Dear Boss
4 He’s driving me crazy.
Notas iniciais
Fazia apenas cinco dias que eu estava trabalhando para o Edward Masen. Mas, Jesus, estavam parecendo cinco anos. Décadas. Séculos.
Ele me esgotava tanto, que o único motivo pelo qual eu não tinha me demitido e o mandado ir á merda, era que estava ganhando um dinheiro absurdo pelo trabalho que estava fazendo. Como prometido, ele estava me pagando o triplo do que ganhava antes no antigo emprego. Antes eu era uma bibliotecária, e agora....Bem, agora eu não tinha certeza do que eu era exatamente.
Quando ele me fez a sua proposta, não a entendi perfeitamente. Ele queria que eu trabalhasse para ele, aquilo estava claro. Porém, eu não estava apta para nada do que a sede das suas empresas – sim, além de donos de escolas, ele era dono de empresas – pudesse precisar. Não seria boa atendente, porque mal andava dois passos antes de tropeçar nos meus próprios pés, se fosse preciso. Nada da área de exatas serviria, tampouco. Pensei que poderia trabalhar com algo de relações humanas, mas ele não estava interessado nisso. Queria-me trabalhando diretamente para ele, o que me deixava muito confusa...E irritada.
Porém, um dos traços que aprendera rapidamente sobre o meu chefe era que ele não aceitava um não. Então, ao ver que não estava conseguindo me encaixar em nenhum dos setores, me colocou como sua secretária pessoal. Mesmo que ele já tivesse duas delas.
O meu trabalho, porém, era diferente dos das outras. Angela, a primeira e particularmente mais agradável- eu tinha feito amizade instantaneamente com ela -trabalhava agendando as suas reuniões, encontros e coisas relacionadas diretamente com a empresa. Jessica, a segunda, não tão afável, trabalhava organizando as coisas com a mídia. Lidava com entrevistas, jornalistas, e outros.
Eu parecia responsável por reunir o papel das duas, adicionado com algo como empregada particular. Pelo menos, era assim que eu me sentia.
Logo nos primeiros dias, percebi que não seria fácil trabalhar para o Edward sem enlouquecer. Ele simplesmente não me deixava em paz nenhum minuto. “Isabella, traga meu café.” “Isabella, revise estes relatórios. Não quero erros ortográficos”. “Isabella, combine com os seguranças minha saída”. “Isabella, venha aqui”. Isabella, Isabella, Isabella.
Jesus, eu não agüentava mais ouvir o meu próprio nome.
-Isabella! – a voz do Edward gritou, me desligando dos meus devaneios.
Aqui vamos nós novamente.
Angela olhou para mim com compaixão. Suspeitava que inclusive ela não estivesse agüentando mais ouvir meu nome. Pelo menos, era o que parecia. Chamava-me de Bella todas as vezes. Eu preferia assim.
Fui até o escritório dele rapidamente, ou sabia que ele daria um chilique.
-O que precisa, Sr Masen? – perguntei, rapidamente.
Ele não falou nada; apenas estendeu a mão cheia de papéis, impaciente.
Olhei para ele em dúvida, antes de avançar e segurar os papéis em questão.
-Tem que gravar tudo isso. Te dou no máximo uma semana. Pode sair – falou, sem olhar para mim nenhuma vez.
Mas que diabos?
Surpresa era pouco para me descrever agora. Perplexa não chegava nem remotamente perto. Porcaria, por que não inventam palavras certas o suficiente?
Eu não podia acreditar no que estava em minhas mãos naquele exato momento. Quando pensava que Edward Masen não poderia me surpreender ainda mais, ele aprontava mais uma. Muito pior do que a anterior.
-Isabella? Por que ainda está na minha sala? – perguntou, ainda sem olhar para mim.
Porque você só pode estar de brincadeira comigo, seu cretino!
