Dead Flowers

4 Capítulo 4 -Just Tonight


Notas iniciais
Espero que gostem *_*

“Já esta começando ficar tarde...” –Jeffrey suspirou olhando pro céu.

“Pois é, acho melhor eu entrar.” –me levantei,desejando que ele me pedisse pra ficar.

“Têm razão.” –ele concordou, me jogando um balde de água fria.

Fui me afastando.

“Obrigada pelo wisk.”

“Obrigada pela companhia.” –lançou aquele quase sorriso meio de canto de boca.

Mais uma vez subi aquelas escadas. Lá de dentro pude ouvir novas notas sendo testadas no violão. É claro que seria perigoso convidar um estranho pra dentro de casa, ainda mais quando eu morava sozinha. Mas ainda restava um pouco de compaixão naquele meu coração frio. Eu não podia deixá-lo ali fora, congelando em outra noite ao relento.

“Jeffrey? –lá estava eu outra vez na calçada,interrompendo sua musica. –Eu tava pensando... pode subir se quiser.”

“Não Susie, não precisa. Eu vou me virar.”-ele se levantou.

“Não vou conseguir dormir quentinha lá dentro sabendo que está congelando aqui fora. Você não têm pra onde e não me custa ceder parte do meu mísero teto a você.”

“Su...”

“É serio. –interrompi sua tentativa de recusar. –Fique só por hoje, amanha cedo você dá seu jeito.”

“Não quero te incomodar, não e não.” –bateu o pé. Era orgulhoso demais pra aceitar ajuda ao que parecia. Ou talvez, só não quisesse atrapalhar mesmo.

Precisei apelar pra convencê-lo. Sorri da forma mais meiga que consegui e disse.

“E se... eu quiser sua companhia?”

Ele suspirou e passou a mão no cabelo desgrenhado.

“Só por hoje.”

Após ser derrotado, pegou seu velho violão e sua mochila e subiu comigo.

“Olha, não repare a bagunça. Não é grande coisa mas acho que é melhor que a calçada.” –avisei abrindo a porta.

Ele analisou aquele cômodo quadrado com uma cama e um armário ao fundo, cheio de roupas e objetos espalhados pelo chão.

“Tá brincando? Isso aqui é uma mansão.” –ele riu colocando suas coisas em um canto.

“Está com fome? Eu comprei umas porcarias aqui se quiser.”

Jeffrey se sentou em uma velha poltrona de couro marrom que pertencia a meu pai ,com um pacote de salgadinhos na mão.

Tirei meus sapatos e fui para a cama.

“Quantos anos você têm Susie?”

“Dezoito. E você?”

“Também tenho. A quanto tempo mora sozinha aqui?Fugiu de casa também?”

“Já faz uns dois anos... Meus pais sofreram um acidente de carro e derrepente tudo que sobrou para mim e minha irmã foram dividas. Tivemos que vender tudo ,inclusive essa lavanderia aí debaixo. Por sorte os novos donos deixaram esse quarto desprezível pra termos onde ficar.”

“Nossa...E onde está sua irmã?”

“Fugiu com um cantor á uns meses atrás.” –eu ria da minha própria tragédia quando a contava.

“E apesar de tudo isso você ainda é altruísta o bastante para colocar um cara que você mal conhece dentro de sua casa.”-ele sorriu pra mim piscando com certo pesar seus olhos escuros como a noite.

Logo depois, bocejou , estava a duas noites em claro.

“Pode ficar com a cama. Precisa mais dela do que eu.” –me levantei e comecei arrumar o lençol.

“Não começa Susie, eu fico por aqui mesmo.”

Nos encaramos e dessa vez, ele realmente não ia ceder. Acabei ficando com a cama enquanto ele se ajeitou na pequena poltrona. Apaguei a luz e ficamos em um longo silêncio. Tudo que eu podia ouvir era ele se remexendo desconfortável.

Me sentei na cama e o chamei.

“Jeff?”

“Oi?”

“Essa cama até que não é tão pequena.”

Sem reclamar, ele se deitou ao meu lado, já sem camisa. Ficamos ambos olhando para as teias de aranha no teto,até que ele olhou pra mim.

“Su, obrigada.”

“Não precisa agradecer.”

Nos entreolhamos por um instante com aquele famoso clima nos rondando. Não sei se ele estava sentindo a imensa vontade de ficar mais próximo de mim que eu estava sentindo. Estava tudo muito estranho, muito sem sentido. A começar por eu estar olhando um cara que mal tinha conhecido deitado ao meu lado. Derrepente acordei de meu breve monólogo mental e me virei de costas pra ele.

“Boa noite.”

“Boa noite.” –disse e fez o mesmo.