Death awaits you
2 O que está acontecendo?
Notas iniciais
Eu acordo com a visão turva, tento me levantar, mas ao apoiar no meu braço direito sinto uma dor muito forte, e me deito no chão novamente. Começo a olhar em volta, eu não estava mais no meu banco, para falar a verdade, os bancos do meu lado, eu estava deitada em uma janela, ao olhar melhor vejo um corpo do meu lado, com o susto levanto, mesmo com a dor no meu braço.
Tive que me apoiar em um banco para não cair. Logo percebi que o ônibus estava virado de lado, o que não tinha percebido antes. Afinal, essa era uma hora em que a gente não pensa em nada, mas mesmo assim pensei em pegar meu celular e ligar para emergência, mas ele estava jogado em um canto não muito longe, todo quebrado. Procurei pela professora ou pelo motorista, já que provavelmente eles estavam com os celulares guardados, assim os protegendo mais. Mas eu estava sentada em um dos últimos bancos, e teria de passar entre os meus colegas provavelmente mortos, o que não era uma opção muito agradável.
Passando por eles, sentia arrepios, e ao olhar para Caroline e Camila, que sentaram juntas e estavam perto uma da outra, derramei uma lágrima. Parei e chequei seus pulsos, elas ainda estavam vivas, mas com o pulso extremamente fracos. Fiz uma massagem cardíaca nelas, e a respiração entrecortada delas se normalizou um pouco. Ser filha de um enfermeiro serviu para alguma coisa afinal. Decidi continuar andando, ajuda médica era a melhor opção delas.
Ao chegar perto da professora, fechei os olhos. Ela estava com um grande ferimento que começava no pescoço e atravessava o peito dela. Fui palpando aonde eu tinha visto mais ou menos o celular dela. O peguei ainda de olhos fechados. Disquei o número da emergência, e ouvi uma mensagem eletrônica: “Nós estamos com as linhas cheias, por favor espere alguns minutos “ Já meio em pânico, disse:
–Por favor, mandem ajuda, aconteceu um acidente.
– Nós estamos com as linhas cheias, por favor espere alguns minutos.
–Por favor – Disse chorando – Alguém atende por favor...
– Nós estamos com as linhas cheias, por favor espere alguns minutos.
Eu joguei o telefone na janela, e ele se quebrou. Eu me sentei no chão, chorando desesperada, quando ouvi alguns passos. Olhei e vi minha professora andando até mim.
– Pro? – Disse com um fio de voz, devido ao choro.
Surpreendentemente, ela pulou em cima de mim, querendo me morder. Gritei por socorro mas parecia que ninguém me ouvia. Eu a segurava pelo pescoço, o que era muito difícil devido ao meu braço machucado. Eu vi alguém se mexendo pelo canto do olho, e pedi por ajuda. Ele puxou ela para longe, me ajudou a levantar. Mas eu percebi que ele estava mancando. Ela vinha atrás da gente, andando lentamente. Ao olhar para ele finalmente percebi que era Vinicius.
– O que está acontecendo? – Perguntei
–Eu não sei, parecem zumbis.
–Zumbis não existem nem nunca vão existir – Disse brava
– Tudo é possível. – Logo ao terminar a frase, ele caiu no chão, gemendo. Eu me abaixei e tentei o ajudar a levantar, mas o que nós chamávamos de professora estava muito perto. Eu cai para trás tentando me afastar, e senti um vidro, cortando minha mão. Vinicius era o mais perto dela, então pulou em cima dele primeiro. Entrei em desespero, peguei o vidro e a atingi na testa, e ela caiu no chão, imóvel. Nós ficamos em silêncio por alguns minutos, ele acabou com isso dizendo:
–Tem certeza que zumbis não existem?
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