Dear Survivor
8 Decided
Notas iniciais
Acordei com uma voz me chamando e me sacudindo pelos ombros.
–CLAIR! CLARISSE! ACORDA!
–O-oque...?- minha visão começou a se estabilizar. Eu respirava cortado e meu coração batia rápido.
–Clair! Graças a Deus, você acordou, eu estava preocupado!- Carl disse me puxando para um abraço.
–Carl...você está aqui! É você mesmo, você está comigo! Não me deixe sozinha Carl, nunca mais, por favor! Não me deixe...- eu dizia me agarrando às costas de Carl e lágrimas começaram a rolar pela minha face.
–Eu nunca vou te deixar Clair...nunca...- Carl disse confuso mas confiante.
Eu dei uma risada fraca e chorei mais ainda.
–Eu estava sozinha Carl! Eu nunca mais quero ficar sozinha...Você, você estava morrendo e e-ele estava lá...
– Eu estou aqui agora Clair! Nós estamos bem! Calma!
Eu comecei a me acalmar e percebi que esse tempo todo eu e Carl estávamos sentados no chão. Nos levantamos e deitamos um do lado do outro na cama de Carl.
–O que aconteceu Clair?- ele perguntou preocupado e eu comecei a contar todo o meu sonho para ele.- E-então ele estava lá?
–Sim. Será que ele realmente sobreviveu?- perguntei para ele.
–Não...acho que não. Mas não pense nisso Clarisse. Está tudo bem, foi só um pesadelo. Eu estava acordado lendo um gibi aqui na minha cama, quando eu ouço um baque, eu olho para o lado e você tinha caído da cama. Você estava tremendo e se arranhando toda.- ele disse e apontou para os meus braços, olhei-os e vi riscos vermelhos em minha pele, arranhões.- Eu fui até você e tentei te segurar, mas com a força de jeová, ou sei lá da onde você tirou aquela força, você me deu um soco na barriga, olha.- ele levantou a camiseta e eu fiquei encarando os músculos dele, mas logo me liguei e vi que estava ficando meio na cara que eu estava secando ele e eu finalmente vi o grande roxo no canto da barriga dele, estava ficando verde, sei lá...parecia hematoma de cirurgia, eu não sabia que tinha aquela força toda.- Depois eu consegui segurar os seus braços e te acordei finalmente.
–Oh meu Deus! Eu sinto muito Carl, eu não queria...- estava muito envergonhada por ter machucado-o.
–Não foi nada, você estava apenas tendo um pesadelo...- Carl disse afagando os meus cabelos.
–Um pesadelo muito, mas muito real.- eu disse me virando de lado e olhando para Carl, ele estava tão lindo. Seus cabelos pretos estavam bagunçados por que ele acabou de acordar, seus olhos estavam mais azuis do que nunca e suas bochechas coradas devido ao esforço passado. Eu fiquei encarando ele por alguns minutos de silêncio até que eu me lembrei do dia passado. Merda! Eu tinha que dar uma resposta pra ele. Eu o amava, mas eu não queria machuca-lo. Mas eu ainda o amava...Então eu decidi em arriscar, eu deveria correr atrás de quem eu amo. O mundo já está todo fodido mesmo.
–Carl, eu quero falar sobre o que aconteceu ontem.
–Tudo bem Clair. Eu já decidi. Vou parar de te encher o saco, eu fui muito apressado e eu sinceramente acho que isso foi bom, pois fez eu perceber que eu não te amo como uma namorada, e sim como uma irmã. Pode ficar calma que eu nunca mais vou querer nada com você!- ele deu um sorrisinho sincero e eu abri a minha boca, sem reação.- Agora eu sei quem eu realmente amo, e eu vou falar com ela agora mesmo, antes que qualquer coisa aconteça ou sei lá...Tchau Clair, vou indo...
Quando recobrei minha consciência tentei falar para ele esperar, mas ele já havia ido. E agora? Eu perdi ele para sempre. "Eu não te amo", "Nunca mais vou querer nada com você", aquelas frases ficavam se repetindo na minha mente e eu ainda estava estática, encarando a minha cama de cima com a boca aberta.
Ele com certeza foi falar com a vadia da Sophia. Como eu vou viver vendo eles juntos? A cada vez que eu vê-los eu irei vomitar. Sinto nojo apenas de pensar nos dois juntos. Mas quem mais podia ser o "amor da vida do Chandler"? Quem será a sortuda se não eu? Eu estava totalmente incrédula. Me levantei, coloquei uma roupa, já que eu estava de pijama, e fui comer alguma coisa. Chegando lá, havia um bolinho de pessoas em volta de alguém e eles estavam fazendo sonzinhos como "oooowwwnnn" ou "ooooiiiiiinnnnttt", eu me espremi e cheguei no meio deles, e a cena que eu vi não foi nada agradável para os meus olhos.
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