Dear, Soldier
15 The Lake House
Notas iniciais
Acreditando que iria passar o final de semana inteiro na casa de Quinn, Kurt preparou uma bolsa de tamanho considerável com nada mais do que roupas simples, pois ele não iria sair de dentro de casa.
Quinn estava tão impaciente para esse final de semana, que havia pedido para o irmão ir buscar Kurt na casa do castanho as oito horas da manhã. O Hummel só não ficou mais irritado porque havia convidado o namorado para tomar café da manhã com ele e Sebastian havia aceitado.
No sábado, exatamente as oito horas da manhã, Sebastian mandou uma mensagem no celular de Kurt, dizendo que estava na entrada da casa do castanho. Kurt terminou de colocar café em sua caneca e foi correndo atender a porta. Assim que abriu, teve a visão do seu namorado em uma versão mais atualizada de Danny Zuko. Ver Sebastian usando óculos escuros, jaqueta de couro e all star preto, era uma bela maneira de começar o dia.
Kurt se aproximou do namorado e o tocou no ombro. Ficou observando Sebastian, até que o outro abaixou um pouco os óculos.
— Bom dia. – Disse Kurt. O castanho olhou para trás e assim que teve certeza que ninguém vinha do andar de cima, selou um beijo rápido com Sebastian.
— Dia, Kurt. – Resmungou Sebastian, em sua voz rouca, assim que eles terminaram de se beijar. – Como foi sua noite? Dormiu bem? – Sebastian entrou na casa e fechou a porta atrás dele. Kurt segurou a cintura do namorado e os dois rumaram para a cozinha, abraçados.
— Ela foi. Poderia ter sido maior, mas sua irmã é um pouco exigente as vezes. – Os dois chegaram na cozinha e logo Kurt se separou de Sebastian. – Eu tenho certeza que assim que eu chegar na sua casa, ela dirá para eu deitar no meu canto e continuará dormindo. Que tipo de pessoa te convida para fazer uma sessão de filmes às oito horas da manhã? – Sebastian acabou rindo da inocência de Kurt.
Kurt puxou uma cadeira para Sebastian – que se sentou. O rapaz foi retirando a jaqueta de couro e Kurt não pôde deixar de olhar para os braços musculosos de Sebastian fora da camiseta branca. Talvez fosse pela luz do Sol que entrava pela janela e dava luz sobre a pele do Fabray, mas ele estava demais naquela manhã.
Sem que Sebastian percebesse, Kurt voltou sua atenção ao café da manhã e começou a colocar o que os dois iriam comer em cima da mesa. Quando terminou, Kurt se sentou ao lado de Sebastian e começaram a comer.
— Aquela bolsa é para o final de semana? – Sebastian estava levando uma mochila com apenas roupas de banho, roupas intimas e duas trocas de roupa; sabendo que ia para outra cidade. Kurt estava levando duas vezes o volume da sua mochila, na ideia que estaria apenas algumas ruas de casa.
Sebastian não queria que Kurt ficasse aborrecido quando descobrisse para onde ele estaria levando aquelas roupas e percebesse que não tinha nada. Ele sabia que o Hummel era extremamente cuidadoso quando se tratava de suas roupas. Leva-lo para a casa do lago despreparado; não parecia uma ideia tão boa agora.
— Não tem tanta coisa assim ali dentro. É só por garantia mesmo. Tem pijama e roupas intimas. – Sebastian achou interessante a seleção de roupas, mas se livrou dos pensamentos de pedir o rapaz em namoro, quando a única coisa que ele estará usando, serão cuecas.
— Você deveria levar alguma coisa para sair. Talvez sairemos todos juntos hoje a noite para um jantar especial. – Falou Sebastian, enquanto comia uma torrada. Ele precisava estar o mais neutro possível para não indicar nada.
— Você está falando sério?! Sebastian, por que não me disse antes? Eu não tenho nada nessa bolsa para um jantar! Eu preciso colocar alguma coisa aqui. – Kurt se levantou da mesa e já estava indo em direção à bolsa, quando Sebastian o segurou pelo braço.
— Termina seu café comigo. Depois você vê isso. – Pediu o soldado. Kurt estava quase se negando, mas algo veio a sua mente: Sebastian parecia do tipo que já passara muitas manhãs tomando café sozinho. Kurt não queria fazer aquilo para seu próprio namorado. O castanho soltou a bolsa e deixou Sebastian o puxar para bem perto, até os dois ficarem com os corpos colados.
— Tudo bem, mas me confirme qual vai ser a do jantar em “família”. – Kurt se sentou em cima da coxa de Sebastian. Ele estava completamente inocente nessa.
— Não use aspas. Será em família. – Sebastian segurou o queixo de Kurt. – Vamos esperar para saber se não será um jantar para fazer de você um oficial na família Fabray. – Sebastian beijou o rapaz nos lábios e sentiu um gostinho de morango da geleia.
— Seria incrível, mas ainda não estou pronto para que sua família saiba sobre nós. Principalmente Quinn. Eu gosto de você e tudo mais, mas é que... – Kurt brincava com os dedos no final do maxilar de Sebastian. Ele nem olhava nos olhos do namorado. – Nossa, quando ela descobrir ela vai ficar tão brava porque eu escondi esse segredo dela. – Kurt fechou os olhos para imaginar as coisas que Quinn diria para ele.
— Ei, se acalma. – Sebastian tocou a bochecha de porcelana do namorado para acalma-lo. – Você acha que ela ficaria brava por namorar o irmão dela? Também conheço Lucy e sei que ela não ficaria assim. – Kurt olhou para ele. – E se ficar, direi que ela não poderia fazer nada. Eu já sou um homem crescido, não preciso dela para me vigiar. – Sebastian deu pequenos beijinhos na bochecha de Kurt, para acalma-lo.
— Não é isso. É que... – Sebastian olhou para Kurt de maneira estranha. – Nós prometemos que assim que um encontrasse uma pessoa especial, o outro seria a primeira pessoa a saber. Foi assim com ela e com Puck. Queria que fosse assim conosco, mas também tenho medo de como ela reagiria. Quinn é minha melhor amiga, magoar ela dessa forma pode fazer com que nossa amizade estremeça. Não quero isso. – Kurt escondeu os olhos nas mãos.
— Ei. – Sebastian fez Kurt olhar para ele. – Vai dar tudo certo. Ela ficará feliz pelo o melhor amigo dela, se tornando seu cunhado. Você conhece Lucy tão bem quanto eu, ela ficará feliz por nós dois. Tenha certeza disso. – Sebastian deu mais um beijo na bochecha do namorado.
Kurt concordou com a cabeça e sorriu para Sebastian.
— Tudo bem, Danny Zuko. – Sebastian encarou o Hummel de maneira engraçada, que deu risada. – Me explica essa roupa. – Kurt tirou os óculos da gola da camiseta do namorado e colocou nele mesmo.
