Dean e May
4 Primeiro dia de aula
Notas iniciais
Pov. May
Fomos pedalando tranquilamente em direção à escola. O caminho até lá não era tão distante e o único perigo era em uma curva que fica um pouco no alto e possui um lado esquerdo sem nenhuma segurança que impeça de acontecer algum acidente. Como nossa cidade é interiorana e tem poucos habitantes, poucas pessoas se acidentaram naquela curva, então nenhum governante ligou muito pra isso.
Em poucos minutos chegamos à escola nova. Era uma mistura de ansiedade por ter passado as férias esperando por esse momento, mas também muito, muito nervosismo, porque tenho receio de não fazer amizades. Por mais que o Dean já seja meu amigo, eu pretendo ter mais amigos, afinal ele com certeza vai conhecer muita gente, então eu também quero me superar e fazer novas amizades! A escola é enorme, parece ser muito legal mesmo, possui vários clubes, porém, infelizmente, muitos dos clubes só se pode entrar a partir do ensino médio e isso vai demorar um pouquinho, afinal ainda tô na 5º série. Mas ainda assim tem muitos clubes legais que pretendo entrar e... *Triiiiiiiimm!* O sinal da escola interrompeu meus pensamentos.
— Eitaa! O sinal! Fiquei tanto tempo aqui voando acordada que até o Dean já foi pra sala! – Pensei em voz alta — Em toda minha vida escolar eu nunca me atrasei pra uma aula, imagina no PRIMEIRO dia?! Preciso correr! Mas tem muita gente no corr... Ahh — tinha uma multidão de veteranos vindo em minha direção correndo!! — Eu vou ser pisoteada! Sou muito jovem pra morreeer! – me desesperei e sai correndo como se não houvesse amanhã. Bom, se eu tivesse ficado parada ali, provavelmente não teria mesmo, afinal os alunos que estavam vindo eram bem maiores do que eu!
Então corri até a multidão começar a se dispersar para suas salas! Que alívio... só que aí eu percebi que EU NÃO TINHA A MÍNIMA IDEIA DE ONDE EU ESTAVA. E a escola é muito grande mesmo! Ou seja, eu estava perdida, em uma escola nova, no primeiro dia de aula e atrasada. Só isso. Parabéns, may. Você ganhou o prêmio de maior azarada de todos os tempos.
Bom, então a única coisa que eu tinha pra fazer era procurar a minha sala de alguma maneira, ou encontrar alguém que pudesse me ajudar a encontrá-la. Por sorte vi um senhorzinho que estava limpando os corredores.
— Oi, bom dia, senhor! Sabe, eu tô meio perdida aqui, será que o senhor pode me ajudar? – perguntei timidamente ao senhor de cabelos grisalhos, olhos azuis e feição muito simpática.
— Olá pequena, claro que posso te ajudar, aluna nova certo? – falou abrindo um sorriso meigo
— Sim, sou uma aluna nova! – respondi
— Meu nome é Charles, sou o zelador daqui – me cumprimenta
— E eu sou a Mayllibel, Mayllibel Flower, mas todo mundo me chama de May! Prazer conhecê-lo, Seu Charles! – Respondi sorrindo
— O prazer é meu, May! Flower? Você é filha da Ellie flower? Mas quem diria – ele ri
— Você conhece minha mãe?! – Pergunto surpresa
— Claro, minha esposa é fascinada por flores, então eu sempre vou à floricultura da sua mãe, comprar novos tipos de flores pra colocar lá em casa, ela ama – ele diz sorrindo, parece amá-la muito
— Sério?! Que legal! Eu também sou fascinada por flores e.. Vixe! Esqueci da aula! Seu Charles você pode me levar na minha sala?! Por favor! – peço
— Sim, sim! Também tinha esquecido, mas qual é a sua sala? – ele pergunta
— 5º série D – digo
— Ok, então vamos lá – assim ele foi andando na frente e eu fui acompanhando. Até chegarmos a uma sala que, aparentemente, estava silenciosa, olhando pela janelinha da porta percebi que era mesmo a minha sala, porque o Dean tava lá. Inclusive, bem concentrado, o que não é uma coisa que se vê todo dia. Eles estavam escrevendo alguma coisa, pensei que já podiam estar fazendo atividade, mas isso não é muito comum no primeiro dia e ninguém parecia estar com o livro, achei estranho.
