De todos os loucos do mundo...
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Notas iniciais
— Eu sabia. Eu sabia...! Estava muito cedo para ele ir para o colégio. Eu avisei para você, Tony. Eu falei-- Não fez nem mesmo um dia e o nome dele está nos jornais e as crianças estão implicando com ele! – O loiro falava, aflito, sua voz mais dura pelo telefone. Steve odiava seu trabalho de vez em quando. Queria estar com seu filho...!
— Ei! Calma. Steve, respira fundo. – Tony instruiu, obedecendo sua própria ordem. Estava a caminho do colégio para recolher seu rebento. Como seu marido, estava lívido pelo o que a escola deixara acontecer com seu filho e Deus os ajudasse quando chegasse. Iria fazer chover enxofre sobre eles. – O Wade estava com ele. O salvou de novo. – O playboy sorriu de canto ao ouvir o marido bufar do outro lado da linha.
—Os cegos guiando os cegos – O capitão reclamou. – Crianças não deveriam ter que salvar outras crianças! Os professores--!
— Eu se, meu amor. Eu sei. – Tony o tranquilizou – Escuta, eu vou ter que desligar. Eu já estou chegando. Eu te ligo assim que eu puder, ok?
— Tá bom. – Disse o loiro, a contragosto. – Mas Tony, por favor--
— Fica tranquilo, picolé. Tá comigo. Tá com Deus – Antes que Rogers pudesse xingá-lo por interromper, Tony teve desligou para estacionar.
Entrou no colégio, que Peter insistia em continuar estudando, como um deus feito de gelo e fúria. Poderia muito bem tirar seu filho, e as doações que fizera a esse colégio, dali e investir em tutores excelentes, muito mais bem qualificados para a educação de seu rebento. Poderia processar aquela escola até arrancar o último centavo. Ou melhor, poderia compra-la e garantir que seu filho jamais passasse por qualquer desconforto. Sorriu, inflamado com aquela ideia e por isso, rapidamente achou a sala do diretor. Iria destruí-lo
Na antessala onde ficava a secretária, pode ver o filho, Wade, Betty e outro loiro sentados em um banco no corredor que separava a antessala da sala do diretor. Franziu seu cenho e Wilson acenou para si, como sempre de maneira demasiadamente animada. Seu filho e a amiga seguiram o olhar do menino e, quando o viram, só lhe deram um leve meneio de suas cabeças e—Peter estava machucado??
Tony viu vermelho e quase não viu mais nada. Seu filho... Estava machucado? Passou por mais três adultos, que estavam sentados harmoniosamente pelo cômodo. No canto de sua visão, notou que um tinha um porte inegavelmente militar e tinha a ligeira impressão de já tê-lo visto em algum lugar. Mas não importava. Peter importava. A mãe de Betty acenou para si de forma simpática, apesar de não parecer minimamente feliz por estar ali. Não respondeu. Queria seu filho. Uma senhora estava sentada ao lado do homem que já tinha cabelos e bigodes grisalhos, mas não chamava muita atenção. Iria matar alguém se alguém não tivesse cuidado dos ferimentos de seu filho.
— Bom dia, querida. – Cumprimentou a secretária que estava de cabeça abaixada. Sorriu de maneira fria com os olhos arregalados que recebeu. – Eu sou o pai do Peter Stark-Rogers. Aquele menininho ali? Gostaria de saber quando poderei falar com o diretor e com a enfermeira que atendeu aos ferimentos do meu rebento. – Apesar de ser conhecido por ser galante, Tony sabia muito bem como ser intimidador quando queria.
Do corredor Peter e Betty observavam a cena, apreensivos. Mesmo não podendo ouvir, a linguagem corporal do empresário era clara. Além do conhecido sorriso de canto de boca estar presente entre uma fala e outra, o bilionário estava tenso e seus olhos estavam duros e frios. Ele estava atrás de sangue. Peter miou e enterrou seu rosto em suas mãos. Oh, não.