— Achei que gostaria. – Sebastian corou e olhou para ele mesmo. – Foi a coisa mais “estilosa” que eu encontrei no meu guarda-roupa. – Kurt acabou ficando incomodado com seu comentário. Sebastian estava mais uma vez se esforçando por ele. Mas ele saberia como reverter aquilo.
Kurt se aproximou do ouvido do namorado e sussurrou:
— Eu discordo. Provavelmente essa é a coisa mais sexy do seu guarda-roupa. – Kurt se afastou e abaixou os óculos, dando uma piscada para Sebastian. Recolocando os óculos, Kurt deixou a coxa de um envergonhado Sebastian e foi buscar sua bolsa. – Termine seu café, eu já retorno.
Kurt sumiu da vista de Sebastian e foi para seu quarto, enquanto deixou Sebastian na cozinha, terminando o café da manhã que ainda restava.
[...]
Sebastian havia terminado seu café da manhã depois de esperar Kurt por dez minutos. Mas assim que terminou de arrumar a cozinha, foi pra a sala e ficou mexendo em seu celular.
Por volta de vinte minutos que Kurt havia subido, o rapaz desceu as escadas. Assim que se virou no sofá para falar com o Hummel, Sebastian viu que era o Hummel mais velho. Nem o mais rígido general deixaria ele congelado daquela forma.
Burt estava tão surpreso pela presença de Sebastian, quanto o garoto.
— Bom dia. Você está esperando Kurt? – Perguntou Burt. Ele já tinha visto Sebastian, quando o rapaz foi à um encontro com o castanho.
Sebastian se levantou desajeitadamente e ofereceu uma mão para Burt.
— Bom dia, senhor. Positivo, senhor. – Sebastian acabou falando um pouco alto demais. – Droga, você não está mais no exército, Sebastian!— Resmungou o rapaz para si mesmo. – Sim, eu estou esperando Kurt.
Achando o rapaz um completo estranho, Burt concordou com uma expressão desconfiada e foi para cozinha pegar seu café.
Respirando aliviado e mais tranquilo por Burt ter se retirado, Sebastian estava quase se sentando, quando mais uma pessoa começou a descer as escadas. Sebastian só esperava que não fosse o irmão, Finn. Mas pelo contrário, era o próprio Kurt.
Kurt havia ido trocar de roupa. Ele colocara um all star vermelho e de resto era apenas preto e justo. Kurt colocara uma calça que imitava couro e desenhava perfeitamente suas pernas, também usava uma camiseta que mostrava seus braços de quem levantava praticamente qualquer Cheerio; além de sua jaqueta de couro preta com um enorme “K” nas costas. O rapaz carrega sua bolsa – que agora tinha a aparência de cheia – e usava os óculos do namorado.
O Hummel parou no final da escada e se escorou no corrimão. Olhando para Sebastian, Kurt tirou os óculos.
— Vamos, Danny? – Chamou Kurt. O Hummel estava uma versão masculina exata da Sandy. Sebastian deixou um sorriso crescer no canto de seus lábios. Kurt era a melhor pessoa do mundo.
— Danny? Achei que fosse Sebastian seu nome. – Burt entrou na sala com uma caneca fumegante de café e se colocou entre os dois rapazes. Ele estava acostumado com as roupas de Kurt, mas aquela calça do castanho estava um pouco abusada. – Onde você vai vestido assim?
Kurt precisou bolar algo realmente rápido.
— Deus, papai. – Kurt foi até Sebastian. – Eu te disse sobre isso a semana inteira. Estou indo para o teatro ver a estreia da nova versão de Grease. Eu estou de Sandy Olsson e Sebastian está de Danny Zuko. – Kurt entregou os óculos de Sebastian e pegou seus óculos vermelhos.
— Não disse não. – Burt estava tão seguro sobre Kurt não ter lhe contado sobre aquilo, que nem teve como Kurt negar. – E a bolsa? Vai me dizer que estão economizando dinheiro e que isso é para não comprar pipoca no cinema?
Sebastian forçou uma risada, mas recebeu uma cotovelada de Kurt e parou imediatamente. Kurt o olhou para que ele ficasse quieto, porque ele tinha aquilo sobre controle.
— Não, esse é outro detalhe que eu te disse. Estou indo dormir na casa de Quinn. Ficarei o final de semana lá.
— Disso eu me lembro. – Mesmo sem tirar os olhos do café, Burt apontou o indicador para o filho. – Mas precisava sair logo cedo? – Perguntou Burt, ainda desconfiado de Sebastian.
— Acabei de falar que estamos indo para o cinema. Vamos para o cinema do shopping e você me conhece nesses lugares. – Para não prolongar mais a conversa, Kurt começou a se retirar. – Bom, tenha um bom final de semana. – Kurt deu um beijo no pai. – Se cuide, qualquer coisa me ligue e até amanhã. Te amo, tchau.
— Se cuida, kiddo. Também te amo. – Falou o homem, vendo o filho sair com seus pertences. Ele não acreditara na história de Kurt, mas também acreditava o suficiente no filho para saber que ele não faria nada que não pudesse. – Tchau, Danny. – Disse Burt em total sarcasmo para Sebastian.
— Tchau, senhor. – Sebastian começou a se retirar rapidamente da casa antes que a situação ficasse cada vez mais embaraçosa.
Os dois sairiam e foram em direção ao carro. Sebastian pegou a bolsa da mão de Kurt.
— Essa foi por pouco. – Falou Kurt, atravessando o jardim.
— Nem me fala. – O Fabray colocou a bolsa do Hummel no banco traseiro e escondeu para que o Hummel não visse a sua própria. Abrindo a porta para que Kurt entrasse em seguida. – Se você não tivesse chegado a tempo, só Deus sabe a besteira que eu teria feito na frente do seu pai.
Sebastian deu a volta no carro e sentou no lugar do motorista. O soldado ligou a ignição e deu partida no carro, subindo a rua. Os dois partiram para Cleveland, sem Kurt não ter nem ideia.
O Fabray tinha pensando a semana inteira de como diria para Kurt que os dois estava indo para Cleveland, porque em poucos instantes, o rapaz iria perceber que eles não estavam indo para a casa do soldado. Por enquanto Kurt estava mexendo no celular e nem havia se tocado que eles já estavam saindo de Lima. Mas a melhor parte da surpresa, seria Kurt perceber por si só, onde eles estavam indo.
Enquanto o castanho continuava mexendo no celular, Sebastian decidiu colocar uma música, já que as próximas cinco horas seriam longas.
— Sebastian, sei que estamos vestidos como personagens de Grease, mas eu não gostaria de cantar “You’re The One That Want” agora. Na verdade, nem sei se teremos tem- – Kurt teve apenas tempo de olhar para cima e ver a placa com os dizeres: “Você está saindo de Lima. Tenha uma boa viagem” – que logo ficou para trás. – Sebastian, o-o que você está fazendo? Para onde estamos indo?
