Dear Insanity
11 Happy Birthday? part II
Notas iniciais
Dear Insnity
Capítulo 11
Happy Birthday? part II
O ar mórbido que abraçava a noite tinha seu canto fúnebre levado pelo vento como uma sinfonia silenciosa e inquietante na Floresta da Morte. A luz azulada provinda do céu banhava as figuras que eram vistas vagando distantemente, à primeira vista, sem rumo, uma vez que não passavam de três errantes encapuzados.
As capas negras dançavam conforme a forte brisa as chicoteava e seus passos firmes assim como seguros, eram dados com maestria e cautela em meio à neblina densa que formava-se pouco à pouco naquele começo de madrugada.
Pararam após notar a curta distância entre eles os três e o imperioso castelo mais a frente. Tão sombrio quando o dono, sem sombra de dúvidas. Após analisar calmamente a situação, decidiram-se por seguir em frente onde camunflaram-se por entre as árvores e a suave bruma orvalhada que os encobria. Silenciosos e predadores com um alvo na mira.
— Fiquem em alerta, não serei responsável pela morte de nenhum de vocês. — A voz mansa e doce demais ciciou de forma faminta ao ver seis guardas na entrada do castelo, conversando e especulando amenidades, algo a cerca das convidadas que hora ou outra passavam por ali. — Estão prontos?
— O quê você acha? — O tom rouco e sarcástico do encapuzado do meio não deixava dúvidas sobre sua irritação para com seu colega.
— Irritado?
— Impressão sua meu caro. — Apontou sarcasticamente ao escorar-se de forma desleixada no tronco de uma árvore torta, quase como se fosse deitar-se sobre ela. — Impressão sua!
— Idiotas! — Sussurrou uma voz feminina ao se afastar do pequeno círculo que o trio formara.
— Escuta aqui Oito, não sou obrigado a aturar seu mau humor, apenas cumpra as ordens que não teremos problemas ok? — Sussurrou de forma perigosa ao alinhar sua postura deveras ameaçadora frente ao outro.
— Quem morreu e nomeou você o líder? — Indagou em descaso, porém com um toque de ironia.
Em um acesso de raiva, o homem de personalidade aparentemente calma, puxou o outro que estava desinteressadamente deitado sobre o galho, pela gola do sobretudo negro, logo levando o punho ao alto.
— Não me teste Oito. — Apontou em ameaça.
— Irritado, Quatro? Talvez algum indício de inferioridade... — Desafiou.
— Ora seu...
— As criancinhas já terminaram? — A única mulher presente pronunciou-se entediada das brigas constantes dos outros dois.
— Hn. — Soltou o outro encapuzado com brusquidão.
— Já sim, "mamãe"! — Brincou sombriamente, como sempre destilando suas ironias.
Ignorando a rispidez incontida do parceiro, a mulher pôs-se à frente, rindo de leve abaixo do capuz que cobria-lhe o rosto completamente. Ao colocar-se mais adiante, teve a visão que queria. Os demônios saindo de seus postos para a troca de turno, exatamente como ele descrevera-lhes com detalhes.
— Vamos! — Declarou para os outros dois e sendo acompanhada por eles no momento seguinte.
Ela fora a frente, correndo rapidamente em direção aos muros altos e robustos. Os outros dois iam logo atrás, até que sua companheira conseguisse passar com velocidade e maestria sem ser notada.
— Fique de olhos abertos Oito e não demore, preciso que fique de vigia. — Comentou o outro de mal humor, logo seguindo em frente.
O último homem permaneceu ali apenas os segundos necessários para que tivesse certeza que tudo havia dado certo.
Sorriu por debaixo do capuz. Não seria um mero fantoche, afinal essa noite provaria seu valor ao mestre.
Diferente do que fora combinado com seus colegas, ele não seguiu em direção à torre mais alta para montar vigilância e dar suporte. Ao em vez disso, correu em direção à entrada.
Não seria difícil derrubar o único guarda que ficara de vigia no memento da troca de turno e se misturar com os convidados, afinal não era a primeira vez que entrava lá sem ser notado.
• ❈ •
— Sabe, seu moreno, você deveria relaxar mais! — A pequena figura alegre comentava conforme caminhava ao lado de Sasuke e reparava em suas feições; um tanto desgostosas.
Muitos não saberiam dizer se aquelas eram ou não suas expressões faciais costumeiras, mas Sakura sim — convivera tempo suficiente com ele para saber que algo lhe era incômodo neste momento.
— Hn.
— É sério, você parece um pouco tenso.