— Senhor S-stark-Rogers… – A moça balbuciou, nervosa, enquanto a sombra do homem mais famoso do mundo ocidental pairava sobre ela.
— Ah! Você me conhece? Que bom. – O moreno tirou os óculos e os pôs na cabeça. – Sabia que eu sou um generoso doador a essa escola?
— Ah, sim. Claro! – Ela tentou sorrir de maneira conciliadora. – Um dos maiores...! – Disse de maneira educada. – O diretor está terminando alguns assuntos pendentes e tenha certeza de que o senhor será o primeiro a ser chamado, senhor Stark. – O homem meneou sua cabeça, satisfeito.
— Muito bem.
— Me deixa só avisa-lo de que o senhor chegou – A secretária pegou o telefone, apertou um dos botões e logo falando. – Já estão todos aqui. Sim, senhor. O senhor Stark está aqui também. – Sorriu, um tanto nervosa, colocando o telefone de volta no gancho. – Podem entrar, o diretor irá vê-los todos juntos.
Os adultos se dirigiram a porta que levava aos seus flhos, os recolhendo antes de entrar na sala do diretor. Ao ver o homem de semblante militar ir para o lado de Wade, Tony se lembrou de onde o conhecia. Steve havia comentado a seu respeito. General Thaddeus E. Ross, o criador dos Thunderbolts.
— Nossa, general, você por aqui! Pensei que você não se importava com a gente fora do programa! O seu bigodinho está tão alinhadinho. Você penteou antes de vir, não foi. Com aquele pentinho ridículo que vem junto com aquelas imitações de Barbies bem vagabundas. – Wade sorriu, mas era mais uma amostra de dentes, enquanto desencostava-se do general que apenas o olhou de esguelha. – Vamos lá, não fique com vergonha! É bom ser vaidoso. – O homem continuou a ignorar o jovem. – Juro que eu não fiz nada de errado dessa vez. – O homem cruzou os braços e ergueu uma das sobrancelhas grossas. – Juro, juradinho. A culpa foi daquele tarado aí! O seu favoritinho. Que queria que...! – Peter o chutou com a pouca força que tinha, fazendo com que o Wilson se voltasse para si. – Você chuta fraquinho, hein baby boy? Também pudera suas perninhas são fininhas que nem vara verde. – Antes que o loiro continuasse aquele monologo por mais tempo a porta finalmente se abriu.
— Por favor, entrem. – O diretor pediu, dando espaço para que a procissão começasse.
Peter queria morrer. Ou melhor, desaparecer por completo de todos os planos de existência. Da procissão, o evento se tornou uma missa; uma confissão publica. O moreno foi obrigado a contar quase toda a dolorosa verdade.
Entre lágrimas envergonhadas, contou que alguém havia conseguido a senha de seu cadeado e substituído suas coisas — que haviam sido encontradas na lixeira do vestiário — por vários exemplares do Clarim Diário, pompons de torcida, camisinhas e outros lixos. Contou que os meninos começaram a zombar de si e que saira correndo de lá para achar um professor. Contou que havia sido seguido. Por preocupação, seus amigos foram atrás de si e completou que Flash lhe seguira para continuar com as provocações. Contou que não fora a primeira, nem a segunda vez que ele o fizera. Wad, movido por instinto protetor, havia o afastado e fora um pouco brusco demais. Peter não sabia se Flash tivesse sido responsável pelo arrombamento de seu armário, mas talvez um de seus amigos o tivesse feito. O diretor sabia que o bullying por parte do grupo do jogador de futebol notoriamente era famoso por machucar outros alunos. Peter salvado o capitão do time de futebol americano de punição muito pior e isso estava claro para os outros três jovens. Flash recebera somente uma suspensão de alguns dias do colégio e de dois jogos do time do que uma passagem pela policia que Tony queria. Wade e Betty só levaram uma chamada de atenção, a jovem por entrar no vestiário masculino, mesmo ele estando vazio, e o jovem por ter agredido um colega de maneira tão abrupta, mesmo que agindo em boa fé.