Enquanto Kurt olhava envolta para saber exatamente para onde eles estavam indo, Sebastian gargalhou e continuou a mexer no rádio.
— Estamos indo para a casa do lago da minha família em Cleveland. – Sebastian passou a notícia como se fosse um evento que Kurt havia se esquecido. Sebastian olhou para o lado e viu Kurt completamente assustado. – Ei, por que todo o choque?
— Sua pergunta é séria? Por que todo o choque? Eu estou saindo da minha cidade, quando a minutos atrás disse ao meu pai que estava indo para algumas ruas da minha casa. – Kurt passou as mãos pelos cabelos. O que diabos estava acontecendo? – Por que estamos indo para Cleveland?
Sebastian puxou Kurt mais para perto dele, fazendo o castanho deslizar pelo o banco preto de couro. Abraçando o Hummel, Sebastian tentou acalma-lo. Kurt continuava olhando para o caminho. Agora era só estrada e terra seca dos dois lados.
— Estamos indo ter o melhor final de semana das nossas vidas. – Kurt olhou para o namorado. – Eu disse que queria um dia com você, mas vi que não foi o suficiente e dessa vez, não quero correr o risco que ninguém nos atrapalhe. – Sebastian beijou a ponta do nariz de Kurt e voltou a dirigir.
— Mas e Quinn? Ela vai desconfiar, vai acabar indo para minha casa e meu pai vai descobrir. Sebastian, você precisa voltar! – Kurt entrou em desespero.
— Kurt, você realmente acha que estou nessa sozinho? – Sebastian tirou os olhos da estrada por alguns segundos e olhou para Kurt com uma sobrancelha erguida. Kurt demorou para cair na real, mas quando fez, seu queixo tocou o chão do carro.
— Você quer dizer que Quinn...? – Kurt já estava entrando em choque novamente.
— Sim, querido, sim. Quinn já sabe que estamos juntos. – Disse Sebastian como a maior tranquilidade. Ele pôde sentir o quão tenso Kurt estava ao seu lado naquele momento. – Ela acabou juntando algumas informações depois que saímos do meu quarto naquele dia. Foi questão do tempo que eu te deixei em casa e voltara para que ela tivesse entendido tudo. Ela simplesmente me colocou na parede e não tive como negar. Era praticamente impossível depois dela ter tanta certeza de tudo.
Um silencio caiu sobre o carro. Kurt queria que aquilo fosse uma brincadeira de mal gosto, mas do modo que Sebastian se afastava cada vez mais de Lima, só poderia ser verdade. Então Quinn de fato sabia que ele e o irmão dela estavam juntos; e aparentemente estava os ajudando e acobertando tudo.
— O que ela achou? – Kurt estava morrendo de medo de perguntar isso, mas era a única pergunta que ainda restava.
— Ela adorou! – Kurt ficou surpreso com aquilo. – É sério. Ela adorou o fato de nós dois estarmos juntos. Ela disse que era algo que ela já estava planejando fazer. – Kurt mal podia acreditar naquilo. – Ela até brincou dizendo que já se imaginava tia de um garotinho de olhos azuis. – Sebastian sorriu bobo, ao imaginar Lucy com seu filho com Kurt. O garoto seria lindo.
— Oh, meu Deus. – Kurt estava tão feliz que seus olhos ficaram marejados. Quinn os apoiava! – Eu não consigo acreditar nisso! Quinn realmente gosta da ideia de nós dois juntos? – Sebastian concordou, olhando para Kurt rapidamente e mostrando seu, também gigantesco, sorriso. – Eu me sinto tão melhor agora sabendo que ela está presente e não está brava comigo. – Kurt deu um forte abraço no namorado e em seguida um beijo na sua bochecha. – O que os seus pais sabem?
— Sobre nós dois, nada, mas sabem que eu estou indo para casa. Inventei uma história de que queria ficar um pouquinho sozinho. – Sebastian colocou seu braço envolta dos ombros de Kurt e deixou sua cabeça cair em cima da cabeça do parceiro.
— Sebastian, eu estou tão feliz. Você não tem ideia. – Kurt sorria como nunca. – Quando eu crescia, a coisa que eu mais queria era poder dizer por mim mesmo que era gay, mas quando isso aconteceu, uma nova vontade de poder apresentar meu namorado para aqueles que eu amo, veio. E finalmente poder fazer isso com você, é um sentimento que não tem explicação. – Kurt olhou para Sebastian, mesmo que o outro não conseguisse olha-lo com a mesma frequência. – Você acaba de me trazer o momento mais feliz da minha vida. Eu nunca me senti tão feliz assim. Eu sinto como se finalmente pudesse habitar minha pele, porque eu sou uma adolescente normal, com uma família e amigos que me amam, bem sucedido na escola e com um futuro brilhante pela frente. Agora eu tenho um namorado com quem eu posso dividir tudo isso; recuperar o tempo que não fui amado de verdade. Você acaba de me tornar completo. – Sebastian estava tão feliz por ouvir aquelas palavras de Kurt.
O soldado parou no canto da estranha e beijou o namorado da maneira mais apaixonada que ele pôde. Kurt o fazia se sentir da mesma maneira. Sebastian já namorara, mas não sentiu com Hunter, o que ele sente com Kurt. Como agora enquanto eles se beijavam, Sebastian nunca sentira esse friozinho na ponta do nariz ou as borboletas na barriga. Nunca sentira o formigamento nos lábios ou o coração batendo tão alto. Era Kurt. Kurt precisava estar e ser dele.
Quando se separaram, Kurt se aninhou a Sebastian e o soldado voltou a dar partida no carro, pisando fundo no acelerador. Por todo o caminho agora Sebastian andaria em alta velocidade, acompanharia a velocidade do seu coração. Era a adrenalina percorrendo o seu corpo. Ele se sentia poderoso e no topo do mundo, como nunca antes.
— Eu tenho uma música perfeita para esse momento. – Sebastian abaixou o protetor solar do carro e tirou um pendrive de lá. Ele colocou no rádio e deu play na primeira música.
— Eu não acredito. É sério isso? – Kurt não poderia acreditar. Aquela artista era demais para aquele momento.
— Não precisa ser fã da Gaga e odiar a Katy. Pelo menos escute a música e aproveite esse momento. – Sebastian deu um beijo na cabeça de Kurt e abaixou as janelas do carro.
Pelo resto do caminho, Sebastian e Kurt cantaram “Teenage Dream”. Sebastian era um sonho adolescente para Kurt. Mas já para o soldado, Kurt era um sonho de adolescente. Eles faziam uma perfeita placa com suas peças. Eles formavam um lindo quebra-cabeças.
[...]
Estava quase dando três horas da tarde e a viagem até a casa estava chegando ao fim. Eles haviam chegado a Cleveland à uma hora e faltavam apenas alguns minutos para chegar na casa. Desde que eles haviam chegado em Cleveland, Kurt estava falando com Quinn no telefone.
