De volta ao Jurassic World
11 Veneno
–A árvore! – Disse John.
–O quê? – Fred não havia entendido.
–Subam a árvore!
As folhas se remexeram na sincronia dos tremores e dos rugidos furiosos; os quatros presentes se deslocaram até uma árvore e começaram a escalar. Mike e Fred tiveram um pouco de dificuldade, mas não desistiram. Gotas de sangue caíam do braço de Mike e pingavam no chão, transformando as gramas em vermelhas. Quando já estavam em uma altura considerável, o enorme lagarto marrom com seus pequenos braços surgiu entre as folhagens e soltou um estrondoso rugido. Fred se desequilibrara devido à ação do réptil, e caiu, mas Mike o ajudou, e ele se segurou em um galho. Eles continuaram escalando, e o dinossauro foi até a árvore, seguindo as gotas de sangue. Sua visão não era das melhores, provavelmente foi originada de um anfíbio, pois não era 100% confirmado que tiranossauros vissem apenas movimentos. Aliás, isso seria um grande defeito de um predador enorme e feroz.
–Não se mexam – Ordenou John, e os outros três obedeceram. O dinossauro olhou atentamente folhagem procurando algo, ele sentia o cheiro de sangue denunciá-los. Não os via, mas sabia que estavam ali. Então uma gota de sangue escorreu, ela atingiu a mandíbula grande e forte do réptil. Após um grunhido, seus olhos se voltaram para a gota de sangue, e logo após aos outros quatro. Moveu a cabeça um pouco para trás e deu o ataque. Socou a árvore com as mandíbulas, que a fez tremer e fazer todo mundo se desequilibrar. A tensão aumentou muito mais, eles começaram a subir desesperadamente a árvore enquanto o dinossauro os tentava derrubar. Vendo que eles já estavam muito altos, sentou, se apoiando na árvore, o que causou um último tremor.
–Cobre o braço com as folhas – Murmurou Joey.
–Eu? – Mike pegou uma folha e tampou o braço. Ele começou a arder e Mike mordeu os dentes para disfarçar.
–O que ele está fazendo? – Indagou Fred.
–Esperando uma presa, ou que nós desçamos. – Respondeu John.
Eles ficaram em silêncio olhando o grande predador sentado. Sua cabeça ficou entre os peitos e logo após só seus pulmões de moviam. Estava claro que ele estava dormindo.
–Não tem como sair daqui não? – Mike ficou preocupado.
–Ou esperamos ou arriscamos a vida tentando sair iguais ninjas.
Um pequeno dinossauro pulou em um galho da árvore, John viu aquilo e logo o identificou. Um Microceratus gobiensis. O pequeno dinossauro olhou para os quatro “gigantes” e fugiu logo em seguida. John nascera em 1997, sendo um sobrinho bisneto de John Parker Hammond. Seu sonho sempre foi ver o Jurassic Park funcionando e poder desfrutar suas maravilhosas atrações. E isso aconteceu, em 2005, quando a Masrani Global tinha posse da InGen. John finalmente se cansara de apenas “brincar com dinossauros” e decidiu estuda-los. Começou os estudos com 13 anos, em 2010, essa área definitivamente fascinara John. O comportamento, a alimentação, o processo de reprodução; ele sabia de tudo! Foi ele que incentivou Wu a usar os procompsognatos para comer os excrementos de animais maiores – técnica que foi utilizada no parque antigo. Em 2011, um homem chamado Jack Horner* deu a sugestão de criar um híbrido geneticamente modificado. Em 2013, o animal já estava pronto, e chegaria à idade adulta em 2015. Mas isso não foi possível, o dinossauro conseguiu se libertar de sua jaula e causou um enorme caos. Mas foi morto mais tarde, segundo dois trabalhadores, um grupo de dinossauros a atacou.
Joey, depois de sofrer muito com as remexidas intensas de Mike, estava “sozinho”. Os outros três não aguentaram e dormiram. Olhou a lua no horizonte e adormeceu junto aos outros.
Mike sentiu algo oco tocando sua cabeça, quando abriu o olho, viu um bico e logo se assustou, acordando os outros e fazendo o pássaro cair da árvore.
–O que f oi?! – Joey parecia irritado.
–Ele já foi, e nós também – Disse John, enquanto começou a descer a árvore.
Os outros, calados, também começaram a descer o tronco da árvore. John pisou em algo, uma carne flácida, olhou para baixo e viu um pteranodonte.
–Como ele foi morrer lá em cima da árvore? – Indagou Mike, surpreso.
–Ele possuí uma marca aqui na lateral do corpo – Joey examinou o pterossauro – Talvez foi atingido por outro voador e um deles caiu perto do tiranossauro.
–Pode ser que foi isso mesmo. – Disse John, ainda estudando o corpo.
Mike, Joey e Fred se levantaram e seguiram caminho, mas John continuou olhando o corpo. Passou o dedo pelo bico e viu... dentes? Como era possível? Pteranodontes não podem ter dentes...
–Ei, cara, vai ficar aí parado?! – Mike deu um grito baixo.
John então se levantou e os seguiu, ainda com a dúvida na cabeça: dentes? Eles andaram procurando algo, até que Mike pisou em algo gosmento.
–Ah, que droga... – Ele distanciou o pé da gosma roxa escura e limpou o pé no chão.
Joey tentou pegar um pouco da gosma com o dedo, mas John o impediu.
–Veneno de dilofossauro – Ele disse um pouco preocupado – Que merda... Como um dilofossauro pode estar na ilha?
–Como assim? – Indagou Fred.
–Não existem dilofossauros no parque por questões de segurança, seu veneno causa cegueira e paralisia instantânea. O único antídoto só funciona até duas horas depois que a pessoa for atingida.
