De volta ao passado

2 Capítulo 1 - Maldita tempestade


Notas iniciais
E assim a começa a minha nova aventura futurista... nem tão futurista assim... ADORO histórias de viagem do tempo, por isso que decidi escrever esta. Pensei num dia deste se pudesse voltar atrás e pudesse mudar a minha vida, o que faria_? E a pareceu esta história na minha cabeça. .. Se fossem vocês o que fariam?

Capítulo 1 — Maldita tempestade

Está a chover torrencialmente, e mal consigo enxergar a estrada. O vento ruge como nunca antes tinha visto. E ouço o som ensurdecedor dos trovões. Estou por baixo de uma bela tempestade. Porquê que eu saí de casa num dia tão tão horrível? Simplesmente porque tive uma discussão calorosa com o meu marido, pela trigésima vez nesta semana, e a semana só começou hoje. Eu disse -lhe coisas horríveis, que provavelmente nenhuma esposa tem tanta ousadia para dizer. Possivelmente sou a pior esposa do mundo. Estou a sentir -me culpada, e não gosto de sentir este tipo de coisa, remorsos, dúvidas, receios... Quanto mais eu penso nisso, mais angustiada eu fico. Será que ele quer o divórcio? NÃO, NÃO NÃO... Acho que vou voltar para casa, vou resolver as nossas divergências. Eu sei como resolver isso. Vai ser uma grande noite. Ele não vai resistir — me.

Colo o volume do rádio no máximo para abafar o som dos trovões, e fingir que não estou nem um pouco assustada. Afinal o que pode dar errado? É impossível o dia piorar. Está tudo bem. Daqui a pouco estou em casa... Ui, aquilo é uma vaca?

Fecho os olhos, e perdi o controlo do carro, quando dou por mim estou a cair num precipício ao som da música outherside dos red hot chili peppers. E assim do nada surge na minha mente imagens de tudo que vivi na minha vida, e é como se eu estivesse a rever um filme antigo de péssimo gosto. Mas o filme trava no pior momento da minha vida, no momento mais CONSTRANGEDOR de todos 32 anos e meio de vida.

Vejo o idiota de merda a chegar perto de mim. A namorada dele agarra no meu pulso, e na verdade ela é só a minha melhor amiga. Ouço ela dizer: — Nós três precisamos conversar.

Olho novamente para ele, e vejo pela fisionomia do rosto dele, que ele não quer conversar, mas sim matar alguém, e esse alguém sou eu.

Meu cérebro grita. – Corre Federica. Minhas pernas estão a prepara -se para fuga. E depois corri, e chorei muito, lágrimas atrás de lágrimas. Deveria ter acontecido isso. Pelo menos foi o que aconteceu no passado. Mas estou aqui, e não movi nenhum músculo, ignorei a minha consciência, e a raiva domina-me por completo. Até parece que estou a viver de novo este capítulo horrível da minha vida.

Ele caminha até mim, e todo o caminho ele vem ofender – me. Deixei de ouvi-lo quando ele disse pela 10ª vez que eu sou uma puta barata. Ele pára bem na minha frente, e continua a gesticular ofensas. Enfio um dedo na cara dele, e chamo – lhe otário de merda. Ele fica surpreso com a minha atitude.

Depois tudo fica escuro, alguém apagou as luzes. Ouço vozes lá no fundo.

— Afonso, ela desmaiou.

— Ela não desmaiou, ela só está a fingir.

Este foi o meu último sonho, e talvez fosse a transição de vida após morte. Espero ter um lugar no paraíso.