Notas iniciais
Volteeei, depois de longos meses estou de volta. Peço desculpas novamente pela ausência, mas como disse anteriormente, algum dia eu volto. hehehe. Enfim, tá aí o cáp. novo! Espero que gostem!

Pov. May

— Tia Lucy, é que... – eu disse, fazendo uma pausa pra respirar – eu acho que...

— Que... – ela perguntou, curiosa.

— Eu acho que eu gosto do Dean.

A reação dela não poderia ser mais surpreendente. Ela simplesmente começou a rir e eu fiquei desesperada sem saber o motivo da graça.

— Eu sabia que um dia isso aconteceria, mas não imaginava que seria tão cedo. Na verdade, até apostei com o Phill a idade que vocês, provavelmente começariam a ter uma quedinha um pelo outro. E o Phill acertou. – Enquanto ela falava eu a olhava perplexa com sua tranquilidade. Eu estava tendo uma crise existencial e ela tratava tudo com tanta naturalidade.

— Mas... Tia Lucy, o Dean é meu melhor amigo, quase um irmão. – falei em tom exasperado.

— May, é super normal que grandes amizades se tornem grandes amores. Mas, não vamos nos precipitar. Me conte como você chegou a essa conclusão. – ela perguntou, sentando em um cadeira próxima a mim.

— Bom...- hesitei, enquanto me sentava próximo a ela e me preparava para contar. – é que... – continuei enrolando até que tomei coragem. -eusonheiquebeijeioDean – falei do modo mais inaudível e enrolado possível.

— Que? – obviamente, com essa ótima pronúncia, Tia Lucy não tinha entendido.

— Eu sonhei que beijei o Dean – conforme falava a frase, meu tom de voz diminuía e, de modo inversamente proporcional, a cor vermelha tomava conta do meu rosto. Falei o nome dele tão baixo que pensei que ela não entenderia, mas por sorte ela captou pelo contexto.

— Ahh, então talvez realmente seja isso. Ou então seu subconsciente está pregando uma peça em você, reproduzindo alguma coisa que você viu durante o dia. – ela disse e uma ponta de esperança surgiu, talvez eu apenas estivesse reproduzindo a cena que tinha visto entre o Dean e a Susan. – Você acha que teve alguma coisa que possa ter feito você ter esse sonho? Porque caso essa seja sua única evidência de que você uma quedinha no Dean, provavelmente é o que eu disse.

Por um momento gelei com a repentina vontade que tive de contar sobre a cena que tinha visto mais cedo, mas imediatamente voltei a mim e percebi como seria idiota da minha parte contar isso pra Tia Lucy. O Dean iria morrer de vergonha e, por mais que quisesse contar, não podia causar isso. Inventei uma desculpa o mais rápido possível.

— Ah é mesmo! Hoje vi um filme de romance Tia Lucy! Talvez a minha vontade de viver em um filme desses tenha reproduzido a cena com pessoas que fazem parte do meu convívio e com isso se explica o porquê de ser o Dean já que ele tá 24 horas comigo. -Vi que a minha resposta a convenceu.

— Provavelmente foi isso mesmo, mas, em todo caso, só vai caber a você analisar até que ponto foi só um sonho. E isso só se descobre na vida real. Caso nada tenha mudado, você já sabe, foi apenas o sonho. Mas não se apavore, vocês ainda são muito novos pra saber o que é um sentimento forte como o amor. Por enquanto, só aproveite esse restinho de infância, ao amadurecer você verá como vai ser. – Sorri pra Tia Lucy por sempre dar um jeito de me acalmar em toda circunstância. Me despedi dela e voltei para o meu quarto, dessa vez consegui dormir tranquila, convencida de que tinha sido apenas um sonho.

No outro dia, acordei com um salto, desligando rapidamente meu despertador que não parava de tocar. Me desesperei ao perceber que estava atrasada para a escola. Essa noite interrompida tinha me feito acordar exausta. Me arrumei o mais rápido possível e corri escada abaixo. Todos já estavam tomando café, cheguei envergonhada por não ser do meu feitio me atrasar.

