Debaixo Das Terras Sagradas

11 Capítulo 10 - Arrependei-vos de vossos pecados.


Notas iniciais
Olá este capítulo ficou bem grandinho, quase 5.000 palavras *u*
Fiz um especial maravilhosamente grande pra comemorar a chegada do 10º capítulo o/
Espero que se divirtam!!!

“O amor é algo assustador

Que corremos dele ao mesmo tempo em que o procuramos.”

Acordei sentindo uma terrível angústia, meu coração parecia se partir, lágrimas brotaram de meus olhos. Eu nem se quer havia dormido direito, a visão daquele homem de uma espécie inferior me dominando e invadindo meu ser e pureza sendo destruídas e levadas ao vento como pó.

Katsugo estava ao meu lado, dormindo em uma poltrona... Ela realmente tinha algum sentimento de fraternidade por mim, se fosse qualquer outra irmã minha ficaria em seu quarto e não se importaria comigo, mas desde que eu me lembro tenho a maltratado e menosprezado e mesmo assim ela insiste em cuidar de mim. Parece até mesmo uma celestial, mesmo que não demonstre acho que ela gosta desta espécie e desse mundo.

Tentei me levantar, e com muito custo consegui. Eu estava sem forças, com os olhos vermelhos e o corpo cheio de hematomas. Minha intimidade ainda doía, o impacto foi muito grande para meu corpo ainda jovial, mesmo tendo 17 anos quase fazendo 18 eu era “pura”, mesmo para uma demoniza isso ainda conta como algo de se orgulhar.

Levantei-me e notei que estava com outras roupas, Katsugo deve ter me vestido enquanto eu descansava. Pus pequenos sapatos que estavam dispostos ao lado da minha cama, ficaram um pouco apertados, mas consegui os colocar, devia ser um número menor que o meu. Fiquei a olhar Katsugo dormindo, ela parecia tão angelical que me deu vontade de vomitar.

- Vamos acorde maninha queridinha do meu coraçãosinho – eu sussurrei fazendo uma voz estranha.

- Já acorda me caçoando ein? – ela falou sonolenta enquanto passava a mão encima dos olhos para despertar. Pareceria uma criança acordando se não fosse pela maquiagem borrada.

- Nossa você está péssima, sua maquiagem ta toda borrada. – eu caçoei enquanto passava meus dedos em volta de seus olhos para tirar o borrão preto.

- Você fala como se estivesse extremamente bem – ela disse se levantando e batendo em seu vestido para desamassar, o mesmo de ontem à noite. – Mas e ai... Como está se sentindo?

- Bem mal, to toda dolorida. Não sei por que estou tão cansada, eu dormi, mesmo tendo vários pesadelos, mas dormi.

- Deve ter sido porque você despertou. – ela disse agora sem olhar para mim, indo em direção à penteadeira – quando se desperta você usa muita energia, ainda mais que você abusou um pouco. – explicava ela enquanto ajeitava os cabelos, pegou um pano e molhou na água límpida que repousava calmamente na bacia de porcelana – Quando você desperta já gasta energia e tudo o que você fizer vai receber a lei do triplo, ou seja, o cansaço vai vir três vezes pior. – agora passava a toalha no rosto e retirava toda a pesada maquiagem, enquanto eu segurava na cadeira que antes ela estava dormindo para conseguir ficar em pé. – Venha aqui. – ela disse casualmente.

- Mas, eu vou ficar cansada por muito tempo? – perguntei enquanto ia de encontro a ela.

- Não, não. Pelo o que a titia explicou você só vai ficar fatigada hoje e depois passa. – instruiu-me pedindo para que eu sentasse e assim começou a passar a toalha em meu rosto.

- Quando você despertou o que aconteceu? Quer dizer... Você matou aquela escola toda praticamente e não sentiu nada? – perguntei agora me levantando e tirando o “pedaço de pano” que servia de roupa para que ela pudesse banhar-me.