–Mas se não existem... – Disse Joey, meio desconfiado.
–Agora existem. Maldita InGen...
–Vamos ficar aqui olhando pra isso? – Mike já não queria ficar parado.
–Podemos ir, mas fiquem alerta, atirem em tudo que se mover sobre duas patas.
Eles continuaram andando pela floresta, procurando algo que seja de extrema ajuda. A única coisa que Joey encontrou foi um pequeno lagarto bípede verde olhando para ele. Então ele só deu um pontapé no coitado e seguiu em frente.
–Olha só, minha arma – Ele pegou sua escopeta que havia deixado cair durante o ataque do dinossauro camuflado.
–RANA!!! – Lane estava sendo disputada por vários comps que rasgavam pedaços de sua carne, afinal, ela não tinha jeito nenhum de se defender.
–Droga – Rana ouviu o chamado e correu diretamente até a girosfera, quando viu a cena, espantou os comps com várias pedradas nos mesmos.
–Vai, vai! – Lane estava com uma enorme dor por todo o corpo. – Eu não posso prosseguir, vai sozinha!
–Não, eu não vou te abandonar! Nós só se conhecemos há uns dez minutos, mas somos amigas! Entendido?
–Eu não sou de ferro, eu sou de carne, carne que produz peso morto, eu não posso prosseguir!
–Olha, você não é de ferro mesmo, mas consegue resistir, eu já vi um homem que foi atacado por dois tigres na África e conseguiu voltar a base sozinho, eu sei que você consegue!
–Mas, eu... – Ela deu uma pequena pausa – Está bem, eu vou.
–É isso aí! – Rana esbanjou um sorriso no rosto e a pegou pelo ombro, passando pela planície verde.
–Que bichos são esses? – Indagou Mike.
–Anquilossauros – Respondeu John — Eles preferem ficar em áreas de mata fechada, longe do sol.
–A-aqueles ali também – Fred gaguejou, olhando para dois bípedes comendo uma carcaça de anquilossauro.
–Dilofossauros... Joey, se lembra do que eu falei?
Joey deu um sorriso leve e apontou a mira de sua arma em um dos dinossauros, e logo atirou. O tiro acertou a cabeça, e o dinossauro morreu na hora. Logo ele revelou um filhote, que se escondeu na mata e fugiu, junto com o outro.
–Entrou em estado de alerta! – Exclamou John – Não vamos ficar aqui para ver o que acontece!
Eles começaram a correr, fazendo os anquilossauros ficarem nervosos. John parou atrás de uma árvore e observou o que estava acontecendo. O dilofossauro adulto estava se socializando com o menor, o adulto fugiu e o filhote ocupou o cargo de caçador – Como foi mostrado no diário de comportamento dos dinossauros. logo John voltou a correr.
No meio da corrida, os três que estavam na frente encontraram um portão de grade. Ele estava um pouco fechado.
–Oh, deus – Rana, que estava perto de um portão, viu quatro pessoas do outro lado empurrando o mesmo. Logo reconheceu dois deles, e correu até lá junto com Lane.
–Rana?! – John notou a presença de Rana, que se aproximava do portão.
–Eu ajudo a abrir! – Rana começou a puxar o portão e logo ele abriu, os quatro entraram no campo.
–Eu pensei que você estava morta! – Disse John, ofegante.
–Lane? – Fred reconheceu Lane.
–Eu ainda te devo aquela – Lane tentou soltar um sorriso.
–Escutem – Ordenou Joey – Esse barulho...
–Um helicóptero! – Exclamou Mike.
–AQUI! AQUI! – Mike, Rana e Fred acenaram, mas não obtiveram sucesso.
–Ele não vai nos ouvir, e nem nos ver, estamos de baixo da folhagem — Disse Joey.
–Ele está indo pra lá, vamos segui-los! – Exclamou Mike, John se lembrou do dilofossauro, mas não teve opção, e correu junto a eles.
Eles voltaram correndo pela área fechada, Lane teve um pouco de dificuldade, mas mantinha o ritmo. Logo John viu que o dilofossauro corria entre o mato. O mesmo abriu sua boca e mirou na direção de Fred. Lane também percebeu aquilo, e temendo o pior...
–FRED! – Lane se soltou de Rana e pulou na frente de Fred, o empurrando. O veneno que o dilofossauro soltara atingira o peito da mesma. Logo Joey atirou no dinossauro, que fugiu, mas não iria voltar tão cedo.
–Lane! – Exclamou Rana, correndo para socorrê-la. Fred, quando se recuperou fez o mesmo.
–Atingiu o peito e o maxilar – Disse John — não vai conseguiu andar e nem comer... Vamos ter que...
–Tem que ter um antídoto! – Exclamou Fred.
–E tem, mas só funciona depois de duas horas, e...
–Não importa! Vamos sair daqui e pegar aquele antídoto! – Rana não aceitava.
–Mas o antídoto só está presente em clínicas especializadas no continente, e a viagem daqui até lá demoraria umas três horas!
–Mas...
–Rana... – Disse Lane com dificuldades – Ele tem razão, agora já era...
–Não... – Um pouco de lágrima saiu do rosto de Rana, seu maior defeito era se tornar tão próxima de alguém que acabou de conhecer.
–Fred, parece que estamos quites...
–Sim... – Fred tentou dar um sorriso mesmo com essa situação.
–Mike, me empresta seu rifle. – Ordenou John, e Mike obedeceu.
–É um lindstrat – Ele pegou um dardo com um líquido cor de palha – Carregado com veneno de connus purpurascens. Morte rápida e indolor, nem vai sentir a picada.
–Eu faço isso – Rana pegou a arma – Está pronta?
Lane assentiu com a cabeça.
–Está bem... – Mesmo tremendo, ela conseguiu apertar o gatilho.
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