Dean e May
12 O Acidente
Notas iniciais
Pov. Dean
— Calma, garoto! A ambulância já tá chegando! Ela vai ficar bem – depois de alguns segundos em meio a soluços, penso ter escutado o homem que estava ao meu lado falar com voz trêmula. Tava na cara que nem ele estava tão certo disso. Meu choro só aumentou e todo meu foco estava na May inconsciente no chão, doía só de pensar que qualquer coisa pudesse acontecer com ela e agora eu só me sentia inútil por não poder fazer nada além de esperar a ambulância.
A queda não tinha sido tão grande, mas eu sei que a May tem um corpo mais frágil do que outras pessoas. A vida toda a vi quebrando ossos por coisas bem menores. Cada coisa que pensava, só me desesperava mais e chorava, chorava sem parar. Poucos minutos depois, a ambulância finalmente chegou. Trouxeram a maca e colocaram a May nela com todo cuidado. Ela ainda estava coberta pelo meu casaco, única coisa que pude fazer, na tentativa de protegê-la da chuva que continuava pesada. Um dos enfermeiros me perguntou se eu gostaria de acompanha-los e ele nem precisou terminar a pergunta para me fazer correr para dentro da ambulância.
Minha mãe já tinha sido comunicada do acontecimento e provavelmente estava a caminho do hospital, já que a ambulância tinha chegado rápido. Enquanto íamos para o hospital, fiquei olhando os enfermeiros cuidarem da May. Queria tanto poder fazer alguma coisa para ajudar, mas só o que fazia era chorar, mesmo que já sentisse que não tinha mais lágrimas sobrando. Não demorou muito para que chegássemos e levassem a May para uma das salas do hospital, tentei entrar junto, mas fui barrado por não ser adulto. Era injusto me deixar do lado de fora sofrendo, mas pra minha sorte não demorou muito até que minha mãe chegasse.
— Dean!!! Você está bem?! – Ela me abraçou forte, eu assenti e voltei a chorar. – E a May está em qual sala? – ela perguntou aflita e eu indiquei a sala. – Com licença, sou a responsável pela May, os pais dela estão fora do país. – Ela falou com a enfermeira que tinha acabado de sair da sala em que a May estava e em seguida foi liberada para entrar. Enquanto isso, eu continuei sentado do lado de fora, numa espera que parecia infinita. Passaram-se minutos, horas e nada de nenhuma das duas saírem daquela sala, já estava me desesperando, não queria receber notícias ruins, mas não receber notícia nenhuma era tão torturante quanto.
Depois de mais algum tempo esperando, minha mãe finalmente saiu. Ela parecia exausta, porém mais tranquila do que quando chegou. Ela sentou do meu lado e finalmente me deu as notícias que tanto esperei.
— Dean, a May teve que fazer uma cirurgia, mas agora ela já está bem – ela disse e eu nem posso descrever quão aliviado fiquei — Ela teve algumas fraturas, mas nenhuma delas foi exposta. Geralmente nesse caso, nem precisaria de cirurgia, mas como ela tem um grau mais leve da Síndrome de Paget, os ossos dela se quebraram em 3 partes, então foi necessário. De qualquer forma, o médico disse que depois de algum tempo imobilizada, ela logo vai ficar 100%.
— Eu posso ir ver ela agora?! – Perguntei de imediato.
— Bom, não tenho certeza. Ela acabou de passar pela cirurgia e ela ainda está sob o efeito da anestesia, provavelmente deve estar dormindo agora. – ela explicou, mas eu não desistiria tão fácil.
— Ah, mãe! Tenta falar com a enfermeira! Vai que ela deixa, eu só quero ver se ela tá bem com meus próprios olhos. – eu disse, quase implorando de joelhos, só iria conseguir ir pra casa tranquilo se visse como ela está. Minha mãe falou com a enfermeira e para minha felicidade ela deixou que eu entrasse, com a condição de que não demoraria mais de 15 minutos, porque ela precisava descansar. Eu assenti e entrei, ansioso para vê-la.
Aparentemente, ela estava dormindo, com uma feição mais serena do que estava mais cedo. Já pude ficar em paz ao ver isso, mas a aflição ao vê-la com uma das pernas e um dos braços engessados ainda era grande. Nunca quebrei nenhum osso, nem podia imaginar como era a dor e quem dirá ao quebrar mais de um. Sentei ao lado da cama e só fiquei observando por um tempo. Até que ela abriu os olhos.
