Dean e May

16 Gincana - Parte 1


Notas iniciais
Demorei muito antes, mas agora tem maratona de capítulos!!! Espero que gostem :)

Pov. Rich

Estava INSUPORTÁVEL conviver com aqueles dois, tinha que me virar nos trinta pra passar tempo (igualmente) com eles e ainda me preocupar em não citar o nome do outro, enquanto estivesse com um. Parece até que estou narrando o drama daquelas personagens de filme que namoram duas pessoas ao mesmo tempo, mas não, é apenas a minha vida como ex-membro de um trio de melhores amigos, cujo os outros dois estão brigados e eu sou a única ponte que os interliga. A história é um pouco complicada de explicar, mas imagino que vocês já saibam, já que chegaram até aqui.

Mas, resumindo a situação, Dean foi um idiota e May está certa. Que foi? O Dean também é meu melhor amigo, mas é fato que quando um amigo diz que foi empurrado na piscina por outra pessoa, você simplesmente acredita, mesmo que a outra pessoa em questão seja sua (INCRIVELMENTE LINDA) namorada. Eu sei, talvez a situação seja um pouco mais difícil pra ele, porque se ele acredita em uma, perde a outra. Mas ainda assim, colocando na balança, entre perder uma namorada e perder sua melhor amiga de nascença (termo que acabei de criar), definitivamente a escolha certa é perder uma namorada. Mesmo que essa namorada seja Susan Valentine. E cá estou eu, novamente tentando fazê-lo entender isso, como bom amigo que sou.

— Fala sério, Rich! Você só tá falando isso, porque quem tá passando por isso sou eu. Duvido que se fosse você no meu lugar, você saberia exatamente a coisa certa a se fazer. — Ele disse, enquanto jogava a bola de basquete na cesta e acertava, de novo.

— Claro que sim, sempre é mais fácil criticar as pessoas quando elas não são a gente. Mas não é por causa disso que o que eu disse não é a verdade. — falei, enquanto eu tentava acertar a bola de basquete na cesta e errava, de novo. Não sei porque ainda insisto em tentar, como se milagrosamente eu fosse ganhar habilidades esportivas.

— É claro que eu não quero deixar de ser amigo da May, eu sinto saudades. Mas não tenho como acreditar que minha namorada seria capaz de ser tão má. Não é como se eu não confiasse na May, eu só acho que ela se enganou. Mas ela continua insistindo nisso, se ao menos ela pudesse esquecer isso... — ele sentou no chão da quadra e eu andei até ele.

— Não tem como ela esquecer, ela quase morreu. Faz sentido ela estar magoada, especialmente se ela realmente viu o que ela diz que viu. — eu respondi, em um tom mais sério. Ele olhou pra um ponto aleatório com olhar distraído e pareceu refletir por um tempo. — Bom, eu vou pra sala, daqui a pouco vão anunciar o início da gincana escolar. Te vejo lá? — perguntei, enquanto pegava meu casaco que estava no chão da quadra. Ele assentiu, mas continuou sentado. Então, saí em direção a sala e pensei sobre toda a situação.

Eu também não gostava de pensar que a Susan seria capaz de fazer algo tão grave, mas a May estava tão convicta de tudo que eu não tinha como não acreditar nela. Sem contar que eu mesmo presenciei a Sue não sendo muito legal, no dia que vi ela espalhar os boatos sobre o Dean e a May. Eu até cheguei a falar isso pro Dean, logo quando houve toda a briga, ele foi até falar com ela, mas ela disse que só fez isso porque estava com medo de perder ele, eles tiveram a maior briga, passaram uns dias sem se falar, mas logo estavam juntos de novo. No fim, acho que ele realmente gosta da Sue, sempre achei que fosse só pela beleza.

Assim que cheguei na minha sala, o professor avisou que a gente deveria ir para a quadra (que maravilha!), porque lá iriam anunciar os grupos para a gincana e como tudo funcionaria. Voltei para a quadra e agora todas as turmas estavam lá, do outro lado vi a May e o Dean junto com resto do pessoal do 8º ano, acenei pra eles que acenaram de volta e depois se olharam, abaixaram a mão e viraram o rosto na direção contrária. Eu não aguento mais isso.