— Bem, eu acho melhor você esperar pra quando o sinal tocar, pra não precisar entrar no final da aula – fiquei envergonhada pelo atraso – Não precisa ficar com vergonha, você não teve culpa! Tem muito aluno que nem chega a vir no primeiro dia! — ele ri — Bem, acho que já vou indo, afinal os chãos da escola não vão se limpar sozinhos – ele se despede com um sorriso gentil no rosto
— Muito obrigada, Charles! Não sei o que faria sem sua ajuda – agradeci sorrindo
— De nada, florzinha. Quando precisar é só procurar pelos corredores que eu vou estar em algum, pronto pra te ajudar! Vou falar de você pra Catarina, minha esposa da qual falei que ama flores. Se vocês se conhecessem seriam ótimas amigas – ele sorri e eu retribuo
— Pode apostar que sim! Grandes amigas unidas pelo gosto pelas flores. — rimos
Ele foi embora e eu fiquei lá sentada em um dos bancos do corredor esperando o fim da aula. Se passaram uns 10 minutos e, enfim, o sinal tocou e de novo vários alunos saíram correndo, entrei na sala e o Dean tava rodeado de gente. Eu sabia que ele ia se enturmar rápido, mas nunca pensei que ele ficaria tão popular em 50 minutos de aula! E tinha um monte de meninas entregando cartas para ele, pelo jeito já tinha até admiradoras.
Fui procurar um lugar para sentar, só tinha um lá no fundo, bem no canto. Pra mim tava tudo bem, contanto que não tivesse ninguém muito alto na minha frente, não tenho dificuldade para me concentrar. Do meu lado direito tinha um cara dormindo e o sono parecia bom, porque até babando ele tava haha. Quando o pessoal que tava rodeando o Dean saiu, ele me viu, me olhou com cara de “Ah você ta aí!” e veio andando em minha direção. Até que o professor chegou e ele voltou a sentar. Pelo que vi no programa das aulas ia ser ciências, fiquei super feliz, porque eu AMO ciências.
Durante a aula, tinha uma garota que ficava mexendo na franja do Dean toda hora. Era uma garota muito bonita, loira, branquinha, patricinha (bom, pelo menos parecia ser), ela até tinha um sinalzinho perto da boca, tipo aquele que a Marilyn Monroe colocava pra ficar mais charmosa, só que de verdade. Eu acho haha. E era muito engraçado, porque o professor chamava a atenção deles o tempo todo e o Dean tava tentando prestar atenção na aula, só que aquela garota ficava chamando ele pra conversar o tempo todo. Pobre Dean.
A aula passou rapidinho e foi ótima, os professores eram maravilhosos. Quando a aula acabou, fui em direção ao Dean, enquanto não tinha ninguém ao redor dele. Do nada, um monte de gente apareceu e cercou ele. Recuei até o meu lugar, afinal eu não iria entrar no meio de um monte de gente desconhecida, não mesmo, gente demais me assusta. O pessoal começou a sair, até ficar só aquela menina loirinha e o Dean. Dessa vez eu fui lá, afinal eu sempre volto com o Dean. Cheguei perto e a menina continuava mexendo na franja do Dean. Credo parecia até tique nervoso.
— Oi, Dean.. Eu acho que a gente tem que ir, né? — quando falei isso o Dean concordou com a cabeça e já foi levantando, parecia que já tava esperando há tempos que eu fosse chamar ele, só que a reação da garota não foi muito legal. Ela me olhou meio que com um “olhar mortal” e cara de nojo.
— Ah! May essa é a Sue... – Dean me apresentou a garota da franja.
— Susan! Susan Valentine, pra você.. – ela me olhou com um sorriso forçado – Afinal, a gente nem se conhece ainda, né? – ela fala como se já conhecesse o Dean há décadas.
— É.. eu sou a May, prazer em conhecê-la! – tentei ser o mais gentil possível com ela, afinal eu podia estar tirando conclusões precipitadas sobre ela. Ela não respondeu nada. É, acho que não tava enganada.
— Ruivinho, ela é sua irmã? – pergunta Susan.. Ruivinho? Segurei a risada nessa hora, mas não perdi a chance de olhar pro Dean com cara de deboche.
— Não, ela é minha melhor amiga – Dean respondeu sorrindo pra mim, retribui.
— Ah, realmente vocês não são parecidos mesmo.. – disse a Susan – Bem eu vou indo, meu motorista deve estar me esperando! Tchau Ruivinho, até amanhã – ela diz mexendo em seu cabelo de novo e dando um beijo na bochecha dele. Que intimidade pra só um dia de aula, hein? – Tchau, Amy! – me cumprimentou também, nem me dei ao trabalho de corrigir, afinal ela não parecia se importar muito.
— Nossa! Ela parece ser... legal. Ruivinho. – falei zoando. Ele fez uma falsa cara de incomodado e depois riu também.
— Ela é meio doida mesmo – ele falou – Ei e você, aonde tava na primeira aula? A senhora certinha resolveu cabular a aula foi?