- Não! De jeito nenhum. Você não lembra? Naquele dia eu cheguei a casa com o Utsukushisa – sua voz perdeu o ar ao pronunciar tal nome, eu sabia o misto de sensações que ele provocava nela, mas resolvi escutar o que ela tinha a dizer. — Eu me deitei e fiquei dormindo durante muito tempo, acho que foi mais de uma semana.

- Ah sim! Agora me lembrei. O celestialzinho que te dava água para que você sobrevivesse, nenhuma de nós estava realmente nos importando com você.

- Sim ele mesmo – pronunciou-se quase que em um sussurro, mas mesmo assim consegui ouvir. – Pronto terminei, vamos colocar as suas vestes?

- Infelizmente tenho. Fazer o que não é mesmo?

Pus um vestido Branco com dourado e deixei meus cabelos loiros cacheados soltos, estavam perfeitos e belos como se nada tivesse acontecido ontem à noite. O vestido deixava um decote formoso, mas nada devasso, as mangas iam até o cotovelo com as bordas desfiadas com fios de puro ouro. Optei por um vestido mais tapado, pois não queria mostrar as marcas em meu corpo, mas até mesmo este vestido deixava um pouco do roxo aparecer em minha pele abundantemente branca, somente uma parte dela era mostrada a outra parte fora coberta pelo pano que ocultava o resto do seio. Logo Katsugo fora se arrumar em seu quarto deixando-me com a sensação de solidão, de certa forma minha irmã, mesmo sendo a mais nova, sempre me protegia.

Eca! Que coisa melosa!

Mesmo assim ergui a cabeça e andei por toda a mansão como se nada tivesse acontecido, sempre com pose e despertando admiração. Notei alguns olhares de pena, mas nada me abalava, não naquele momento. Cheguei à sala de chá onde tomávamos o café da manhã e logo tomei meu lugar ao lado de Nagai, esta por sua vez estava calada comendo, logo fiz o mesmo. Meu estômago roncava como nunca, estava com tanta fome que nem notei a presença concupiscente de minha irmã. Ela estava com um normal vestido branco com detalhes em vinho bem simples com apenas uma pulseira de rubis para enfeite, seus cabelos estavam lisos e soltos, negros como uma noite sem estrelas e nem lua completavam o semblante misterioso enquanto contornavam suas curvas muito bem definidas voluptuosamente. Tia Nagai estava com um vestido bege e adornos em ouro branco com um simples coque na cabeça, ainda assim algumas madeixas de cabelo ainda insistiam em sair revelando um cabelo ondulado que escondia o belo corpo da morena, com olhos frios azuis voltados para o púrpura encantava qualquer pessoa que quisesse.

- Denachi, precisamos rever a sua segurança minha querida, não só sua como a de Katsugo. É evidente que não cuidei muito bem de vocês – exprimiu Nagai enquanto mostrava estar magoada e com raiva, não sei se era mentira ou verdade. – Vocês são a única família que eu tenho – falou agora ela enquanto segurava nossas mãos e então pude perceber que ela dizia a verdade. – Agora andarão com guarda costas aonde quer que vá. Lucis cumprirá muito bem a tarefa de proteger Katsugo, sendo um servo leal a ela e a sua família durante algum tempo. A Denachi eu reservo a escolha. Temos dentre os melhores homens a nosso dispor, é somente escolher.

Fiquei a pensar enquanto Nagai e minha irmã discutiam sobre Lucis ser seu protetor, Katsugo não gostava, mas ele não poderia fazer mal a ela, além de que era bem forte e também não era nada mal... Ele era praticamente albino, mas possuía traços finos e retos e seu corpo pelo pouco que pude ver mostrava ser atraente.

- Denachi, que tal o ferreiro? O Lys... Ele seria uma ótima escolha. – disse minha irmã ao me despertar do mundo da lua com uma pisada no pé. Notei que esta possuía um sorriso malicioso em seus lábios carnudos e vermelhos. – Que tal?

