir que tinha desejo por aquilo, era egoísta o suficiente para querer mais daquelas sensações, mesmo sabendo que não deveria, pois não tinha chance alguma de ser suficiente na mesma maneira para o homem que era praticamente uma obra clássica esculpida, não queria pensar em tudo que o cansaço o tinha livrado ontem. Na verdade, sabia que não queria apenas lidar com a melancolia que isso traria.

Tentando se distrair, desceu para a cozinha cautelosamente e só respirou normalmente ao ver que não tinha ninguém em casa, Luis deveria ter saído para trabalhar. Ficou aliviado por pelo menos ter chance de se preparar para a segunda longa conversa que teriam, só esperava que essa tivesse um final melhor.

Tomou um café reforçado com as coisas que tinham comprado no dia anterior e, pela primeira vez em muito tempo, se sentiu bem e satisfeito comendo, tinha o costume descontar suas frustrações em comida e muitas vezes acabava só por engolir, sem realmente sentir o gosto, por um lado, mesmo que tivesse sido arrastado à força para aquele lugar, sua qualidade de vida vinha sendo muito melhor, já conseguia se sentir até mais disposto e sua mãe não parecia nada além de uma lembrança distante.

Como não sabia que horas eram, nem tinha ideia do que fazer, já que tinha organizado a cozinha e aberto o quarto, decidiu por explorar a bela casa em que se encontrava. Era simples, o que era engraçado se comparado com a personalidade de Luis, toda decorada em branco e cinza, com grandes janelas de vidro por todo lugar, o que não era estranho ou perigoso já que estavam no meio de uma floresta, numa comunidade isolada com poucos moradores.

Chegando no escritório, finalmente pode ver um lugar que combinava com Luis, simplesmente porque estava todo de ponta cabeça, com papéis, caixas e até embalagens velhas vazias jogadas por todo canto. Como não tinha nada melhor para fazer e também estava curioso sobre Luis, decidiu arrumar a sala enquanto aproveitava para analisar o que estava pelo chão.

Envolvido no que estava, não percebeu que pouco tempo depois Luis chegou e, estranhando a falta de movimento na casa, foi procurar Gabriel o encontrando de costas, abaixado mexendo em uma das várias caixas espalhadas e não tinha como, nem queria, não olhar para a bunda de Gabriel, não era justo, ele tentava fazer as coisas certas, mas a vida sempre dava um jeito de colocar obstáculos bons demais em seu caminho

Por mais que quisesse ficar o resto da vida admirando a vista privilegiada que tinha, não demorou muito para que o menor se sentisse observado e virou assustado, pensando que Luis estava com aquela cara séria por estar bravo de ter suas coisas bisbilhotadas, sendo que na verdade ele nem percebia a expressão que fazia, mais preocupado em guardar com muita satisfação aquela imagem em sua cabeça.

— Ah eu não tinha intenção de bisbilhotar, só estava sem nada para fazer e achei uma boa ideia recolher algumas coisas para deixar mais organizado para você. — Estava nervoso, sabia que não estava fazendo nada demais, mas não conhecia o outro o suficiente para prever suas reações.

Ao ouvir as desculpas, Luis voltou a realidade e tratou de tranquilizá-lo, não via problema algum em deixar que mexessem em suas coisas, sabia que não tinha pensado em nada que pudesse ocupar Gabriel no tempo que estivesse fora.

— Não se preocupe, não tem problema algum, não tenho nenhum segredo para esconder, já te disse que pertenço inteiramente a você. — Sabia que não precisava falar daquele jeito, mas era divertido demais, fácil demais, deixá-lo envergonhado, simplesmente não conseguia evitar. — Eu que me desculpo por deixar essa bagunça toda a mostra.

No pouco tempo que estava ali, já estava odiando a forma que Luis conseguia falar coisas tão absurdas com naturalidade, sabia que ele fazia de propósito, mas não conseguia controlar a vergonha, com isso, lembrou que ainda não estava preparado para ficar tão descontraído e procurou logo uma desculpa para se afastar.

— Estou com fome, vou pegar algo na cozinha — e rápido como falou, rápido passou pelo Alfa sem que este conseguisse falar qualquer coisa.

