Notas iniciais
Atrasadas de novo! Sério, mil desculpas pela demora, mas aqui está mais um capítulo. Obrigada pelos comentários e eu prometo que vou responder todos o mais rápido possível. Espero que gostem e só um aviso: SE PREPAREM PARA O PLOT TWIST

Yuri Plisetsky odiava dias de chuva. Odiava como o céu ficava cinza, os raios, e principalmente o fato de que não tinha trazido um guarda-chuva. Provavelmente chegaria encharcado em casa e teria que ouvir sua mãe reclamar e dizer que ele ia acabar ficando doente. A verdade é que ninguém estava esperando por essa tempestade. Quando saiu da escola o clima estava bem quente, nenhum sinal de nuvens e depois que saiu do apartamento de Yuri e Isabella, tudo mudou e só deu tempo de chegar a livraria antes que um forte temporal atingisse a cidade.

Tinha terminado de descarregar os caminhões com encomendas e agora estava no balcão, observando a movimentação da rua pela vitrine. Em dias assim o movimento costumava ser fraco, talvez Yakov o deixasse sair mais cedo. Tirou sua revista da mochila e se ocupou em ler uma matéria sobre quem venceria uma luta entre vampiros e lobisomens. Estava tão concentrado que não percebeu uma figura conhecida adentrar no estabelecimento, alguém que ele não esperava rever nem tão cedo.

Otabek ficou aliviado ao notar que não havia tantas pessoas no ambiente. Aproveitou para tirar os seus fones de maneira discreta e logo em seguida seu olhar recaiu sobre Yurio. O menino parecia muito focado na leitura que fazia.

“Isso é tão idiota! Claro que vampiros dariam uma surra em lobisomens. ”

Não conseguiu conter um pequeno sorriso. Aquele garoto era realmente estranho com toda aquela fissura em seres sobrenaturais. Gostou da conversa que tiveram da última vez, tudo bem que teve que fingir ter lido todos aqueles livros sobre vampiros, mas Yurio era tão enérgico e imprevisível e por alguma razão era extremamente fácil conversar com ele, sentiu como se estivesse falando com um amigo de infância.

Se aproximou do balcão e não demorou muito para que o outro notasse a sua presença.

“O que ele está fazendo aqui? ”

— Oi. — Otabek cumprimentou. — O movimento está fraco hoje?

— É por causa da chuva. — Ele respondeu.

“Que tipo de conversa estranha é essa? ”

— Desculpe, acho que não sou muito bom em começar um diálogo.

— Não, tudo bem. — Yurio se apressou em dizer. — Estou surpreso de te ver aqui.

— Na verdade, eu resolvi passar porque queria te ver.

“O que ele acabou de dizer? ”

— Da última vez você falou que tinha mais livros para me mostrar. — Otabek acrescentou logo em seguida.

— Ah, é isso. Chegaram alguns novos, se você quiser...

— Seria ótimo.

Yurio indicou a seção onde tinham conversado da última vez e começou a procurar alguns livros nas prateleiras.

— Esse chegou hoje, mas eu já tinha lido na internet. — Ele falou pegando um que tinha uma capa preta e um desenho de um homem em uma sacada. — Fala sobre como seria a vida de vampiros no mundo atual.

— Você gostou?

— É bem interessante. O autor tem essa ideia de que vampiros vivem entre os humanos e que até ocupam posições importantes na sociedade sem serem descobertos.

Otabek não pôde deixar de notar o quanto os olhos do menino brilhavam ao falar sobre o assunto.

— Yuri. — Ele chamou. — Você não acredita realmente nisso, não é?

— Não. — Respondeu sem encará-lo.

“Ele com certeza vai me julgar se eu disser que sim”

— Tem certeza? — Insistiu.

— Eu não ficaria surpreso se eles realmente existissem. — Falou por fim. Quem se importa com o que esse cara acha? Se quiser me chamar de louco fique à vontade. — Para mim é muita ingenuidade achar que sabemos tudo sobre o mundo. Existe tanta coisa que não conhecemos, quem garante que não existem vampiros por aí levando uma vida normal? Talvez sejam médicos, atores, ou até o presidente, nunca vamos saber.

Otabek não estava gostando do rumo que essa conversa tinha tomado. Quando fez aquela pergunta tinha esperança de que fosse receber uma negativa, mas pelo visto as coisas não eram exatamente como ele esperava. Tinha que descobrir o quanto Yurio realmente sabia sobre o seu mundo, e a ideia de que talvez ele soubesse demais o preocupava.