— Dean? – Ela perguntou com uma voz sonolenta. – Você tá bem? – Eu não podia estar melhor agora, sabendo que ela está bem.
— Olha pra você, se machuca toda e ainda se preocupa com os outros. Eu tô bem sim, agora, porque até pouco eu só faltei surtar de tanto esperar pra ter notícias suas. – Eu disse e ela sorriu.
— Dá pra ver pela sua cara inchada – ela falou entre algumas risadinhas. Olhei para o meu reflexo na janela e eu estava horroroso. Cocei a parte de trás da minha cabeça, envergonhado.
— Digamos que eu fiquei muito preocupado – olhei novamente pra ela que sorria pra mim. – Sério, você ficou até inconsciente. Eu fiquei morrendo de medo de alguma coisa pior ter acontecido.
— Mas não aconteceu, então pode relaxar. Só tive sorte de não ter quebrado todos os meus ossos, em quedas menores já me machuquei tanto quanto hoje. – ela disse, olhando para seu braço engessado. – Será que você pode ajeitar meu travesseiro? Digamos que não é muito fácil fazer isso com um braço só.
— Claro que sim – Me levantei de imediato e ajeitei. – Mais alguma coisa?
— Acho que posso me acostumar com isso – ela riu e eu acompanhei.
— Ah é, senhorita espertinha. Enquanto você estiver assim, vou fazer tudo que precisar, mas você vai ficar me devendo uma. – eu disse e ela fez uma careta.
— Poxa, seria legal se isso durasse pra sempre – Rimos
— Aproveite enquanto pode – disse e olhei o relógio. Já tinham passado 10 minutos desde que entrei na sala, logo teria que voltar. – Bom, você vai querer mais alguma coisa? Daqui a pouco vou precisar sair, a enfermeira me intimou a não ficar aqui por mais de 15 minutos.
— Ahh, mas já? Quem deveria decidir isso era eu – ela fez uma carinha triste, mas logo deu uma risadinha, sabendo que não é assim que funciona.
— É, mas você precisa descansar, pra que logo possa estar recuperada. E outra, logo você vai pra casa e a gente vai ter todo tempo do mundo pra colocar o papo em dia – eu disse e ela sorriu. – Pelo menos você não vai precisar fazer a prova de matemática depois de amanhã. Eu tenho certeza que vou bombar.
— Dean! Nem vem com essa que dois dias é mais do que o suficiente pra estudar – ela disse com ar de responsável de sempre.
— Nossa, parece que o efeito da anestesia passou, bem que eu tava achando estranho você sendo tão carinhosa comigo. – brinquei e ela fez cara de indignada, mas depois não segurou o riso.
— Ah, nem vem que eu sou super carinhosa sempre. – ela falou e eu neguei com a cabeça, ela virou o rosto pro outro lado. – Hum, acho que sua hora já deu. – Eu gargalhei
— Que dramática! Mas você tá certa, tá na hora de ir. Já to aliviado de ver que você tá bem. Mas vou ficar mais ainda se você se cuidar direitinho pra ficar 100% logo. – eu disse já me levantando.
— Obrigada pela conversa, Dean. Digamos que as enfermeiras não são de muita conversa. – ela riu e eu também. – Você vai vir amanhã?
— Claro, todos os dias. Agora já vou. Boa noite – Acenei e fui embora.
Era bom ver que ela estava bem. Mal podia esperar pra voltar no outro dia. Voltei pra casa com minha mãe e percebi como a May fazia falta naquela casa. Ela tem uma energia que faz o astral da casa melhorar mesmo nos piores dias. Por sorte, eu estava tão cansado, que não demorei muito pra dormir. Porém, estava tão ansioso pra poder visitar ela de novo, que acordei no meio da noite pensando em alguma coisa pra fazer os dias dela no hospital ficarem mais alegres. Pensei nas coisas que ela gosta e, obviamente, não tive como não pensar em flores. Era isso, ia levar uma flor pra ela, só precisava pensar em qual. Em meio a esses pensamentos, adormeci e certamente sonhei com flores.
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