Deadly Games
15 Suposições
Notas iniciais
POV- Bianca
Estava sentada na cama da Hazel, o quarto dela era bonitinho, mas era uma zona e ela quase nunca ficava no mesmo, nem entendia por que ela o tinha. Hazel abriu a porta visivelmente exausta, mas sorriu assim que me viu.
— Se machucou? — Perguntei me referindo ao incidente de mais cedo.
— Eu tive que me machucar para ninguém estranhar. — Ela disse e eu assenti enquanto a via jogar a mochila no chão e ir em direção ao armário.
— Arrumar o quarto...
— Você não a matou. — Hazel disse tirando blusa de frio apenas ficando com uma branca e sua calça.
— Nico está dando PT. — Disse me encostando na parede.
— Acho que se contasse a ele sobre...
— Não vou falar Hazel, isso é algo que não está em questão. — Disse bufando.
— Bianca você me entregou minha blusa queimada isso significa que você precisou usar o escudo, vocês brigaram e sabe que ele ganharia.- Ela se irritou e agora possuía a mão na cintura.
— Amanhã ela morre Hazel e tudo vai voltar ao normal, Nico vai ficar putinho por causa que eu me envolvi em sua missão, mas ele supera. — Disse e ela assentiu e respirou fundo.
— Hazel o Frank está aqui! — Ouvi a mãe dela gritar no andar inferior.
— Pode subir. — Ela gritou sem abrir a porta e foi até a mesa pegando um livro ali em cima.
— Oi amor eu...- Ele se interrompeu. — Desculpa eu não sabia que estava com visita.
Ele tinha um sorriso meigo e a Hazel riu fraco e foi até ele.
— É só minha irmã. — Ela disse e eu acenei para ele.
— A garota nova né, da aula das janelas.- Ótima definição da aula.
— Eu mesma. — Disse e ele assentiu e pegou o livro e logo em seguida deu um beijo na minha irmã e se despediu seguindo seu caminho.
— Gosta mesmo dele? — disse e ela assentiu e se sentou na cama.- Já pensou em contar a verdade?
— Nunca, ele é caçador, se descobrisse...- Ela deixou a frase morrer no ar, seus olhos não tinham foco, pareciam distantes.
Ficamos um tempo em silêncio quando ela finalmente respirou fundo e disse.
— Mas o foco é o Nico, temos que garantir que a garota morra, como o pai não viu que ela batia com a maldição?
— Ele não gosta da garota por ela ser um trabalho não resolvido, não pensou antes de mandar o Nico para cá. — Disse respirando fundo.
Se a maldição se concretizasse seria o caos em terra, Nico não sabe nem metade do que ele é capaz, se por acaso ela for mesmo o que vai leva-lo a fazer com que isso aconteça, eu não suportaria ver ele sendo dominado.
POV- Frank
Respirei fundo e sai da casa da Hazel, ela estava no mínimo estranha desde que os irmãos dela apareceram na cidade. Entrei em casa e fui direto para o meu quarto, minha casa era pequena, além do meu quarto tinha apenas do meu pai. Olhar a cama da minha irmã sempre era complicado, principalmente no início, quando meu pai resolveu se afundar no trabalho e ela era a única que me apoiava e depois que ela escolheu o lado dela, depois que descobrimos o que realmente tinha acontecido dormir era uma tarefa difícil sabendo que eu tinha virado inimigo dela.
Não estava afim de fazer dever de casa, o clima tinha sido tenso o suficiente para encher minha cabeça de merda. Peguei um caderno e comecei a rabiscar coisas sobre a profecia, possíveis interpretações, mas o que mais me incomodava era a palavra traições, estava no plural, logo seria mais de uma, ou apenas modo de falar?
Meu corpo estremecia só de pensar na hipótese, mas o fato da Hazel está estranha, será que? Respirei fundo e joguei meu corpo para trais fechando os olhos. Isso estava mesmo passando pela minha cabeça? Eu tinha traído minha família escolhendo o lado dos Jackson, será que a Hazel faria o mesmo, ou escolheria os irmãos ausentes?
— Filho? — Meu pai chamou logo depois de eu ouvir a porta sendo aberta.
— No quarto! — Disse e logo ouvi seus passos se aproximando.
— Dever de casa? — Ele perguntou e eu neguei.
— Só estudando, revisando sabe como é. — Disse e ele assentiu e levantou a sacola.
— Vem comer. — Eu coloquei o caderno em cima da cama e fui ajuda-lo a montar a mesa.
Se o quarto era estranho sem a Clarisse na cama do lado e eu implicando com ela imagine a refeição, nossa mãe insistia que comecemos na mesa, nada de televisão, rádio ou celular durante a mesma, e depois que ela morreu mantemos o costume, ou pelo menos eu e meu pai o mantemos.
A mesa tinha exatos quatro lugares, meu pai e minha mãe se sentavam no lado esquerdo e eu e minha irmã no lado direito. Colocamos a mesa entre dois balcões porque meu pai não suporta visita, então era impossível cinco sentarem sem ficar no mínimo o cumulo do desconfortável.
Agora com a ida das duas, apenas eu e meu pai era tudo tão vazio. Meu pai sabe que a Clarisse continua na cidade, as vezes suspeito que ele a encontre, mas ele nunca comentou nada e ele não apoia o fato dela ter ido procurar vingança e ele nem desconfia que eu faço o mesmo.
— Como foi a escola? — Meu pai perguntou levando uma garfada à boca.