— Você já teve alguma evidência? — Questionou e tinha que admitir que estava com medo da resposta.

— Não, mas já li muitos relatos de pessoas que dizem ter conhecido vampiros. Um homem na Rússia contou como conseguiu matar um usando apenas sal.

— Não devia acreditar em tudo que vê por aí. — Estava aliviado por ele não ter nenhuma prova concreta.

— Se vai ficar me julgando pode ir embora, não preciso de mais uma pessoa me chamando de esquisito.

“Achei que esse idiota fosse diferente. ”

Por alguma razão, ouvir aquele pensamento fez com que Otabek quisesse se redimir. Não tinha a intenção de criticá-lo pelas coisas em que acreditava, ainda mais considerando que ele tinha razão. Só precisava ter certeza de que Yurio não sabia mais do que deveria.

Flashback:

Viktor sabia que o que tinha feito era perigoso. Enquanto ia para a reunião dos clãs, não conseguia parar de pensar no que os outros vampiros diriam se soubessem. As regras sempre foram de extrema importância para preservar a existência de sua raça e aqui estava ele, descumprindo uma das mais importantes. Todos sabiam que quando um humano era mordido, se não fosse uma posse ou estivesse em processo para ser transformado, deveria ser morto para não se correr o risco de ele relatar a alguém o ocorrido. Essa foi uma norma que durante anos serviu como forma de manter em segredo a existência dos vampiros. Viktor, como líder de um dos clãs, tinha a obrigação de garantir que todos estivessem seguindo as regras, era irônico que ele mesmo as estivesse descumprindo.

No entanto, tinha que admitir que suas opções não eram muito boas. Não ia matar Yuri, já tinha tomado essa decisão antes mesmo de mordê-lo, não conseguiria tirar a vida daquele que conseguira despertar sentimentos nele depois de tanto tempo. Também não iria clamar sua posse. Em todos esses séculos que viveu depois de sua transformação, sempre se recusou a obter uma posse, era algo muito...definitivo. Aquela pessoa estaria ligada a você pelo tempo que vivesse e por mais que a vida humana fosse curta, ainda assim era um período considerável. Geralmente esse artifício era utilizado quando um vampiro se apaixonava por um mortal, ele podia revelar a verdade sobre a sua natureza desde que assumisse total responsabilidade por aquele indivíduo. Se formos pensar em termos mundanos é algo que se assemelha muito a um casamento, mas diferente de uma união entre humanos, para essa relação não existe divórcio. O vínculo criado só será quebrado com a morte de uma das partes, enquanto isso, cabe ao vampiro a obrigação de proteger aquela pessoa e garantir que ela não revele o segredo para ninguém. Expondo dessa forma talvez pareça até algo bonito, mas a verdade é que nem toda posse escolheu estar nessa posição. Uma prática muito comum entre a nobreza é utilizar essa relação para escravizar mortais, eles os obrigam a fazer o pacto e se tornam seus donos sem que se tenha a liberdade de escolha. Viktor sempre repudiou essa atitude, mas sabia que mesmo sendo ilegal, ninguém estava disposto a confrontar os grandes líderes de clãs e puni-los por suas condutas.

Resumindo, estava sem opções de como proceder. Precisava ficar de olho em Yuri e como não podia fazer isso com tantos compromissos, mesmo não gostando da ideia, teve que mandar alguns vampiros para o vigiarem. A decisão que tomou era apenas uma tentativa de resolver aquele problema por um tempo, pelo até que pensasse em algo melhor. Seu celular começou a tocar, retirando-o de seus devaneios.

— Você tem alguma novidade para mim? — Questionou. Estava preocupado que Yuri começasse a desconfiar de algo, mas não tinha como ele associar aquela marca em seu pescoço a vampiros. Humanos costumavam ser bastante descrentes em relação ao sobrenatural, então provavelmente nada do tipo passaria pela sua cabeça, pelo menos era o que ele esperava.

— O loirinho sabe demais. Algo precisa ser feito já.

Aquilo ia ser complicado. O carro parou, indicando que tinham chegado até o local da reunião e quando olhou para o lado, notou que Otabek o encarava com uma expressão séria. Sabia que seu amigo tinha alguma coisa com aquele garoto, mas não podia fazer nada, se ele realmente sabia demais teriam que resolver isso.

— Tudo bem, vou dar um jeito. — Viktor respondeu sem demonstrar nenhum tipo de emoção.

