Decode

1 Capítulo 1


Notas iniciais
espero que gostem.

Era estranho saber que a partir de hoje moraria com um velho qualquer que terei que chamar de padrasto. Minha mãe, como toda mulher, apenas quer alguém ao seu lado para os restos de seus dias... e acaba achando que pode colocar alguém no lugar onde sempre pertencerá a meu pai. Apesar de tudo... eu sei que um dia ele virá me buscar para ir morar com ele, seja lá onde ele esteja... e deixarei essa vida ridícula que levo em São Paulo.

Terminei de fechar a ultima (e única) caixa com minhas coisas e levei para o porta malas de um carro desconhecido para mim e enquanto isso minha mãe entregava as chaves para os novos moradores de minha casa... Era estranho sair dali depois de 16 anos... Todos os momentos felizes (dos poucos) que tive fora ali... Meus pensamentos foram interrompidos com o barulho do motor do carro.

– Marina, entre logo, vamos nos atrasar para o almoço. – Já ia me esquecendo do “feliz” almoço em família... Se é que aquilo seria realmente uma família um dia.

Mauro era o nome do infeliz que estava estragando minha vida e meus planos de um dia unir meus pais novamente... Ele tinha um filho em outro casamento também, pelo o que minha mãe disse, apenas um ano mais velho do que eu.

Quando chegamos, fiquei surpreendida pelo tamanho da casa... era o triplo da minha... minha antiga casa... Parecia aquelas casas de filmes... o bom de tudo isso é que não terei que ver a cara do velhote a todo momento.

Quando descemos, o homem com aparência de uns 40, 50 anos que estava a alguns passos de nós, veio nos receber.

– Então essa é a famosa Marina? – Algo nele me era familiar – Pedro, meu filho, venha ajudar com as caixas.

– Bela ca... – Não tive tempo de terminar minha frase, eu sabia que reconhecia aquele homem de algum lugar... e quem mais poderia ser se não fosse o pai de meu ex-namorado? Entrei em estado de choque ao ver Pedro, passar por aquela porta...

– Marina? – Ele disse espantado em me ver ali.

– Olha só, já são amigos... – Ouvi o velhote comentar com minha mãe.

Amigos? Ok, aquilo só podia ser brincadeira... eu terei que passar meus dias morando na mesma casa que meu ex-namorado? Mauro não havia me visto antes porque na época que namorei Pedro, ele nunca quis assumir nosso relacionamento... talvez seja um dos motivos que me fez querer terminar com ele.

– O que você esta fazendo aqui? – Dissemos juntos e não pude deixar de perceber ele corar.

– Eu moro aqui! – Nunca desejei tanto que algo fosse apenas um sonho como desejei para aquele momento.

Se aproximei de minha mãe enquanto o Mauro levava algumas caixas para dentro.

– A gente não pode ficar aqui... por favor mãe!

– Ei, que historia é essa? Você sabe que em algumas semanas eu e Mauro estaremos oficialmente casados, porque isso bem agora?

– Eu não posso...

– Não pode? O que você não pode Marina?

– Não posso conviver todos os dias na mesma casa que meu ex!

– Como assim? Do que você esta falando?

– Eu e o Pedro já namoramos mãe... faça o que eu te peço...

– Não! Não desta vez Marina... Você sempre arruma um jeito de acabar com o que eu quero e desta vez será diferente, você que aprenda a conviver com o Pedro, Marina! Porque por dois anos você ainda terá que viver junto com ele.

Ela nunca havia falado comigo daquele jeito... só os dias que eu chegava alterada em casa e ela ameaçava ligar até para a policia... mais nunca tinha sido tão sincera como agora.

– Você não pode estar falando serio. – Ela saiu e deixou apenas eu e Pedro.

– Olha só como são as coisas... viveremos sobre o mesmo teto agora? – Ele disse enquanto chegava mais perto.

– Me deixe em paz. – Sai esbarrando em seu ombro.

– Eu só estava tentando ser simpático! – Ele gritou e percebi que minha mãe me olhava feio. Não me importo.

Se serei obrigada a viver aqui... não vá minha mãe pensando que será perfeito como ela planeja a meses.

Logo a passar pela porta recebi uma mensagem de um dos garotos da minha “turma” que a qual minha mãe odiava! Talvez por eles forem os culpados por me levarem para o mau caminho... na mensagem dizia para mim os encontrarem atrás do shopping em meia hora, pois eles haviam conseguido “coisa nova”.

– Desculpe família feliz, mas não poderei ficar para o almoço.

