Dear Teacher

8 Capítulo 7 - Há males que vem para bem


Notas iniciais
Oi, sei que desapareci da face da terra. Realmente tem estado difícil para eu conciliar trabalho/faculdade/vida social. Escrevi esse cap aos poucos e posso ter perdido o jeito de escrita que tinha anteriormente. Me desculpem, mas não vou me dar por vencida e vou levar essa fic até o fim! Beijos!!! :*

Meu domingo foi monótono. Acordei cedo e levei minhas roupas sujas para lavar na lavanderia do prédio, esperando todo o processo de lavar e secar estudando para a prova do Mr. Grunt que estava marcada para segunda de manhã. O resto de meu dia foi gasto estudando, escutando música e lendo algum livro qualquer que me despertasse o interesse, já que Ellen decidiu passar o dia com Derick (espero que ela tenha escutado meus conselhos sobre ele) e não sou corajosa o suficiente para incomodar o Alan sabendo que talvez o domingo seja um dos poucos dias que ele pode realmente passar algum tempo com Gustav.

Enfim, segunda-feira. O frio pareceu ter dado um intervalo, deixando um tempo fresco com um vento gostoso. É nesses momentos que amo o efeito estufa! Por mais que quiséssemos curtir a turma unida, passamos a manhã toda fazendo a bendita prova do Mr. Grunt, que acabou me dando uma dorzinha de cabeça chata de tanto ler. Pouco antes do almoço, e de terminar o tempo mínimo da prova, ele se levantou de sua confortável cadeira e se dirigiu à frente de sua mesa, olhando para nós sem ninguém em particular.

Hoje seu cabelo já tinha sido arrumado no lugar por dedos habilidosos, depois de terem sido bagunçados pelo vento lá fora. Assim que pôs os pés na sala meu rosto ficou quente e desci meus olhos para a caneta em minhas mãos. Eu ainda devia me desculpar pelo meu comportamento no fim de semana, e agradecer por ele ser paciente comigo. Só que não seria tão fácil chegar perto dele depois que tirou o casaco para ficar apenas com seu suéter azul claro com a gola da camisa branca aparecendo. De alguma forma aquele ar sério e respeitável de professor mexia com minha cabeça.

– Um momento de sua atenção, por favor. — ele pediu e várias cabeças se ergueram e canetas repousaram sobre os papéis — A Sra. Sprout havia marcado com vocês uma viagem para a Itália para o final dessa semana. Como alguns de vocês já sabem, ela está doente e não vai poder acompanhá-los. — alguns alunos reclamaram em voz baixa, fazendo Mr. Grunt alterar sua voz — E me foi oferecido a vaga. Sei que muitos estavam ansiosos por essa viagem, por isso aceitei e serei eu a comandar a viagem à Itália que acontecerá nesta quinta.

Meu coração pulou desesperado contra meu peito quando lembrei que Ellen fez as inscrições de nós duas para a viagem. Meu deus! Uma semana inteira com o Mr. Grunt na terra de Romeu e Julieta? Esfreguei minhas mãos suadas em meu jeans, olhando para os lados e tentando captar a reação do resto da turma. Muitos pareciam felizes por não perder o dinheiro investido, Ellen fazia uma cara feia (com certeza porque seu professor menos favorito é quem vai guiá-la em seu autor favorito), Derick não parecia se importar e rabiscava qualquer coisa em seu caderno, Gustav voltou sua atenção para sua prova no momento em que o professor terminou de falar e Alan... Bem, Alan olhava para mim com um sorriso que só amigos íntimos dão quando sabem dos nossos segredos obscuros. Rolei meus olhos de volta para minha prova sem evitar que saísse um sorriso de meus lábios. Ter Mr. Grunt tão perto durante esse tempo seria algo bom?

A prova se encerrou e fomos almoçar. Por um milagre sentamos todos na mesma mesa e conseguimos manter um diálogo decente.

– Arg! Não acredito que, de todos os professores, logo o Grunt foi ficar com nossa viagem. Por que é que ele não negou a oferta? — Ellen reclamava com um biquinho involuntário que aparecia sempre que ela se inconformava com algo.

– É. Por que será? — Alan perguntou me encarando, como se sugerisse que a resposta era eu.

– Quê? — dei de ombros tentando parecer indiferente, mas já pensei nisso também — Até parece. Não viaja.

Voltei minha atenção ao impressionante strogonoff sem sal no meu prato.

– Não vejo graça nele. — Derick murmurou cutucando sua comida com o garfo — Shakespeare. Só me inscrevi porque todo mundo ia, e porque não conheço a Itália também.

– Vou te ensinar tudo que precisa saber. Não se preocupe. — Ellen sorriu para ele — Vai ser a melhor viagem que vamos fazer.

Meu coração se comprimiu até virar um átomo. Pobre Ellen, planejando um futuro ao lado de alguém que nem sequer gosta dela. Alan se mexeu desconfortável, notando o mesmo que eu, e se virou para mim.

– Também será a viagem de nossas vidas, né Kate?

Gustav levantou os olhos de seu celular para nós e Alan deu uma piscadela para ele. Por um segundo o vi ficar vermelho antes de se voltar para sua comida que já devia ter esfriado.

– Hum... É, vai ser. — sorri esperando convencer alguém que estava feliz.

Alan riu de alguma piada particular, ou deve ser apenas da minha péssima atuação de atriz iniciante, e voltou a comer.