Em minhas mãos estavam uma ficha criminal, ou era o que parecia. Era um relatório completo... Sobre ele. Ali, tinha tudo. De como ele gostava o café, até o seu lugar favorito no mundo.
Chá: Doce. Mas sem muito açúcar.
Engarrafamentos: Nunca.
Comida: Qualquer coisa que não tenha mais de 400 calorias concentradas. E nunca peixe.
Bebida: álcool.
Aquilo só podia ser uma piada.
- Sr Masen...O que exatamente eu devo fazer com isso? – perguntei, finalmente, tentando esconder a raiva da minha voz.
Ele virou-se para mim, sem demonstrar emoções.
- Gravar. De agora em diante estará responsável por tudo que está escrito aí. Repito: tudo. Depois do expediente, pode passar na minha casa para resolver as coisas domésticas com a minha secretária. Isso é o que fará daqui para frente: cuidará das minhas necessidades – falou, e pude sentir uma ponta de escárnio na sua voz.
Por que diabos ele estava me tratando como uma babá?
E POR QUE, por Deus, a palavra “necessidade” vinda de sua boca soava tão maliciosa, a ponto de enviar arrepios por todo o meu corpo?
Eu ainda estava estupefata demais para falar, e agora ele estava olhando sugestivamente para a porta.
Sem saída, me dirigi á porta. Não saí sem antes, é claro, ele me surpreender novamente.
-Ganhará o dobro do seu salário atual se eu achar que está se comportando bem em sua nova função – falou, a voz fria.
Quase engasguei ali mesmo. Meu deus.
Saí do escritório em passos rápidos, e sabia que se continuasse daquele jeito provavelmente tropeçaria nos meus próprios pés. Eu não me importava. Precisava sair dali. E sair logo. As paredes da empresa pareciam encolher-se, cada vez mais, deixando-a sufocada. O ar não estava o mesmo ao meu redor. Parecia... Estranho. Rarefeito. Em falta.
-Bella? Você está bem? – Angela perguntou, mas não fui capaz de responder.
Precisava sair daquele lugar. Precisava sair de qualquer lugar em que Edward Masen estivesse por perto, ou enlouqueceria. Ele me enlouqueceria.
Saí apressada, sem paciência para esperar os elevadores e sem responder aos acenos de alguns funcionários que já me conheciam. Quando cheguei à rua, foi quase um alívio.
Paraíso. Alguns achavam que ele estava a alguns anos luz do céu, em algum lugar ali em cima. No meu mundo, ele estava em qualquer lugar em que Edward não freqüentasse.
Olhei para os papéis em minhas mãos novamente, ainda perplexa. Era estupidamente claro que aquele homem não gostava de mim, pela forma rude que vinha me tratando durante os cinco dias que trabalhara para ele, mas, de alguma forma, ele me queria por perto.
Perto demais.
Eu sabia muito bem o que aqueles papéis sugeriam. Ali tinha escrito desde a sua primeira refeição favorita, até a última. Sugeria que eu tinha de estar na empresa antes das 7, quando ele chegava, com seu chocolate quente e muffins da Starbucks, até ás 10, quando ele saía, com o seu chá favorito ás mãos. Sugeria estar quase 24 horas por dia na companhia daquele lunático.
Sugeria perdição.
-Isabella? – uma voz me acordou do pesadelo estranhamente real.
Olhei para a direção da voz, sorrindo fracamente quando vi Mike, um ótimo atendente, com lindos olhos azuis e muito simpáticos, acenando para mim.
-Você está bem? Parece meio pálida – perguntou, preocupada.
Na verdade, não estava bem. Sentia o mundo girar, saindo das órbitas, e um forte enjôo. Meu deus, aquele homem ia me matar.
-Estou sempre pálida – respondi, não querendo deixá-lo preocupado.
Ele riu, mas não era burro. Olhou para mim mais uma vez, me analisando profundamente, e falou:
-Por que não vem comigo tomar uma bebida?
