Deadly Night Shade
1 Capítulo único
Notas iniciais
“Entenda Cindy, meu trabalho não é bonito, mas é necessário...Alguém tem que fazer o trabalho sujo.” O homem virou seu shot de tequila e balançou a cabeça. Cindy parou de limpar o balcão para lhe servir mais um e então se debruçou para chegar mais perto dele.
“Ainda assim eu não entendo senhor D, você não se sente mal em levar tantas vidas?”
“Bom, é o que eu faço… não sou eu quem escolho quem vai e quem fica, eu apenas as levo.” Ele disse virando o segundo shot em seguida.
“Você tem uma lista? Algo do tipo?”
“Sim.”
“Eu posso ver?”
“Não.”
“Oras porque?”
“Nenhum ser humano deve saber o dia de sua morte. É uma regra. Não posso quebrá-la.”
“Não é pra isso que as regras foram feitas?”
“Não as minhas.”
“O que temos para hoje?” pensou alto enquanto retirava um caderninho do bolso e olhava uma lista que parecia infinita, com nomes e suas respectivas datas e horas, estalou os dedos sem tirar os olhos do caderno e em questão de segundos estava no hospital “Senhor Andrew Miles…” falou enquanto caminhava a procura do quarto correto, parou em frente ao 201, e estalou os dedos novamente, agora usava um jaleco, pegou a ficha na porta e entrou no quarto.
“Doutor?” o homem deitado na cama perguntou ao vê-lo entrar.
“Olá Andrew, como se sente nessa manhã.”
“Eu estou melhor, bem melhor.”
“É mesmo, Andrew você sabe o que isso geralmente significa em quadros como o seu não?”
“Que irei receber alta?”
“Quase isso Andrew… Quase isso... Sua família veio visitá-lo?”
“Minha filha… ela… não nos falávamos a anos, ela veio ontem, conversamos nos perdoamos.”
“Então não deixou nada pendente?” Ele se aproximou mais de Andrew e tocou sua mão.
“Não, acredito que não.”
“Fico feliz, Andrew, de verdade.” Segurou mais forte a mão do homem, rapidamente seus batimentos cardíacos foram diminuindo até se tornarem inexistentes, as máquinas passaram a apitar incessantemente ele saiu da sala antes que a primeira enfermeira entrasse no quarto.
“Entenda Cindy, eu gosto de hospitais, as pessoas vão até lá para se curar e não sabem que passo bastante tempo ali, mais do que elas gostariam.”
“E os médicos? Você gosta deles? Quer dizer, eles atrapalham seu trabalho.”
“Cindy, entenda uma coisa, todo mundo vai morrer. Ninguém atrapalha meu trabalho, ninguém escapa por entre meus dedos, se você não morre numa situação de quase morte não significa que escapou de mim, apenas não era sua hora.”
“Okay, não precisa se exaltar.” Ela disse rindo enquanto enchia uma caneca de cerveja e entregava a ele.
“Suzie… humm esses casos são sempre os piores.” Guardou o caderno no bolso e caminhou em direção ao parquinho, estalou os dedos e logo era um vendedor de balões, as crianças brincavam alheias a ele com exceção de uma, ela o olhava fixamente, ele acenou e a chamou, ela tinha 3 anos, levantou da caixa de areia e correu, atravessou sem olhar para os dois lados da rua e um carro a pegou, em cheio, ele viu o corpinho voar e cair num baque surdo, desapareceu tão rápido quanto chegou, deixando para trás a balburdia que um acidente fatal costuma causar.
“Sabe qual o maior erro dos seres humanos Cindy?”
“Não, mas sei que vai me contar senhor D.”
“Vocês acham que tudo é eterno, acham que seu planeta é eterno, que sua água é eterna, que seus recursos são eternos que suas vidas são eternas. Ninguém olha para uma menina de 3 anos e pensa que ela vai morrer, mas ela vai, talvez não agora, mas um dia todos morrem.”
“E você senhor D? É eterno?”
“Nada é eterno, só quem faz minha lista. Eu acabo junto com essa terra.”
“Eu jurava que a morte era algo mais feio, cadavérico que ficava em cemitérios.”
“Não existe nada para mim em cemitérios.” Ele disse terminando sua cerveja. “No cemitério estão os mortos, eu levo apenas os vivos. Onde há vida há morte, eu estou nos bares Cindy, nas escolas, nas festas, eu estou com os vivos até que eles não estejam mais aqui.”
“Senhor D, você sempre está por aqui, e nunca mentiu sobre quem era, por quê?”
“Eu gosto de você Cindy, é uma ótima barista, as vezes a morte se sente solitária, além do mais a cerveja é ótima.” Ele puxou um cigarro do bolso e o acendeu. “Tenho que ir Cindy.” disse virando o resto da cerveja “A morte não se atrasa.” E saiu gargalhando do bar.
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