Dear Insanity
12 Recomeço
Notas iniciais
Dear Insanity
Capítulo 12
Recomeço
Sakura observava a interação dos dois homens calada e notou com certa surpresa a familiaridade e confiança que o tal Axel esbanjava; parecia de fato seguro de tudo que fazia ou dizia como se soubesse como Sasuke reagiria e qual seriam suas reações.
O ruivo sorriu debochado ao notar os olhos vermelhos o fitando com ódio. Contornou a mesa com despreocupação e logo indo em direção ao moreno e a rosada. Enquanto cada passo seu era dado, um músculo de Sasuke ficava ainda mais proeminente devido a aversão em seus atos.
— Relaxe, só vim pra conversar. — Sorriu de canto ao notar a óbvia incredulidade no rosto de traços duros e surpreendentemente protetores.
O moreno andou alguns passos para trás, trazendo Sakura consigo, obstruindo qualquer visão que o outro pudesse ter dela. Ao ouvir um estrondo decorrente de uma explosão, foi inevitável sorrir cruel.
— É claro que veio.
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— Itachi! — O Uzumaki gritou a plenos pulmões ao virar em um corredor que estava inteiramente destruído e constatar que o moreno lutava sozinho contra dois encapuzados. Pelas grades abertas das celas dos prisioneiros, era fácil dizer o porque do ataque ao castelo Uchiha.
O loiro juntou-se ao amigo em uma luta mortal corpo-a-corpo contra os invasores que usavam, aparentemente, de magia pra lutar e se defender dos socos poderosos do Uchiha.
Um deles fez uso de acrobacias e piruetas pra evadir de suas garras que alongavam-se devido a raiva. Os olhos antes azuis e límpidos agora eram de um vermelho escarlate cintilante.
Deixou-se então ser envolvido pelo manto vermelho de seu demônio interior, Kurama, e reapareceu atrás do maior dos encapuzados que estava em pleno mortal no ar, sendo assim não houve com desviar do chute poderoso que o fez atravessar duas paredes de pedra, as quais revestiam todo o castelo.
Pousou graciosamente no chão, perto de Itachi, que lançou a outra — por sua estatura e silhuetas ele julgou ser uma mulher — com força e em seu caminho desintegrou uma porta antes de voar na direção dos corredores das selas agora completamente destruídas.
O moreno de cabelos longos deu um soco em seu ombro em forma de deboche pela disputa interna deles. Sorriu pro amigo em escárnio.
— Onde está Mai? — Não teve muito tempo de reagir depois do ataque, muito menos de encontrar a esposa em meio aquela bagunça.
— Com Hinata. Minha mãe e Karin as estão ajudando a retirar todos daqui em segurança. — Viu os olhos negros suavizarem antes de aquiescer em concordância.
— Estão todos bem? — Minato apareceu logo mais atrás. Eles concordaram, mas antes que alguém mais se pronunciasse um estrondo ensurdecedor dos andares superiores se fez ouvir.
— Naruto, encontre Sasuke e dê-lhe cobertura, nós assumimos daqui! — Itachi se pronunciou ao ver os dois magos se levantarem e virem em suas direções enquanto pronunciavam feitiços em uma língua desconhecida aos seus ouvidos.
O loiro concordou e pôs-se a correr na direção que seu pai havia tomado anteriormente. Em seu caminho infinito em direção ao quarto andar cruzou com pessoas e soldados do rei hora subindo, hora descendo enquanto lutavam para manter controlados os “civis” que estavam em polvorosa.
Saltou quase que um lance inteiro de escadas antes de seguir em direção ao barulho dos estrondos, mas o que verdadeiramente o receou foi encontrar praticamente todo o quarto andar destruído. Cadeiras e mesas esmigalhadas como farelo de pão, retalhos da tapeçaria fina do reino em frangalhos por todos os lados sem contar com o teto rústico que viera quase que completamente abaixo.
Capitou com sua audição apurada por Kurama, uma batalha não tão distante. Seguiu na direção do som de forma apressada e estacou ao deparar-se com o lugar que um dia fora o amado escritório de Sasuke.
Tão logo adentrou o recinto, encontrou o moreno em uma batalha mortal com um ruivo de capa preta — semelhante a seus antigos adversários — e sorriso debochado.
O Uchiha estava unicamente com suas calças pretas e botas enquanto seu peitoral a muito já não era coberto devido as asas que despontaram das costas largas. Sua túnica estava cobrindo Sakura que ficara encolhida em um canto conforme mandara.