— Bom dia, May! – disseram os três em sequência. Respondi o mesmo e sorri pra cada um, porém quando meus olhos encontraram o do Dean senti meu rosto esquentar um pouco, pois tinha lembrado do sonho da noite passada. Por sorte, ele não percebeu e continuou a tomar café. Me sentei à mesa e tentei tomar um rápido café da manhã, pra não atrasar o Dean (tão estranho falar isso já que é sempre ele quem se atrasa). Logo terminamos, pegamos as bicicletas e fomos para a escola.

No caminho fui calada, evitando que meu nervosismo fosse perceptível. Porém percebi que as vezes ele me olhava preocupado e parecia um pouco nervoso também. Então tentei quebrar o silêncio.

— Então, animado pra hoje? – perguntei, tentando parecer o mais tranquila possível. Ele suspirou.

— Na verdade não, agora que tá caindo a ficha do que fiz, você estava certa mesmo. – ele disse e apesar de feliz por estar certa, me senti mal por ele que teria que enfrentar a Sue com a chatice dela. – Inclusive, eu queria te pedir desculpas por ontem, você veio calada o caminho todo, pensei que estivesse com raiva ainda.

— Eu? Não, não estava zangada – disse, enquanto fazíamos a última curva antes de chegar na escola.

— Ah, então por que estava assim calada? Tem alguma coisa te aborrecendo? – ele perguntou e já comecei a suar frio. Me desesperei e procurei a melhor distração possível.

— Olha! Não é a Susan ali na frente da escola? – eu disse apontando pra frente, mesmo sem ter visto nada, só precisava ocupar a cabeça dele com outra coisa. Percebi o espanto no rosto dele.

— Onde?! Não tô vendo, ai meu Deus eu tô frito, essa menina nunca mais vai sair do meu pé. – ele disse nervoso. Tentei acalmá-lo dizendo que logo ela encontraria outro pretendente, mesmo sabendo que isso não era verdade porque ela persegue ele há 2 anos.

Minha distração deu certo, ele pareceu se afogar nas próprias preocupações e esqueceu do que tinha me perguntado, finalmente chegamos na escola, encostamos as bicicletas e entramos. Encorajei Dean com palavras otimistas que nem eu mesma acreditava, mas sabia que faria ele enfrentar melhor a situação. Não demorou muito para vermos a Susan seguida de todos os seus fantoches preferidos, todos com seus celulares na mão, prontos para registrar o novo casal mais querido da escola.

Fiz menção de sair de fininho, mas Dean segurou meu braço e implorou com o olhar pra que eu ficasse. Meu coração esquentou ao ver seu desespero, resolvi enfrentar meu medo de aglomerações, só para apoiá-lo. Susan correu e abraçou ele, enquanto eu continuava de lado bancando a vela do casal. Toda sua turminha dos celulares começou a tirar fotos e de repente era tanta gente ao redor que eu já começava a sentir falta de ar. Um mais curioso do que o outro para saber tudo que tinha acontecido.

Enquanto “Sugar” dava detalhes de tudo que tinha acontecido (e até exagerava um pouco), Dean só ficava lá como uma estátua falante, confirmando tudo que ela falava. Para quem disse que tinha tudo sobre controle, não estava sabendo atuar muito bem. Fiquei lá o máximo que pude, mas uma hora cheguei ao meu limite, já estava prestes a ter uma crise com aquela quantidade de pessoas em um lugar só. Dean parecia já estar mais calmo, então corri para fora da pequena multidão que se formou na frente da escola e andei até a sala. Ao chegar lá, não me surpreendi ao ver que só os nerds já estavam em seus lugares, o restante da turma estava sabendo do grande babado. Sentei na minha cadeira de sempre e esperei o professor chegar, enquanto refletia sobre minhas reações do dia e percebia que talvez não tivesse sido apenas um sonho. Mas que também não importava, porque ele não sentia o mesmo.

Notas finais
E aí? Gostaram? Sei que foi mais curto do que o normal, mas senti que esse cáp. tinha que ser assim. Se puderem comentar e deixar suas opiniões, elogios e críticas agradeço, me incentivam bastante a continuar e me ajudam a melhorar a história! Obrigada por lerem!