— Mas de verdade Quinn, foi a melhor coisa que você poderia ter feito por mim. – Kurt olhou para o namorado e sorriu ao encontrar o olhar do rapaz. – Espero que você possa me perdoar por não te contar antes.
— Já falei que não precisa ficar pedindo desculpas, eu entendo totalmente e consigo entender o seu lado para querer esconder isso de mim. Eu realmente espero poder fazer isso mais vezes por vocês dois. – Quinn ficou um tempo em silêncio. – Meu irmão já passou por muita coisa, Kurt. Eu não vejo pessoa melhor para poder curar todas essas mágoas e mostrar para ele o que é amor e faze-lo se sentir amado.
Kurt olhou para o namorado e colocou sua mão na nuca dele, fazendo carinho no lugar.
— Eu sei. Sebastian é um cara muito especial. – O soldado olhou para Kurt, que abriu um enorme sorriso para ele. – Tenho sorte de poder estar do lado dele e poder descobrir todos os dias mais coisas sobre ele. Ele me faz bem e vivo. Espero poder fazer o mesmo por ele.
Sebastian segurou a mão de Kurt e deu um beijo carinhosamente. E sem emitir som, disse: “eu também”.
— Chegamos. – Disse Sebastian, soltando a mão de Kurt para poder estacionar o carro.
— Quinn, acabamos de chegar. Preciso desligar. Muito obrigado por tudo o que você está fazendo e tenha certeza que tudo isso faz com que o meu amor por você dobre. Eu te amo. – Disse Kurt, enquanto Sebastian saia do carro e ia pegando as bolsas.
— Não estou fazendo mais do que o meu dever como cunhada. Eu também te amo, meu amor. Tenha um bom final de semana e cuide do meu irmão. Ele precisa. – Disse Quinn antes de desligar o telefone.
Kurt desligou o telefone e olhou em volta. Eles estavam em uma pequena casinha de madeira, que ficava literalmente de frente para um enorme lago. Envolta existiam apenas árvores. Para felicidade de Kurt, o lago tinha somente aquela casa como residência.
O lago brilhava em um lindo tom de azul por conta do Sol, a grama era verde muito verde, a casa parecia aconchegante e Sebastian convidava Kurt para sair, para assim, se acomodarem na casa e poderem aproveitar o máximo de tempo possível.
Sebastian abriu a porta do carro onde Kurt estava e estendeu uma mão.
— Vamos? – O rapaz tinha um sorriso torto no rosto. Ele mal podia manter a excitação. Ele estava muito animado por ter Kurt só para ele. Kurt sorriu de volta e aceitou a mão do namorado.
Os dois pegaram seus pertences e foram em direção a casa, de mãos dadas. Sebastian abriu a porta de entrada e Kurt ficou impressionado. Era realmente uma casa com um estilo rustico, mas era mais convidativa e aconchegante do que muitas da civilização.
— É incrível. – A casa era de madeira. A decoração era em vinho e variações de cores bege. A casa era praticamente isenta de eletroeletrônicos.
— Vem, vou te mostrar o resto. – Sebastian soltou sua bolsa no chão do corredor e levou Kurt para os outros cômodos da casa.
Sebastian explicou que a casa havia sido de seus avós e fora deixada como herança para sua mãe. O soldado também contou que por diversos anos ele e sua família passavam todo o verão na casa e que, geralmente, os feriados de 4 de Julho, eram naquela casa.
O Fabray guiou Kurt até o último quarto, onde tinha uma cama de casal; provavelmente dos pais do rapaz. Kurt foi direto para uma janela que estava atrás da cama. Era possível ver o píer do lago. Sebastian chegou por trás de Kurt e o abraçou.
— O pôr-do-sol daqui deve ser estonteante. – Kurt nem ao menos conseguia desviar os olhos do lago. Parecia cenário de filme ou até arte de computação gráfica.
— Quer ver de perto? – Sebastian piscou para Kurt e foi trocar de roupa.
Não sabendo muito o que fazer, Kurt só foi trocar as roupas que usava agora, por roupas mais confortáveis. Colocando um short azul claro que ia até o meio das coxas e uma camiseta branca, simples. Quando saiu do quarto dos sogros, Kurt deu de cara com Sebastian: usando apenas shorts e coberto de protetor solar.
— O que é isso? – Perguntou Kurt rindo, enquanto Sebastian já o cobria de protetor solar por toda pele visível.
— Você está achando tudo isso muito lindo, espera então para ver de perto. Mas realmente de perto. – Sebastian pegou Kurt e o colocou em seu ombro e saiu com o garoto para o jardim.
Dando a volta na casa, o soldado levou Kurt até o píer e começou a caminhar em direção a ponta com ele. Em momento algum Kurt tentara se soltar dos braços de Sebastian. Quando o Fabray parou, colocou Kurt no chão. Um passo para trás que o castanho desse para trás, iria cair diretamente do lago.
Kurt olhou para trás e viu em que situação se encontrava. Sebastian não o deixaria ir para frente, sua única opção era cair no lago por vontade própria ou Sebastian o empurraria. Mas Kurt era mais esperto do que Sebastian imaginava.
— Então, esse é ponto final? – Perguntou Kurt, com as mãos nos quadris e olhando para o lago e depois para namorado.
— Sim. Sua única opção está atrás de você. – Garantiu Sebastian, dando um curto passo para frente. Kurt sorriu, pois tinha Sebastian exatamente onde queria.
— Eu não encaro as coisas dessa maneira. Sou do tipo de pessoa que sempre olha para frente, pois é sempre lá que estão minhas opções mais obvias. – Sebastian juntou as sobrancelhas, sem entender.
Kurt foi mais esperto, segurando o pescoço de Sebastian e pulando no lago com o soldado. Os dois afundaram, antes de voltarem para superfície. Kurt sorria, enquanto arrancava sua camiseta molhada e jogava de volta no píer. Sebastian, parecia incrédulo com a atitude de Kurt.
— Então você gosta de bancar o trapaceiro? – Perguntou Sebastian, antes de empurrar água para Kurt e atingi-lo no rosto.
— Eu não vejo dessa maneira também. Eu só ajo da maneira mais inteligente. – Kurt mergulhou no lago e sumiu da vista de Sebastian.
O castanho ficou por alguns segundos submersos, enquanto Sebastian o procurava em sua volta. Foi quando o castanho puxou a perna do namorado, fazendo-o submergir para dentro do lago. Dando a volta no corpo de Sebastian, Kurt se agarrou nas costas do rapaz e prendeu seus braços e pernas em volta do corpo do soldado.
Sebastian subiu e olhou por cima do ombro para Kurt.
— Sabe qual a melhor parte disso tudo? – Kurt questionou com a cabeça. – É saber que eu ainda posso revidar. – Sebastian mergulhou de costas e afundou com Kurt.
[...]
