Dear Teacher

5 Capítulo 4 - O calor de um abraço


Notas iniciais
Ha! Como o prometido, o totoso do Mr. Grunt está dando o ar da graça nesse cap. Por algum motivo desconhecido a autora teve um sangramento nasal intenso enquanto escrevia sobre o personagem. ;) Enjoy!

– Senhorita, acorde! – alguém me balançou com força.

Acordei assustada com a bibliotecária me repreendendo pelo meu comportamento. Era terminantemente proibido babar nos livros.

Droga! Não acredito que dormi enquanto estava estudando. Me sentei corretamente na mesa que estava e cocei meus olhos pesados. Alguns alunos estavam absortos em seus próprios livros nas outras mesas de leitura a minha volta. Mordi meu lábio inferior e baixei a cabeça enquanto a bibliotecária ia embora a passos rápidos, me deixando coberta de vergonha para trás.

Algo me dizia que olhavam para mim. Automaticamente virei a cabeça direto para ele, a duas mesas de distância, tomando notas em uma caderno. Seus olhos estavam fixos no que escrevia, o que foi um alivio para mim. Peguei minha bolsa e saí ali cabisbaixa. Será que Mr. Grunt me viu dormir? Pff, quem não viu?

Abri a porta imensa para o pátio e saí da biblioteca. Na mesma hora o vento frio chicoteou meu cabelo e isso me alertou que esqueci meu casaco no encosto da cadeira da biblioteca. Oh, meu Deus! Não vou voltar lá dentro. Sabia que se entrasse tentaria ariscar uma olhada rápida para a direção do Mr. Grunt e, se fosse pega no ato morreria de vergonha. Apressei meu passo, atravessando a faculdade em direção aos dormitórios, tentando fugir do frio que queimava meu rosto o mais rápido que conseguia. Três andares de escada depois, corri até meu quarto, joguei minha bolsa com livros no chão e me enfiei em sob meu edredom, tremendo. Pensei seriamente em ganhar mais gordura para me aquecer, já que meu corpo tremia como se estivesse em um ataque epilético. Assoprar meus dedos congelados era o mais importante, e também difícil. Meu queixo tremia tanto que podia ouvir meus dentes baterem.

Toc toc toc.

Abri meus olhos assustada. Isso, com certeza, não foram meus dentes batendo. Ergui a cabeça, tentando ver a porta sobre o monte sobre mim que era meu edredom, esperando a pessoa do outro lado falar algo.

Toc toc toc. Dessa vez as batidas vieram rápidas.

Gemi por não querer me levantar, enquanto jogava o edredom para o lado e me sentava. Senti meu nariz escorrer e inspirei com força algumas vezes arrastando meus pés até a porta para a abrir.

A porta abriu suave, revelando o homem alto com meu casaco preto e cachecol cinza nas mãos. Conhecia aquelas mãos, mas meu medo não impediu meus olhos de subirem para o rosto sem expressão do Mr. Grunt, com seu cabelo castanho todo bagunçado e seus olhos verdes em mim.

Meu estomago gelou e um arrepio passou minha espinha me fazendo sentir duas vezes mais frio. Aqueles olhos verdes, direto nos meus sem nem fazer menção de desviarem me desarmou e fiquei ali parada, hipnotizada. Ele estendeu meu casaco para mim sem dizer nada, apenas esperando que eu pegasse o que era meu. Estendi meus braços rígidos até meu casaco e o peguei. Minhas mãos (e eu) tremiam mais que antes, trouxe o casaco até meu peito e murmurei um “O-obrigada”, desviando meus olhos e voltando para meu quarto.

Mal conseguia andar, e não era culpa do frio, mas aposto que ele pensou que sim.

– Senhorita Johnson?