O diretor subiu no pequeno palco que tinham colocado na quadra, ajustou o microfone na altura dele e começou a falar sobre como a gincana deste ano funcionaria. Ele disse que a divisão de grupos seria diferente das outras vezes, que ao invés de ser apenas sala contra sala, cada sala seria dividida em dois grupos, que seriam separados por ordem alfabética, pois queriam fazer algo mais grandioso e como a escola não tinha tantas turmas, a divisão possibilitaria mais provas e etc. Eu gostei da proposta, mas logo percebi que se é por ordem alfabética, a May e a Susan estariam no mesmo grupo, olhei para o pessoal do 8º ano e não encontrei a Sue, perguntei a um colega e ele disse que parece que ela nunca participa das gincanas, porque "não vai se submeter a essas atividades escolares que a ralé tem que passar pra conseguir pontos", aquela menina era a definição de metida, sorri de alívio por saber que seria uma briga a menos. E que talvez essa fosse a chance da May e do Dean se reconciliarem. Mas então, lembrei que eles não estavam no mesmo grupo e conhecendo os dois, já podia imaginar a guerra que essa gincana se tornaria.

Pov. May

Porque ele tinha que ser tão convencido? Já estava se declarando o vencedor da gincana sendo que ela nem tinha começado. Eu sei que nossa turma tem ganhado desde que entramos na escola, mas como ele pode ter tanta certeza que justamente a metade dele que tinha garantido a vitória nas últimas vezes? Tudo bem que o lado dele, além de ter ele que se destaca nas provas de agilidade e que envolvem algum esporte, também tem a Alex que sempre tira as melhores notas da sala. Mas ainda assim, nosso lado também tem potencial! Não quero me gabar, mas também sou muito boa nas provas de conhecimento e o Lucas também é atleta. Fora que as provas nunca se repetem, talvez esse ano as provas favoreçam nosso lado.

Cada equipe recebia uma cor, a minha recebeu laranja e resolvemos nos chamar "Orange Snakes", a equipe do Dean ganhou verde e (claramente copiando nossa equipe) resolveram se chamar "Green Dogs". Não é porque é meu time, mas o nosso nome é muito superior. O diretor anunciou a primeira prova e disse que seria na sala do 6º ano e que ia ser basicamente uma competição de castelos de carta, ou seja quem fizesse o maior castelo de cartas dentro de um período de tempo ganhava. Digamos que minha coordenação motora não é das melhores, especialmente quando estou nervosa, então nem chance de eu fazer essa prova. Escolhemos nossa representante pra essa prova e ela foi junto com todos os competidores das outras equipes.

Olhei para a equipe do Dean e, como eu já imaginava, ele não tinha ido pra essa prova, já que por mais que ele fosse bem com precisão, a ansiedade dele provavelmente estragaria tudo. Enquanto esperávamos a outra prova acabar, ficamos decidindo quem representaria nossa equipe nas outras provas, já que tínhamos acabado de receber a lista com todas as provas. Acabei sendo escolhida para três provas: o tabuleiro do conhecimento geral, o super quebra-cabeça e a caça ao tesouro (que iríamos eu e mais outras duas pessoas do grupo).

Não demorou muito tempo para que descobríssemos que quem ganhou a prova tinha sido o Rich! Sim, o próprio. Fiquei muito feliz, apesar de termos perdido, afinal é meu melhor amigo. Sabia que os anos tendo como hobby as brincadeiras mais esquisitas e demoradas iriam render algo pra ele no futuro. As outras provas foram sendo anunciadas simultaneamente, e logo chegou a prova do Dean que seria ali na quadra mesmo. Era uma corrida de obstáculos um tanto estranha, que além dos obstáculos para pular e passar por baixo, também tinham momentos do caminho com o chão escorregadio e outros em que caia talco no participante. A criatividade dos elaboradores esse ano estava nas alturas.