No fundo Luis se sentia incomodado com a situação, era realista, mas seu lobo não, ele se sentia rejeitado e isso interferia diretamente nas suas reações, era difícil prestar o dobro de atenção nas decisões que tomava ou nas coisas que falava alterado.

Tentou enterrar o desconforto e seguiu para a cozinha também, mais uma vez tinha como prioridade colocar as coisas em ordem com Gabriel.

Ao passar pela porta da cozinha, viu ele na ponta dos pés tentando pegar alguma lata no ármario e mais uma vez amaldiçoou a vida por colocar obstáculos tão bons em seu caminho, sabia que podia ter avisado, mas preferiu chegar de fininho por trás, colando seus corpos mais do que o necessário, enquanto fingia estar ocupado ajudando à alcançar a lata.

No momento em que sentiu o corpo grudar ao seu, Gabriel teve um arrepio involuntário, como sempre Luis estava perto demais, não deveria ser assim, quanto mais se esforçava para voltar a realidade, mais era tentado de cair em ilusões por causa daquelas investidas.

— Aqui, sei que não alcança, peguei para você — E com um sorriso travesso, entregou a lata para o menor.

A verdade é que seus verdadeiros planos não envolviam lata nenhuma e sim aproveitar que já estavam tão perto para agarrar do jeito que bem entendesse o corpo de Gabriel e fazer tudo que queria ali na cozinha mesmo, as cenas passavam por seus olhos com muita facilidade, mas entendia que teria que continuar esperando.

— Ah obrigada, não precisava, já ia procurar uma cadeira— Aproveitou que a água na chaleira começou a ferver para se esquivar.

Com um leve café da tarde, se sentaram na mesa um de frente para o outro e o clima tenso se instalou, estavam os dois incomodados, mesmo que por motivos diferentes.

Depois de um tempo, Luis percebeu que Gabriel não falaria nada nem se o obrigassem e se sentiu obrigado a começar antes que terminassem de comer e tivesse que arranjar outro pretexto para ter uma abertura para conversar.

— Não sei se já está mais calmo, mas precisamos conversar sobre ontem. Sei que acabei apressando as coisas e quero que me desculpe por isso, disse que ia respeitar suas decisões e logo no primeiro dia já passei dos limites — Por mais que não se arrependesse, estava sério nas desculpas.

Sinceramente, Gabriel não estava pronto para conversar sobre sentimentos, tinha muitas questões sobre si mesmo que o impediam de tentar ou aceitar as investidas de Luis, mas simplesmente não podia deixá-lo no escuro, não era justo, estava vendo como ele estava tentando.

— Não tem problema, não fiquei bravo, mas era meu primeiro beijo e também eu não tenho o costume de flertar ou algo do tipo, então essas coisas ainda me assustam um pouco. Sei que está tentando e o problema não é você, eu quero recomeçar tudo e aceitar essa nova vida, por mais doido que isso pareça, mas ainda existem coisas em mim que me impedem e sinceramente não sei se algum dia vou me desfazer delas.

— Que coisas? Eu entendo seu ponto e juro que podemos levar isso o mais devagar possível, se você não quer que eu te beije, não o farei até você querer, posso muito bem me contentar em segurar a sua mão como um romance de prézinho, por você eu aceitaria qualquer condição.

Era sério no que falava, admirava inteiramente o corpo de Gabriel, mas se ele falasse por anos ou até o fim da vida que não queria ser tocado, abdicaria disso por ele, seu jeito e suas ações despertavam emoções além de qualquer desejo carnal.

— Eu sei e agradeço por isso, mas não sei, é tudo muito difícil para mim. — Ao contrário das outras situações, agora não sentia vergonha das palavras de Luis, sentia apenas uma grande ternura. Não sabia o porque, mas o queria, não podia julgá-lo por toda a história de amor à primeira vista porque no primeiro momento que o viu, também soube que o queria da mesma forma.

— Não precisa ser, eu estou aqui com você, estou de coração aberto. Nunca mais vou deixar você sozinho, qualquer problema que tiver nós dois vamos resolver juntos, seja o que for, mas preciso que me deixe tentar pelo menos, o que acha?

— A gente pode tentar, mas preciso de espaço, não consigo fazer as coisas na mesma naturalidade que você. — Estava com vergonha e estava com medo, as coisas estavam indo num ritmo alucinante, além de mudar de casa, agora tinha um quase relacionamento também, mas não tinha mal em tentar, ele estava sendo tão bom e não tinha nada a perder mesmo.