– Aonde você pensa que vai Marina?

– Para um lugar muito melhor do que aqui.

– Marina... por favor filha...

– Ei, dona Manoela, pode deixar que eu acompanho sua filha. – Ouvi a voz que eu menos queria ouvir neste exato momento.

– Você não vai comigo! – Me virei revoltada para trás.

– Ele vai sim com você Marina e não discuta! – E mais uma vez o velhote se intrometeu onde não tinha sido chamado...

– Quem você...

– Marina! – Minha mãe me fuzilou.

– Você que sabe... te prender dentro de casa não vai ser nada difícil. – Ele continuou. – Pedro, por favor, não tire os olhos dela viu?

Ele concordou com um sorriso no rosto. O que era aquilo? Agora iriam passar a controlar minha vida? O que eu fazia ou não, não era de interesse deles!

– Você é ridículo. – Disse enquanto passava do seu lado.

Apesar de estar um pouco a frente, não demorou muito para ele me alcançar.

– E então? Aonde vamos?

– Você vai arrumar outra coisa para fazer e quando voltarmos falará que não saiu ao meu lado em nenhum momento e que tudo ocorreu bem.

– Eu não vou fazer isso! Vou com você!

– Você não vai comigo garoto! Pare de se intrometer na vida dos outros!

– Eu sei aonde você vai ok? – Ele me segurou forte pelo braço e apertava cada vez mais... – Você acha que eu não sei que você virou uma drogada, uma dependente química?

– Você não sabe nada da minha vida Pedro! Nunca soube... agora me solte que esta machucando!

– Eu não vou te soltar até você tirar essa idéia idiota de ir se drogar... ou seja lá o que você pretendia fazer.

– Eu não estava indo me drogar ok? Agora me solte.

– Vou confiar em você.

– Então já pode ir.

– Mas vou só pra prevenir.

Tinha que arrumar um modo de despistá-lo, ele não poderia saber que eu realmente estava indo “curtir a vida” como eu a chamo. E ele não poderia chegar lá comigo... apesar de todos serem meus amigos... me fizeram prometer que nunca iria levar ninguém nos pontos de encontro... e que se um dia eu levasse a pessoa iria sofrer conseqüências... Era legal pensar em vê-lo sofrer... mas algo bem no fundo não me permitia levar este plano em diante.

Teria que pensar rápido... e foi quando ele ficou observando a vitrine de uma loja que estava fechada para o almoço... peguei o primeiro objeto que encontrei no chão, suficiente para derrubar uma pessoa e o aceitei na cabeça, fazendo com que ele caísse para trás no mesmo instante.

– Desculpe... – Coloquei encostado a vitrine e sai o mais rápido dali, antes que alguém percebesse o que eu havia acabado de fazer.

Quando cheguei ao lugar marcado a minha “turma” de sempre estava ali.

– Demorou. – Kyler, disse logo ao me ver.

Éramos sete ou mais... geralmente apareciam uns lá que nunca havia visto os antes. Kyler estava sentado na calçada. Ele era o mais velho de todos nós e era sempre o qual conseguia a droga para a gente. Tinha o poder em nosso grupo e eu já acabei indo para a cama com ele uma vez. Do lado dele estava Emily e Mayara... eram gemias e apenas um ano mais nova do que eu. Sam, John e Sara estavam um pouco afastados.

– Desculpe. – Disse sentando ao seu lado. – Família nova.

Pela primeira vez eu não me sentia bem por estar ali, estava arrependida por ter feito o que fiz.

– Trouxe algo especial para você. – Ele disse em meus ouvidos, baixo o suficiente para que ninguém mais ali ouvisse, apontando para o cigarro que estava ao seu lado. – Só não deixe eles saberem que tenho preferência por você aqui.

Peguei-o na mão e no mesmo instante senti uma vontade enorme de sair o mais rápido dali.

– Vamos experimente... Esta esperando o que? – Ele me dizia me pressionado.

– Desculpe... não estou bem hoje.

– Como é que é? Deixe de ser estúpida garota! Esse é o remédio que você precisa! Eu sei que você quer... vamos logo! – Eu me sentia mal pelo Pedro... o que estava acontecendo comigo? Pela primeira vez depois de um ano eu havia recusado.

– Eu... eu não quero. – Ele me segurou pelo pescoço e me jogou contra o muro que havia ali.

– Não estou pedindo Marina, estou mandando. – Ele me empurrou com tanta força que acabou que tudo ficou escuro.


Notas finais
e aiiiiii? o que acharam? devo continuar?
deixem reviews pfvr néam
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.