Debaixo das cerejeiras
2 Capítulo 2 – A vida continua
Notas iniciais
Capítulo 2 – A vida continua

— Agora que tudo que tínhamos a discutir sobre família e trabalho já foi colocado em dia, e Renji já chegou aqui, o que vocês gostariam tanto de nos dizer? – Byakuya perguntou, bebendo calmamente seu chá enquanto os quatro estavam sentados em volta de uma mesa na mansão Kuchiki.
O nobre podia sentir a reiatsu de Rukia instável, mas ficou tranquilo diante da aura de felicidade que sua irmã tinha desde que chegara em casa, lhe prometendo que estava bem quando ele notou a oscilação.
— Eu tô muito curioso. Quando vocês vão parar de fazer mistério? – Renji brincou.
— Devíamos adiar mais só pra nos divertirmos com você enlouquecendo de curiosidade – Ichigo devolveu a brincadeira.
— Como é que é?!
Byakuya conseguiu sorrir ao ouvir a irmã rir maravilhosamente com a implicância dos dois.
— Chega, vocês dois – Rukia falou ainda rindo – Eu realmente não aguento mais segurar.
Quando Ichigo e Renji se calaram, olhando-a atentamente, Rukia prosseguiu.
— Há alguns dias eu tive um mal estar e sintomas estranhos – ela começou, não querendo jogar a novidade do nada, e vendo tanto Renji quanto Byakuya arregalarem os olhos e abandonarem seus copos de chá em cima da mesa.
— Mas, Rukia... – Renji falou – Você procurou alguém da 4ª divisão?
— Sim, Isane me atendeu hoje cedo. Por isso nos atrasamos pra chegar aqui. Eu estou bem.
— Como pode estar bem tendo passado mal?
— Deixei-a terminar, Renji – Byakuya falou, tentando se manter calmo, mas não conseguindo esconder que estava mais preocupado e ansioso que seu tenente.
— Ela disse que encontrou instabilidades na minha reiatsu e que quer me ver mais vezes. E é por causa do que ela nos disse que pedi pra Ichigo ir chamar você.
— Queríamos contar a todos que são mais próximos de uma vez, mas já que só vocês dois estão aqui... – Ichigo falou.
— Rukia, para de fazer suspense! Quer que eu tenha um ataque?! – Renji perguntou, fazendo-a rir novamente.
— Ichigo quase teve um enquanto esperava ela dizer meu diagnóstico – Rukia falou, bebendo um gole de seu chá enquanto ela e Ichigo se divertiam vendo Renji enlouquecer.
— Então fala logo. Quer que dessa vez ele tenha mesmo e eu também?!
Rukia riu mais uma vez, mas seu riso morreu num sorriso cheio de paz quando colocou o copo de volta na mesa.
— A capitã Isane disse que detectou três reaitsus dentro do meu corpo, quando se misturam causam instabilidade.
— Isso não seria porque você e Ichigo injetaram reiatsu um no outro naquelas duas vezes? Nada aconteceu pra remover ou destrocar.
— A princípio foi o que ela pensou, Renji – Rukia respondeu – Mas como isso explicaria a terceira energia?
— Sei lá?
— Isso coloca você em algum risco, seja qual for? – Byakuya finalmente falou, deixando evidentes sua apreensão, medo e todas as lembranças que estavam passando por sua cabeça.
Rukia o olhou com compreensão, percebendo que estava realmente na hora de parar de brincar com o suspense da notícia.
— Eu estou bem, nii-sama – ela sorriu – O que Isane descobriu é que eu estou grávida.
Ichigo teria gargalhado das expressões de Renji e Byakuya se não fosse um momento tão importante, os dois pareceram paralisados por alguns segundos, e novamente Byakuya abandonou seu copo de chá na mesa.
— V-v-você...
Rukia gargalhou da reação de Renji.
— Tá nos contanto que vocês vão ter gêmeos?! – O tenente finalmente disse.