Assim que desligou o telefone, seu olhar encontrou o de Otabek e ele viu que apesar da expressão séria, o outro estava preocupado com o que acabara de ouvir.

— Yurio não sabe de nada. — Tentou argumentar.

— Como pode ter tanta certeza? — Queria acreditar nas palavras de seu amigo, a ideia de matar aquele menino não lhe agradava nem um pouco.

— Já conversamos. Ele apenas gosta de histórias de vampiros, não significa que saiba sobre nós.

— Nunca imaginei que um dia veria você preocupado com um humano. — JJ comentou. — Ele deve ser muito bom de cama. Espera, isso não é ilegal? Ele dever ter uns quinze anos ou algo do tipo.

— Por favor, cale a boca. — Otabek tinha um olhar assassino. — Eu estou dizendo a verdade, Viktor, não precisa matá-lo. Isso é uma decisão totalmente precipitada.

— Eu não quero fazer isso, mas sabe que as regras...

— Você devia estar muito preocupado com as regras quando mordeu seu novo brinquedinho e deixou que ele vivesse. — Seu tom era de puro escárnio e fez com que Viktor parasse para avaliar o que tinha sido dito.

Sabia que estava sendo hipócrita. Tinha consciência de que o que havia feito era errado, mas por alguma razão sentia que não seria capaz de pensar como o líder do clã quando se tratava de Yuri. Ele não conseguia sequer pensar na ideia de perde-lo e de repente, passou pela sua mente que talvez Otabek estivesse sentindo o mesmo em relação ao garoto loiro.

Um silêncio se estabeleceu dentro do automóvel. O clima ficou pesado e os dois se encaravam sem proferir nenhuma palavra.

— Você não devia falar assim... — JJ começou a dizer, mas logo foi interrompido por Viktor.

— Tudo bem. — Suspirou. — Acredito em você, mas vou precisar que fiquem de olho nele. É uma questão de segurança.

— Eu mesmo posso fazer isso. — Afirmou. Havia algo ali. Era como um sentimento de proteção que nem ele mesmo era capaz de compreender.

— Não estou tentando te provocar. Somos amigos a décadas e eu o considero muito, mas tem que cogitar a possibilidade de que talvez esteja errado sobre isso. — O tom de voz de Viktor era tranquilo, ele estendeu a mão para tocar no ombro de seu colega de banda. — Sabe que não vai ter opção se ele realmente souber da verdade.

Otabek permaneceu em silêncio por alguns segundos. Não queria pensar nessa hipótese. Yurio não devia significar nada para ele, mas o mero pensamento de sua morte fazia com que um nó se formasse em sua garganta. Por que esses sentimentos estranhos vinham o atingindo?

— Eu sou leal ao clã. — Declarou por fim. — Se isso acontecer, vou fazer o que tiver que ser feito.

As lembranças dessa manhã voltaram a sua mente e ele tentou afastá-las. Não desejava que nada de mau acontecesse ao menino a sua frente e ficou mais tranquilo ao perceber que estava certo, ele realmente não desconfiava de nada.

Yurio o encarou como se estivesse esperando uma resposta e só então Otabek notou que tinha ficado em silêncio por algum tempo.

— Não era a minha intenção. — Admitiu. — Para ser sincero, eu acho que você está certo quando diz que a humanidade ainda não foi capaz de descobrir tudo sobre o mundo em que vive. Peço desculpa se o ofendi de alguma forma.

“Talvez nem tão idiota”

— Nunca iria julgá-lo pelas suas crenças, Yuri. — Continuou.

— Tudo bem. Esquece isso. — Ele parecia um pouco envergonhado. — Quer que eu te mostre mais alguns livros?

— Claro.

Enquanto Yurio procurava os títulos nas prateleiras, Otabek acabou escutando algo que o deixou sem reação.

“Ele bem que podia me chamar para sair. ”

— O que? — Sussurrou.

— Disse alguma coisa? — O garoto se virou com uma expressão confusa.

— Não. Nada. — Tentou disfarçar.

“Como eu achava JJ bonito tendo esse homem do lado? ”

Um dos problemas de ler mentes é que as vezes você acaba se colocando em situações extremamente constrangedoras, como estava acontecendo agora. Não esperava que Yurio pensasse essas coisas sobre ele, mas tinha que admitir que ficou feliz com aquilo. A verdade é que queria convidá-lo para sair, e agora que sabia que o sentimento era recíproco, por que não tentar?

— Que horas termina o seu expediente? — Questionou.

— Geralmente as sete, mas como hoje tem pouco movimento talvez eu possa sair mais cedo. —Disse estranhando a pergunta repentina.

