Dear, Soldier
6 The Weekend - Part I
Notas iniciais
O final de semana de Kurt e Quinn seria bem corrido e intenso. Na sexta feira, os dois passariam pela primeira fase do Glee: as Seletivas. O New Directions precisava começar a deixar sua marca e mostrar para o que veio esse ano. No domingo, haveria um jogo importante para os Titans e as Cheerios precisariam estar presente e dar o total apoio.
Além de toda a pressão das apresentações, havia um detalhe a mais para sexta feira: Sebastian estava vindo assistir Kurt. O castanho não sabia se deveria se permitir ficar tão nervoso assim, mas acabara disfarçando e julgando ser a ansiedade.
Kurt precisava respirar fundo e se concentrar no que era importante no momento. E Sebastian não deveria ser uma dessas coisas.
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Kurt e Quinn estavam terminando de colocar suas roupas. Quinn estava com um vestido rodado até os joelhos branco com o fundo amarelo, sapatos azul-claro, da mesma cor da faixa que formava um rabo-de-cavalo em seus cabelos. Kurt estava com suspensórios amarelos, uma camisa social azul, dobrada até os cotovelos, calças e sapatos azul-marinho. Os dois davam os últimos ajustes nas roupas, antes de começar a retocar a maquiagem.
– Não foi a mesma música que eles cantaram ano passado? – Quinn se referia a música que o outro coral apresentava no auditório. Como todos os anos, as Seletivas estavam sendo no McKinley.
Kurt analisou, enquanto cobria seu rosto com um pouco de maquiagem. Ele olhou para Quinn pelo espelho, que estava arrumando a franja e concordou.
– Isso é praticamente um pedido oficial pedindo para serem eliminados. Ou eles querem provar que melhoraram ou alguma coisa assim. – Kurt deixava suas bochechas um pouquinho mais rosadas com um blush. – Pelo menos podemos crer que nossas chances de ganhar serão maiores. – Disse o Hummel.
– Falando em vitória... – Quinn se sentou entre Kurt e Mike e começou a retocar sua própria maquiagem. – Como se sente cantando um solo? – Kurt finalmente havia conseguido a chance de solar nas Seletivas.
– Ansioso. – Mentiu. “Muito nervoso” era o termo que mais se encaixaria com o que o rapaz estava sentido agora. Kurt olhou para Quinn. – Mas vai dar tudo certo. – E sorriu. Os dois voltaram suas atenções para si mesmos. – Como andam as coisas com você? Tivemos que ensaiar tanto, que mal tivemos tempo para conversar essa semana. – Kurt queria saber mais do que apenas de Quinn.
– Está tudo bem. Na verdade, está tudo ótimo. Sebastian parece ter finalmente percebido que não está mais no exército e voltou a nos tratar como uma família. – Enquanto Quinn falava sobre seu irmão, Kurt tentava não imaginar que essa mudança havia sido por sua culpa. Quinn chegou mais perto de Kurt – Eu acho que ele está saindo com alguém.
Dito isso, Kurt soltou o blush, porque aquilo havia sido necessário para deixa-lo corado. Ele sabia como Quinn era e não queria alerta-la por só sair uma vez com o irmão dela. Por enquanto, os dois só haviam saído uma vez e ninguém mais precisava saber. Se Sebastian achasse necessário, ele contaria, pois Kurt ficaria quieto.
– Oh, é mesmo? – Kurt começou a arrumar os cabelos.
– Ele saiu sábado passado e não disse para onde ia, chegou em casa já tinha passado a hora do jantar. – Quinn se virou para Kurt e sussurrou. – Mamãe também disse que ele saiu com uma jaqueta e quando ela perguntou onde estava, ele disse que tinha perdido.
– Mas desde quando isso quer dizer alguma coisa, Quinnie? – Kurt sorriu, tentando esconder o nervosismo.