— Sim, vocês vão ser tios de dois bebês de uma vez só – Ichigo respondeu – Isane acha que um deles é menina, mas não é certeza ainda.
— Você está feliz, nii-sama?
Ichigo se sentiu em paz ao ver Byakuya sorrir para a irmã, o que vinha se tornando mais frequente desde que ele e Rukia tinham se tornado mais próximos e após o fim da última guerra.
— Tudo que você faz me deixa feliz e orgulhoso, Rukia. E tenho certeza que Hisana sente o mesmo, onde quer que ela esteja.
Os olhos violeta brilharam e por um momento Ichigo achou que a pequena fosse chorar, mas ela sorriu de volta para o irmão, antes de serem novamente bombardeados pelo Renji mais feliz que tinham visto nos últimos anos.
— Eu ainda não tô acreditando! Eu sou tio!!
O casal gargalhou.
— Eles nem nasceram ainda, Renji – Ichigo falou.
— É. Ainda nem estou com dois meses.
— Mas eles vão. Tudo vai dar certo e você vai cuidar ainda melhor da Rukia daqui pra frente, ou eu mesmo te arrebento todo.
— Eu vou fazer isso independentemente de você me ameaçar.
— Eu nem acredito! – Renji exclamou com alegria quando puxou Rukia pelas mãos para que ficasse de pé e a ergueu do chão, girando com ela algumas vezes antes de abraçá-la, enquanto Ichigo e Byakuya sorriam como bobos ouvindo a shinigami rir.
— A capitã falou sobre algum risco que possa haver nas idas e vindas de vocês entre os dois mundos? E sobre o uso do gigai? – Byakuya perguntou a Ichigo enquanto Renji e Rukia ainda brincavam e conversavam.
— Ela disse que provavelmente ficará tudo bem. Hoje Rukia saiu do gigai e veio pra cá sem sabermos de nada, e os fetos estão bem. Por terem tanto energia kishi quanto reishi, se adaptam melhor e naturalmente à conversão no portal. Mas ela também disse que quer nos acompanhar ao mundo dos vivos quando voltarmos pra analisar algumas coisas, inclusive saber se o gigai manifesta a gravidez também com a Soul Candy ou apenas quando Rukia está nele e se isso pode afetar os bebês.
— Ela deve ter lhes dito que não é a primeira vez que isso acontece aqui, mas faz muito tempo, no entanto.
— Sim, ela disse.
Por mais alguns minutos os dois conversaram e Ichigo explicou a Byakuya, e a Renji, quando ele finalmente se acalmou, tudo que Isane havia dito, antes dos dois irem até a casa de Kukkau e Ganju para contar a eles e a Haruka que a família estava crescendo, mas não antes de transformarem Seretei numa verdadeira festa quando a notícia começou a se espalhar.
— Vamos beber pra comemorar seus bebês! – Matsumoto exclamou feliz junto com Kira e Hisagi quando os três gritaram de alegria juntos erguendo garrafas de sake, enquanto Hitsugaya espalmava uma das mãos no rosto em indignação.
— Meus parabéns a vocês em nome de nós cinco – Hitsugaya falou com um sorriso para Ichigo e Rukia quando passaram pelo refeitório dos shinigamis.
— Já me sinto ansiosa! – Momo falou com alegria – Só conseguimos ver bebês quando vamos ao mundo dos vivos ou raramente em Rukongai. Eles são tão fofos.
— Finalmente vamos ver outra pessoa do mesmo tamanho do capitão! – Matsumoto falou, já um pouco bêbada, agarrando Hitsugaya num abraço.
Os demais riam enquanto o pequeno capitão reclamava com sua tenente.
— Jushiro deve estar tão feliz – Kyouraku falou com um sorriso quando os dois foram vê-lo antes de seguir para Rukongai – Tenho certeza que os dois estão, Rukia.
Ela sorriu, sentindo os braços de Ichigo se fecharam em sua cintura e ele beijar o topo de sua cabeça quando uma brisa suave passou por eles.