- É, até que não é tão má escolha – eu disse sentindo meu rosto arder, tê-lo perto de mim não seria nada bom, mas já que agora não sou mais virgem mesmo... O que me espera? Balancei a cabeça cada vez corando mais e mais com meus pensamentos.

- Sim, mas teríamos que treiná-lo para que pudesse a proteger com eficiência. – Nagai disse.

- Isto o Lucis pode fazer, você sabe tia ele já teve o mais alto treinamento em batalha – gabou-se Katsugo por ter um Chevalier tão bem dotado.

- Então só cabe ao Lys aceitar ou não. – concordei por final.

Após a pequena discussão Nagai me falou enquanto eu ia ao jardim de trás, onde eu nunca havia estado, que iria procurar pelo ferreiro e lhe entregar a proposta. Ficou acertado que os nossos guardas dormiriam em um quarto como o meu, mas ele ficava ao lado do quarto de Katsugo, eles dois seriam tratados como da família.

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Katsugo’s POV

Só me faltava essa! Meu Chevalier vai ser tratado como da família, que absurdo! Acho que ele é uma das únicas pessoas que eu gosto de ver sofrer (ou ser subordinado a mim) e agora acabou com a minha diversão! Eu sei que é tudo para nossa própria defesa, mas é chato! Ao menos o ferreiro vai ficar ao lado do meu quarto... Delícia.

- Katsugo, posso falar com você? – despertou-me Lucis.

- Olha como falas comigo seu bastardo! Mais respeito! – exasperei-me ao falar.

- Sim senhorita – ele curvou-se fingindo estar arrependido. – Mas eu gostaria muito de falar com a senhora – deu uma pausa olhando para os lados vendo alguns servos os olharem – Em particular, por favor.

Assim ele me puxou até o meu quarto. Olhares maliciosos caíram sobre nós, até que ele não era tão má escolha, mas ser o primeiro homem a me ter? Com certeza não! Após fechar a porta atrás de mim e trancá-la começou a falar normalmente.

- Quem diria ein? Eu sendo tratado como da família! Obrigado minha cara – ele disse com o olhar sem emoções e um sorriso sarcástico na boca enquanto sentava na cadeira de minha escrivaninha.

- Não precisa me agradecer queridinho – dessa vez fui eu a falar ironicamente – eu nem queria que isso acontecesse de verdade, mas já que é assim basta aturar. – eu disse indo até a escrivaninha e sentando-me encima dela. Inclinei-me de forma que meus seios ficassem protuberantes e chamassem atenção. Pude perceber sua respiração ficar um pouco descompassada, não era para menos usei minha aura luxuriada e a espalhei por todo o quarto, qualquer pessoa que entrasse no mesmo ficaria louco só de me ver.

Aproximei meu rosto com o de Lucis, fazendo-o fitar meus olhos. Pude ver o brilho do desejo brotando em sua íris verde escura. Suas mãos já apertavam minhas coxas e com somente um puxão ele me pôs a sentar em seu colo subindo a barra do meu vestido para que pudesse vislumbrar a pele de minha perna agora desnuda. Enquanto Lucis olhava para o corpo que agora estava pressionando o seu, tirou uma mão de minha coxa direita e passou pelo tecido fino do vestido apalpando até encontrar meus seios fartos apertando-os com força. Puxei sua cabeça para cima fazendo-o me encarar, dei um leve beijo em seus pequenos lábios cor de rosa e logo fui tomada por outro beijo voraz. O clima começara a ficar quente.