Depois das equipes do 6º e 7º ano era a vez do Dean, quem tivesse o menor tempo nessa corrida ganhava. O sinal de largada foi dado e como era esperado ele correu bem mais rápido que os outros concorrentes e apesar de ter caído na parte escorregadia (momento muito divertido pra mim), ainda assim teve um tempo menor. Ele terminou a corrida já comemorando, parecendo o Gasparzinho com todo aquele talco na cara, tive que conter um sorriso quando o vi correndo para abraçar os outros membros da equipe que fugiram dele para não ficarem todos sujos de talco.

Depois dele foi a vez do Lucas, que acabou não conseguindo um tempo tão bom quanto o anterior, assim como as equipes do 9º ano. A equipe do Dean fez a maior festa, até levantou ele como se ele fosse um rei, ele olhou pra mim dando um sorrisinho convencido e eu revirei os olhos. Como ele conseguia ser insuportável em competições. Mas eu não tinha me dado por vencida, ainda tinha muito "jogo" pela frente, ganharam a batalha e não a guerra. Vieram muitas provas após isso e perto da hora do almoço o resultado estava bem acirrado.

A equipe do Dean estava na frente por um ponto, enquanto em segundo lugar estavam a equipe do Rich e a do Bomba que é do nono ano. Minha equipe estava em terceiro lugar, dois pontos abaixo do primeiro lugar. Mas a última prova antes da hora do almoço era o tabuleiro do conhecimento e eu estava confiante. Os integrantes do meu grupo me rodearam e me desejaram sorte, eu adorava esse clima de trabalho em equipe que as gincanas tinham, era um dos únicos momentos do ano em que a minha turma parecia perceber que eu existia e não só isso, mas também confiavam no meu potencial para ganhar algo e isso era ótimo.

Entrei na sala junto com os outros competidores e não demorou muito para que a prova começasse. Ganhar da Alex era uma tarefa difícil, mas não impossível. O tabuleiro não era só uma prova de conhecimento em si, mas também de sorte, já que escolhíamos um número que iria definir qual seria a pergunta. Se viesse uma pergunta mais fácil, seria vantajoso para nós. E parece que a sorte estava ao meu favor, porque depois de responder uma pergunta sobre qual era o maior país do mundo, eu ganhei! Saí correndo da sala e abracei os meus companheiros de equipe, foi a maior festa e fazia um bom tempo que eu não ficava tão feliz.

O diretor anunciou a pausa para o almoço e todo mundo já correu pro refeitório. Resolvi parar para beber água antes de ir almoçar, toda aquela correria tinha me deixado com sede. Quando estava enchendo minha garrafinha percebi que alguém tinha se aproximado. Olhei para trás e percebi que era o Dean, também segurando uma garrafa de água.

— Oi — ele disse, um pouco hesitante.

— Oi — respondi voltando a olhar pra minha garrafa.

— Parabéns pela vitória lá no tabuleiro. Disseram que você nem chegou a sair do primeiro lugar. — Ele disse e eu voltei a olhar pra ele, surpresa.

— Ah, obrigada. — respondi, esboçando um sorriso — Parabéns também pela prova da corrida.

— Valeu, foi difícil, mas é um esforço que vai valer a pena quando a gente ganhar. — ele disse com o mesmo sorriso convencido de sempre.

— Não tenha tanta certeza da vitória, ainda temos muitas provas pra fazer. — eu respondi.

— E a gente vai ganhar todas elas. — ele continuou se gabando e eu já senti minha raiva subir, às vezes posso ser bem competitiva e nessas ocasiões é fácil me tirar do sério.

— Não vem com essa de "ah, é uma pena pra vocês que eu vou ganhar", você sempre faz isso, subestima qualquer um que vai contra você como se... — fui interrompida por ele.

— May... — ele disse e aí sim eu já estava vermelha de raiva.

— Agora ainda vai me interromper?! — eu falei, furiosa.

— Não, May, sua garrafa — ele apontou pra minha garrafa e eu percebi que ela já estava transbordando e fazendo uma poça de água no chão.