Depois de um pouco menos que duas horas, o casal saiu do lago foi para casa preparar o jantar. Sebastian até tentara insistir para Kurt ficar no lago enquanto ele preparava alguma coisa para os dois comerem, mas o castanho garantiu que queria ajuda-lo no jantar.
Então os dois entraram em casa e se trocaram. Acabaram se encontrando na cozinha, onde Sebastian já estava começando a separar algumas panelas e legumes. Kurt se sentou na mesa de madeira, onde estava a menos de um metro longe do rapaz.
— Então, o que temos para o jantar de hoje? – Perguntou Kurt. Ele reparou que Sebastian estava focado ao mesmo tempo em um livro de receitas.
— Temos como entrada uma deliciosa salada de legumes grelhados no forno, seguido do prato principal. – Sebastian mostrou a página do livro que estava lendo. – Macarrão com molho branco e queijo. Teremos como acompanhamento um vinho branco francês de 1956. – Kurt pareceu impressionado com tudo aquilo. – E para terminamos, de sobremesa teremos um sorvete de morango com framboesa, amoras, morangos silvestres, mirtilo e muita cereja, cobertos com chocolate branco.
— Ok, ok, já entendi. Vamos logo começar a preparar isso tudo antes que eu acabe morrendo de fome. – Kurt foi até a pia lavar as mãos. – Só me explica como você conseguiu trazer tudo isso para cá.
— Eu estava arrumando as coisas para o final de semana, por isso mal nos falamos durante a semana. – Explicou Sebastian, enquanto colocava o macarrão dentro de uma panela e acendia o fogo. Kurt olhou para trás, incrédulo.
Sebastian havia feito algumas viagens de quase cinco horas para poder arrumar a casa do lago. A família de Quinn não visitava a casa por muito tempo e não havia caseiro. Agora era compreensível porque a grama estava tão bem aparada e casa estava limpa e bem equipada com comida.
— Ok, o que você quer que eu faça primeiro? – Kurt ficou ao lado do namorado e o observou cuidar do jantar. Eram quase seis horas da tarde, talvez o jantar não demorasse muito tempo.
— Quero que você abra um dos vinhos que está na adega e nos sirva. – Sebastian apontou com a faca, o lado no qual estava a adega.
Kurt foi até lá e encontrou dois vinhos. Um era claramente – literalmente – o do jantar e outro era o que eles estariam bebendo agora. Kurt foi até a pia e arranjou um saca-rolhas, onde retirou e serviu o vinho em duas taças – que encontrou no armário acima dele.
Ele foi até o namorado e entregou uma taça para o rapaz. Sebastian jogou um pano por cima do ombro e aceitou o vinho de Kurt. Depois de um breve brinde, os dois provaram do vinho. Sebastian sorriu ao ver Kurt tomando o vinho.
— Bom? – Perguntou Sebastian, antes de deixar a taça de lado e voltar a cortar os legumes.
— Sim. Eu não gosto muito de vinhos, mas esse é bom. – Kurt colocou a taça no balcão e observou o que Sebastian estava fazendo. – Tudo bem. Eu posso cortar as cenouras ou descaço as batatas antes? – Kurt segurou um saco de batatas e indicou-as para Sebastian.
— Faça algo por mim antes. Vá até a sala e coloque algo para nós escutarmos. – Sebastian havia preparado uma playlist para eles escutarem enquanto cozinhavam. Sebastian sempre tinha tudo nos seus planos.
Kurt largou as batatas e foi até a sala, que ficava de frente para a cozinha. Sebastian indicou um pequeno rádio, parecia velho o bastante para não ter entrada para um CD, quem dirá um pendrive. Mesmo assim, quando Kurt deu play na primeira música, “Kiss It Better” da Rihanna começou a tocar. Mais uma vez Sebastian estava surpreendendo Kurt.
— Rihanna? Quem diria. – Disse Kurt, impressionado.
— Provavelmente isso é a única coisa pop que terá aí. – Disse Sebastian, enquanto tinha os olhos fechados e se jogava ao som da Rihanna. Ele provavelmente deveria adorar aquela música.
Kurt riu da situação e voltou para cozinha. Kurt começou a desatar o nó do saco, mas Sebastian segurou as mãos de Kurt e entregou a taça do castanho para ele.
— Posso saber o que estamos fazendo? – Perguntou Kurt, enquanto tinha o corpo colado com o do namorado, em um ritmo calmo. Apesar daquilo ser tentador, Sebastian estava fazendo alguma coisa. Tinha algo naquela mente perversa, que Kurt desconhecia. – E não venha me dizer que está dançando, porque eu sei que não é só isso.
— Ok, eu conto. – Sebastian olhou para Kurt, que tinha olhos inocentes e questionadores. – Eu estou preparando um jantar para você hoje. Eu sei que você gostaria de me ajudar e vai, mas outro dia. Hoje, serei eu que irei cozinhar para você. – Kurt já estava indo protestar. – Eu sei. Mas sua ajuda hoje será em me fazer companhia. Capiche? – Sebastian colocou sua taça em direção à Kurt, que um pouco relutante, fez um novo brinde.
Após beberem o líquido, Sebastian voltou para cozinha e Kurt foi se sentar na divisória que separava a sala da cozinha. O soldado ficou focado nos legumes, enquanto mexia os quadris. Assim, Kurt acabou reparando na habilidade do rapaz em lidar com a cozinha e com os utensílios nela, e isso acabou causando uma curiosidade.
— Desde quando você sabe cozinhar? – Kurt bebeu mais um pouco do vinho e se encostou na parede, que era o limite da cozinha.
— Não sei, mas sempre gostei de preparar jantares diferentes para família. Sem contar que escutar música e beber vinho, enquanto cozinho, deve ser uma das minhas atividades favoritas. – Sebastian mordeu um pedaço de uma cenoura e colocou a outra na boca de Kurt. – Não sei, faz tudo parecer um “felizes para sempre”. Eu cozinhando para você, sem termos que nos preocupar com qualquer outra coisa, apenas curtindo a companhia um do outro. É bom. – Sebastian deu os ombros e continuou cortando os legumes.
Analisando a situação, Kurt de fato conseguia entender o ponto de vista de Sebastian. Era bom aquela atmosfera. Parecia até que eles eram um casal muito velho que se conhecia há muito tempo, mas não era bem assim. Na verdade, Kurt queria saber mais sobre Sebastian. E queria saber mais como ele era como namorado.
— Você fez algo assim para Hunter? – Aquela havia sido uma pergunta vinda de surpresa. Nem mesmo Kurt esperava perguntar ela realmente.
Sebastian demorou para responder, porque ele não queria que o clima caminhasse para aquilo, mas teve que responder para não fazer daquilo uma situação pior.
— Sim. Algumas vezes. – Admitiu. – Disse que sempre gostei de fazer essas coisas. Naquela época ele era meu namorado, meu primeiro namorado, então não seria diferente. – Sebastian deu os ombros. Ele se lembrava da maioria dos jantares.
