Dead Flowers
10 Capítulo 10 - Questions
Notas iniciais
Aproveitei meus dias sem net pra escrever, já tenho uns dez capitulos prontos que vou postando aos poucos.
Espero que gostem!
Pov. Susie
Desisti da idéia de querer que o mundo acabasse enquanto observava Jeff, meu Jeff cochilando tranquilamente sobre minhas pernas. Aquela sensação de traquilidade ,similar a uma dose de heroína ainda habitava minha mente. Eu me lembrava de ter experimentado a droga com Steven logo depois que meus pais morreram por querer esquecer meus problemas. Jeffrey Dean Isbell tinha se tornado minha heroína.
Tinha sido tudo tão bom, tão diferente das outras vezes que dormi com o Jon. Eu nunca tinha sentido minhas pernas ficarem bambas daquele jeito. Jeff me tocava de uma forma diferente com todo cuidado como se eu fosse a criatura mais frágil do mundo. Me beijava com intensidade e ao mesmo tempo com carinho. Foi como ir ao paraíso por uns segundos e depois voltar. Acho que era isso que chamavam de orgasmo.
Fiquei por horas ali em meu transe até adormecer. Nada de pesadelos, nada de sonhos, apenas dormi.
No sábado de manhã , tive que ir para loja antes que Slash viesse me buscar pelos cabelos. Jeff disse que ia resolver suas coisas misteriosas , na verdade , eu sabia bem o que era mas ele não queria me envolver em seu trabalho sujo.
Owen, nosso adorado chefe, dono da loja de discos resolveu dar as caras por lá. Isso raramente acontecia,e quando acontecia já colocava o maior sorriso em nossos rostos.
“Dia de pagamento.” –ele tirou dois envelopes do bolso e entregou um a mim e outro a Slash.
O homem roliço e baixo, em seu trench coat ultrapassado retirou a grana do caixa e se mandou em seu carro velho. Por mais dinheiro que tivesse, era tão muquirana que não permitia luxos nem a si próprio.
Por volta das cinco horas ,Jeff foi me buscar na loja. Fiquei surpresa de uma forma positiva é claro, pois não tínhamos combinado nada.
“Procurando alguma coisa?” –brinquei até ele que olhava alguns discos.
“Já encontrei.” Ele sorriu e tocou seus lábios nos meus rapidamente.
“Daqui a pouco vai haver formigas por aqui de tão melado que isso soou.” –Slash zombou.
“Invejoso.” –mostrei lhe a língua em um ato infantil.
“Já está saindo?”
“Aham. –peguei minhas coisas atrás do balcão e beijei o rosto ,quer dizer, a juba do meu quase irmão. –Até mais tarde.”
Enquanto íamos para de casa de mãos dadas, Jeff perguntou.
“Vai rolar alguma coisa hoje?”
“A galera vai beber em algum lugar. O que fez hoje?”
“Vendi algumas coisas ,depois encontrei o Traci.” – nunca dava detalhes.
E então, meu interrogatório começava.
“Algum progresso com a banda?”
Ele deu uma risadinha, como sempre, indecifrável.
“Do que está rindo?”
“Você não gosta muito dessa idéia de banda não é?”
“Eu tenho meus motivos.”
“Posso saber quais são?”
Pensei um pouco.
“Uma pergunta em troca de outra pode ser?”
“Por que isso agora?”
“Não é fácil tirar informações de você.”-aleguei.
“Está certo, o que quer saber?”
Fiz um suspense apesar de já saber o que perguntar.
“Quem era você em Lafayette?”
Eu tinha duvidas se o Jeff que chegou aqui era o mesmo de antes.
Ele soltou um longo suspiro.
“Bom, eu era o garoto estranho e sem amigos que não se encaixava em lugar nenhum , o ovelha negra da família.”
“Como eu imaginava...”
Nos deparamos com uma pizzaria e até nos esquecemos da minha pergunta que ficou em aberto. Bom, eu não esqueci, mas gostei de fugir dela.
Compramos uma daquelas bem gordurosas e calóricas mas deixamos pra comer em casa com mais calma, ouvindo umas musicas no rádio.
Quando anoiteceu, Hellen me ligou avisando que iam para o Rainbow , um dos bares mais legais da cidade. Provavelmente isso era obra de Slash já que ele estava com grana.
Jeff se arrumou primeiro obviamente, ficou ainda mais lindo com uma calça jeans surrada , uma camisa branca velha que encontrou no meu armário –pelo que me lembrava era de um ex da minha irmã que esqueceu por lá. – e vestiu uma jaqueta preta de couro por cima. Seus cabelos estavam sedosos , com fios curtos despenteados em cima e algumas mechas mais compridas quase até os ombros .
Ele sentou no colchão com um cigarro no canto da boca e ficou observando eu me trocar. Tentei ser o mais rápida possível ao colocar minha blusa listrada por saber que seus olhos percorriam cada mínimo detalhe do meu corpo.
“Ficou bom?” parei em sua frente e perguntei. Não tinha espelho por perto, pelo menos não um descente, e teria que confiar em sua opinião.
“Ficou ótimo, mas eu prefiro sem.”
Um sorriso se formou em meu rosto ao ver sua timidez indo embora aos poucos.
“Bom, acho que podemos resolver isso. Mas não agora. Vamos.”puxei sua mão e saímos.
O céu lá fora não passava de um manto escuro sem uma estrela sequer. Uma brisa fria corria trombando conosco a cada passo que dávamos. Os letreiros e outdoors dava outra cara a L.A das manhãs calmas. As turmas de tacha e couro começavam tomar espaço pelas calçadas.
Eu particularmente gostava das manhãs californianas, mas não odiava suas noites badaladas. Tentava tirar proveito de ambos em um dos poucos lugares que ofereciam o melhor dos dois opostos.
“Esse lugar superou minhas expectativas.” –Jeff comentou. Eu tinha reparado que seus olhos brilhavam ao ver a iluminada Sunset dos filmes de Hollywood.
“Quais eram suas expectativas?”
“Sei lá, muitas vezes me imaginei andando por aqui, mas quando se realmente está é tudo muito diferente. Eu não imaginava por exemplo estar de mãos dadas com uma garota, ainda mais uma como você.”
“Eu posso imaginar suas expectativas.”
“Lá vem você....” –ele reclamou rindo.
“Seus planos era vir pra cá, beber tudo que visse pela frente e aproveitar o melhor das prostitutas californianas.”
“Tá...Mais ou menos. –admitiu. – Mas nem passou pela minha cabeça que eu iria me apaixonar logo pela primeira garota que eu encontrasse.”
Me ergui em meus pés para que meus lábios alcançassem seu rosto.
Poucos passos depois, avistamos uma boate nojenta, cheia de mulheres quase despidas na porta.
“Ainda têm tempo.” Apontei com a cabeça.
Ele fez uma careta.
“Não, pensando melhor, prefiro esperar até mais tarde.” –passou um braço pelo meu ombro.
As prostitutas , a maioria sem ter chegado aos dezoito, deslizaram os olhos por nós. Elas me invejavam talvez, e eu , as temia. Na verdade, eu temia a vida que elas levavam. E também estremeci só por pensar na possibilidade de que meu Jeff poderia estar com uma delas naquele momento.
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