– Desde quando ele começou a namorar Hunter e fazia esse mesmo tipo de coisa. Uma vez, Sebastian passou frio, porque todos os casacos dele estavam emprestados para Hunter. Mamãe o obrigou ir na casa do namorado e buscar tudo. – Quinn passou batom nos lábios. – Ah, e hoje, antes de sair de casa, eu o vi se preparando para sair. Deve ter aproveitado que mamãe e eu estaremos fora e vai sair com esse menino. – Quinn começou a delinear as sobrancelhas. – Deixa só eu descobrir quem é esse...
Kurt já vira Quinn com ciúmes uma vez e não gostaria de saber o que ela poderia fazer. O castanho tratou de terminar sua arrumação e se levantar. Era melhor ele tirar o dele da reta agora, antes que a conversa ficasse mais intensa.
– Terminou? Precisamos nos aquecer. – Kurt foi até um canto da sala e começou a aquecer o corpo na barra de ballet. Ele imaginava qual poderia ser o momento para contar a Quinn que ele estava saindo com o irmão dela; imaginou se ela ficaria incomodada daquela forma se soubesse que essa pessoa era ele; o que ela acharia por Kurt ter escondido dela...
– Kurt? – Chamou Quinn. – Kurt! – Ele havia imaginado tantas coisas e ido tão longe, que nem percebeu o que acabara de acontecer.
– Ah? Oi? – Quinn já estava ao seu lado e esticava uma das pernas. Kurt tentava imaginar quanto tempo ele havia ficado fora de si em pensamentos.
– Perguntei se você quer ir dormir lá em casa nesse final de semana. Já que vamos ensaiar amanhã o dia inteiro e domingo vamos passar o dia inteiro no ginásio, pensei se não poderíamos ficar juntos.
– Tudo bem. – Kurt respondeu sem responder, mas depois se tocou do que aquilo poderia levar. – Mas vamos dormir na minha casa?
– Se o casal Finchel não estiver lá... – Declarou Quinn. Kurt sabia que o irmão e a cunhada estariam, mas ficou quieto e deixou para dar uma desculpa na hora.
O castanho reparou que a amiga estava quieta demais. Quinn geralmente não parava de tagarelar em dia de competição.
– O que foi, Quinn? – Kurt se aproximou da amiga. – Você parece estar tão longe daqui...
– Olha quem está falando. – Brincou a loira, com um sorriso fraco no rosto. – Puck quer falar comigo... – Disse ela, olhando rapidamente para trás, onde o rapaz estava. – Ele disse que é algo importante. Tenho medo de que ele termine comigo. Eu segui seu conselho e conversei com ele. – Ela olhou para o amigo. O medo em seu rosto era inegável. – Ele pediu um tempo para pensar e agora disse que quer conversar em particular comigo no domingo ao final do jogo. – Kurt chegou a conclusão que esse seria o móvito pelo qual ela gostaria de ficar com ele.
– Talvez ele só quer pedir desculpas ou algo assim. E é bem melhor vocês não ficarem pensando no que disseram na conversa quando você tem duas apresentações a caminho e ele uma apresentação e um jogo importante. – Kurt a abraçou. – Vai dar tudo certo. – Quando se soltaram, voltaram ao aquecimento.
Quando todos já estavam aquecidos corporalmente e vocalmente, Mr. Schue fez um novo discurso, liberando os alunos para se posicionarem no palco. No caminho para o auditório, Quinn e Kurt ouviram alguém correndo atrás deles.
– Lucy Fabray e Kurt Hummel? – Chamou uma voz desconhecida. Quando os dois se viraram para trás, viram um rapaz ruivo.
– Somos nós. – Respondeu Quinn. Eles tentavam se lembrar de onde conheciam o menino, mas aos resultados que chegaram até agora, não o conheciam. Pelo o uniforme que ele usava e pelo o que segurava, ele não era conhecido deles.
– Mandaram entregar para vocês. – O rapaz estendeu os braços, entregando dois buquês de flores aos estudantes.