— Primeiro namorado... – Kurt tomou um gole de seu vinho. – Como foi que vocês se conheceram? Porque pelo o pouco que sei sobre você; você nem sempre foi uma pessoa abertamente gay. – Sebastian acabou rindo, apesar da alfinetada.
— Bom, nós estávamos na mesma aula juntos. O professor acabou nos juntando para um projeto de ciências. Passávamos bastante tempo juntos estudando, mas quando o projeto acabou, continuávamos a nos encontrar. Então viramos bons amigos...
— E foi aí que as coisas começaram a passar para outro nível. – Disse Kurt, deixando Sebastian um pouco mais envergonhado. Ele estava se esforçando para não manter a noite naquele tema e para que Kurt percebesse que ele estava desconfortável.
— Sim. Nós acabamos ficando bêbados uma noite na casa dele e nos beijamos. Nós não sabíamos sobre o outro, então achávamos que estávamos experimentando. Passando uma boa parte da noite... experimentando. – Kurt mal podia acreditar que estava ouvindo aquilo. Ele não tinha ciúmes de Hunter, tinha inveja. – Foi quando começamos a experimentar mais vezes e sóbrios. Achávamos que assumir um relacionamento seria algo certo a se fazer, mas foi um tiro pela culatra. – Kurt ergueu uma sobrancelha. – Erámos muito novos e adorávamos tudo que era novo. Eu acabei caindo de cabeça nessa história com Hunter e ele mais ainda, mas não prestamos atenção de que a maré estava baixa demais para se cair de cabeça.
O que Sebastian estava basicamente tentando dizer, era que ele e Hunter eram muito novos e gays. Aquela primeira experiência para eles parecia ser a primeira e última. Como se eles tivessem sido pré destinados. Mas não era assim. Eles só eram novos demais e encaravam novas situações da adolescência, como o primeiro beijo, primeiro namorado, primeiro dia dos namorados, primeira vez. Era tão intenso quanto um relacionamento adulto. Jantares juntos, promessas de amor, sexo, planos, intensidade e carga que dois adolescentes de dezesseis anos não assumidos não conseguiriam suportar.
Foi quando Sebastian se assumiu e as coisas vieram a acontecer. Sua família não o apoiava. Com aquela primeira decepção vieram as seguintes. Ele se viu preso em uma relação com um rapaz de dezesseis anos e era tudo intenso. Ouvir “eu te amo” da boca de Hunter não trazia mais paz, trazia uma carga. Ele não queria ser eternamente amado por alguém daquela maneira. Ele não queria acabar se casando assim que tivesse saído da escola. Ele não queria só conhecer apenas Hunter. Na verdade, agora ele sabia se queria continuar a namorar. No final ele só percebeu eu precisava ser um garoto comum e ter pequenas paixonites, para enfim se sentir bem consigo mesmo ao dizer que ama alguém. Não queria essa intensidade na sua vida agora, quando ainda era um garoto.
Quando estava indo para o exército, Sebastian se despediu de Hunter e terminou com o rapaz. Ele não queria deixar coisas para trás e se fosse para acabar com o menino, que fosse tudo de uma vez, assim ele se curaria por completo.
— Então sua primeira vez foi com Hunter? – Perguntou Kurt, um pouco na defensiva. Ele já tinha visto Hunter. Não sabia se conseguiria superar ele. Além de que os dois haviam aprendendo tudo juntos, então eles não exigiriam muito um do outro. Sebastian agora saberia o que gostaria de receber na cama. Kurt talvez não fosse capaz de dar a ele o necessário.
— Sim, mas não naquela noite. – Sebastian colocou todos os legumes cortados em uma forma, dentro do forno. Em seguida, foi preparar o molho branco do macarrão – que estava quase pronto. – Eu preparei algo especial para nós na casa dele e tivemos um momento bom. – Sebastian queria corresponder aqueles ataques. – Como você imagina que será sua primeira vez?
De um modo suave, Kurt disfarçou que havia se engasgado com o vinho. Ele continuou com a taça em sua boca, mas sem beber nada. Kurt deixou a taça de lado e olhou para seu namorado.
— Eu não sei exatamente como vai ser. Mas sei que me sentirei nervoso e apreensivo, como sempre me senti em relação ao me corpo. – Sebastian ergueu uma sobrancelha para ele. – Mas também sei que me sentirei bem, porque só me entregarei dessa maneira quando tiver certeza de que amo meu parceiro e ele se sente da mesma maneira. – Kurt tirou os olhos de Sebastian. – Já tiraram muito de mim. Meu amor é a única coisa que talvez ainda tenha me sobrado de maneira pura. Quem recebe-lo, terá que significar uma parte muito boa de mim e alguém que eu quero me lembrar pro resto de minha vida porque me faz lembrar de momentos bons, momentos nostálgicos e momentos que eu sabia o que felicidade significava.
— Isso vale um brinde. – Sebastian se aproximou de Kurt. – Um brinde a tudo que se torna intensamente bom em nossas vidas. Aquela pressão que assusta, mas você sabe que ela boa e certa. Porque a pressão que acaba causando embaixo – Sebastian indicou o coração de Kurt com o dedo. – Sobe e se transforma em um lindo sorriso. – Involuntariamente, Kurt sorriu e corou. Em seguida os dois brindaram, sem tirar os olhos um do outro ao beberem. – Ok, faça o seguinte. Vigie o molho, que eu vou tomar um banho rápido.
Sebastian deu um selinho em Kurt e saiu antes que o castanho pudesse protestar.
Por vinte minutos, Sebastian ficou se arrumando no banheiro, que ficava na parte de trás da casa. Ele tomou banho e arrumou a banheira com algumas velas para que Kurt pudesse fazer o mesmo. Sebastian havia separado um terno um pouco surrado, escondendo-o dentro de uma mochila e vestindo uma roupa comum, para que Kurt não desconfiasse de nada.
Quando se aproximava da cozinha, Sebastian jogou a mochila em um dos quartos e foi até a cozinha. Kurt já tinha escorrido a água do macarrão e estava terminando o molho, bastava alguns toques. Sebastian entrou na cozinha e chamou a atenção de Kurt.
— Está cheiroso. – Kurt gostou do que via. – Tudo bem, sua vez. Preparei seu banho. Mas não demore, não quero me atrasar para a nossa reserva no restaurante mais caro da cidade. – Brincou Sebastian.
— Preparou o meu banho? Que homem de mistérios... – Kurt parecia um pouco desconfiado, mas até agora Sebastian não havia o decepcionado. – Tudo bem. Voltarei em alguns minutos.
Foi Kurt virar a esquina e ir para o banheiro, que Sebastian correu para o lado de fora para decorar uma mesa na parte de trás. Ele pendurou diversas luminárias redondas em um pequeno espaço com uma mesa e duas cadeiras.