— Você já tem uma noção. — Disse e ele assentiu.
Meu pai é policial e ele tinha ido na escola hoje cedo ver o que tinha acontecido.
— E sua namorada, como está?
— Bem, os irmãos dela estão morando na cidade. — Ele sorriu em resposta.
— Isso explica seu nariz. — Ele comentou, eu disse que tinha arrumado briga com alguém por causa da Hazel, depois soltei que o irmão dela estava na cidade, só ligar os pontos.
— É, ele chuta bem. — Disse bebendo um gole do meu suco.
Sim sempre suco, nada de refrigerantes sem ser aos domingos, e no caso do meu pai, sem cerveja sem ser no domingo.
— Já conversou com ele depois que aconteceu? — Ele perguntou e eu me limitei em assentir.
— E o seu trabalho? — Perguntei depois de um tempo em silêncio.
— A cidade está bem tranquila, tirando claro o incidente de hoje cedo. — Ele disse e eu já tinha terminado de comer, então pedi licença, lavei meu prato a pia e voltei para o meu quarto.
Coloquei meu saco de box no lugar e comecei a soca-lo, nem parecia que eu tinha treinado contra o Percy hoje, claro né, ele treinou com o pai antes, já estava morto quando foi lutar comigo. E mesmo assim ele me ganhou.
Bufei e soquei o saco com força, eu era meio lerdo por causa do meu tamanho, mas era bem mais forte do que a maioria, eu tinha que aproveitar esse lado meu.
Meu telefone começou a tocar e eu o peguei sem me preocupar em ver quem era.
— Oi, eu acho que meu pai...
— Frank. — Uma voz rouca saiu do outro lado da linha, com um ar de sofrimento.
— Quem é? Como conseguiu meu número?
— Uma caixa, não conte a ninguém, praça central, agora, perguntas serão respondidas.
A ligação caiu e meu coração estava disparado, por algum motivo anormal eu achava que deveria ir lá. Peguei a chave do meu carro e sai escondido de meu pai que já tinha ido dormir. Dirigi até a praça e assim que desci reconheci o carro do Percy, quem não reconheceria? Ele era um dos poucos que tinha dinheiro para um carro daquele na cidade.
Coloquei o capuz e comecei a caminhar em direção ao centro da praça quando escutei a voz do Percy.
— Eu não sei, todos eles são fiei demais ao meu pai. — Parei e resolvi me esconder, depois daquela frase e o choque foi imenso ao ver com quem ele falava.
A Grace estava sentada ao seu lado, ela estava levemente reclinada no banco em uma pose amigável, Percy estava sentado normal.
— Acho que poderíamos chamar a Piper. — Ele disse depois de respirar fundo.
— Qual o seu problema com ela? Você parece gostar menos dela do que dos outros. — Ele falou e a Grace se limitou a dar de ombros.
Ela falou algo que eu não consegui escutar, mas não tinha como eu me aproximar.
— Tá, eu vou vê o que faço, vou tentar eu mesmo conseguir as informações, mas caso precise eu vou achar alguém que faça isso para mim, mas enquanto isso temos que falar com sua amiga.
Ele disse e a Grace pegou o telefone e começou a conversar com alguém, eu estava em alerta, como ele podia? Ele era o traidor? Isso fazia sentido já que ele tinha sido o que mais desviava do assunto na reunião.
Ele é nosso líder, porque ele, justo ele é o traidor?
Grace riu e desligou o telefone e o Percy se levantou. Sai correndo, não enfrentaria ele agora, recolheria provas, eu não teria chances contra ele e a Grace, precisaria descobrir mais e entregar para quem pode, Poseidon.
Fiquei cerca de uma hora escondido dentro do carro quando por fim vi o Percy entrar no carro dele e saindo, esperei mais vinte minutos antes de ir para a praça. Procurei a tal caixa que a pessoa tinha me falado, mas não achei nada. Será que a pessoa tinha visto o Percy e a Grace conversando e a dedurou para mim indiretamente? Mas quem seria? Quem teria o meu número? Eu definitivamente não conhecia aquela voz.
Fui para casa e como imaginei, meu pai não tinha notado minha falta, tomei um banho e me joguei na cama logo depois.
Percy vivia desaparecendo e ontem mesmo ele apareceu com um cheiro de perfume feminino como a Piper disse e ele desapareceu no mesmo tempo que a Chase, ele sempre evitava que nós arrumássemos briga com os Grace, os Grace já quebraram as regras do acordo umas duas vezes e o Percy sempre encoberta eles do pai dizendo que a paz é mais importante, agora isso fazia sentido, ele não quer a paz, ele quer que o outro lado ganhe.
Amanhã eu anotarei tudo isso no meu caderno... Eu tinha deixado meu caderno em cima da cama.
Me sentei desesperado e acendi a luz, meu caderno não estava em nenhum lugar, comecei a revirar tudo, não tinha nenhum rastro do caderno ou de quem o tinha pego. Aquele caderno continha tudo, desde de ideias para usar na base ao estoque de arma que nós possuíamos, além claro de tudo que eu pensava que tinha a ver com a base.
Será que o Jackson sabia que eu estaria lá? Será que ele armou para me tirar do quarto? Mas ele tem tudo aquilo, porque faria isso? E se essa fosse a ideia dele ele não apareceria lá? E se a pessoa que me ligou não só sabia do Jackson, mas é contra a base e os Grace? Isso significa um inimigo maior?
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