Eles se entreolharam antes de pegar as flores em seus braços. Quinn recebera um lindo arranjo de margaridas amarelas, rosas rosa e azaleias lilases, junto a um cartão. Já Kurt, recebera um buquê com flores de campo nas cores branco, vermelho e azul. As cores lembravam a bandeira do país e as eram as mesmas flores que ele virá no sábado passado, quando ia para a ponta do penhasco. Sebastian...
– Quem foi mandou? – Perguntou Quinn, depois de cheirar o perfume das flores.
– Eu não sei. O dono da floricultura só me deu o endereço e os nomes. Sinto muito. – Respondeu o garoto, querendo sair dali o mais rápido. – Mas em um dos buquês tem um cartão. – Quinn notara agora o cartão. – O-olha, e-eu preciso ir. Hum... espero que tenham gostado do presente.
O menino saiu correndo do corredor. Enquanto Quinn lia o cartão, Kurt ficava encarando as flores com um sorriso bobo no rosto. Ele estava encantado com elas e com o gesto do Fabray. Sebastian provavelmente não colocara cartão para Quinn não pensar nada de errado e na esperança de que Kurt se lembrasse dos detalhes do encontro e de Sebastian.
– Sebastian foi quem enviou. Olha só. – A loira entregou um pequeno papel para Kurt. Escrito a mão, Sebastian desejou boa sorte e uma ótima apresentação. – No seu veio cartão? – Perguntou ela, quando ele terminou de ler.
– Não. – Os dois voltaram a andar para o auditório.
– De qualquer forma, deve ter sido ele. São lindas não? – Perguntou Quinn, olhando para o presente.
– Claro. – Kurt nem encarava Quinn. Na verdade, ele não olhava para mais nada que não fosse as flores. Ninguém nunca havia lhe dado flores. Ele estava maravilhado. Depois arrumaria um jeito de agradecer ao outro castanho.
Assim que chegaram ao auditório, Mr. Schue receptou as flores e os dois se colocaram junto ao restante do grupo. Enquanto o grupo era anunciado, Quinn se virou para o amigo, que estava ao seu lado direito.
– Espera. Será que ele veio hoje? – Quinn perguntou. Ela havia juntado os pontos e talvez Sebastian estivesse se arrumando para vê-la. Aquilo só poderia ter sido ideia de Judy, pois ela sabia o quanto essas apresentações eram importantes para Quinn e chamara o filho mais velho para ver, já que esse, nunca teve oportunidade. Assim que Kurt ia dar os ombros, o grupo foi anunciado e as cortinas se abriram.
Um pouco desconcertada, Quinn queria logo poder se virar para olhara para a plateia. A primeira música era cantada por Finn e Rachel, “Clumsy” da Fergie. Finn e Rachel haviam feito um ótimo trabalho da música, assim como o Mr. Schue com o arranjo da música, que dava um ar bem retrô. As roupas, a música e a dança estavam se completando.
Durante a música, Quinn mais prestou atenção nas pessoas na plateia, do que interagiu com o restante das meninas na coreografia. Kurt, que em um momento dançava com ela, notou a falta de concentração da loira. O castanho, acabou fazendo o mesmo e rapidamente achou a mãe de Quinn na plateia, ao seu lado, Sebastian. O castanho tinha um sorriso enorme no rosto ao ver os dois no palco.
– Ele está ao lado da sua mãe, na fileira do meio. – Kurt sussurrou rapidamente para menina, enquanto Rachel recebia toda atenção nos minutos finais da música.
Ao ver o irmão na plateia, um enorme sorriso apareceu no rosto de Quinn e seu foco mudou totalmente, para dar um show memorável ao seu irmão. Quando a primeira música acabou, todos saíram do palco, deixando Kurt sozinho no centro. Enquanto os primeiros acordes não começavam, ele pôde ouvir o pai gritando no fundo do teatro.