Sua voz grave e baixa alcançou minha alma e meu coração desparou. Me virei esperando uma reprimenda e fui obrigada a dar alguns passos para trás. Mr. Grunt entrou no meu quarto com três passos largos, desabotoando seu sobretudo com apenas uma mão muito ágil, e fechou a porta atrás de si com a outra. Meus dedos agarraram meu casaco com força enquanto meus olhos se arregalavam e minha voz sumia. Será que estou sonhando de novo? Só posso estar com febre!

– Não é o que está pensando. – me disse terminando de abrir seu sobretudo e desabotoando seu terno, deixando aparecer seu suéter bege.

Mais um passo em minha direção o permitiu estender sua mão e agarrar meu casaco e jogá-lo em minha cama. Meus joelhos ameaçaram falhar um milésimo antes dele para pegar meus pulsos e me puxar para si. Nem foi preciso força, leve como sou quase voei quando me puxou, arrumando meus braços em trono de sua cintura. Puxou seu casaco sobre mim, que quase me cobriu por completo, e me abraçou.

– Apenas fique quieta. – recomendou baixo.

Minha cabeça batia logo abaixo de seu queixo, não me deixando muito que fazer além de me dar o luxo de apoiar meu rosto em seu peito. Seu coração batia rápido e sua respiração lenta era quase inaudível. Fechei meus olhos aproveitando o calor que estava sob aqueles tecidos, sendo traída pelo meu nariz que insistia em escorrer de tempos em tempos e me faziam me sentir uma criança gripada quando inspirava para impedir. Em pouco tempo parei de tremer e me sentia aquecida de novo. Mesmo assim parecia uma eternidade com aqueles braços ao redor de mim.

Podia sentir que o calor que emanava de seu corpo para o meu estava me deixando sonolenta.

– Porque está fazendo isso? – perguntei ainda ouvindo seu coração.

– Porque alguém deixou o casaco para trás e achou uma boa ideia passar frio. – reclamou. Alguns segundo depois sua voz estava mais suave – Você estava tremendo muito. Não é educado deixar uma mulher passar frio. Podia ficar doente.

Oh! Mr. Grunt é um gentil cavalheiro sob sua máscara de gesso?

– Desculpe. Vou ser mais responsável, senhor. – podia sentir meu rosto aquecer pela vergonha de ser uma preocupação para ele.

– Já parou de tremer. – observou, dando um passo para trás.

Meus braços caíram ao meu lado e meus olhos ao chão. Meu coração disparou quando pensei que deveria olhar para o rosto do homem a minha frente para agradecê-lo antes que deixasse meu quarto. Arrisquei erguer meus olhos bem no momento em que sua mão direita vinha em direção ao meu rosto e pousava suave e quente em minha pele, enquanto ele enrugava seu semblante em preocupação.

– Você parece um pouco febril, senhorita Johnson.

Seu toque parecia mais uma caricia morna atiçando uma parte minha que não conhecia. Aqueles olhos verdes percorrendo meu rosto como no meu sonho. Foi impressão minha ou eles se demoraram mais que o necessário em minha boca antes dele desviar aquelas esmeraldas para longe de mim?

Mr. Grunt se virou e olhou perdido para o quarto ao redor. Acho que se deu conta pela primeira vez que estávamos sozinhos no meu dormitório, cujo prédio todo estava quase vazio por que seus habitantes estavam em aula agora.

– Obrigada por se preocupar comigo, Mr. Grunt. – agradeci enquanto ele ia para a porta. Ia sair de qualquer jeito sem se despedir de mim?

Ele parou e se virou com um pequeno sorriso e aceno de cabeça.

– Tudo bem. Apenas procure descansar um pouco. – sugeriu abrindo a porta e saindo para o corredor.

Oh, meu Deus! Flutuei até minha cama, me jogando no colchão macio. Ele me abraçou! Ainda consigo ouvir seus batimentos e sentir seu calor. Ele não passa frio não? Se sob o casaco é assim, sob seu colarinho sua pele deve estar fervendo.

A porta se abriu e me levantei assustada, encontrando Ellen entrando descabelada e tirando suas luvas. Ela sorriu e foi se sentar em sua cama, deixando sua bolsa em seu lado para tirar as botas.