— Tem um café aqui perto e eu pensei que talvez pudéssemos ir juntos.

Otabek viu a surpresa passar pelo rosto do menino para logo depois sua máscara de indiferença retornar.

— Tudo bem. Pode ser. —Falou como se não fosse nada demais.

“Ainda bem! Achei que ia ter que tatuar na minha testa que tava interessado. ”

Talvez ler mentes não fosse tão ruim. Os pensamentos de Yuri Plisetsky eram realmente muito interessantes.

(...)

A chuva não iria dar trégua nem tão cedo, a cada minuto que passava só engrossava cada vez mais. Porém, Yuri não conseguia aguentar, ele precisava deixar aquele apartamento pelo menos por um tempo. Tentava em sua cabeça encontrar um motivo razoável para sair, mesmo com aquela tempestade do lado de fora. Ele estava começando a ficar com fome, talvez pudesse ir comprar alguma coisa em uma padaria próxima. Parecia ótimo, agora já tinha uma razão para querer sair de casa e não levar uma bronca de Isabella.

Ao pensar na garota, lembrou que a mesma tinha comentado sobre uma padaria nova que havia aberto, aparentemente utilizava o padrão francês e estava fazendo muito sucesso. Talvez fosse o momento perfeito para Yuri checar se o lugar era realmente tão bom quanto todos diziam.

Respirou fundo e contou até três, levantando em um pulo da cama. Ele tinha ficado um tanto preguiçoso depois da bebedeira da noite passada, nunca tinha ficado assim por conta de bebida antes, mas talvez fosse só seu corpo reagindo aquela quantidade de vinho, nada que precisasse se importar.

Pegou seu casaco no canto do quarto e dirigiu-se até a sala onde colocou seus sapatos, não esquecendo de pegar a sombrinha, já basta a moleza que estava, não precisava de uma gripe de brinde.

Cruzou o corredor, percebendo que a vizinha novata também estava trancando a porta para sair. Pensou em cumprimentá-la mas lembrou de como Yurio a tratou bem hoje mais cedo, será que ela era do tipo rancorosa? Melhor não falar nada, vai que ela não está em um bom humor para complementar.

A garota o seguiu até o elevador e ele não pôde deixar de reparar no perfume que ela usava, era realmente muito bom. Os dois entraram no elevador e em uma olhada um pouco tímida, Yuri tentou ter uma visão da vizinha. Ela era linda. Cabelos negros, pele bronzeada e olhos marcantes que tinham uma tonalidade vermelha, ele estava tão hipnotizado por tamanha beleza que não se indagou pela cor estranha nos olhos dela.

Quando chegaram ao térreo, apenas observou a mulher sair e ir falar com o porteiro, que separava algumas correspondências. Yuri logo acordou do transe e fez o seu caminho para fora do lugar com as bochechas levemente coradas.

Abriu o seu guarda-chuva e começou a caminhar em passos lentos. A padaria ficava a três quadras dali, e como estava de folga do trabalho não tinha pressa nenhuma, quis apreciar um pouco da calmaria que os dias de chuva proporcionavam.

Ele não sabia direito para onde estava indo, pegou seu celular e abriu o histórico de mensagens com Isabella. Começou a procurar a foto do endereço do lugar, que ela havia mandado algum dia na semana passada.

Enquanto se afastava de seu bairro, percebia que uma movimentação estranha na rua estava acontecendo. Geralmente as pessoas não saem em dias chuvosos, mas ele conseguia ver um grande grupo reunido, todos se dirigindo ao mesmo lugar.

Talvez fosse a inauguração de um lugar novo, e por um momento pensou que talvez pudesse ser a tão famosa padaria. Todas as pessoas se vestiam de modo comum, o que chamava mais a atenção de Yuri, ele queria ir ver se essa padaria era tão boa que era capaz de fazer tanta gente sair de casa em um dia chuvoso.

Esperou um casal atravessar a rua e começou a segui-los, tentando parecer o mais descontraído possível. Para sua sorte, eles pareciam rumar exatamente para o lugar onde todas aquelas pessoas estavam se dirigindo.

Andar sem rumo não parecia uma opção muito agradável, porém, com sorte ele poderia chegar no lugar que procurava, já que sua internet não o ajudava muito.

O casal entrou em um bairro que ele nunca tinha visitado antes, será que já estava tão distante assim de casa?