Os primeiros trechos da música começaram. Kurt ficou tão feliz em receber esse solo e ter a oportunidade de cantar essa música. Mais feliz ainda porque Sebastian estaria escutando.
It’s dangerous to fall in love
But I wanna burn with you tonight
Hurt me
There’s two of us
We’re certain with desire
The pleasure’s pain and fire
Burn me
Ao final da frase, Kurt tirou os olhos do chão e olhou para Sebastian. O sorriso em seu rosto era enorme. Ele queria esconder um pouco de Judy, mas não haveria como ele perder essa oportunidade agora. Ele estaria cantando para Sebastian. Quinn, Judy, Finn, seu pai e qualquer outra pessoa conseguiria ver isso se prestasse atenção nos próximos minutos.
So come on
I’ll take you on, take you on
I ache for love, ache for us
Why don’t you come
Don’t you come a little closer
So come on now
Strike the match, strike the match now
We’re a perfect match, perfect somehow
Sebastian mal se continha em sua cadeira. Kurt tinha uma voz encantadora e ele amava o quão linda ela soava cantando-lhe uma música em frente a várias pessoas. Ele gostava de provocações, principalmente desse tipo. Como ele quase perdera Kurt e não notara o valor do menino? Sua mãe, parecia que só tinha olhos para o desenvolvimento que Kurt fazia e não para onde o castanho olhava a cada cinco segundos...
We were meant for one another
Come a little closer
Flame that came from me
Fire meet gasoline
Fire meet gasoline
I’m burning alive
I can barely breathe
When you’re here loving me
Fire meet gasoline
Fire meet gasoline
I got all I need
When you came after me
Fire meet gasoline
Burn with me tonight
Um ventilador começou a assoprar em cima de Kurt e o palco ficou laranja, como altas chamas. Ele erguera os braços e cantava com todo sentimento e sinceridade que encontrara em si mesmo. Ele estava cantando na vontade de dizer que não se sentia mais inseguro com Sebastian e esperava que o Fabray entendesse isso, não que ele estava lhe pedindo alguma coisa.
And we will fly
Like smoke dark in the sky
I mean I want to try and
Take a bite
So come on now
Strike the match, strike the match now
We’re a perfect match, perfect somehow
We were meant for one another
Come a little closer
Apesar da voz de Sia e do castanho serem totalmente divergentes, Mr. Schue conseguira encontrar uma forma de deixar a música tão boa na voz de Kurt, quanto a versão original. Kurt pode usar todas as alturas vocais que conseguia, principalmente o grave, que dificilmente usava. Ele queria que isso fosse um diferencial: mostrar que um dos alunos tinha uma habilidade um tanto quanto única no meio dos demais.
O castanho encerrou a música no minuto seguinte, recebendo uma boa salva de palmas de todos. Ele fizera tudo como o planejado. Pelo o que o rosto dele dizia, Sebastian estava adorando. Até agora tudo corria bem, só faltava mais uma música. A última música escolhida havia sido “Famous” da Charli XCX e o New Directions criou uma grande festa no palco, fazendo toda a plateia se levantar e dançar, enquanto Santana, Quinn, Brittany e Tina cantavam.
Ao final do New Directions, todos os grupos subiram ao palco. Enquanto todos estavam nervosos demais e concentrados, Kurt arriscou olhara para Sebastian, que lhe levantou os polegares positivamente e sorriu abertamente para ele. Kurt se sentiu mais confiante. Quando foi sorrir de volta, alguém já o abraçara e a plateia se colocava de pé. Eles haviam vencido.
– O grupo ganha a taça e vaga para competir nas Regionais daqui a alguns meses. – Anunciava uma voz ao fundo. Kurt não se importava com mais nada.
New Directions haviam vencido uma competição com um solo de Kurt para Sebastian. Nada poderia ficar melhor. Mesmo que Quinn estivesse o olhando daquele modo desconfiado...
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