Rapidamente Sebastian conseguira encher o lugar com luminárias e velas. Ele também havia colocado um pano de mesa e as louças para o jantar. Ele voltou para dentro da casa e trocou sua roupa pelo terno, um pouco amassado e curto, mas que para o momento servia. Seu próximo passo era terminar a comida, antes que Kurt descesse.
Na parte de trás da casa, Kurt estava encantado com a surpresa que Sebastian havia feito. O banheiro estava coberto de velas e banheira cheia de bolhas e sais de banho. Sem muito enrolar para saber o que mais Sebastian escondia, Kurt resolveu entrar na água e aproveitar o que foi feito para ele.
Ele se perguntava se aquilo tudo levaria para o lugar para qual ele estava achando. Ele estava apaixonado por Sebastian, mas não poderia dizer as três palavras e se entregar de uma maneira tão intima para ele agora. Ele queria saber mais sobre qual solo estava pisando. Ele queria manter Sebastian com ele até o final dos seus dias, mas talvez não fosse só daquela maneira que ele manteria Sebastian com ele.
[...]
Depois de quase uma hora que ele havia saído, Kurt decidiu que estava pronto. Ele vestia roupas tão simples para tentar chegar ao nível de simplicidade do namorado. Kurt estava usando uma calça verde-água-escuro, com sapatos, camisa e colete preto. Indo direto para a cozinha, Kurt não encontrou ninguém.
— Bas? – Kurt chamou, como ninguém respondeu, foi para a entrada da casa. – Sebastian? – Kurt saiu para a noite escura, mas ninguém tornou a responder, então ele chamou mais uma vez. – Bas?! – Kurt agora chamara mais alto.
— Aqui nos fundos! – Kurt ouviu Sebastian respondendo.
Dando a volta na casa, Kurt começou a caminhar para onde era a parte de trás da casa. Aos poucos, Kurt começou a notar que lugar estava iluminado. Foi com mais alguns passos que ele viu a surpresa de verdade.
Sebastian havia espalhado velas e iluminarias por todo o espaço, colocado uma mesa com dois lugares no centro e trazido todo o jantar para o lado de fora. Além disso, ele decorara o lugar com algumas flores do campo. Provavelmente deveriam crescer próximas a casa.
— Sebastian, isso... – Kurt não tinha palavras, ele só sorria. Se a casa e todo o cenário já eram lindos, aquilo deixava tudo ainda melhor. Tudo ficava ainda melhor, quando Kurt percebeu que Sebastian usava um terno velho e que deixava seus tornozelos a mostra.
O Fabray foi até Kurt e indicou seu braço, para que Kurt se entrelaçasse a ele. Guiando o Hummel por todo o caminho, os dois subiram na plataforma e Sebastian puxou uma cadeira para Kurt se sentar. Dando a volta na mesa, Sebastian sentou em seu lugar.
— Gostou? – Sebastian olhou envolta, apreciando o trabalho que havia feito com aquilo. Já que Kurt havia chegado, Sebastian colocou o vinho nas duas taças e fez um novo brinde com Kurt. – A essa noite.
— Como você fez tudo isso? – Kurt observou das iluminarias redondas até os detalhes da toalha de mesa. Sebastian havia feito um ótimo trabalho. E sabia apreciar aquilo.
Sebastian sorria feito um bobo. Ele gostava do jeito que Kurt dava valor ao esforço dele. Era realmente algo que havia se dedicado. E nesse quesito, não era alguma coisa que Sebastian era muito de esforçar. Mas por Kurt valia a pena. Ele colocou salada para ele e Kurt e os dois começaram a comer.
— Bom, eu sabia que queria passar um tempo as sós com você e não poderia ser jogando vídeo-game mais uma vez, então decidi fazer alguma coisa romântica e usando meus dotes culinárias. A ideia da casa do lago só foi algo que Quinn achou que seria interessante de seu usar. – Sebastian deslizou a mão sobre a mesa e segurou a mão do namorado. – Fiz porque gosto de você e quero passar esse tempo com você.
Kurt corou e voltou a comer. Os dois entraram em uma conversa descontraída durante toda entrada e prato principal. Conversaram sobre todos os tipos de coisas sobre a infância, nostalgias, aspirações, ídolos e ideologias. Quando não havia mais comida para tanta conversa, Sebastian levantou Kurt da cadeira e os dois começaram a dançar ao som dos grilos.
— Obrigado. – Kurt começou, enquanto sua cabeça estava apoiada no ombro de Sebastian. – Obrigado por me proporcionar uma noite tão maravilhosa. – Kurt agora olhava nos olhos verdes do namorado. – Nunca imaginei que teria algo assim. Não me acha pessimista. Sabia que algo romântico iria acontecer na minha vida, acredito em príncipes encantados, mas não imaginei que viria tão cedo e logo de um soldado encantado. – Kurt ficou na ponta do pé para dar um beijo em Sebastian.
Os dois ficaram ali, se beijando, enquanto a noite avançava cada vez mais. Eles ficaram entre dançar e se beijar, enquanto eram iluminados pela a luz da Lua.
Quando se separam, Sebastian indicou a cadeira e ergueu um dedo, demonstrando que já voltava. Minutos depois, o Fabray voltou com a sobremesa, que aparentemente ele e Kurt iriam dividir.
— Isso está com uma cara ótima. – Disse Sebastian. Ele colocou um grande recipiente de vidro cheio de sorvete de morango com várias frutas distribuídas e muito chocolate. Ele mostrou para Kurt a única colher que ele havia pegado.
— O que é isso? Está economizando para não precisar lavar muita louça? – Perguntou Kurt, rindo da cara do rapaz.
— Não. Achei que poderíamos dividir tudo daqui para frente. – Sebastian enfiou a colher no sorvete e se serviu. Em seguida, ele fez o mesmo, mas serviu a Kurt. – O que você acha disso? Dividir as coisas comigo.
— Eu nunca fui muito uma pessoa que divide. Nunca gostei de apenas metade. Acho que poderíamos sempre estar nos somando. – Kurt tirou a colher da mão do Fabray e serviu o rapaz. – Não vejo Kurt e Sebastian, eu vejo Kurt mais Sebastian. Me soa melhor. Me soa como se estivesse sempre um para o outro. – Kurt comeu mais um pouco de sorvete. – É um sentimento de complemento: o que falta em mim, há em você e o que falta em você, há em mim.
— É bom saber que você pensa assim. – Sebastian tomou a colher das mãos de Kurt e pegou um pouco de sorvete. – Feche os olhos. – Kurt fez e esperou a colher vir até ele. Mas nada aconteceu.
Kurt abriu os olhos e viu que Sebastian havia comido o sorvete e tinha um sorriso engraçado no rosto. O castanho puxou o recipiente cheio de sorvete para ele e pegou a colher, mas quando viu que sua frente estava ocupada, ficou surpreso. Havia uma caixinha preta de veludo em sua frente.