******
— Pra você convocar uma reunião de família assim do nada e voltarem mais cedo da Soul Society, de duas uma... – Isshin começou, fingindo seriedade – Ou estamos na iminência de uma nova guerra ou você aprontou alguma coisa com minha terceira filha que o irmão dela não pode tolerar e expulsou os dois da Soul Soci...
Isshin saiu voando na direção da porta da cozinha quando Ichigo o acertou, fazendo Rukia sorrir ao ver que em todos aqueles anos, as melhores coisas trazidas por ter Ichigo em sua vida permaneciam iguais. A família adorável que a acolhera permanecia a mesma.
— Seu velho idiota! Eu jamais faria algo pra desagradar a esse ponto o irmão mais velho assustador da minha esposa! A menos que nossas vidas ou princípios estivessem em jogo de novo – Ichigo disse, sentando-se na mesa junto com Rukia e as irmãs.
— MASAAAAKIII!!!!! – Isshin correu para o poster de sua esposa.
— Não começa, seu velho tonto – Karin reclamou – Daqui a pouco todos nós vamos ter a sua idade e você continua com isso.
— Pelo menos agora não preciso mais me esconder – Kon falou aliviado quando Rukia ajudou ele e Chappy a subirem na mesa.
A essa altura nada mais era um segredo para qualquer um ali, e conforme crescia Yuzu parou de torturar Kon o usando como uma de suas bonecas, embora ela ainda adorasse bonecas e continuasse cuidando delas, algo normal para alguém que gostava tanto de crianças e pretendia se tornar uma pediatra, na opinião de Ichigo.
— Rukia-sama, por que não nos reunimos em casa mesmo? – Chappy perguntou.
— O que nós temos pra contar é muito importante. Foi aqui que nossa história começou, por isso decidimos que aqui seria o lugar perfeito.
— Papai, venha logo, vamos almoçar depois que eles nos contarem – Yuzu o chamou, sentando-se ao lado de Karin.
— Muito bem, o que é que vocês querem contar ao papai? – Isshin questionou com seu sorriso convencido quando sentou-se entre as gêmeas e o casal, e do lado oposto a Kon e Chappy.
— Para de falar assim. Desse jeito parece que ainda somos crianças – Ichigo reclamou.
— Mas... – Isshin calou-se quando Karin o acertou com uma frigideira.
— Continua antes que eu perca a paciência e coloque ele pra dormir.
— Sabem o quarto que vocês decidiram preservar pra quando eu e Rukia quisermos ficar por aqui?
— Seu antigo quarto – Yuzu comentou.
— Sim. Acho que será preciso fazermos algumas reformas nele. Não tem muito espaço, mas como só ficamos aqui de vez em quando... Deve dar.
— Por que maninho?
— É por isso que voltamos alguns dias mais cedo da Soul Society e viemos aqui logo. Mais tarde a capitã Isane Koketsu virá até o mundo dos vivos pra me ver. Vou encontra-la em casa – Rukia falou.
Calmamente os dois contaram à família o que tinha acontecido nos últimos dias e tudo o que Isane lhes dissera. Quando terminaram, os rostos de todos não estavam menos chocados que os de Renji e Byakuya. E talvez pela primeira vez na vida estivessem vendo um Isshin boquiaberto, sem palavras, com os olhos brilhantes de lágrimas.
— É sério?! – Karin foi a primeira a reagir como esperado.
— Nós não brincaríamos com isso – Ichigo respondeu.
— Ichi-nii!!!! Rukia!!!! Eu vou ser tia!! Eu vou ser tia de gêmeos!!! – Yuzu exclamou saltando de alegria de onde estava sentada para correr e abraçar os dois, compartilhando risos alegres com o casal.
— Coitadinhos... – Kon murmurou para Chappy com um olhar de horror, ouvindo a soul candy gargalhar.