Assenti, ainda fraca, pensando que um pouco de líquido seria ótimo para me deixar forte. Pelo menos até a hora de voltar para o trabalho.
Fomos até um bar ali perto, e sentamos em uma mesa reservada. Pedimos duas cervejas, e, quando virei meu copo em um só gole, Mike perguntou
-Wow, garota, vai com calma. Ainda tem que voltar ao trabalho. – parou, e olhou fixamente para mim – O que houve?
Não conseguia mais esperar. Toda aquela situação era como uma comida entalada na minha garganta, impedindo a minha respiração – e libertação- implorando para ser expulsa. Eu precisava falar.
Mas, em vez disso, joguei os papéis em cima dele, chamando o garçom novamente.
Se eu ia contar aquilo, precisava de outra cerveja.
-O que é isso? – agora Mike estava rindo – Decidiu acompanhar os passos dele para depois matá-lo? Espere, aqui tem como ele gosta da carne? “Entre assada e mal assada, sempre” – então ele realmente gargalhava, jogando a cabeça para trás.
Ele estava rindo da merda em que me encontrava. O garçom chegou com a outra cerveja, e, quando fez menção de colocar mais cerveja do meu copo, peguei o recipiente inteiro das suas mãos. Ele parecia surpreso, mas não disse nada.
-Edward me deu isso – expliquei, rapidamente, antes de tomar outro gole da cerveja.
-O que? – ele parou de rir imediatamente.
Pois é, amigo. O buraco está mais abaixo do que qualquer um de nós esperava.
-Edward me deu essa merda. Ele quer que eu seja sua babá. Por que diabos quer isso, não sei. Mas quer – falei, num jato, atropelando as palavras.
Eu estava á ponto de chorar. Merda.
Mike parecia perplexo, mas recuperou-se rapidamente.
-Bem, aceite então – falou, simplesmente.
Coloquei as mãos nas têmporas, e senti uma dor de cabeça chegando. Mas não estava nem de ressaca!
Por que aquilo estava acontecendo comigo?
-Não posso – falei
-Por que não?
Olhei para o fundo dos seus olhos.
-Já imaginou ficar perto daquele homem 18 horas da sua vida? – perguntei, e o vi torcer a boca em desgosto.
-Tudo bem, você tem um ponto. Mas é forte. Bella, o Sr Masen não é idiota. Se ele designou isso para você, acha que é capaz de fazê-lo. – rebateu, insistente.
-Não posso!
- Pode.
Cobri o rosto com as duas mãos quando o senti vindo. A raiva. O pesar. O desespero. Tudo emergiu de uma vez só, e com certeza cairia de joelhos se já não estivesse sentada. Quando falei novamente, minha voz soava histérica.
-Não! Não posso – gritei, chamando mais atenção do que deveria – Não posso agüentar aquele homem por tanto tempo. Sinto que ele está num poço, estendendo a mão para que eu pule nele! Ele é louco, entendeu? E está me enlouquecendo junto. Ele me sobrecarrega de trabalho, e, pelo amor de Deus, só trabalho para ele há dias! Ele me odeia, mas quer que esteja com ele a maior parte do seu tempo! Ele é insano!
- Ele não te odeia. É rico demais para isso.
Olhei para ele, desnorteada.
O que?
-Hã?
-Bella, já ouviu a expressão tempo é dinheiro? Edward Masen é rico demais para gastar seu tempo sentindo emoções tão fortes como o ódio. Ás vezes penso que não tem sentimento nenhum.
Joguei as mãos pro céu, exasperada.
-Mike, não importa! É o que parece! Ele me chama naquela merda de escritório a cada dois minutos, nem que for para espiar o cara que limpa a janela, para o caso de atacá-lo. O que? Ele está algo entre o patético e o ridículo. Ele me deixa louca, mas agora disse que me pagaria o dobro do que já ganho e preciso desse dinheiro. Já imaginou o que ele faria se eu disser que não posso fazer o que está me pedindo?