– A próxima aula era pra ser da Sra. Sprout. – lembrei, ficando realmente feliz dessa vez – Já que ela está de licença, vamos ter a tarde livre.

– O que está planejando fazer? – Alan me perguntou sem erguer os olhos do que comia.

Dei de ombros. Por mais que quisesse, esse não parecia um momento legal para juntar todos nós para algum programa descontraído.

– Não sei. Acho que vou até a biblioteca caçar alguns livros do Shakespeare para fazer algumas anotações. Tentar me preparar para a viagem.

– Isso é uma boa ideia. – Gustav sorriu. Quê? Gustav está realmente sorrindo para mim? – Leve um lenço para seu nariz. Não quero ter que ver aqueles livros manchados com sangue.

Alan soltou uma gargalhada que me assustou. Sangrar pelo nariz? Não entendi. Estou por fora de alguma coisa, acho.

Terminamos nosso almoço e Ellen disse que iria subir ao dormitório para pegar material para estudar com o Derick (Fingi que acreditei).

– Acho que vamos aproveitar a tarde também. – Alan comentou comigo, olhando para Gustav com planos levados em mente. O moreno estava guardando seu celular no bolso, quando ouviu Alan e levantou os olhos encontrando os do ruivo. Reprimiu um sorriso e olhou para mim, desviando seus olhos para as bandejas tão rápido quanto as recolheu para se levantar.

– Não quero a senhora desaparecida hoje, viu? – Alan me reprimiu, tentando fazer uma expressão séria – Se comporte e atenda seu celular se eu te ligar.

– Alan!

Rimos e nos despedimos assim que Gustav voltou. Peguei minha bolsa e rumei para a biblioteca. Assim que entrei aquele lugar aconchegante, com cheiro de livros antigos um peso foi tirado das minhas costas. Estar lá fazia tão bem para minha alma!

Rumei para as escadas, subindo cada degrau como se estivesse em um palácio e sou obrigada a me comportar como uma dama. Não preciso de mapa ou indicação da bibliotecária porque conheço esse lugar como a palma da minha mão. Clássicos ficavam no terceiro andar, ao leste. No meio do caminho minhas pernas pararam por conta própria, quando algo voltou à minha mente. A risada do Gustav quando eu disse que viria para cá. Olhei para trás e para o térreo tentando procurar uma cabeça ruiva e uma morena que podiam estar aprontando alguma comigo. Gustav não é do tipo que ri ou faz piadinhas, mas vai que Alan o convenceu de alguma coisa.

Não encontrei ninguém e balancei minha cabeça. Só posso estar ficando paranoica. Rumei pelos corredores até encontrar o que queria. Peguei meu telefone e entrei na internet para buscar os nomes das obras, afinal não sou tão fã de Shakespeare como Ellen. Resolvi começar minha busca pelas poesias. Poesias sempre em animaram, até recitei várias nos sarais da escola.

Consegui encontrar Uma Queixa de um Amante, O Rapto de Lucrécia e Vênus e Adônis. Fiquei olhando para a capa dessa última, me lembrando desses nomes. Vênus é a deusa do amor e da beleza e Adônis foi o menino que morreu afogado porque se apaixonou por seu próprio reflexo na água. Abracei os outros dois livros com meu braço esquerdo e pequei Vênus e Adônis com minha mão livre para ler o verso do livro, onde estaria sinopse e recomendações de revistas especializadas em literatura e outros autores.

Lendo o verso do livro, caminhei devagar para onde estaria, definitivamente, o resto das obras que precisava.

– Isso é para diversão ou estudos? – um arrepio correu pela minha espinha.

A voz dele veio de uma das estantes ao meu lado. Levantei meus olhos do livro e vi Mr. Grunt se aproximando de mim com sua face séria e suas esmeraldas rastreando meu rosto e os livros em minhas mãos. Me senti como se tivesse encolhido alguns centímetros.

– E-Eu... – como que se faz mesmo pra falar? Limpei minha garganta – Eu não li muito Shakespeare até agora e pensei em fazer um intensivo antes da viagem.

– Hum, eu também. – ele levantou os livros que levava em uma mão – A literatura em si não é minha área, então preciso me por em dia antes de seguir viagem. O que você escolheu para ler?

Olhei para os livros em minhas mãos e os mostrei. Um tom de pálido até rosa passou por seu rosto, o que foi estranho.

– Nós... Não vamos abordar estes. Tente se manter nos títulos de romances mais conhecidos, senhorita Johnson. – sua voz saiu um pouco áspera, quase me recriminando por algo.

– Tudo bem. – murmurei me sentindo um pouco envergonhada sem saber por quê.

– Preciso ir. Fique bem. – balançou a cabeça em despedida, me deu as costas e seguiu pelo corredor até as escadas. Tudo o que sobrou foi o cheiro de seu perfume à minha volta.

Respirei fundo, senti meu corpo relaxando. Nossa! Por que é tão difícil conversar com ele sem me sentir nervosa? Olhei novamente para os livros que tinha escolhido, perdendo alguns minutos os analisando para descobrir que tive o azar de pegar obras eróticas. Meu Deus, que vergonha! Corri para devolvê-los onde encontrei e então pegar os romances como Mr. Grunt me sugeriu.

Notas finais
Por favor, sei como é uoh esperar eternamente por algo. Deixem seus sentimentos revoltosos fluírem sem palavras de baixo calão contra eu ou minha mãe, ok? kkkkkk Espero poder postar com mais frequencia a partir de agora. Vejo vocês nos reviews!