O moreno parou diante de uma sacada feita de pedras rústicas assim como seu chão, logo pousando as mão pálidas no corrimão. Sakura vinha mais atrás, no entanto não demorara a juntar-se à ele em seu lado esquerdo.
Ele reparou em seu perfil; ela estava coberta por uma capa de veludo negra dada à ela para proteger-se do frio, visto que seu vestido — apesar de bonito e confortável — não era apropriado para o clima do lado de fora do castelo. Seus cabelos róseos dançavam quando a brisa gélida e, já um pouco agressiva, jogava-se contra eles que só não paravam sobre sua vista porque seu rosto estava direcionado para o céu, e seus olhos brilhavam mais do que qualquer joia rara que tenha visto. A mão pequena e cálida pousou sobre sua mão esquerda, tão gélida que considerou retirá-la temendo que a machucasse, mas não conseguiu. Não quando seus olhos focaram os dela.
— Talvez devesse trabalhar menos, parece-me bastante cansado.
Ela comentava de forma amena, entretanto Sasuke podia ver claramente preocupação estampada nas esmeraldas que tanto admirava. Um calorzinho gostoso instalou-se em seu estomago ao reparar que ela importava-se verdadeiramente com ele. E ele gostou disso.
— Não há com o que se preocupar. — Tentou tranquiliza-la com um sorriso de canto. Ela, por sua vez, sorriu-lhe afável.
Em uma tentativa de lhe transmitir toda a sua preocupação e carinho, Sakura o abraçou como fizera mais cedo, sorrindo levemente.
Sentia-se tão segura e amada em seus braços que tão pouco ligava se algum desavisado da festa aparecesse e vissem-lhes de tal forma íntima — pois para Sakura, o abraço era a forma de contato mais íntima e verdadeira que conhecia.
Repousou o queixo másculo sobre a cabeleira cor-de-rosa abaixo de si ao mesmo tempo em que pousava seus braços ao redor do corpo frágil da menina.
Sua visão periférica notou um vulto de forma esguia aproximar da sacada que os levou até ali e direcionou discretamente seu olhar para o recinto, notando uma retraída Hinata, um tanto incerta se deveria aproximar-se ou não depois da cena que acabara de presenciar.
De imediato lançou à ela um olhar, tentando transmitir tudo o que desejava, ou seja, para que não o interrompesse fosse qual fosse o assunto em questão. Ele definitivamente odiava ser interrompido. A Uzumaki pareceu entender a magnitude do recado pois, logo saiu pelo mesmo lugar a qual entrara, os deixando à sós.
Sasuke focou seus olhos para baixo notando que Sakura estava desvencilhando-se de si — fato que o incomodou, mas ele apenas ignorou — para apoiar-se na sacada e admirar o horizonte levemente iluminado pelas luzes do castelo.
Ele também reparou em uma leve comoção vinda da entrada, no entanto não deu atenção, apenas se concentrou nos fios róseos esvoaçantes. Ele escorou-se ao seu lado, contudo de costas, mas em um ângulo em que poderia ver claramente seu rosto e sorriso calmo.
— Gostaria de agradecer por tudo. — Ele a fitou por um instante até que ela explicasse. — Não digo só pela festa, mas por tudo, sabe? — Então Sasuke sabia do que ela falava. — Eu tenho consciência de que eu era muito pequena e mesmo ainda hoje, sei que não entendo muito da vida. — Ela dizia olhando para o horizonte, porém levemente enrubescida. — Mas se tem algo que eu entendo agora é que eu não seria nada sem você.
Sasuke teve vontade de pegá-la no colo e nunca mais soltar. Vontade de dizer que tudo o que ele havia feito não havia sido nada e que ele faria de novo e de novo, quantas vezes fosse necessário porque ele a amava mais do que pensou que pudesse amar qualquer pessoa. Coragem de dizer em voz alta tudo isso e mais. No entanto ele calou-se e tudo o que ele se permitira fazer foi pousar sua mão sob a dela em um gesto silencioso que dizia tudo.
E ela entendeu. Ela sempre entendia.
Ele então sentiu que atingiu o mais próximo que já esteve da felicidade em toda a sua miserável vida.
• ❈ •
Itachi sorria levemente para a silhueta delicada de Sakura desaparecendo pelos corredores à cima, sabia que ela iria encontrar Sasuke, logo tinha certeza absoluta de que ela ficaria bem.
Após verificar tudo — checar a segurança, os convidados e a comida — fora juntar-se com sua esposa Mai que estava no meio de um agradável bate-papo em uma roda de amigos. Ela sorriu para si quando notou que havia parado ao seu lado e segurou sua mão quando pediu que ele confirmasse uma série de amenidades que ela fazia questão de manter em pauta na conversa.
