Deep Souls - História interativa.
2 Cap 01- Destinados para o fim.
Notas iniciais
Somos o que restou da antiga Valiria. Soldados, sem família, sem deuses e sem alma. Queremos o que é nosso de volta.
Dia 16 do quarto mês. – Outono.
Uma frota de duzentos soldados valirianos vestidos com cota de malha, armadura de aço, espadas, escudos, lanças, arcos e machados combatem outra frota de soldados Luminantes com trajes parecidos, a diferença é no elmo e bandeiras.
Eles lutam na floresta de Isgrador após um inesperado encontro. Edward veste a mesma armadura padrão dos Valirianos, porém seu braço esquerdo está sem proteção devido a um ferimento que sofreu dias atrás. Carrega uma espada de aço puro com a lamina grossa e afiada. Um escudo de carvalho negro com o brasão de Valíria estampado.
–Força homens! – ele grita brandindo sua espada com a de um Luminante. Aço com aço e em um movimento rápido se torna aço com carne, ele atinge o tórax do homem perfurando sua armadura.

Os Valirianos são mais habilidosos que os Luminantes, desviam, bloqueiam e mutilam os oponentes. Edward gira sua espada ensangüentada e levanta o escudo bloqueando o golpe de espada de um soldado na tentativa de pega-lo despercebido. Eis que uma lança atravessa o pescoço do mesmo soldado o derrubando no solo com esguichos de sangue quente manchando o elmo de Edward.
A floresta mais se parece com um pântano. Árvores altas com muitas folhas a cair no gramado esverdeado com tons de amarelo. Uma leve névoa paira pelos ares dando um clima mais escuro ao combate de soldados. Edward golpeia um homem o matando, logo após corta a garganta de um e apunha-la outro pelas costas. Bloqueia três golpes de espada e machado, decepa o braço do dono da lâmina e finca a espada no coração do homem do machado.
–Feiticeiro! – grita um Valiriano sendo atingido por uma bola em chamas nas costas. O fogo corrompeu a armadura do homem derretendo sua pele e carne.
–Arthon! – gritou Edward. O feiticeiro está entre cinco soldados com escudos grandes e lanças a alguns metros. Seu cajado de madeira possui uma esfera avermelhada por onde lança seus feitiços.
–Despedaçar! – exclamou o feiticeiro em voz alta. Seu cajado foi apontado em reta a um grupo de soldados Valirianos, então ondas sônicas se lançaram em uma alta velocidade despedaçando as armaduras, armas e membros dos homens, até mesmo alguns Luminantes sofreram com o feitiço e foram atingidos. Uma explosão de sangue.
Arthon tem os cabelos negros até os ombros, lisos e escorridos, olhos verdes bem claros. A pele é branca, nariz fino e reto, sua barba estava por fazer. Vestia um peitoral de aço, luvas de couro e empunhava um arco longo carregando em suas costas a aljava cheia de flechas e espada na cintura.
–Desculpem-me. – puxou de sua aljava cinco flechas e disparou aos céus. Estava distante de Edward e os soldados peões, Arthon não possui a ferocidade de seu companheiro, mas tem um coração muito maior.
As cinco flechas caíram do céu e atingiram os soldados que cercam o feiticeiro. Não foram tiros letais e sim aleatórios somente para retardá-los. Com o feiticeiro exposto os soldados de Valiria foram para cima com muita ferocidade.
–Não! – gritou Edward. O capitão Valiriano distrai-se combatendo em outra parte da floresta um outro grupo de Luminantes.
–Nuvem! – conjurou o feiticeiro. De seu cajado foi lançado um gás que rapidamente se espalhou a sua frente em uma forma negra acinzentada. Os Valirianos foram envolvidos sobe a nuvem de fogo que os queimava intensamente derretendo o aço em suas peles e fazendo com que a dor se tornasse insuportável.
Arthon ao notar o ocorrido puxou uma flecha e disparou no feiticeiro atingindo seu braço. A nuvem se desfez e os soldados caíram deformados e gritantes ao gramado.
Edward partiu para cima do homem derrubando todos que cruzavam seu caminho usando o escudo. Rapidamente o feiticeiro girou seu cajado mesmo ferido e bloqueou o golpe de espada do soldado furioso.
–Desgraçado! – exclamou o Valiriano furioso. Edward puxou sua espada e lançou seu corpo em uma investida utilizando o escudo batendo no peito do feiticeiro o deixando desnorteado. Então ao aproveitar o momento deslizou sua lamina cortando do ombro a virilha do profano, de raspão.
–Esquentar. – conjurou novamente o mago. Seu cajado tornou-se avermelhado instantaneamente e ele golpeou Edward na lateral de sua armadura causando uma queimadura leve em seu copo e derretendo a parte tocada.