Após o longo beijo ele rumou de encontro a meu pescoço indefeso e deixou sua marca ali, algo como um hematoma roxo que provavelmente me traria problemas. Assim prosseguiu indo de encontro ao meu seio. Uma mão se encontrava no vestido abaixando para que sua boca imprudente pudesse fazer o que queria naquela região enquanto a outra apertava com força minha fina cintura e me levantava para que o cavalheiro não precisasse abaixar a cabeça no intuito de encontrar meu tórax. Em altura meu corpo era pequenino, mas muito bem formado.

Em um súbito espasmo de pura eloqüência emocional, o homem enrolou minhas duas pernas em sua cintura e com as duas mãos em minha cintura me levantou, levando-me direto à minha cama que se situava no centro do quarto. Com míseros passos eu já estava lá, abaixo dele sentindo seu desejo pulsando em um local muito sensível no meio de minhas pernas que há pouco tempo tenho mostrado muito interesse em despertar completamente.

Prensou-me completamente com o peso de seu corpo e com somente uma mão segurou meus dois pulsos finos com força para que eu não tentasse fugir. Com a outra mão e a boca foi tirando rapidamente as cordinhas que amarravam uma parte do vestido com o outro, revelando um vão que ia desde o umbigo até o meio de meus seios, assim deixando-me parcialmente nua.

- Nossa quanta habilidade... – eu comentei por ter ficado impressionada com a habilidade de Lucis em tirar minha roupa.

- Você não faz idéia – disse ele após um riso abafado e logo em seguida mordendo minha orelha.

Como um estalo, minha consciência angelical despertou. Como eu poderia me entregar a um homem assim, sem mais nem menos, sem gostar do mesmo. Pude lembrar-me dos momentos em que estive com o Utsukushisa, um celestial maravilhosamente belo e cavalheiresco que me salvou mesmo após uma tragédia em que eu mesma matei seu pai.

- E nem quero saber... – eu disse séria enquanto Lucis se empenhava em deixar outra marca em mim, mas agora encima de meu seio esquerdo. – Lucis pare! – ele não me deu ouvidos. Agora meus pulsos começavam a doer enquanto me debatia freneticamente. – PARE – eu gritei e de repente ele foi arremessado para trás, e logo notei uma luz vermelha saindo fraca da palma de minhas mãos.

- Não precisava fazer isso sua imprudente! Se fosse mais forte eu poderia ter morrido! – disse ele roxo de raiva ao se levantar do chão.

- Como eu fiz isso? – perguntei assustada enquanto via a pequena luz desaparecer de minhas mãos.

- Lembra? Temos um contrato de sangue, eu não posso fazer nada que seja contra as suas vontades. Se for contra a minha vontade eu farei por obrigação forçado pelo seu poder. Não aconselho você usar muito isso, pode deixá-la muito cansada – explicou Lucis enquanto caminhava de volta para a cama e sentava ao meu lado.

Logo senti sua boca em minha nuca, tentando algum contato para que pudesse satisfazer seus desejos. Uma mão foi direta em direção a meu seio, mas a interceptei no meio do caminho.

- Não Lucis, não. Isso não está certo – murmurei enquanto afastava sua mão de mim, enquanto me levantava indo em direção ao espelho que ficava de frente a minha cama colocando novamente as cordas e amarrando meu vestido.

- Porque não? Estávamos indo tão bem... – Ele disse se levantando e pousando suas mãos em minha cintura enquanto desferia alguns beijos em meu ombro direito. Sentia-me inferior perto dele, seu porte atlético e 1,80 de altura poderia deixar qualquer uma extasiada, ou com medo de seus largos braços musculosos. Agora podia ver que sua blusa branca estava toda amarrotada e a calça parcialmente desabotoada com uma protuberância grande ali, bem notável que me fez ficar fitando-a assustada. – O que foi? Ficou impressionada?

- S-sim – respondi sem pensar, mas logo recuperei a minha pose e dei um sorriso debochado – Fiquei impressionada com a minha capacidade sedutora. – dei uma breve risada enquanto Lucis ficava vermelho.