Ele continuou andando em uma avenida e percebeu que as pessoas estavam entrando em um estabelecimento a esquerda. Ele observou as outras lojas que estavam cheias de pessoas também, pelo visto esse bairro não permitia que a chuva afetasse o seu dia-a-dia.

Enquanto passava por um pequeno café, encontrou um par de olhos familiares. Era um dos sócios do hotel da família, Chris. Como já sabia onde esse misterioso “lugar” ficava fez uma parada e acenou para o rapaz do vidro, mantendo um sorriso amigável.

Ele era um grande amigo de seu pai, o conhecia faz muitos anos. Era sempre gentil, educado, só as vezes tinha umas conversas estranhas. Sua avó tinha contado que ele morou um tempo na casa com eles, o pai de Yuri havia o encontrado sem dinheiro e espancando por alguns vândalos, ele teve uma perda de memória temporária e não tinha para onde ir. Com o tempo lembrou-se onde morava e pôde finalmente retornar ao seu lar, mas manteve a amizade e posteriormente virou um dos sócios da rede de hotéis.

Estava feliz por encontrá-lo ali, contudo, quando o outro percebeu sua presença um olhar de pânico tomou seu rosto. Será que alguma coisa tinha acontecido?

Com uma velocidade impressionante, ele saiu de sua mesa e foi até o garoto que estava parado do lado de fora, como se ele corresse perigo.

— O que foi? Não está feliz em me ver? — Yuri indagou confuso.

— Não, claro que não, Yuu.. — Disse, como se quisesse disfarçar o desespero que sentia por dentro. — Como você chegou aqui? Não devia estar em casa?

— É só uma chuvinha de nada, Chris. — Riu, pendendo a cabeça levemente para o lado. — Você parece tenso.... Está tudo bem?

— Claro, Yuu.. — Deixou um sorriso doce escapar enquanto observava o garoto. A expressão foi logo quebrada pela visão da mordida no pescoço de Yuri. — O que é isso? — Levou seus dedos até o local, analisando a marca.

— N..Nada. — Respondeu sem jeito, tentando esconder seu rosto. — Uma noite muito louca.

A expressão de Chris continuou séria e ele agarrou o outro pelo pulso, o arrastando para dentro de um beco escuro que ficava ao lado do café. Era possível escutar uma música alta abafada pelas paredes do que parecia ser um lounge. Por que eles estavam ali? Aquilo não fazia o menor sentido para Yuri.

—Com o que você anda brincando? Você sabe quão séria é essa situação?

— Chris, eu só estava indo para padaria... — Antes que pudesse finalizar foi interrompido.

— Estou falando da mordida, você sabe que vampiros não mordem e deixam as pessoas vivas, você está tentando se matar? Como seu pai vai ficar se perder você?

— Que história é essa? — Riu, mesmo que de um modo nervoso. — Está andando muito com Yurio?

— Yuri, isso é uma situação séria. Você está tentando se matar? Eu não vou deixar isso acontecer.

— É claro que não! Isso foi só um chupão.

— Não está me convencendo! Você aparece com uma mordida de vampiro e agora está perambulando em um bairro habitado por eles.

— Vampiros não existem, Chris! Pare, você está me assustando. — Respondeu, tentando puxar seu pulso.

Fez esforço para se soltar sem sucesso, aquela situação já estava fora de controle. É claro que essas criaturas não existiam, era tudo folclore inventado para colocar medo nas crianças. Iria abrir sua boca para falar outra coisa, mas nada saiu quando percebeu que os olhos de Chris assumiram uma tonalidade muito forte de vermelho.

Sentiu seu coração falhar por um momento, o que estaria acontecendo?

— Olha, se não é o velho Chris. —Uma voz rouca disse. Um homem nos seus 30 anos começou a andar até os dois junto com uma moça rechonchuda e outro rapaz mais velho. — Trouxe alguém para a gente se divertir?

— Esse aqui é meu. — Ajeitou sua postura, ainda sim segurando Yuri com força pelo pulso. — E você sabe como eu odeio dividir. — Deu um pequeno sorriso, soltando sua mão, mas envolvendo o rapaz com seus braços.

—Ah, que pena. — A moça disse. — Por que não entra com a gente, vamos adorar conhecer a sua nova posse.

— Claro.

Yuri estava em estado de choque, os olhos de Chris realmente tinham se transformado em um tom de vermelho? Isso não é possível, nenhum humano era capaz de fazer isso. As informações começavam a se encaixar em sua cabeça enquanto ele era arrastado para dentro.

A sua vizinha, Viktor, Otabek. No que ele havia se metido?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.