De todos os loucos do mundo...

3 Você não sabe como eu me importo


Notas iniciais
Era para ser um capítulo, porém se transformou em dois =) Então terá capítulo hoje e amanhã.

Seus ouvidos zumbiam e seu corpo dava pequenos solavancos pelos soluços fortes. Ao longe ouvia uma sirene se aproximando, porém parecia está embaixo d’água. O som estava abafado e distorcido, então ignorou. Estava muito concentrado nas carícias que o mais alto fazia em sua cabeça, pescoço e braços.

— Baby boy, está me ouvindo?– Wade falava calmamente, enquanto observava o menor que não tinha falado nada há algum tempo, apenas chorando baixinho. – Vamos lá, estou aqui… tá bom? E, daqui a pouco, a polícia também.– O jovem só afirmava com a cabeça, parecendo lutar contra as palavras.– Vamos lá, baby boy, me responda.

— Obrigado, Wade.– Sussurrou o príncipe da família Stark enfim, levantando seu rosto, o mesmo um pouco vermelho e seus óculos embaçados.

— Quê isso, Petey! – O loiro afirmou, pegando seus óculos e os limpando para o outro menino. – Aqui, lindinho! Agora não chore m-- – Assim que o mais alto ouviu uma movimentação na entrada do beco se virou para as patrulhas. – Esse é o som das viaturas. Te contar que nunca pensei que ia encontrar a polícia assim de novo…

Apesar de Peter sentir vontade perguntar o que ele quis dizer com aquilo, não deu tempo. Os policiais se aproximaram para fazer seu trabalho, mas sua consciência teimava em desligar-se. Sentia apenas suas pernas, seu corpo todo se mover no automático e ouvia algumas vozes ao longe. Mas tudo parecia que estava embaixo d’água. Elas só faziam barulho. As palavras não faziam o mínimo sentido.



— Steve… – Tony começou manhoso, recebendo um olhar de soslaio e logo sorriu de maneira maliciosa. – O Peter saiu. A gente já assistiu tudo o que tinha para assistir. – O loiro virou seu rosto para si, incentivando-o a continuar com um sorriso indulgente. – Vamos lá, amor…! Me dê um pouco de carinho. Vamos lá pro quarto e...

O mais alto negou com sua cabeça, querendo ver até onde o seu marido iria com aquele jeito manhoso e sexy; o que ele faria para o convencer de fazerem amor. Encostou sua boca contra a de seu marido, o calando com um selinho e depois voltou sua atenção para a TV como se nada tivesse acontecido.

— Ah, mas-- picolé! Ah, mas você não vai me ignorar mesmo…! – O moreno exclamou, sentando no colo do loiro. – Você é meu, Capitão. – Tony enlaçou seu pescoço com os braços e o beijou com ganas.

Tomando as rédeas daquele beijo antes que Steve o fizesse, o bilionário explorou cada canto da tão conhecida boca; enrolando a língua na do outro enquanto esfregava suas nádegas sinuosamente contra o colo abaixo de si, fazendo o sexo adormecido começar a acordar. Steve gemeu contra seus lábios e Tony sorriu, cheio de malícia contra sua boca.

Separou-se quando o ar começou a faltar. — Eu vou te cavalgar até eu me cansar, Capitão. – Sussurrou a promessa quente contra o pescoço de seu marido.

Dessa vez, Steve não ficou sem resposta. Deu-lhe uma tapa na bunda e ordenou. – Então, cavalga, meu amor. Você ver o quanto você aguenta. –

— Steve… – Tony gemeu manhoso e logo mordeu o queixo do outro.

Porém, antes que pudessem por seus blefes a prova, o telefone da casa tocou, fazendo os dois pausarem e suspirarem em derrota. Tony queria demais ignorar, mas Steve sabia que não podiam. Eram pessoas importantes demais para ignorar chamadas. A contragosto, Tony se esticou para pegar o aparelho na mesa atrás do sofá e voltou a se sentar no colo de seu marido.

— Tony Stark falando. – Disse de maneira enfadonha, sua mão livre alisando a coxa de seu marido demasiado responsável.

— Boa noite, senhor Stark. Aqui é a detetive April Smith, da 35th NYPD. Eu estou ligando por causa de um incidente que ocorreu mais cedo. – O moreno franziu seu cenho e pôs o telefone no viva-voz assim que a mulher terminou sua frase

— Incidente? – Steve perguntou, sentindo seu coração apertando de preocupação. – O que aconteceu, detetive? –

— Houve uma tentativa de roubo por parte de um predador sexual procurado contra o seu filho. Ele está aqui conosco e se encontra extremamente abalado—

— O QUE?! – Tony exclamou, chocado.