- O que foi que eu fiz que a fez parar? – ele disse ainda mexendo em meus cabelos e me causando arrepios, insistente como sempre.

- é só que seria a minha primeira vez sabe? E eu não queria que fosse uma coisa tão banal. Quero que seja com alguém especial para mim. – eu disse verdadeira.

- E eu não sou especial? – disse enquanto puxava meus cabelos violentamente para trás fazendo-me encarar seu rosto retorcido por algum tipo de sentimento que não pude distinguir no momento.

- Não você não é. Eu amo outro. – senti minha cabeça pender para frente enquanto este largava meus cabelos e se sentava atrás de mim na cama, em seu reflexo pude perceber que estava com ciúmes, misturado com um pouco de inveja. Um sorriso dolorido brotou em seus lábios avermelhados.

- Então demônios podem amar? Essa é novidade! – zombou-me o pobre homem com o coração partido.

- Demônios até podem, com uma intensidade fraca, mas podem. O problema é que como você sabe minha família é regida por uma maldição, na qual eu, a filha mais nova da parte demoníaca e a Haru, filha mais nova da parte celestial temos as “personalidades trocadas”. Na verdade não é bem a personalidade. Mas cada anjo e demônio nascem com outro espírito ancestral dentro de si. Todos somos neutros, mas dependendo do espírito que ficar dentro de nosso corpo pendemos para o negativo e o positivo. O problema é que eu às vezes vou para o negativo e outras para o positivo. Meu espírito ancestral demoníaco ainda não está totalmente desperto. Preciso de mais tempo.

Sua reação foi um misto de surpresa e alegria da vingança.

-Então você não vai amá-lo para sempre? – perguntou o Chevalier levantando-se da cama e me virando de frente a ele.

- Isso eu ainda não sei – eu disse com pesar na voz.

- Mas onde você aprendeu isso tudo? Nagai lhe contou? Porque nem mesmo eu sabia. – ele disse agora me largando e me olhando interessado.

- Eu li no livro que ela me deu para estudar e praticar magia, lá estava o feitiço, mas não estava muito bem explicado, não dizia como se fazer e nem muitas outras informações. – eu disse enquanto desviava meus olhos do seu olhar penetrante.

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Denachi’s POV

Este jardim é chato e monótono. Tudo muito verde, alegre, feliz. A luz do sol me incomoda seriamente, estou entediada. Talvez se pudesse matar ou fazer alguém sofrer, mesmo que fosse só um pouquinho já me faria estupendamente feliz!

-Realmente seria muito bom. — Uma voz surgiu em minha mente. — Não sabe quem sou eu? — Na verdade eu não sabia.

- Aliás o que é você?

- Sou Mammon sua tola. Sou o demônio que jaz dentro de você.

-Como assim jaz dentro de mim?

- Garota tola- disse o demônio ignorante – Sou o demônio da avareza que jaz dentro de você. Eu estava na verdade dormindo, mas naquela noite... A noite em que você foi molestada lembra?

- Lembro – falei subitamente com os olhos abertos de surpresa por estar falando com alguém sem necessariamente mexer meus lábios.

- Naquela noite você despertou. Você ME despertou.

- Eu não sabia que demônios tinham outros demônios dentro de si – pensei logo rindo.

- Não qualquer demônio, somente os demônios e anjos de sangue nobre sua tola!

- Como assim de sangue nobre? – perguntei relativamente interessada.

- Ah! Esqueça, estou cansado de lhe ficar explicando coisas inúteis.

- Por favor Mammonsinhooo! Me ensine!

- Vai pra merda e me deixa dormir!

- Ignorante – bufei dessa vez falando de verdade. Levantei-me com certa dificuldade, a sombra da macieira estava tão gostosa que não queria nem me levantar. Pus-me de pé e marchei de volta à mansão.