O moreno sabia exatamente a localização da rosada, embora não pudesse vê-la com clareza, tinha todo o cuidado de manter suas bolas de fogo longe o suficiente dela e, claro, ficava de olho na trajetória que as armas do tal Axel (uma espécies de lâminas arredondadas com “espinhos” metálicos nas pontas) faziam para que pudesse reagir caso alguma delas, por ventura, acabasse por atingir Sakura. O intrigante era que Axel parecia ter o mesmo cuidado que ele próprio, pois era perceptível a seus olhos atentos que o ruivo sempre policiava-se quanto a força e percurso de suas armas. Como se não quisesse provocar a ela dano algum. Curioso, no mínimo.
Sentiu a presença de Naruto no recinto antes mesmo do Uzumaki pôr os pés ali e, mesmo que a contragosto, teria de pedir a ele que tirasse Sakura dali para que pudesse dar fim ao maldito.
— Naruto! — Mesmo esquivando dos golpes do outro, pode ouvir Naruto responder-lhe. — Tire-a daqui! — Virou o rosto parcialmente quando ouviu Sakura relutar em deixá-lo. — Vá com ele, vou logo depois. — Garantiu o moreno.
Mesmo com a pele escura, os cabelos longos em conjunto com os olhos escarlates e as asas assombrosas, Sakura sentiu-se segura e confiante com o sorriso de canto que ele lhe mandou. Seu rosto de perfil, com traços que lembravam um monstro sorrindo cruelmente, ali, perante aquela cena que daria medo em qualquer um, permitiu-se ser levada por Naruto sem protestar enquanto de seus orbes cor de jade transbordavam seu amor pelo rei em forma de cristalinas lágrimas.
Virou-se completamente ao seu adversário quando teve a confirmação de que Naruto, juntamente de Sakura, já não estavam mais na parte interna do castelo. Sorriu de canto ao ver os olhos do ruivo irem em direção ao céu quando notaram trovões reluzindo na massa impenetrável de nuvens acima deles, exatamente com havia planejado desde o começo.
— Inteligente! — Elogiou o outro ao compreender parcialmente os planos, antes sem sentido, do rei.
Não foi difícil entender agora que o Uchiha havia apenas usado de suas bolas de fogo — inúteis em si uma vez que o elemento vital de sua magia era o fogo e Sasuke estava apar desse fato — para que o fogo criasse ondas de calor e que as mesmas eventualmente misturadas ao clima frio, provocassem uma tempestade. Algo compreensível, visto que não era segredo que os demônios Uchiha tinham grande habilidade com eletricidade em particular. Axel só não compreendia ainda como exatamente o moreno manipularia a tempestade contra si.
— Não tenho tempo a perder com você. — Disse rude enquanto andava calmamente na direção do outro que sorriu debochado.
— Você é sempre tão agradável assim?! — Perguntou sem real interesse. — Mas algo que temos em comum é que também dispenso perdas de tempo. — Sorriu de canto.
— Quem mandou você? — Ignorou o discurso do ruivo.
— Já me falando baixarias? Assim, sem me levar pra jantar? E o romance? Fique sabendo que sou um rapaz direito e de família. — Axel fez uma expressão falsamente ofendida ao mesmo tempo em que colocava a mão sobre o peito e logo após exibia um sorriso irônico.
Sasuke rosnou pela “piada” e avançou raivoso enquanto raios brancos azulados chiavam em seu braço direito. Guiou-o em direção ao peito de seu adversário que usou de piruetas evasivas para desviar e, logo a seguir, saltou em direção ao teto destruído e pousou suavemente em cima de destroços e pedregulhos que mantinham uma pequena parte do escritório coberto. A parte que propositalmente deixou inteira para abrigar Sakura.
Usou suas asas para levá-lo até a cobertura e saltou em frente do outro homem, apenas um pouco mais afastados. Regrediu seu demônio fazendo com que os cabelos negros voltassem a ficar curtos, as asas desaparecessem e a pele antes enegrecida voltasse ao tom pálido costumeiro. Porém os olhos carmesim prevaleciam como uma ameaça subliminar.
— O que quer vindo até aqui? — Perguntou já impaciente, não querendo matá-lo antes de saber o motivo de estar ali.
Axel ficou sério, de repente, como se por apenas alguns instantes estivesse deixando sua habitual máscara de ironia de lado e mostrando sinceridade.
— O mesmo que você.
— Que seria? — Controlou o impulso de decapitá-lo devido sua impaciência que era agravada pelos joguinhos do ruivo.