Por um momento, Luis já estava se preparando para tentar convencer Gabriel mais uma vez, no entanto, quando assimilou que ele tinha aceitado pelo menos tentar, uma alegria contagiante se espalhou por seu corpo, mesmo que ainda fosse algo cru, ele o tinha. Não conseguiu evitar dar o melhor sorriso possível e entrelaçar sua mão na dele.

— Eu estou tão feliz que não tenho nem como expressar, sei que vai dar tudo certo e que vamos construir uma linda relação. Paciência não é um problema, quem vai ditar o ritmo é você, qualquer coisa que quiser eu farei.

Gabriel deu um sorriso, aceitando de bom grado a mão que acariciava a sua.

Era um novo começo.

****************************************************************

Nos seguintes dias, uma pequena rotina tinha se formado, Sara tinha finalmente dado uma resposta e agora Gabriel trabalhava com ela na floricultura, o movimento era pouco, mas aprender a fazer arranjos e a cuidar de plantas o distraía.

As coisas com Luis vinham fluindo bem, não haviam feito nada de mais além de andar de mãos dadas e longas conversas se conhecendo, gostava dos detalhes bobos sobre ele e da incrível capacidade de bagunçar a casa em segundos, gostava da sua honestidade e do olhar sempre terno, parecia que nada o abalava, mesmo quando discutia com os anciãos ou quando falhava em fazer algo novo funcionar na vila, tudo deixava de existir no momento que passava pela porta.

Naquela noite em específico os dois estavam tentando fazer uma receita mais elaborada que viram num livro e a experiência estava sendo um belo desastre, já que nenhum dos dois tinha exatamente um talento na cozinha.

Depois de muitas panelas queimadas e um prato mais ou menos cozido, decidiram continuar com o que Luis chamara de "jantar romântico", o importante é que finalmente vinha se sentindo feliz.

Diferente do comum, naquela noite que tinha corrido tão bem, Carlos tocou a campainha e entrou apressado e bem, ele nunca aparecia aos sábados desde que chegou lá então algo estava acontecendo.

— Luis eu preciso conversar com você, é sério e não tenho ideia do que fazer

Luis gostava do jeito que vivia agora, sentia-se um homem casado, trabalhando duro só para chegar em casa e ter os momentos que sempre quis com seu amado, não todos, mas já estava satisfeito com o que tinha conquistado. Não estava preparado para obstáculos que não fossem ver Gabriel fazer uma cara sugestiva demais quando comia algo bom, ou o jeito que sua bunda ficava quando se abaixava para recolher as bagunças que fazia. Quando Carlos chegou com aquele olhar, soube que uma tempestade vinha aí, tinha tido calmaria demais.

— O que aconteceu? É algo grave com os cidadãos ou com você? — Estava realmente preocupado.

— Não, estamos todos bem, mas ele está aqui Luis, com uma caravana que chamou de diplomática, Fernando está aqui e exige que só irá embora depois de falar com você.

No tempo que estava ali, Gabriel tinha descobrido muitas expressões de a Luis, tinha visto sua alegria boba quando segurou sua mão na rua, tinha visto a raiva quando ele discutiu com sua mãe e também a tristeza nas vezes em que se afastava por falta de confiança, mas nunca tinha visto o choque. Ele estava branco como um papel e só olhava para o angustiado Carlos com uma expressão vazia.

Naquele momento, Gabriel soube que deveria ter dado mais importância para a rotina boba que tinha, pois, de alguma maneira, sabia que as coisas iriam mudar drasticamente com a chegada desse estranho...

And, ah, my love remind me, what was it that I said?
I can't help but pull the earth around me to make my bed
And, ah, my love remind me, what was it that I did?

Did I build a ship to wreck?

Notas finais
ueria poder contar tantas coisas para vocês, mas seria spoiler KKKK juro se soubessem o que eu sei, ficariam bobos. Espero que não tenham estranhado tanto esse time skip mas tenho que chegar onde preciso com a fic, que ja esta meio que na metade? Nao tenho certeza mas ja estou encaminhando para o final (finalmente!!) é isto, qualquer coisa deixem duvidas, estava tão animada para postar que nao revisei entao se acharem erros me avisem! Beijos