O soldado reagiu sem gritar, segurou o cajado do feiticeiro queimando sua luva e mão esquerda e o puxou para perto perfurando seu peito com a lâmina afiada e grossa. O cajado se esfriou e o mago caiu ao chão cheio de ferimentos a beira da morte.
–Profano maldito. – sussurrou Edward retirando o elmo e lançando ao gramado. Seus cabelos louros presos por um rabo de cavalo caíram sobe a ombreira de aço. A barba loura como os cabelos já estava grande. Seus olhos azuis de gelo brilhavam a vingança. Uma cicatriz fraca contorna o olho esquerdo, uma no nariz e outra perto da orelha. A parte lateral de seu peito e mão esquerda estavam com queimaduras terríveis.
O soldado apenas levantou a espada e finalizou o feiticeiro furando seu coração.
Com a batalha já vencida os Valirianos se reuniram os que restaram. Antes duzentos e agora eram ao torno de cento e trinta. Arthon ajudou Edward a sentar-se em uma rocha enquanto o capitão discursava orgulhoso.
–Ferimentos feios, deve parar de se machucar tanto. As poções estão acabando. – disse Arthon carregando um caixote com poções para cura que pegou de um dos cavalos de carga.
–Eu sei me virar. – disse Edward tomando uma poção e despejando o liquido em sua boca. – chame o médico.
–Hiras! – o jovem Hiras surgiu com as pernas bambas. Seu corte de cabelos era bem diferente, ondulados e longos com uma franja castanha sobe o rosto. Ele tratou de fazer um curativo nos ferimentos de Edward após retirar a armadura.
–Odeio feiticeiros. – resmungou Edward com o rosto todo suado e sujo. Arthon sorri de braços cruzados enquanto o capitão e soldados soltam gritos de guerra.
–De acordo com o mapa nossa próxima parada será em Lem. Capitão Then acredita que temos comida o suficiente para chegar ao forte.
–Estúpido! – exclama Edward, Hiras se assusta. – não é você. – o jovem abre um sorriso de alivio e passa ao redor do peito de Edward uma bandagem.
–Sim, estamos comendo esquilos e frutas. Morreram quase cem soldados hoje, isso é a falta de alimentos saudáveis para nutri-los e os deixarem preparados para o combate.
–Foda-se Then, vou reabastecer minha carga e comer bem por meses.
–E por acaso tens ouro para isso? – Arthon sorri ajeitando os cabelos os lançando para trás.
–Não, mas tenho muitos corpos para saquear aqui. Aquele cajado deve valer no mínimo dez moedas de ouro.
–Concordo plenamente, mas vai mesmo comprar comida com o dinheiro? – indagou Arthon sabendo das intenções maliciosas de Edward quando tem ouro em mãos. Geralmente investe em prostitutas e rum.
–Divido meio a meio amigão. – sorriu e levantou-se sem armaduras e camisa agora enfaixado. Hiras afastou-se ao receber um olhar sinistro de Edward.
E então os soldados partiram daquele campo pintado de vermelho. Com a lua a chegar montaram acampamento a beira de um riacho azulado com rochas brilhantes aos raios lunares. Arthon comia um esquilo assado no espeto enquanto observava a água sentado em um tronco. Os demais soldados dividiam histórias e lendas e ao mesmo tempo sentiam a tristeza por perder muitos companheiros no dia.
–O que foi Arthon? Parece triste. – comentou Uicenzo. Um homem de meia-idade, cabelos castanhos curtos, barba feita, olhos castanhos e vestindo somente as roupas por baixo da armadura. Sua espada esta solta presa a bainha.
–Só fico pensando em quando isso vai acabar. Somos tão poucos para recuperar uma nação toda...
–Não acredita na força do povo Valiriano?
–Eu acredito mas... São os fatos, parece que tudo conspira contra nossa morte. Será um milagre se chegarmos ao forte com vida.
–Não seja pessimista irmão. – Uicenzo sentou-se ao lado de seu companheiro de batalha e amigo pessoal. Pegou um copo de madeira e preencheu com vinho. – beba e esqueça dos problemas. Eu odeio a guerra, odeio ter que matar, por isso estou sempre bêbado.
Arthon sorriu e fez o mesmo que o amigo preencheu um copo com vinho e começou a degustá-lo.
–Queria que isso acabasse. – desabafou o jovem guerreiro. Seus cabelos negros estavam quase colados na pele, já eram dias que ele não se banhava e aquele rio parecia uma boa opção.
Edward festejava aos cantos e risos com os soldados ao redor de uma fogueira. Em sua mão estava uma garrafa de rum e na outra carne no espeto mal-assada.
–Para melhorar essa festa eu sugiro prostitutas! – gritou Edward festivo e alegre. Mesmo ferido possui uma enorme disposição a mercê da bebida.
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