— EU VOU SER AVÔ!!!!!! MASAKI, NÓS VAMOS SER AVÓS DE DOIS MINI ICHIGOS OU DUAS MINI RUKIAS!!! – Isshin exclamou com lágrimas nos olhos – Espero que sejam duas adoráveis garotinhas iguaizinhas à mãe!! O Ichigo já dá trabalho demais até hoj... – Ichigo o socou novamente.
— Será que você consegue comemorar algo de maneira normal uma vez na vida?! E apesar de ainda não termos certeza, é provável que seja um casal. Isane só achou uma das reiatsus mais similar a de Rukia.
— Parabéns, minha terceira filha!!! – Isshin exclamava ao abraçar Rukia, enquanto a shinigami ria com genuína felicidade.
— E eu?! – Ichigo reclamou.
Karin e Yuzu sorriam observando a cena dos dois discutindo e Rukia também se divertindo com isso.
******
— Como eu tinha previsto, quando a sua soul candy está no gigai, somente ela o ocupa, sem manifestações dos fetos, física ou espiritualmente. Quando você mesma ocupa o gigai, ele se adapta para acolher as duas novas vidas. Não imaginava que isso podia ser possível. Mas faz sentido, uma vez que o departamento começou a desenvolver gigais para acomodar energias estranhas depois de tudo que passamos nos últimos anos – Isane explicou após examinar Rukia mais uma vez, agora com a colaboração de Chappy.
— Então podemos mesmo ficar tranquilas enquanto ela estiver por aqui? – Kiyone perguntou à irmã.
— Acho que sim. Tudo está indo melhor do que eu esperava. O restante vamos conciliando conforme o tempo passar. Só devo lembra-la pra evitar riscos desnecessários com os hollows até as crianças nascerem, por mais que os que estamos enfrentando nos últimos tempos tenham sido mais fáceis de lidar.
— Eu vou lembrar disso – Rukia falou.
— E eu vou ficar de olho pra essa baixinha maluca não fazer besteira.
— Olha como fala comigo, sou uma capitã, estou acima de você!
As duas irmãs da 4ª divisão riram com a cena. Rukia e Kiyone eram velhas amigas, e a tenente conhecia tanto o lado doce e carinhoso de Rukia quanto sua personalidade forte.
— Ela não vai ficar desacobertada – Uryuu falou, sentado ao lado deles em volta da mesa da cozinha – Nós vamos continuar combatendo os hollows e lidando com tudo juntos.
— Vamos! – Orihime disse com sua costumeira animação, segurando a mão do marido quincy – E estarei sempre aqui caso algum de nós se machuque – ela prometeu, sem ter a menor ideia de que muito em breve ela e Uryuu também saberiam que seu primeiro filho estava a caminho.
— E eu – Sado falou, sério como sempre, mas visivelmente feliz.
— Isso é bom – Isane sorriu – Já contaram ao pessoal do Kisuke?
— Já – Rukia lhe disse – Antes de virmos esperar você, juntamos todo mundo lá e contamos. Eles ficaram muito felizes também, especialmente Urahara, Yoruichi e Ururu.
— Todos arriscaram bastante pra salvar você naquela época, apesar dos motivos ocultos. Mesmo que não digam a ninguém, devem se sentir culpados. Deve ser uma alegria confortante pra eles verem a vida que salvaram continuar dessa forma.
— Mas por precaução – Ichigo falou, envolvendo Rukia protetoramente com um braço – Eles não vão estar na lista de babás.
A shinigami sorriu. Por mais que fosse forte, capaz de se cuidar sozinha, e agora uma capitã, ela amava quando Ichigo a protegia, exceto quando ele ia longe demais e se feria seriamente por isso, embora não pudesse reclamar, tendo essa situação já se invertido várias vezes. Era uma das maiores expressões de seu amor por ela, e sentir que ele tinha a mesma devoção pelas duas crianças que ainda nem conheciam enchia seu coração de afeto.
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