— Detetive, ele estava sozinho—ele está bem?! Onde está – As palavras vinham lentas demais para o coração de um pai preocupado.

— Ele não estava sozinho, um amigo da escola o salvou, aparentemente. – a oficial explicou com calma – Estamos informando aos senhores para que fiquem cientes da situação e que o senhor e seu marido pudessem vir aqui, assim que possível para busca-lo.

— Estamos indo! Estamos à porta! Obrigada pelo seu trabalho e…! Tchau! – O moreno saiu de cima do colo do marido de supetão, jogando o telefone para longe e correu para pôr um par qualquer de sapatos com o loiro logo atrás.

— Ai meu Deus, Tony! O Peter…! – Steve chorou.

— Eu sei, Steve. Eu sei!

Os dois mal tiveram tempo de se arrumar, correndo para o socorro de seu rebento em silêncio. Não sabiam o que falar um para outro. Na verdade, não haviam palavras para um momento como esse, apenas ações. O carro já os estava esperando na garagem e partiram sem mais delongas

O caminho foi carregado com o silêncio daquela tensão que nenhum pai deveria sentir. Steve dirigia, pois eram as suas as mãos mais estáveis naquele momento. Cada semáforo vermelho era uma eternidade que os separava de Peter, que ele estava perdido naquele mundo perigoso. Tony esticou sua mão e a pousou sobre a de seu marido. Steve aceitou o gesto e lhe deu um sorriso tenso, mas esperançoso. Ia ficar tudo bem. Iam ficar bem. Uma coisa apenas importava naquele momento. Peter…



— Vamos lá, geniozinho. Reaja!– O jovem mais alto sacudia o menor gentilmente, apesar de sua preocupação. – Peter, oi? – O moreno de óculos estava com o olhar vidrado no chão. Agachou-se em frente ao outro e levantou seu rosto. — Vamos, bonitinho, sai dessa. Por favor... – Estava começando a ficar estressado. [Bata nele! Veja se dá resultado!]. (Isso! Bem na cara!). Mas ele está em estado cata… Catatônico! [Nossa nem sabia que sabíamos essa palavra.]. (Verdade! Desde quando sabemos esse tipo de palavra? Estamos virando médicos por um acaso?). [Desde que começamos a ficar interessados no baby boy. A inteligência dele tá pegando na gente por osmose]. Pera. Interessados? Estamos caidinhos por ele! Nós o adicionamos em todas as redes sociais. Até pegamos a mania de seguir ele. [Ai Deus! Viramos um stalker!]. Que? Não, anta! Só um anjo da guarda! [(STALKER! QUE VERGONHA)]. ARGH! Calados! Wade discutia consigo mesmo, se distraindo do menor a sua frente cada vez mais. – SE NÃO TEM UMA IDEIA MELHOR, FIQUEM CALADOS! – Gritou de maneira exacerbada, chamando a atenção de todos ao redor, menos do menino a sua frente.

— Ei, garoto! Faz o favor! Seu amigo está em choque! Pare de gritar. – Uma das policiais perto o repreendeu. Wade tentou fazer cara feia para ela, mas ela nem se emocionou. Ela sabia que estava certa e o moleque não tinha como argumentar o contrário. Assim, decidiu que era melhor voltar a se sentar e repensar sua abordagem, ainda mais quando, quando deu seu primeiro passo para se afastar e brigar, Peter o segurou sua camisa.

— Fica… – O pedido veio sussurrado, tão baixo que o loiro teve que se abaixar para ouvi-lo. Olhou para o menor e só quando eles estavam quase se beijando de tao próximos que Peter o olhou com aqueles castanhos sem brilho por cima dos óculos. – Fica… – Repetiu, implorando do mesmo jeito sussurrado.

— Ok, baby boy. Eu tô aqui, ok? – O loiro se sentou ao lado do menor, passando um braço por seus ombros e tentando fazer um carinho que daria conforto ao outro. [Por que nós paramos?]. (Porque o baby boy pediu, idiota). [Desde quando a gente faz o que os outros pedem?]. Pelo visto desde hoje, Wade ponderou, sorrindo de maneira miserável. (Além de ele ser uma tremenda gracinha com essa carinha de pidão.). [Queria ver se ele faz carinha de pidão para outras coisas.]. Argh, pare de pensar nisso! [Eu sou você, idiota.]. (Mas é verdade, ele deve ser bem interessante na cama.). [Tão pequeno que dá vontade de quebrar, morder e marcar todinho.]. O loiro então abriu um sorriso maníaco enquanto seu olhar se perdia no horizonte enquanto Peter se aconchegava em seu meio enlaço.