Itachi acenava vez ou outra quando sua atenção era arrebatada por um alegre e extrovertido Naruto que aproveitava-se da ausência de seu irmão para debochar do rei, no entanto mantinha-se parcialmente distraído por um motivo que ele mesmo desconhecia, apenas seus instintos lhe diziam que algo estava prestes a ocorrer.
Sua teoria acabou por se confirmar quando notou o chefe da guarda real se aproximar com uma cara de poucos amigos, contudo o Uchiha tinha certeza de que ela não era dirigida a si em particular. O homem chamou-lhe discretamente ao chegar próximo de si e apontou com o olhar o que parecia estar errado. Foi só então que ele se deu conta de uma figura encapuzada passando despercebida escada acima, para em seguida, sumir pelos corredores como Sakura e Sasuke haviam feito mais sedo.
• ❈ •
— Sabe, não consigo ver motivos pra não gostar dele. — Sakura dizia enquanto ria de forma distraída ao mesmo tempo em que acariciava a barriguinha do pequeno filhote de lobo à sua frente. — Ele é um amor. -Ela falava com uma voz infantil para a bolinha peluda que revirava-se contente de barriga para cima como se tentasse levantar, mas sem sucesso.
"Semelhante a uma tartaruga de casco virado". Sasuke pensara para si mesmo em deboche interno.
— Não vejo oque tem para gostar. — Comentou mal humorado. Não que estivesse com ciúmes ou coisa assim, só não gostava quando a atenção da rosada não estava em si.
— Não faça essa cara. — O moreno piscou, sem se dar conta da carranca desgostosa que ostentava em suas feições. — Tenho certeza que serão bons amigos. — Completou sorrindo.
O Uchiha bufou em escárnio enquanto olhava cruelmente para os olhos vermelhos do filhote — agora no colo da menina — que correspondera o olhar.
— Não se eu matá-lo primeiro. — Resmungou mais para si mesmo.
Ele notou que fora uma fração de segundo — talvez estivesse ficando paranoico —, mas poderia jurar que a bola de pelos inútil e insolente arqueou as ralas sobrancelhas para si em desafio, como se dissesse "veremos". Fora apenas um momento, para logo depois voltar ao comportamento usual de filhote babão e latir para a rosada com ânimo. A mesma riu e tornou a acariciá-lo como antes, ignorando seu comentário um tanto mal educado.
Ele era bom. Sasuke tinha de admitir — estreitando os olhos em compreensão — que o filhote estúpido era bom. Mas se guerra ele queria, guerra ele teria.
Revirou os olhos. Como se não bastasse o antigo monstrinho, agora mais essa.
Maldito filhote.
E maldito Naruto.
— Sabe, acho que deveríamos colocar um nome nele. — Sakura dizia ao aproximar-se e sentar ao seu lado no banco de concreto ao lado direito do recinto e depois repousou o lobo negro sob sua capa que cobria as pernas delicadas.
Ele arqueou uma sobrancelha negra. Ela havia ficado completamente gagá se pensava que ele iria participar de algo assim.
— Vamos, dê uma sugestão. — Incentivou animada, não notando o humor negro que o rodeava.
— Monstrinho 2, O Retorno. — Respondeu sem muita vontade ao se jogar para traz de forma desinteressada. A menina por sua vez deu uma gargalhada que preencheu o lugar com o timbre de sua voz, seus ombros tremiam com os soluços. Um típico riso frouxo.
— Isso é o nome de um filhote ou o título de um filme? — Riu sem parar até que lhe faltasse o ar e o acesso de risos só pirou ao constatar o mau humor de Sasuke.
— Hn.
A garota enxugou o canto dos olhos devido às lágrimas que comesaram a se formar sem sua permissão. Sasuke parecia ter seu humor oscilante naquela noite em particular.
Decidida a nomear o pequeno ser em seus braços, direcionou o olhar para os tufos de pelo negro e pôs-se a mordicar a parte interna de sua bochecha como se o ato a ajudasse a pensar em um nome que combinasse com ele.
— Que tal... Aaron? — Olhos escarlates a fitavam com curiosidade, quase como se entendessem o que ela dizia. — Acho que ele gostou. — Sorriu satisfeita e ao olhar para Sasuke o encontrou com uma seriedade e frieza calculada que ela sabia não ser habitual — ao menos não em sua presença. — Há alguma coisa errada?