– Boa tarde. – falei, não a tinha visto desde hoje de manhã.

– Uma ótima tarde pelo visto. – sorriu e chutou suas botas para o lado, tirando seu jeans, que provavelmente estava gelado.

– Hun?

– Sabe quem encontrei aqui no corredor? – me perguntou, vestindo uma calça de moletom branca.

Oh, não! Ela vai fazer suposições estúpidas!

– Não é o que você está pensando! – disparei, a fazendo parar de trocar sua roupa gelada pelo conjunto de moletom quente e me encarar confusa.

– Ele só veio me devolver meu casaco que esqueci na biblioteca. – expliquei enquanto ainda tinha tempo para falar. – Não aconteceu nada!

– De quem você está falando? – ajeitou melhor os óculos para prestar atenção em mim.

– Hun? – agora quem ficou perdida fui eu – Quem você ia me dizer que encontrou no corredor, agora há pouco?

– Derick.

Oh! Ela ainda me fitava confusa, e resolvi me enfiar sob meu cobertor. Não quero deixar nunca o calor daquele corpinho no meu ir embora.

– NÃO ACREDITO!

Minha cabeça virou rápido para a loira do outro lado do quarto que tampava a boca com as mãos, assustada com o próprio grito. Ela abriu um sorriso enorme e correu para minha cama, se jogando sobre meus pés.

– Não acredito. Não acredito. Não acredito. Não acredito! – repetia rápido, puxando suas pernas para cima da cama e as cruzando sob si. Seus olhos mel brilhavam com a descoberta. –Pode me contar!

– Hun? – repeti, assustada com aquela empolgação da minha amiga.

– Que “hun” nada! Pensei ter visto mesmo o senhor Grunt passando pela gente no corredor, só não chequei porque... Conto depois! Agora quero saber, exatamente, tudo o que aconteceu aqui. Oh, meu Deus! Catherine, vocês estavam sozinhos aqui! Você deve ter ficado tão nervosa! Como é que foi que conseguiu o fazer vir aqui?

Senti meu rosto esquentar. Não tenho para onde fugir. E... Ellen é minha amiga, não há nada de errado em contar a verdade (ou só a parte que não vai me envergonhar) para ela.

– Esqueci meu casaco na biblioteca e ele veio me devolver. – dei de ombros.

– E aí? O que ele disse quando você abriu a porta e viu que era o Mr. Grunt?– ela me encarava boquiaberta, como se ouvisse uma história muito interessante.

– Nada. Apenas empurrou o casaco para mim. – murmurei.

– Hum? Sempre achei ele meio estranho. – pensou em voz alta – E aí?

– Peguei o casaco e ele foi embora. – falei rápido e ela fez uma careta, me pegando em minha mentira. Bufei, derrotada. Preciso aprender a mentir melhor. – Ele viu que passei frio, você sabe como eu fico quando passo frio, e acho que ficou meio preocupado. Sei lá. Só sei que ele abriu o casaco e me o fez abraçar até ficar aquecida. Então ele foi embora.

Ellen estava boquiaberta.

– Você o abraçou? – assenti – Não, não. Ele fez você o abraçar? Tipo, se ele estava com o casaco aberto, como foi sentir o corpo dele? Ele tem músculos escondidos embaixo daquela camisa?

Senti que fiquei vermelha e cobri meu rosto com minhas mãos. Ele tinha um corpo macio e quente. Era o primeiro homem que abracei e me lembrava de cada centímetro, ansiando por mais uma chance disso se repetir.

Ouvi a risada da Ellen e a senti se levantar da cama.

– Deixa quieto. – a ouvi dizer antes de continuar a trocar suas roupas por algo mais confortável.

Notas finais
Por favor, mereço um "tá legalzin", "tá boa", qualquer coisa para não deixar a fic de lado por falta de público. Ok? Ok.