Dead Flowers
21 Capítulo 21 -No choice
Notas iniciais
O quarto claro e frio me era familiar, assim como o som do monitor cardíaco.
Á dois anos , acordei em uma cama de hospital cheia de parafernálias presas aos meus braços e uma dor forte de cabeça. Minha irmã estava parada ao meu lado ,chorando compulsivamente.
“Eles se foram Susie. Somos só nós duas agora.” –disse ela.
Ás vezes, desejava profundamente não ter sobrevivido ao acidente que matou meus pais. Mas em outras, agradecia a o que quer que tenha me tirado viva de dentro daquele carro completamente destruído.
Viver tinha ganhado outro significado para mim depois daquele dia. E depois desse, também ganharia.
Assim como da outra vez ,não me lembrava como tinha ido parar ali. Sentia meu corpo pesado, minha cabeça explodindo. Me sentei e arranquei os tubos ligados á minha veia. Encontrei meus sapatos ao lado da porta e os calcei. Queria sair imediatamente dali, aquele lugar me causava uma dor da qual eu não queria me lembrar. Peguei uma rosa vermelha que me esperava na cabeceira da cama , sinal de que Izzy já tinha estado ali, e sai pelos corredores.
“O que está fazendo aqui mocinha? Ainda não recebeu alta.” Disse uma enfermeira baixinha ,já de meia idade.
Avistei Izzy no fim do corredor e corri até ele ignorando a pobre senhora.
“Me desculpe. –falei em seu ombro, com meus braços ao redor de seu pescoço. –Pelo que quer que eu tenha feito.”
Sem entender nada, ele apenas retribuiu meu abraço. Quando olhei em seus olhos, eles estavam cheio de lagrimas.
“Está chateado comigo?” –achei que esse era o motivo para ele estar quase chorando.
“Eu, eu estou feliz Susie, depois do susto que você me deu....” –ele afundou seu rosto em meus cabelos me abraçando outra vez.
“Você é Susie?” –um senhor alto, de jaleco branco perguntou.
“Sim?” –me voltei para ele, esperando por uma bronca.
“Está liberada. Espero não te ver por aqui outra vez.” –ele sorriu.
Me lembrei daquele sorriso. Já tinha ouvido aquela frase antes. Á dois anos atrás.
Duff apareceu com seu carro e nos levou para a casa. Fui ouvindo atentamente o ponto de vista de Izzy sobre a noite anterior.
Tudo havia começado quando Sara apareceu. Depois que os rapazes saíram nos deixando á sós, sentamos e tivemos uma conversa mais civilizada, sem berros, sem grosserias.
“Vim te buscar Susie. –disse minha irmã. – Erick , meu noivo , nos convidou para morarmos permanentemente com ele na Flórida.”
“Não vou Sara, sabe disso.”
“Lá vamos ter uma vida melhor. Erick está disposto a nos dar do bom e do melhor.”
“O que aconteceu com o musico?” –perguntei por curiosidade.
Ela riu.
“Ele só foi meu passaporte para fora daqui. Depois conheci esse empresário, dei meus jeitos e bom... Por favor Susie, vamos comigo? Sei que não quer deixar seus amigos, seu novo namorado, mas lá você vai poder recomeçar.”
“Não posso. Já tenho uma vida com tudo que preciso bem aqui.”
“Partimos daqui cinco dias. Pense bem.” –disse antes de se retirar.
Olhei para aquele quartinho, pensei em Izzy, em Hellen, em meus outros amigos...Não, eu não podia.
Me senti mal o dia inteiro, aquela proposta tinha mexido muito comigo. Uma dor de cabeça insuportável me levou a me drogar outra vez, achei que remédio nenhum adiantaria.
Vi o amor da minha vida por uns instantes, deixei minha cabeça cair em seu ombro ... Derrepente, lá estava eu, naquele carro voltando de um hospital.
Á noite, quando Izzy foi embora, Sara apareceu. Ficamos as duas cara a cara no quarto de Hellen. Ela estava séria.
“Olhe só até que ponto você chegou minha irmã. Quase morreu de overdose! Têm noção da gravidade disso?”
“Isso não vai acontecer de novo.”
“Não vou pagar pra ver. Você vai comigo pra Flórida e agora isso não é uma opção, é uma ordem.”
“O que?! Você não pode me obrigar!”
“Você sabe muito bem que eu posso sim. Sou sua irmã mais velha. Apesar de tudo, ainda sou. E não vou deixar você se perder ainda mais nessa selva Susie. Eu posso ter feito muitas bobagens, mas não vou cometer o erro de perder minha irmã. Amanhã a noite vamos entrar naquele vôo e vamos para longe desse lugar. Entendeu?”
Ela estava certa, tinha todo o direito de me obrigar a me mudar. Não só pela lei, mas também por saber que eu faria o mesmo se estivesse em seu lugar. Eu sabia que meus pais não estariam nada orgulhosos de mim naquele momento ,mas que com certeza iriam querer que eu a obedecesse.
“Entendi.”-respondi.
Passei a noite inteira pensando no que iria fazer. Aproveitei para chorar todas minhas lagrimas ali mesmo em meu travesseiro para que não sobrasse nenhuma quando eu fosse me despedir de todos que eu amava. Principalmente Izzy.
Notas finais
Bjss
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