Peter estava se enterrando contra seu peito, com seus olhos fechados. Ele parecia querer se esconder do mundo em seu abraço, mas Wade ainda podia se ver que o seu rosto alvo estava molhado de lágrimas. Suas bochechas estavam vermelhas e sua respiração estava chiando de leve com seu choro. Peter Stark-Rogers nunca havia sofrido uma violência daquele tipo; nunca havia sido exposto à crueldade real do mundo, Wade notou e se sentiu horrível por se sentir atraído por aquele fato.

Ao sentir o peso do olhar do mais alto, Peter abriu seus olhos e levantou a cabeça. Wade observou o rosto do moreno ao seu lado por um tempo e logo abrindo um sorriso pequeno, mas sincero. – Vai ficar tudo bem, ok? – Afirmou, abraçando-o de novo.

— Ok... – Peter suspirou, voltou a abaixar a cabeça, se acomodando mais a cabeça no peito do outro. Um pouco da tensão de antes parecia ter o deixado.

Não podemos fazer isso. [(Não mesmo.)]. Estava ficando inquieto com o silêncio prolongado e as ideias horríveis que estavam se passando por sua cabeça, então começou a falar. – Baby boy, você tem um sorriso muito bonito, sabia? Deveria sorrir mais. Seus dentes são tão branquinhos e certinhos, deveria fazer propaganda de pasta de dente. Aposto que a Oral B, Colgate ou qualquer outra marca amaria contratar você. Apesar de você ser baixinho. Parece um chaveirinho, eu poderia te fazer de chaveiro e ficar te levando para lá e para cá. Seria legal, né Petey? – Virou-se para o menor que apenas deu uma risada baixa e meio aguada. – Mas as pessoas achariam que somos namorados, ne? Não que eu me importe, você é até bem bonito, ainda tem sua bunda que é redondinha e empinadinha. Você faz algum exercício para ela ficar assim? – O moreno a essa altura estava ficando vermelho enquanto seu riso ficava mais forte. – Que foi, Petey? Está vermelho? Está com febre? Quer que eu chame alguém para te examinar? Oi! Policial!

— Wade… Não precisa. – Segurou a manga do casaco do maior e a puxou de leve para que ele abaixasse a mão. – Estou me sentindo meio enjoado ainda, só isso. – Peter estava ainda tentando digerir tudo o que havia acontecido. Mas era demais. Estava cansado de pensar. Queria apenas… Passar adiante. Esquecer e voltar a ser Peter. O falatório e calor do outro ajudavam bastante. Sentia-se… seguro com Wade

— Tem certeza? Mas…

— Peter! – Uma voz masculina aflita ecoou pela delegacia, fazendo o menor levantar a cabeça. Peter viu o vulto de um homem moreno, um pouco mais alto do que si, sair correndo em sua direção e suas lágrimas voltaram com força. Se levantou de onde estavam sentados e correu em direção ao seu pai. Tony abraçou o filho com força e o apertou contra si. – Ai meu rebento! Meu rebento! Você está bem?

O jovem voltou a chorar, se enterrando no blazer caro de seu pai que o enchia de beijos e apertos. – Eu tava… assustado… – Admitiu, se entregando o calor familiar que o envolvia.

— Peter! – Steve abraçou os dois morenos de maneira acalentadora. – Ai meu filho, você está bem agora. Papai está aqui, agora – Tony voltou-se para o marido e passou uma das mãos em seu rosto – um gesto raro de carinho público -, e depois pousando a mesma na cabeça do filho para apertá-lo ainda mais forte em seus braços.

O jovem tagarela observava a cena de maneira distante, sentindo a saudade que seus pais lhe faziam. Mesmo que ele entendesse que os mesmos estavam fazendo trabalho voluntário em países da África subsaariana, Ásia menor, e outras regiões problemáticas do mundo não queria dizer que não sentisse uma falta dolorosa deles em momentos como aquele. Pelo menos, ele tinha seu guardião legal que lhe dava tudo que ele podia dar. Mas… Sentia falta. Só isso.

— Foi você quem salvou o Peter? – A pergunta veio do nada e Wade teve que tirar um momento para discernir que era Tony Stark que lhe perguntava. O menino ergueu uma sobrancelha e meneou em silêncio. – Muito obrigado. – O empresário disse com apreço tão sincero que o abalou.

— Senhores Stark-Rogers. – Um dos policiais parou diante dos quatro. – Achamos melhor esperar os senhores para podermos pegar o depoimento seu filho. Ele estava um pouco abalado. – O policial olhou para o loiro mais novo e mais alto de esguelha. – Mas pelo que tudo indica, pela primeira vez você é o mocinho, sr. Wilson.