Procurei por minha tia, mas não a achei. O que será que esta baronesa irritante fica fazendo a essa hora do dia? Eu deveria ser atendida primeiro, somente eu! Logo fui de encontro a minha irmã, ela devia estar em seu quarto lendo aquele livro ridículo de historinhas de crianças com cara de tacho.

Tentei abrir a porta, mas não consegui.

- Está trancada – Murmurei – Katsugo sua trouxa! Deixe-me entrar agora! Eu exijo! – Gritei.

Bati na porta de cedro três vezes e pus meu ouvido na porta. Não ouvi nada. Dessa vez bati até ela abrir. Minha irmã estava com o mesmo vestido, mas dessa vez estava um pouco amassado, uma escova em suas mãos penteado os cabelos bagunçados da mesma, sua maquiagem clara havia saído. Empurrei a porta contra sua vontade e entrei. Dei de cara com o Lucis, cavalheiro de Katsugo, ele estava com a camiseta toda amassada, os cabelos loiros bagunçados, com a calça um pouco desabotoada e uma “montanha” no meio das pernas. Fixei meus olhos ali, era uma saliência muito grande que me assustava.

- O que é isso? – perguntei assustada com uma mão da boca e outra apontando para a saliência de Lucis.

- É o meu pênis sabe? Uma coisa que os homens têm e que as mulheres não têm. O mesmo utilizado no ato sexual. – exprimiu o cavalheiro agora se deitando na cama de minha irmã.

- Mas, pelo o que eu saiba essa... Coisa deveria ficar bem guardadinha ai no meio das pernas – discursei enquanto andava nervosa e gesticulava freneticamente não sabendo ao certo o que fazer. – E sabe, não deveria ficar eriçada tão facilmente, porque pelo que eu saiba, ela só ficaria “acordada” seeee... Houvesse alguma intenção libertina. – Terminei sentando-me na cadeira da escrivaninha de minha irmã. Com o rosto ao chão, entreguei-me a luxuria e imaginei este homem maravilhosamente belo nu, em minha cama. Senti minhas bochechas ficarem enrubescidas com tal pensamento, desde quando eu pensava em tais besteiras?

- Mas eu tinha intenções luxuriosas, com a Katsugo claro. – Pronunciou-se o homem agora com os cabelos em sua face, cobrindo a vermelhidão que pairava em suas bochechas.

- Feche esta boca Lucis! Chega de ser descarado! – exclamou Katsugo enquanto dava umas bofetadas no mesmo com sua escova, este nem ao menos desviava de seus ataques. Levava as bofetadas com um sorriso divertido na boca.

- Ta bom, agora chega! – assim que falou Lucis segurou os dois pulsos finos de minha irmã, deitando-a no coxão com rapidez e voracidade enquanto se posicionava acima dela.

- Ei ei... Eu ainda estou no quarto! Dá pra vocês dois pararem de brincar de mamãe e papai? – clamei enquanto me levantava totalmente envergonhada. Logo ouvi uma risada vinda dos dois, divertida como se estivessem gozando da vida e com a minha cara. – Ai vocês dois parecem até que estão em um cabaré! Só falta as bebidas, agarração para todo lado já tem.

Ouvi mais risadas, era como se eles fossem um casal feliz. A inveja tomou conta de mim, porque essas coisas só aconteciam com a Katsu? Porque ela era sempre a favoritinha de todo mundo? Porque isso nunca acontecia comigo? Eu devo ser o centro das atenções e por acaso agora eu não estava sendo.

- Lucis saia de cima de mim. – disse minha irmãzinha e logo seu cavalheiro acatou.

- Sempre as ordens princesa. – ele falou dessa vez saindo da cama e encenando uma mesura, enquanto Katsugo postava-se de pé e fingia ter uma coroa na cabeça.

- Falando em princesa, casal apaixonado, — pensei alto, deixando-os envergonhados com o “casal apaixonado” – Katty, você sabe algo sobre espíritos ancestrais que ficam dentro de anjos e demônios que tem sangue nobre? – disse enquanto chegava mais perto dela.