— Protegê-la.
O Uchiha fechou os olhos por alguns instantes e quando o ruivo cogitou que Sasuke estava indescritivelmente calmo e controlado, eis que a face cruel é retorcida em um sorriso sádico e manchas negras iniciam uma dança indo desde seu torso nu, subindo pelos músculos de seus bíceps até chegarem ao pescoço e, finalmente, apossarem-se de metade de seu rosto. Seus olhos escarlates são descobertos e tudo que eles transbordam é o ódio em sua forma mais cru e primitiva. Sua voz rouca e grossa soa enquanto um trovão cai com seu som impiedoso, reforçando a ameaça implícita.
— Mentira.
Axel não teve tempo de reagir ao golpe que pra si, foi inesperado. Tudo que viu foi o braço do Uchiha estendendo-se ao céu e, quando um trovão desceu e direção ao seu braço, tudo ficou branco antes de ouvir:
— Kirin!
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Itachi sorriu satisfeito ao ver o portal interdimensional abrir-se à sua frente, os demônios atrás de si ficaram receosos ao descobrir que todos, sem exceções, deveriam partir para sabe-se-lá-onde. Ordens do irmão do rei. Mas o Uchiha mais velho sabia que esta era a decisão de seu otouto¹. E ele concordava, não por ser só a mais correta, mas por ser a mais segura.
O ataque direto a uma pessoa diretamente especial para Sasuke era a prova viva de que aquele lugar não era mais seguro. Sim, porque se invadir e destruir quase que completamente o castelo Uchiha no dia do aniversário de Sakura não era uma afronta direta a Sasuke, Itachi não sabia o que era.
O lugar em si não era o problema, Sasuke e ele tinham infinitas terras para recorrer caso precisassem abrigar seu povo, mas invadir o castelo somente para soltar Kabuto justo neste dia era no mínimo intrigante. Apesar de o lugar ruir completamente, o moreno havia visto que todas as outras selas continuaram do mesmo jeito que estavam, ou seja, os prisioneiros morreram quando aquela ala veio abaixo, mas a sela que Kabuto ocupava fora deixada vazia antes do desabamento e logo após a invasão. Mas a pergunta que ele não conseguia responder era: Quem havia mandado soltá-lo?
Voltou de seu torpor momentâneo ao sentir o toque gentil de sua esposa, Mai, e sorriu-lhe fracamente ao notar as feições preocupadas da ruiva.
Aos poucos todos começaram a andar seguindo suas ordens e atravessando o portal, o qual os levaria para outra dimensão, a preferida de sua falecida mãe. Distanciou-se alguns metros tendo Mai enganchada em seu braço e notou quando Naruto chegou, trazendo em seu colo, uma Triste e quieta Sakura.
Naruto havia demorado um pouco, considerando que ele havia saído antes dele e, que tão logo o casal de bruxos havia fugido, Ele havia sido encarregado por Minato de organizar os civis enquanto o próprio veria se descobria mais a respeito dos invasores. O Uzumaki deveria ter chegado primeiro, afinal sentia pela ligação que tinha com o irmão que Sasuke estava em uma luta, porém não estava preocupado com isso, Sasuke venceria. Ele sempre vencia.
Mas pela cara do loiro, ele chegou a sentir certa inquietação.
— Oh, querida. Você está bem? — Karin a tirava dos braços do primo enquanto vasculhava o corpo da rosada em busca de hematomas. — Se machucou?
Mai soltou-se de si e ajudou a irmã mais nova a procurar machucados inexistentes na Haruno que, sentindo o choque de carinho, pôs-se a chorar agarradas em ambas as ruivas.
— O que houve? — Franziu o senho ao direcionar-se diretamente a Naruto, visto que Sakura parecia inconsolável demais para responder-lhe. Talvez algo tenha dado errado e, na pior das hipóteses, Sasuke estivesse ferido. Porém, não sentia nada de anormal com seu otouto.
Naruto suspirou enquanto colocava um filhote de lobo negro no chão que ele não lembrava de conhecer.
— Ele ‘tá ocupado com um encapuzado também.
— Acha que devemos interferir? — Perguntou distraidamente enquanto observava a tempestade que se aproximava.
— Não, ele dá conta, além do mais…
O Uzumaki fora cortado por um estrondo proveniente de um relâmpago que caíra em determinado lugar do castelo. A luz esbranquiçada cegou a todos por alguns instantes e o ruído semelhante a uma árvore partindo-se ao meio, alto o suficiente para que se pudesse escutar com clareza mesmo com tamanha distância, inundasse seus sentidos. Até que o clarão fosse diminuindo sua intensidade gradativamente e, enfim, se dissipasse.