— Tsc… – O loiro mudou a expressão de surpresa para uma rabugenta, cruzando seus braços e dando um olhar desafiante para o policial. – Você não tem que pegar o depoimento do baby boy, não? –

O policial apenas negou com sua cabeça e o ignorando. Focou a sua atenção na família Stark-Rogers, os levando para sala de interrogatório. Porém, assim que virou às costas, Wade mostrou-lhe o dedo do meio. Quem ele pensava que era? Lhe fazendo passar vergonha na frente de seu possível futuro sogro?

Logo, outro policial foi o chamar, perguntando como contatar seus responsáveis. – Meu guardião já foi informado e ele não deve estar nada feliz com isso. – O policial arregalou os olhos, parecendo se lembrar já ter visto o nome de Wade em algum lugar; que sua ficha era enorme e uma de suas passagens incluía um hospital psiquiátrico. – Pare de me olhar assim. – O loiro se levantou, mostrando toda sua altura de 1,88 m, e fazendo o policial dar alguns passos para trás um tanto intimidado. No entanto, o loiro apenas aproveitou a ação para pegar um copo de água e tornou a se sentar. – Fica tranquilo que o velho só vai surtar comigo. –





Depois de algum tempo de interrogatório, foram liberados. Wade ele levou uma chamada de atenção por seus métodos, mas para a surpresa de todos, Steve e Tony intercederam ao seu favor. Peter era o tesouro de seus pais e qualquer pessoa que o protegesse era um bom menino em seus olhos. Ele era um anjo da guarda. Por isso, sequer se incomodaram quando o menino abraçou seu filho a intimidade de anos e não a pouco mais de uma semana. Estavam apenas felizes que Peter tinha amigos como ele.

O guardião de Wade o estava esperando na entrada de delegacia. Logan era um homem de seus quarenta e poucos anos – quase cinquenta, se fosse sincero –, porém continuava em forma. Tinha um estilo James Dean de agir, passando uma aura de respeito e até de intimidação com seu charme bruto. Falou com todos de maneira curta, mas educada, principalmente com Steve. Em sua época mais ativa, haviam se conhecido por conta da S.H.I.E.L.D.

Antes de porém um fim para aquela noite, os adultos e os jovens combinaram que Peter começaria a ir para escola de carro e levaria Wade consigo, para desencargo de consciência de seus pais e do menino loiro. Apesar de serem medidas um tanto extremas, Peter não discutiu. Na verdade, ele concordou sem uma oposição. Ainda estava abalado e Wade lhe fazia sentir seguro. Quando os dois jovens se despediram, Wade, sendo espalhafatoso, saiu saltitando pela rua e gritando para o ‘príncipe Peter’ não se esquecer de pegá-lo com sua carruagem no dia seguinte.

— Esse Wade é bem… – Tony começou a falar já dentro do carro.

— Exagerado.– Completou o jovem, sorrindo de canto com a brincadeira de Wilson ainda em sua cabeça.

— Ele está nos Thunderbolts. – Steve comentou. Os Thunderbolts eram uma inciativa do Exército para salvar jovens delinquentes – Do que o Logan me falou, ele foi responsável pela indicação do menino no grupo. – O capitão comentou com a calma e a serenidade de um monge. Tudo estava bem em seu universo agora que seu filho estava com eles. – Parece funcionar. Eu acho que serei eternamente grato por ele te proteger, apesar de seu comportamento ainda ser.... duvidoso, campeão.

O jovem moreno se encolheu no banco de trás ao se lembrar das histórias das surras que o loiro distribuía a torto e a direito. Não pareciam em nada como Wade havia sido consigo. Com Peter ele sempre fora um… Cavalheiro. Um cavalheiro estranho e tagarela, mas ele nunca levantou a mão para si. Nem mesmo a voz. Sempre foi simpático e gentil. Tudo bem, ele era meio estranho. E participava de um grupo extracurricular para delinquentes. E gritava besteiras no meio da rua. Mas, estava tão cansado que apenas deixou para lá e se concentrar nas partes boas. Decidiu fechar os olhos e tentar descansar. Porém, tão logo o fez e se lembrou da voz do homem falando em seu ouvido e do cheiro de seu hálito. Sacudiu sua cabeça frustrado e suspirou.

Os pais observavam o filho pelo retrovisor, preocupados, mas deixariam o assunto intocado. Ainda era cedo demais, cru demais na cabeça e no coração de todos. Por agora, iriam para casa onde Peter estaria seguro e salvo do mundo. Depois, amanhã ou no dia depois, cogitariam acompanhamento psicológico ou incentivar o menor a fazer alguma atividade para ajudá-lo a se abrir. Por agora, Peter tinha que ser feito a se sentir seguro de novo sem seu ‘anjo da guarda’.

Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos! Maddie's kisses!