Sasuke de repente estacara ao perceber que algo errado estava acontecendo. Ouviu ao longe passos apressados — que não deveriam existir já que ele ordenara que a guarda se concentrasse a partir das escadas que davam do primeiro para o segundo andar — para logo depois alguns gritos de ordem se fizessem presente.
— Venha! — Pegou Sakura pelo braço de uma maneira tão abrupta que fez a menina saltar com o susto.
— O quê ouve? — Piscou aturdida sem ver motivos para a súbita mudança de comportamento do moreno.
Sasuke ignorou as perguntas e resmungos de Sakura — estava mais preocupado em tirá-la de lá. Correu com ela pelo braço em direção a saída da sacada, a qual dava no corredor, enquanto a mesma ajeitava de forma atrapalhada a bolinha de pelos perto do peito.
Ao abrir a porta que estava levemente encostada encaminhou seu olhar para ambos os lados, logo não encontrando nada, mas pode escutar com um pouco mais de clareza a pequena batalha que se seguia perto dali. A rosada também ouvira, pois mirou suas esmeraldas em si com uma alta dosagem de receio.
Correu com a garota na direção oposta da batalha e depois subiu um lance de escadas.
Sasuke ponderou rapidamente em chamar Naruto ou até mesmo seu irmão para que levassem-na para um local seguro, mas descartou tal hipótese, afinal quando se tratava de Sakura ele não confiava em ninguém o suficiente.
Após cruzar por mais um corredor subiu um último lance, indo em direção ao escritório; o lugar mais seguro do castelo depois de seu quarto. Irrompeu na vasta sala com certa pressa, empurrando Sakura antes de si que, trôpega e ofegante, virou-se ao ouvir o Uchiha bater a porta.
O som de uma explosão encheu por todas as direções surpreendendo a todos de forma geral tamanha sua magnitude.
Em um rápido momento de lucidez, Sasuke constatou com certa raiva, que tal explosão vinha da ala leste do castelo. Mais precisamente do setor onde ficavam os prisioneiros.
O chão tremeu sob seus pés fazendo a rosada perder o equilíbrio e seu rosto quase foi de encontro ao carpete felpudo perto da porta se não fosse pela agilidade do moreno. Ele a levantou de mal jeito devido a velocidade de seus movimentos, a deixando trêmula. Tentou ignora-la para concentrar-se nos fatos.
Sakura estabilizou-se tentando se recompor. Notou somente agora, ao soltar o filhotinho no chão rústico, que a sala estava um tanto escura, pois uma das lâmpadas estava apagada. Caminhou cautelosa em direção à janela entre duas prateleiras de livros enquanto via pela visão periférica o Uchiha vasculhar algumas estantes atrás de algo que não deu importância.
Correu os dedos pelas pedras grossas e bem polidas da parede até que tateasse a borda do interruptor, o ligando em seguida.
De repente, Aaron correu em sua direção e pôs-se a rosnar de leve ao seu lado. Olhou confusa para o pequeno, porém ele, ao contrário do que imaginou, não rosnava para si ou Sasuke; seu olhar estava cravado em algo mais a frente. A grande mesa de mogno.
Ao focar a vista para frente, Sasuke estava lá, impedindo-a de ver o que acontecia, mas ao ver os músculos saltados, rijos em tensão, soube. Havia algo definitivamente sombrio perigoso ali.
A rosada deu alguns passos a frente, mas fora impedida de avançar devido a mão que segurou seu braço, no entanto ainda conseguira ver a poltrona giratória virar, revelando um homem ruivo de sorriso debochado, coberto por um sobretudo negro.
— Saudações! — A voz rouca atingira altos decibéis carregada com uma falsa alegria e doçura, contudo o tom de zombaria era prevalente. Era quase como ele estivesse se divertindo.
— Quem é você? — O tom obscuro e completamente atormentado do rei não deixava dúvidas de que estava prestes a se lançar de forma desenfreada sobre o insolente à sua frente.
Os olhos vermelhos focavam o alvo implorando por sangue, o rosto belo contorcido em fúria. Quando sua visão nublou-se e percebeu que estava prestes a perder o controle sobre o monstro a muito adormecido em seu interior, Sasuke apertou as mão em punho, tentando inutilmente se controlar ao reparar que Sakura se encolhera atrás de si com medo. Não soube discernir com certeza se era do ruivo ou dele.
O homem riu ao se levantar. Sua posição ereta e imponente. As mãos enluvadas, também de negro, uniram-se atrás dos fios vermelhos e rebeldes de sua nuca que já passavam-lhe o ombro. O olhos azuis esverdeados sarcásticos e frios.
— Eu sou o Axel, memorizou?
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