Desesperou-se e viu o mesmo pavor nos olhos cerúleos do amigo loiro e sabia porque. Ninguém além de Kakashi e Sasuke sabiam executar uma técnica tão desgastante e poderosa como o Kirin e, visto que Kakashi já havia passado pelo portal a fim de guiar os demônios, só sobrava o Uchiha mais novo.
— Mai, quero que vá indo na frente e ajude Hinata e tia Kushina no que elas precisarem. — Mesmo a contragosto a ruiva assentira e separou-se de uma assustada Sakura para acatar suas ordens.
— Karin, você também vai indo e leve Sakura com você. — A Uzumaki aquiesceu. Uma indignada rosada enquanto agarrada ao seu filhote protestaria, mas Itachi não lhe deu tempo para tanto. — Juugo, vá com elas. — Aumentou o tom de voz para que o grandalhão ouvisse.
— Cuidem dela. — O enorme homem concordou com um aceno de cabeça, enquanto que Karin limitou-se a direcionar-lhe um olhar sarcástico que indicava que ela não precisaria de ordens para proteger a rosada e, Itachi sabia, ela daria a vida pela futura rainha.
— Nos vemos lá! — Viu todos os três passarem pelo portal enquanto se distanciava com Naruto e refazia seu caminho até o castelo. Ambos utilizando de sua velocidade para chegarem o mais rápido possível mesmo que não parecesse o bastante.
Quando ele e Naruto estavam se aproximando da parte de traz do castelo, o caminho mais curto, os encontraram.
Minato e Tsui — chefe da guarda —, estavam sérios e trocavam algumas palavras. Neji sorria de canto ao ajudar um carrancudo Sasuke a caminhar. E embora seu irmão parecesse exausto, notou que era somente isso, seu corpo continha alguns arranhões e só, nada mais grave ou até mesmo que precisasse de mais atenção. Itachi assimilou tamanho cansaço ao uso do Kirin, nada mais o teria feito desgastar-se tanto ao ponto de engolir seu orgulho e ser ajudado, mesmo que por um de seus melhores amigos.
— Estão todos em segurança? — Minato perguntou-lhe antes mesmo de pararem um em frete ao outro.
Estacou e seu olhar seguiu o caminho de Naruto, o mesmo ria da cara exausta do amigo moreno que era levemente ajudado pelo Hyuuga. O Uchiha de madeixas longas sabia que quando o Namikaze falava “todos” ele referia-se a esposa, cunhada e Sakura porque Minato, assim como todos os Uzumaki/Namikaze, havia se apegado muito a rosada nos últimos anos.
— Estão seguros. — O loiro mais velho sorriu-lhe tranquilo.
— Nossa, você ‘tá acabado hein Teme?! — Naruto ria escandalosamente.
— Calado, Dobe!
Itachi sorriu ao presenciar mais uma das briguinhas da “dupla dinâmica”, como ele e Shisui carinhosamente os haviam apelidado na infância. Constatou que o tempo poderia passar, mas os dois jamais cresceriam o suficiente para pararem de brigar.
Começaram a rumar para a colina em que o portal estava aberto para, enfim, juntarem-se aos outros. Sasuke desvencilhou-se do moreno de olhos leitosos e caminhava/brigava mais a frente com Naruto. Parou de observar Minato em seu monólogo quando algo na conversa dos dois mais à frente chamou sua atenção.
— O quê? Mesmo depois daquilo tudo ele fugiu? Nossa, mas você é muito ruim de mira mesmo teme.
— Quieto, usuratonkachi²! — Rosnou o moreno. — Minha mira foi precisa. — Relatou com aparente indiferença, mas o senho levemente franzido denunciava que Sasuke não sabia como Axel havia sobrevivido àquele ataque.
— 'Pera, mas se você acertou, ele não deveria estar morto? — Perguntou confuso ao firmar as bagas azuis no amigo.
— Deveria, mas não está. — Pronunciou com raiva contida. Itachi então constatou que seja quem fosse, não era um qualquer, pois ninguém, nunca, sobrevivera a uma luta com seu irmão.
— Ah, relaxa Teme, a gente ainda pega esse palhaço de jeito. — Sorriu largamente.
E quando atravessavam o portal o assunto morreu. Sabia que aquele lugar era importante pra ele como era para si.
A dimensão preferida de Mikoto.