— Ai meu Deus! — desliguei o bebedouro imediatamente e fechei minha garrafa. Olhei pra ele envergonhada e ele pareceu segurar o riso. Revirei os olhos e fui procurar o Charlie para avisar que agora o chão do corredor estava ensopado. Fala sério, no momento em que eu ia dar uma lição nele acontece isso.

Depois do período do almoço, começaram as provas da tarde. Tudo ainda muito acirrado, provavelmente a gincana seria decidida na caça ao tesouro que seria lá pro final da tarde e daria 2 pontos a equipe que conseguisse ganhar, então poderia facilmente mudar o jogo. Algumas provas foram acontecendo até que chegou a hora do quebra-cabeça, que eu iria participar. Nos mandaram para a nossa sala (a do 8º ano) e então percebi que dentre as duas pessoas na outra equipe do 8º ano estava o Dean. Agora era questão de honra ganhar essa prova.

A prova consistia, basicamente, em montar um quebra-cabeça gigante (que tem umas 10 peças mais ou menos), a maior dificuldade é que essas peças estariam misturadas junto com as peças dos outros 8 quebra cabeças (já que cada equipe teria que montar um diferente), então todo mundo teria que procurar suas peças em meio as outras. Pra não causar confusão, cada equipe tem a foto de como deve ser seu quebra-cabeça e quem terminar primeiro, ganha a prova.

O professor que estava responsável por aquela sala anunciou que a prova poderia começar e então eu corri para a pilha de peças de quebra-cabeça que tinham formado no meio da sala. A Vickie que era minha dupla naquela prova, rapidamente encontrou nossa primeira peça, eu continuei vasculhando até que também encontrei uma e a levei até o lugar em que estávamos montando. Assim a prova correu por alguns minutos, Dean e sua dupla pareciam também estar bem avançados, as vezes eu olhava pra ele, só pra ver o avanço da equipe e percebia como ele estava focado, eu tinha que me esforçar ainda mais se quero ganhar.

Comecei a procurar mais rápido e por um momento eu nem prestei mais atenção no que estava ao meu redor, até que embaixo de outra peça vi uma que eu tinha certeza de que era nossa, quando fui pegar a peça, percebi que outra mão tinha chegado mais rápido e agora se encontrava exatamente abaixo da minha. Levantei o rosto rapidamente pra ver quem era, já preparada pra brigar pela peça. E era ele, o Dean. Meu rosto enrubesceu imediatamente, olhei pra nossas mãos e tirei a minha de cima da dele na mesma hora. Ele me olhou um pouco confuso, mas quando vi ele pegar a peça, protestei.

— Ei! Essa peça é minha. — resmunguei, ainda sentindo meu rosto esquentando.

— Não é não — ele disse e apontou pra foto deles. E eu percebi que realmente, tinha passado por todo esse mico revelador, pra nada. Tentei esquecer aquilo e voltei a procurar as últimas duas peças que faltavam, até perceber que nesse meio tempo a Vickie já tinha encontrado uma delas e agora só faltava uma. Tínhamos muita chance de ganhar, eu procurei por tudo quanto é canto até que finalmente, encontrei a peça que faltava! Corri pra levar até nosso posto e já comecei a pular em comemoração. Empatamos! Estávamos finalmente empatados com o Dea... com a equipe do Dean e tínhamos grande chances de empatar. Saí da sala radiante, olhei de vislumbre pro Dean e pela primeira vez no dia vi que ele não estava tão confiante assim, talvez ele tenha percebido o nosso potencial.

Em alguns minutos seria a caça ao tesouro e eu também faria essa prova. Tudo estaria perfeito se não fosse por aquele momento vergonhoso na prova do quebra-cabeça. Quando cheguei na quadra, olhei novamente pro Dean que estava sentado na arquibancada olhando para algum canto, ele parecia pensativo, de repente senti um frio na barriga, será que ele tinha percebido?

Continua...

Notas finais
Mais um capítulo pra vocêees! E aí? O que acharam? Não esqueçam de deixar comentários, vou ler e responder todos! Até o próximo capítulooo