- Não... Por quê? Isso existe? Quer dizer, eu já ouvi falar sobre espíritos ancestrais. Sei que eles são antigos anjos e demônios que já morreram, tipo o anjo Gabriel sabe? – ela deu uma pausa para respirar bem longa, mexendo em seus cabelos com uma expressão indecifrável – Eu nunca ouvi falar que eles possuem pessoas de sangue nobre! Porque a pergunta irmã?

- É que alguém falou dentro de mim, um tal de Mammon... – eu iria continuar, mas minha adorável irmã me cortou. Tudo falando ironicamente claro.

- Mammon é o antigo demônio da avareza, ele foi eleito por Lúcifer, o rei dos infernos, a ser o símbolo do seu pecado. Hoje você é a Demoniza que o representa. – disse ela enquanto se aproximava de mim. – Lucis você sabe alguma coisa sobre isso? – perguntou olhando para este.

- Sei somente o que você está falando agora. Eu sabia que esse Lúcifer era especial, mas nem tanto. Eu sei que ele morreu alguns séculos depois da morte daquele menino... Ah é o Jesus! Akasha era tão mal com ele, manipulou totalmente o garoto fazendo-o pensar e dizer a todos que era filho dele, imagina só... Um humano? – e assim começou a rir. Logo o ignoramos.

- Mas como eu estava falando, o demônio eu o ouvi dizer que era Mammon e que eu o despertei ele ontem, sabe? Durante aquele tempo que eu fiquei meio louca. Ai ele falou que somente pessoas de sangue nobre têm espíritos ancestrais dentro deles.

- Interessante... – Projetou-se uma voz totalmente desconhecida das outras que havia ouvido no quarto. Olhei para a poltrona perto da porta e vi minha avó folheando um livro. Chamas roxas pareciam sair dela, mas a mesma estava intacta. O cheiro de enxofre era horrível, parecia até um ovo podre. – Então Mammon falou com você Dena-chan?

- Falando em um demônio olha o capeta – disse Lucis pondo a mão no peito. Ele estava mais branco que o habitual, ou seja, quase uma folha de papel. Arfava, provavelmente teria levado um susto, pois se posicionava até em posição de combate.

- Calma Lucis, é só a minha avó, bobinho — Falou Katsugo que nem ao menos se assustou.

- Sim, ele falou comigo tia. – engoli em seco, ela parecia estar irritada.

- Esse desgraçado não perde tempo mesmo né? Mammon imprestável.

- Deixe-me falar com ela Dena-chan... – Projetou-se a voz de Mammon em minha mente.

- Como eu faço isso?

- Feche os olhos, e deixe-me entrar em sua mente.

Dito e feito. Não consegui mais tomar conta de meu corpo, mas sem problemas era um demônio maravilhosamente legal que estava me controlando.

- Olá Nagai. Aqui quem fala é Mammon.

- Ah, que lindo. Agora você quer falar comigo? Depois de anos e anos sem falar nada agora sim você quer alguma palavra comigo?

- Vó... Não estou entendendo. – falou Katsugo.

- Óh, agora você é avó? Vejo que sua filha, Ada se não me engano, deu bons frutos. – o demônio em meu corpo chegou perto de Katsugo e a mediu de cima a baixo enquanto esta o encarava meticulosamente, notando meus olhos agora não eram mais azuis, e sim totalmente brancos como em minha forma demoníaca. – Quem é esta? Luxuria? Asmodeu... Está ai?

- Não perca tempo Mammon, Katsugo ainda não despertou. – disse minha avó agora se aproximando.

- Mas com certeza ela não está com o Asmodeu dentro dela! Eu poderia sentir o cheiro daquele demônio ridículo e hediondo do outro lado do mundo.

- Não, não é ele que está lá. Ele foi expulso de lá, perdeu seu posto não sabia?