— Nãao, você nem acredita! Eu me perdi! Fiquei voando lá fora e nem vi você ir pra sala, aí quando o sinal tocou, uma multidão de veteranos ENORMES vieram em minha direção, quase morri. Mas consegui fugir. Foi aí que me perdi – ele riu
— Essas coisas sempre têm que acontecer com você mesmo. Mais uma aventura pra bagagem — ele riu — Quem manda ficar voando, tem que tomar mais cuidado. – ele deu sermão batendo de leve na minha testa.
— Haha! Falou o cara que desliza pelo corrimão – zombei. – Ah! E eu fiz um amigo!
— Sério? Que legal! É daqui da sala? – perguntou animado
— Não, ele é o zelador da escola – respondi
— Bom, legal mesmo assim! Você sempre tem essa habilidade de fazer amizade com o pessoal mais velho – falou rindo
— Eles são muito legais, tá? E ele tem até uma esposa que ama flores que nem eu! – falei
— Caraca, você tem que conhecer ela! Vão ser muito amigas, ficarão horas conversand sobre tudo quanto é tipo de flor. "Olha só essa orquídea! Ela precisa ser tratada de forma mais gentil. Quem foi o louco que deixou essa pobre florzinha ser tratada desse jeito?" — ele disse, tentando fazer uma imitação minha. Péssima por sinal. Dei um tapinha em seu braço pra ele parar. Depois ficamos rindo.
Logo, quando a gente tava saindo da escola, dois meninos vieram em nossa direção, eram morenos, altos e IGUAIS, porém um tinha o cabelo raspado e ralinho e o outro tinha um cabelo na altura do ombro e liso.
— E aí, Dean! – Chegou o de cabelo grande cumprimentando o Dean com um high Five. O outro fez o mesmo.
— Ah! Oi, Elliot e Ellias.. – falou o Dean
— Opaa, cara! A gente te disse que ninguém chama a gente assim! – falou o de cabelo raspado – Nós somos o bomba e o granada! – eles disseram em uníssono dessa vez fazendo uma dancinha estranha.
— Quem é essa aí? – perguntou o “bomba” (que era o de cabelo grande) apontando pra mim.
— Ela é a May, minha melhor amiga. – Dean respondeu.
— Ah tá! – falaram em uníssono de novo. Sério! Como eles conseguem fazer isso? – Bem, a gente já vai, hoje à tarde começamos os testes pro time! Lembra de fazer, nosso time precisa de novos caras. Falou! – disse o granada. Depois de falar isso, eles foram embora.
— Time? Que time? – perguntei.
— O de basquete – ele sorriu. – Eles me chamaram pra fazer os testes, tô super animado!
— Que legal, Dean! Você com certeza vai passar, é ótimo! Fico feliz por você! – Sorri de orelha a orelha. Ele ama muito o basquete, sei que vai fazer muito bem para ele. – Eu também tô animada pra entrar em algum clube.
— Tem uns clubes bem legais, você vai acabar gostando de algum. Se tivesse algum clube de fanáticos por flores, você entraria na hora – ele ri de mim e eu dou um tapa de leve em seu ombro.
— Engraçadinho... Mas eu entraria mesmo! – ri também. Depois disso a gente foi pra casa, hoje eu ia tomar conta da floricultura da mamãe com a ajuda da tia Lucy e do Dean, então eu não podia me atrasar. Chegamos na casa do Dean e almoçamos, o tio Phill ia chegar hoje, então o Dean tava muito animado.
— Meu pai ta chegando! Meu pai ta chegando! – cantarolava enquanto fazia uma dancinha vergonha alheia.
— Bela dança, Dean! Tem certeza que não prefere entrar no clube “Fanáticos por micão”? – zoei, enquanto comia a sobremesa, sentada no sofá.
— Haha, engraçadinha – disse, fazendo uma careta pra mim e parando de dançar.
— Obrigada por ter poupado meus olhos dessa visão. — ri, maldosa. Ele se sentou no sofá. — Viu? Como é bom zombar dos amiguinhos? – eu disse, rindo – Tô brincando, bebê! Pode continuar com a sua dancinha da felicidade, mas daqui a pouco a gente vai pra floricultura, tá? — ele só fez outra careta e começou a mudar os canais na TV.
Terminei a sobremesa e chamei o Dean pra ajudar. A tia Lucy disse que já tava indo, que era pra eu ir abrindo a floricultura. Então fomos, abrimos a floricultura e ficamos lá conversando, até que um carro estacionou bem na frente da casa do Dean. A gente logo pensou que era o tio Phill. O Dean saiu correndo pra lá. Até que pouco tempo depois...
— Minha filhinha!!! – Ouço uma voz familiar atrás de mim – Que saudade de você! – Então me viro e – Ai... Meu... Deus... Mamãe?!
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