A dimensão preferida deles dois.
E a, também, dimensão que o caçula fez questão de nunca mais visitar desde que sua mãe fora morta.
Morta por seu próprio marido.
— Canadá? — achou que nunca tinha visto Sasuke falar tão baixo.
— Sim.
— Tudo bem? — Perguntou receoso.
— Hn.
Ambos os loiros e os morenos de cabelos longos mantinham-se em silêncio e Minato esperava até mesmo uma recaída do afilhado, sintomas das crises que ele deixou de apresentar desde que Sakura entrara em sua vida. Mas, ao contrário do esperado, do compreensível, tudo que havia em seu olhar era impassibilidade.
— Achei que Sakura gostaria do lugar. — E era verdade.
Ao andarem em direção à campina esverdeada e enfeitada com pequenas flores do campo, Itachi não esperava uma resposta.
— Ela vai. — Mesmo longe Itachi sabia que Sakura exercia um poder sobre seu irmão que não se era possível mensurar, prova disto era o pequeno e imperceptível sorriso de canto nos lábios do Uchiha menor.
Saltaram um morro e puderam avistar todos trabalhando em equipe para transformar aquelas terras abandonadas em um lugar habitável. Civis se ajudando a erguerem suas moradias e outros simplesmente criando a sua a partir das que ainda resistiram com o passar dos anos. Muitos indo em direção a uma mansão frondosa e incrivelmente bem conservada, sua estrutura assemelhava-se ao antigo castelo Uchiha, porém menor. O movimento naquele lugar era intenso e a dedicação de todos para deixar o lar real o mais aconchegante e habitável possível para uma recém-mudança era admirável.
— Até que enfim chegaram! — Naruto assustou-se e deu leve pulo no mesmo lugar por não ter reparado a morena de coques vindo na direção deles.
Sasuke revirou os olhos ao presenciar Tenten e Neji se abrasarem e mutuamente verificarem seu estado de saúde em meio aos beijos. Itachi riu um pouco e isso pareceu lembrar a morena que ainda estavam em público. As bochechas coradas ao separarem-se a denunciavam, porém o brilho de felicidade permanecia em seus olhos. O moreno iria perguntar-lhe, ou melhor, exigir saber paradeiro de Sakura, porém a morena adiantou-se.
— Sakura-hime encontra-se na campina de trás com Karin e Juugo-san. — O rei arqueou a sobrancelha.
A morena poderia ser inconveniente as vezes, mas era perspicaz, tinha de admitir.
Deu-lhes as costas, não precisava de despedidas de qualquer forma. E ele sabia de qual campina ela falava, apesar de o lugar ser cercado por elas, ele lembrava de uma em especial, onde passara os melhores momentos com sua mãe e irmão.
Era uma época feliz, na verdade.
As pessoas não o olhavam com pena.
E ele tinha uma mãe e pai amorosos.
Seu irmão era atencioso e junto com Naruto e Shisui eles aprontavam todas e mais um pouco.
E sua família e vida perfeita desmoronaram.
Mas agora ele estava lá. Com seus amigos, seu irmão e seus “tios”. Todos estavam ali por ele. E enquanto andava para a parte detrás da enorme casa de três andares, reparou com satisfação que seu povo também importava-se consigo. E agora tinha Sakura. Sua Sakura.
Viu ao longe longos cabelos rosados voando com o vento. Juugo e Karin tentavam de todas as formas animá-la, mas a mesma mantinha seu olhar compenetrado e preocupado mirando o horizonte.
Aproximou-se mais um pouco e seu perfil já lhe era nítido e quando seus passos foram ouvidos pela rosada Sasuke sentiu seu peito pular como sempre acontecia quando ela lhe sorria. A face mergulhada na mais divina preocupação encheu-se de alegria ao vê-lo. Ela sorria tanto como ele jamais julgou ser possível ao seu lado.
Ela correu, mas fez o caminho contrário que todos costumavam fazer. Correu para seus braços.
E ele a recebeu de bom grado.
Ela lhe abraçou forte e mais apertado do que o esperado para uma menina pequena e delicada como ela.
Mas o que o desarmou por completo fora sentir algo exalar de cada poro do corpo esguio que o apertava como se nunca fosse soltá-lo.
Amor.
E ele bebeu de cada gota desse sentimento.
“Por fora ela era a personificação da divina beleza.
Por dentro Sakura era amor puro.
Por fora ele era o ódio em forma de um belo pecado.
E por dentro, apesar de não o ser, Sasuke deixou inundar-se de amor.”
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