- Não, dessa eu não sabia.

- Vó como assim? Asmodeu é o demônio da Luxuria certo? Eu não estou entendendo nada! – falou Katsugo dando alguns passos para trás e assim sentando em sua cama com as mãos na cabeça.

- Eu não lhe expliquei nada Katty. Anjos e demônios de sangue nobre nascem com espíritos ancestrais dentro de si, mas estes nascem dormindo, você deve despertá-los.

- Sim disso eu já sabia, ou ao menos dedurei. – intrometeu-se minha irmã.

- Você deve estar se perguntando o porquê de você e sua irmã terem um dentro de si. Vocês têm sangue nobre, não por parte de seu pai, até porque se fosse este não contaria... O sangue deve ser totalmente puro. O de vocês é nobre por parte de mãe também. Eu fui uma das esposas de Lúcifer, e tive Ada, a mãe de vocês que foi considerada a princesa do inferno e vocês agora assumem o posto dela. Vocês têm o sangue nobre dos demônios.

Era muita informação, eu voltei ao meu estado normal, agora atônita. Katsugo estava com a cabeça totalmente baixa. Mas o que realmente pairava sobre mim agora era: Eu sou uma princesa?

E então comecei a rir. Ri e rodei como se não houvesse amanhã.

- Então nós somos princesas? De sangue nobre? Quem nem nossas irmãs anjinhas? Isso é muuita felicidade para um dia só! – Continuei saltitante até o meu quarto. Vi que o sol já estava sem pondo, abri as duas portas feliz na vida. Eu poderia dizimar cidades inteiras hoje, é um dia tão especial que precisa de uma comemoração adequada!

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Katsugo POV

Levantei minha cabeça e vi que todos me observavam agora. Denachi estava saltitante e sorridente, mas eu estava simplesmente estarrecida. Ela saiu do quarto ainda dando gritos de alegria. Tudo girava, assim como se encaixava.

Presa a uma cruz, eu olho para o céu,

"Arrependei-vos"

-Vó... – falei com a voz fraca – Qual é o demônio que está dentro de mim?

Eu tentei, realmente tentei não ser tão má. Nunca gostei muito de ser malvada, mas e agora?

Enquanto a voz das orações desaparece abaixo de mim

"Minha devoção evaporou-se no nada"

Tudo pelo o que lutei agora foi perdido. Todo o esforço que tive para que isso não acontecesse foi em vão.

Eu vou envolver tudo com as minhas chamas do ódio

"A morte está pesando sobre nós!"

Não existe outro jeito. Como mamãe dizia, não posso renegar o pecado que corrói minhas veias.

Amarrada a uma cruz, ela chama pelo o demônio.

"Arrependei-vos"

- O seu demônio é Lilith. A primeira mulher de adão, a serpente que tentou Eva e que os fez ser expulsos do paraíso.

Antes de ela invocar os seus feitiços perversos em voz alta,

"Virtude tornou-se vício"

- A mesma que tem cem filhos por dia, quando homens: Íncubos e quando mulheres: Súcubos. – completei.

O julgamento é laçado sobre suas feitiçarias pecaminosas,

"Agora tudo o que há"

- A demoniza mais forte existente, mãe das mulheres renegadas. Assim como portadora da luxuria e da inveja. — minha avó terminou

Envolvendo-a no fogo sagrado da justiça.

"Está fora do caminho certo"

- Olá minha querida companheira. – Levantei o meu rosto com um sorriso satânico e egoísta.

Eu sou a neta diabólica.

A filha satânica.

Eu sou o mal.

Notas finais
Bem, essas partes ai do "Presa em uma cruz, eu olho para o céu" e blá blá blá...
É de uma musica da Megurine Luka chamada Witch.
Pode-se ver no youtube, é em japonês.
Eu tenho a letra, se quiser depois é só mandar uma mensagem particular que eu envio :3