— Me diz que isso não é o que eu estou pensando. – Kurt apontava para caixinha como se fosse tóxico. Sebastian estava fazendo uma brincadeira de muito mal gosto. – Sebastian somos namorados há menos de um mês, você não pode simplesmente me pedir em casamento.
Sebastian só conseguia olhar para Kurt e rir. O Hummel estava vermelho de vergonha, estava nervoso, mas era claro que ele queria abrir a caixinha e saber o que havia dentro.
— Abra. É seu de qualquer forma... – Sebastian incentivou o castanho.
Um pouco amedrontado, Kurt tomou coragem e abriu a caixa. Dentro dela havia um anel de prata. Ele era simples, mas ainda era um anel. Kurt não estava certo se queria ter aquilo como acessório. Um anel de prata não combinaria com tudo em seu guarda-roupa, ou com sua pele ou olhos, na verdade, um anel não combinaria com a vida de um formando que Kurt estava levando.
— Sebastian, é lindo, mas eu não posso aceitar. Não podemos ficar noivos em tão pouco tempo. Podemos continuar como namorados por enquanto. – Kurt fechou a caixinha e olhou para suas mãos em seus colos. Ele estava se sentido tenso. Um sorriso nunca saíra do rosto de Sebastian.
— Então eu sinto muito Kurt, se você não aceitar esse anel, não podemos ser namorados. – Kurt levantou os olhos rapidamente. Não aceitar um pedido de casamento poderia ser o significado de um rompimento de um namoro? Kurt já estava abrindo a boca para protestar, quando Sebastian tomou a vez. – Eu não admito estar alguém como namorado, quando não o faço nem um pedido oficial de namoro. – Kurt juntou as sobrancelhas. – Eu preciso saber que está consciente de que isso é um relacionamento sério. – Sebastian reabriu a caixa. – Em algumas culturas, quando um relacionamento se torna sério, eles usam um anel para mostrar que não é apenas um relacionamento, é algo que pode dar futuro. Eu me vejo em um futuro com você. – Kurt ergueu as sobrancelhas. – Eu sei que isso é um pouco confuso, porque ainda é como um pedido de casamento, mas eu me identifico com isso, porque esse anel vai significar que tenho alguém em casa, vai significar que há alguém especial para mim e que eu me importo. Ficará claro para qualquer pessoa que eu não estou disponível. – Kurt agora via a aliança na mão direita de Sebastian. – Esse anel de namoro que estou te dando, é para se lembrar de mim quando estiver fora e não se sentir sozinho. Esse anel é a certeza de que não estou brincando quando quero assumir publicamente você como meu namorado. – Sebastian estendeu uma mão para Kurt. – Quer ser abertamente e publicamente, meu namorado?
Kurt deu uma segunda olhada no anel. Era igual ao de Sebastian. Tirando as mãos do colo, Kurt passou o dedo sobre o objeto. O toque frio era novo. Aquilo era realmente o certo ao se fazer? O objeto era algo realmente novo nesses tipos de relacionamentos, mas Sebastian parecia bastante sério em relação a isso. Aquilo não era uma aliança de promessa, mas uma aliança de que havia algo ali. Kurt nunca precisou do objeto para saber, mas para Sebastian era importante. E se ele via dessa maneira, não havia motivos para ter medo e se libertar.
— Me sinto como sempre tivesse sido, mas isso fará das coisas mais oficiais. – Kurt vestiu o anel no mesmo dedo da mesma mão que Sebastian. – Posso me acostumar com isso... Aceito. – Kurt se levantou e foi beijar Sebastian. O soldado recebeu o namorado em seus braços com um sorriso enorme no rosto.
Os dois ficaram por mais um tempo do lado de fora, terminando o sorvete. Depois Sebastian convidou Kurt para ir até o píer. Os dois ficaram com os pés na água, enquanto Sebastian contava algumas histórias de sua infância naquela casa, passando para coisas que havia aprendido sobre as estrelas no exército. Kurt se encantava cada vez mais com aquele rapaz. Sebastian era muito inteligente.
Quando começou a ficar frio do lado de fora, os dois entraram e ficaram de frente para a lareira. Sebastian contou histórias sobre como foram os Natais naquela casa. Contou histórias de todas as vezes que eles haviam se perdido na floresta e até parecia que eles eram João e Maria do conto.
Durante todas as histórias, Kurt teve sua cabeça apoiada no peito de Sebastian e os dois assistiram o fogo queimar do chão. O castanho sempre se mostrou interessado em alguns detalhes e sempre perguntava. Mas em um momento, Kurt parou de perguntar e apenas escutar. Foi quando Sebastian cansou de falar sobre ele mesmo, que percebeu que Kurt havia caído no sono em seu peito.
Com todo cuidado possível, o rapaz pegou Kurt no colo e o levou para o final do corredor. Ele observou o quão lindo Kurt ficava em seu sono. O quão pacifico era. Parecia o sono de uma pequena criança que ainda não tinha ideia do quão terrível o mundo poderia ser e das coisas que ela teria de passar. Sebastian depositou seu, agora então, namorado na cama dos pais e o cobriu com os cobertores. Assim que Sebastian se afastou, Kurt sentiu falta do toque a abraçou um travesseiro.
Sebastian acabou tirando uma foto e saiu do quarto. Ele arrumou a casa, retirando o jantar do sereno e colocando tudo na pia, dentro da casa. Em menos de uma hora, ele havia organizado tudo e lavado toda louça. Por todo o caminho, tendo cuidado para não perder sua preciosa aliança.
O Fabray colocou uma roupa mais confortável e foi para o quarto dos pais. Lá ele estendeu um colchão no chão ao lado da cama e se deitou. Kurt deve ter acordado, porque girou na cama e olhou para Sebastian.
— O que foi? Teve um pesadelo? – Sebastian se sentou no colchão e alisou os cabelos do namorado. Kurt tinha os olhos cerrados e parecia com muito sono.
— Não, mas porque você está deitado no chão? Venha para cama. – Kurt pediu, se afastando e dando espaço para Sebastian. Ele deu algumas batidinhas na cama, para que o soldado subisse.
— E-eu acho melhor não. Ainda é um pouco novo demais. Essa parte de dormimos juntos pode ficar um pouco para frente. Hoje, dormimos separados. – Sebastian beijou a mão de Kurt. – Boa noite, querido. – Sebastian se deitou e fechou os olhos.
Por estar um pouco sonolento e cansado, Kurt não discutiu. E mesmo se tivesse, acabaria perdendo para Sebastian. Em segundos, o Hummel já estava dormindo.
Por vários motivos era melhor que os dois viessem dormir separados. E o máximo de tempo que Sebastian pudesse manter as coisas dessa forma, ele manteria. Eram alguns motivos que era melhor deixar as coisas assim. Uns envolviam Kurt e Sebastian, mas outros eram somente ele e sua insegurança. Dormir com Kurt seria uma barreira que eles ainda iriam passar.
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