Agora eu estava desesperada.
-Ele te demitira. – falou, como se estivesse falando que dois mais dois eram quatro.
Chiei, quase chorando. Sim, era exatamente o que ele faria.
-Ele me demitirá. Por que não posso fazer isso – não consegui mais impedir as lágrimas de caírem livremente pelos meus olhos.
Era isso. Eu não teria mais um emprego. Perderia dois empregos em menos de uma semana. Que ótimo para falar num currículo. Eu estava ferrada.
Mike olhava para mim, sério e calmo. Claro, ele tinha um emprego, não tinha motivo para preocupar-se.
-Bella, está tudo em suas mãos. Você pode continuar aqui resmungando e se odiando, odiando a ELE, ou pode lutar pelo seu emprego e mostrar o seu potencial – ele estava levantando, agora – Porque a única te subestimando é você mesma. Eu acredito em você. Ele, por mais que negue, acredita em você. Então, lembre-se, se for demitida, foi uma escolha sua, não dele. A responsabilidade estaria toda em você.
E ele levantou-se, e saiu. Me deixando com uma bomba nas mãos. Atordoada. Perdida.
Ah, inferno.
Eu sentia uma forte dor no estômago agora, e era de culpa. Culpa porque ele estava certo. Era tudo sobre mim. Tudo sobre o meu medo de encarar o homem que era o meu chefe, porque ele era irresistível. E- merda, já que estava admitindo todos os podres mesmo – porque eu me sentia atraída a ele. Quem não se sentiria? Ele era estonteante. Tinha medo que se passasse tanto tempo com ele, aquele desejo aumentasse mais do que o tolerável.
Mas não podia ser tão covarde. Não podia arriscar a minha estabilidade, ou a de Emmett, porque se perdesse o emprego, não pagaria a minha parte do aluguel e causaria sérios problemas á ele. Não podia colocar tudo a perder por medo. Não depois de tudo o que eu tinha enfrentado.
Levantei da mesa, deixando a conta paga.
Tinha entrado ali perdida, mas sabia exatamente o que queria agora.
Queria trabalhar. Queria o dobro do salário que ele tinha prometido. Queria estar ali pelo menos por uns meses, até que arranjasse outro emprego e pudesse me demitir. E era isso o que eu faria.
Passei na Starbucks perto, e voltei ao trabalho.
Angela estava em pé, com o telefone na orelha, parecendo prestes a morrer. Quando me viu, suspirou de alívio, e correu até mim.
-O Sr Masen a está procurando. – falou,rápido.
-Mas é o meu horário de almoço – protestei, inutilmente.
-Mas ele quer – deu de ombros.
Claro. Ele quer. Ele tem. Fácil.
Entrei no seu escritório, e ele levantou os olhos.
- Queria te perguntar se pensou na minha proposta – falou, virando o seu corpo totalmente para mim, pensativo.
-Eu tinha alternativa? – perguntei, exasperada.
Ele riu por um momento.
-Não. E é muito bom saber que sabe disso – falou e virou-se para o computador.
Uma dica alta e clara para que eu saísse.
Sobre eu dizer que ele era maluco e estava tentando me deixar maluca? Totalmente verdade.
Mas eu iria conseguir. Nem que isso custasse cada gota da minha sanidade. Nem que me matasse, iria conseguir e esfregar na cara daquele arrogante ridículo que eu era capaz. A raiva trabalhava ao meu favor, também.
-Isabella! – chamou, quando mal tinha saído do seu escritório.
Revirei os olhos, cansada.
Só porque estava decidida a seguir aquele plano com determinação, não significava que seria fácil.
Mas o que, pensei enquanto irrompia na sua sala, sobre Edward Masen era fácil?
O sorriso irônico de garoto que iria aprontar no rosto do meu chefe era resposta o suficiente.
Ah, bem.
Fale com o autor