— Peter, filhote, está pronto para ir para casa? Pegou seus livros? – O empresário perguntou enquanto bagunçava carinhosamente nos cabelos revoltos do filho.
— Não, pai. Eu preciso pegar meu caderno ainda – O jovem sorriu para o pai. – Quer ir comigo?
— Se você quiser, pimpolho. – Sorriu, o trazendo para um abraço enquanto o diretor passava por si. Ele sabia que os dias de Flash mexendo com seu filho iriam acabar. Ele sabia porque o diretor entendia o que ele era capaz. – Wade! – O loiro olhou para baixo, para o bilionário que era baixinho que nem seu filho. – O herói do momento! Eu deveria te contratar, moleque.
— Fala, senhor Stark! – Respondeu de maneira animada se aproximando do pai e filho. – Há há! Mas eu faço de bom grado!
— Um cavalheiro! Jante com a gente hoje? Sim? Ótimo! Bom garoto! – O empresário estava mais que agradecido ao excêntrico jovem tagarela. Seu filho o olhou surpreso, mas logo sorriu para o pai.
— Que isso, senhor pai do Príncipe Peter-- Huum... Se você é pai de um príncipe, logo você é um rei, mas você é casado com outro homem, isso quer dizer que tem dois reis... Ou um rei e uma rainha?
— Tu é uma graça, moleque. – Disse o moreno rindo um pouco com a ideia de “rei e rainha”. – Eu vou contar essa pro papai, Petey. – O mais velho trocou um olhar maroto com seu filhote, que riu de leve.
— Aí, a gente pode estudar como a gente combinou. – O menor dos três completou com um sorriso ainda maior apesar de seu cansaço emocional.
— Tá bom, tá bom, mas já aviso que como bastante. – Disse o loiro sorridente e animado.
— Sem problemas. – Respondeu Tony. – Agora vão buscar suas coisas. Pode deixar, eu vou chamar o Happy pra buscar o seu carro, Peter. Eu espero vocês na saída. – Depois deles desaparecerem, o bilionário pegou seu telefone. – Jarvis, por favor, ligue para o Happy e peça para ele vir a escola do Peter e recolher o carro dele. Ligue também para aquele restaurante árabe e peça uma ceia para doze. Você sabe como esses meninos comem. Ah, e me conecta com o picolé – Pediu e Jarvis logo o conectou com Steve. – Picolé... Esteja pronto para formular um plano de ação.
Depois de muita explicação para Gwen do porque estava indo embora mais cedo e do que havia ocorrido, Peter se dirigiu para a sala de Introdução à Química Nuclear. Precisava encontrar Harry ou Ned para lhe pedir para que mandassem suas anotações para si. Para que pudesse estudar em casa em paz e saber que não estava perdendo nada.
— Hey Peter...! Peter, vem cá – Sussurrou Harry, que o puxou de lado. – Cara, me conta isso direito. Eu vi no Clarim Diário que você foi estuprado. – O ruivo estava com uma expressão muito preocupada.
— Que?! Não! Não é nada disso. Eu só fui assaltado...! Ou quase assaltado. Estou bem. – Mentiu o moreno com um sorriso um tanto tenso. – O resumo é: um cara quis me assaltar, mas o Wade me salvou. – O ruivo ia abrir a boca, mas um pedaço de giz foi arremessado em sua cabeça.
— Senhor Osborn! A aula vai começar! – Ralhou o professor antes de entrar na sala.
— Velho idiota. – O jovem murmurou furioso e voltou sua atenção para seu amigo. – Vai precisar do caderno?
— Sim, por favor, Harry – Peter pediu, farfalhando seus cílios. — O Wade vai lá para casa hoje estudar e eu não vou poder revisar Química – Suspirou de leve – Pode escanear e me mandar por email ou mensagem? Por favor? Por favorzinho? –Ouviu o amigo resmungar algo, mas Harry meneou sua cabeça, concordando – Valeu, Harry! – Agradeceu, correndo para sair da sala e deixar a aula começar.
— É... De nada... – Osborn disse, seu voz amarga, para as costas de seu amigo.
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