De todos os loucos do mundo...
4 Operação Peter
Notas iniciais
— Thor! — Loki Laufeyson chamou pelo namorado que via um jogo de hóquei na TV. – Thor! –
— Diga, amor de minha vida! — O homem de cabelos dourados respondeu, se virando para trás para melhor atender ao que o chamava com tanto desespero.
— Oh, Thor! Aconteceu uma coisa horrível! — Loki anunciou, se sentando perante seu amado – Peter, ele foi agredido...! Acometido por um pervertido — O loiro arregalou os olhos, choque correndo por seu corpo.
— E Anthony e Steven? Nada fizeram? Onde ele está? – Thor exigiu saber, pronto para correr para encontrar o pequeno onde quer que ele estivesse.
— Estão na delegacia com ele. Ele está bem, um amigo o salvou. – Loki disse para acalma-lo – Stark quis informar a tragédia aos amigos mais próximos, pois eles poderiam pedir para que levássemos Peter em algum lugar quando eles não pudessem ou levá-lo para alguma atividade para o manter distraído. – O empresário loiro suspirou mais calmo, mas não muito.
— Ah! Mas se eu estivesse presente, não teria pedra nesse mundo que pudesse esconder aquele depravado. Os céus fariam glória a minha fúria e eu quebraria todos os ossos no corpo dele — Loki sabia que o loiro estava falando sério.
— Acalme-se, meu amor. Um dia teremos nossa vingança contra o ser amoral que ousou tocar no pequeno príncipe. Mas tire conforto no fato de que Peter está a salvo agora e que seu amigo lhe golpeou com tanta violência que lhe tirou dentes, fez com que ele ganhasse algumas contusões, ossos quebrados e um traumatismo craniano.
— Que belo amigo!
— Sem dúvida. — O moreno deu um sorriso de lado. — Agiu tal qual um cavaleiro a defesa da honra de sua dama.
— Crê que possa haver algum romance entre os dois? – O loiro perguntou, franzindo seu cenho ao imaginar o pequeno príncipe tendo qualquer forma de romance. Ele era ainda uma criança! Sua expressão fez Loki rir.
— Não poderia dizer, amado. Não consigo imaginar Peter tendo amores com os pais ciumentos que tem — O moreno deu um sorriso.
— Um valente guerreiro sacrifica tudo pela pessoa amada. – Thor retrucou, beijando as mãos de seu noivo – Crê que um dia veremos esse novo amigo? — O moreno deu de ombros e encostou a testa contra a do amado.
— Não sei. Gostaria de fazer uma aposta? — Loki era jogador de pôquer profissional e sabia muito bem calcular seus riscos enquanto contava suas cartas.
— Apenas para você vencer, como sempre? — O loiro riu, beijando aqueles lábios finos e macios. — Jamais, meu amor. Eu sei que o que virá, você já previu nas cartas.
Peter passar um final de semana lidando com pesadelos. Fora somente com muito amor por parte de seus pais e seus amigos, – talvez Harry nem tanto, o ruivo falara pouco consigo – e sua família estendida, que conseguiu chegar em um semblante de normalidade. Conversara com o médico da sua família, Dr. Stephen Strange, sobre terapia e como era um caminho também. Strange lhe dissera que, caso ele quisesse tentar, não era vergonha nenhuma. Na verdade é um caminho que os pais dele apoiavam firmemente. O jovem afirmou que não precisava, mas o Stephen deixara claro que qualquer que fosse o caminho que ele decidisse seguir, ele deveria o seguir informado.
A rotina do jovem tinha sido normal, tirando que Tony o estava acordado de manhã cedo e o casal que lhe lançando olhares preocupados. As demonstrações de afeto, no entanto, continuavam frequentes. Na segunda-feira, Peter acordou mais cedo para poder buscar Wade em sua casa. O loiro, muito para sua surpresa, morava mais próximo à escola do que a si. Tanto que o mesmo ia a pé quando sozinho.
Arrumou-se abaixo do olhar cuidadoso de seu pai, pegando tudo o que precisava, e se despediu dos pais com um beijo na bochecha de cada um.— Vamos lá, Peter. Você consegue. É só mais um dia na escola… – Suspirou, caminhando até o cabine onde ficavam as chaves e depois foi ao carro. – Eu não preciso dessa atenção toda… – Disse a si mesmo enquanto manobrava para fora da enorme garagem. – Eu não vou quebrar.
Antes de sair para a rua, mandou uma mensagem para Wade, o informando que estava saindo. Passaram o final de semana todo conversando por mensagem em redes sociais diferentes. O loiro parecia querer sempre lhe fazer rir. Wade lhe mandava mensagem pelos motivos mais banais possíveis, desde mandar uma foto do almoço que ele estava fazendo para seu tio até mandar memes sobre cultura pop coreana para o menor. Wade, em resposta, o ligou.
— BABY BOY! BOM DIA! – A voz do loiro veio como um susto e Peter quase largou o telefone enquanto dirigia
— Bom dia, Wade. Animado desse jeito a essa hora da manhã? – Deu uma risada baixa, mas extremamente enternecida.
— Claro! Meu príncipe Petey vai vir me buscar na sua carruagem! – O moreno corou quando o outro lhe chamou de príncipe. – Então, então! Já tá chegando?
— Sim. Pode descer. Em cinco minutos estou aí. – Ouviu um gritinho do outro lado da linha e deu mais uma renovada risada baixa. Droga, Wade não podia ser assim tão fofo.
— Meu príncipe! Estou descendo já! – O loiro gritou de novo e desligou. O moreno voltou a rir, envergonhado. Tinha que parar ou seu coração não iria aguentar
Quando parou na frente do prédio, não viu Wade. No entanto, antes de poder se quer desbloquear o celular para ligar para o outro, ouviu uma batida em sua janela, fazendo com que soltasse um grito afeminado e olhasse para o lado, fitando quem tinha batido. Sorriu ao ver que tinha sido ninguém menos que o próprio Wade.
— Desculpa príncipe! Mas eu fui correndo na Starbucks comprar o café da manhã! – O loiro estava tão animado que o menor não podia conter um sorriso enquanto tentava acalmar seu coração.
— Obrigado, Wade. Entra aí. – O mais baixo destravou as portas e esperou o outro entrar para dar a partida.
— Que carrão hein? Se o carro é esse, imagina como deve ser sua casa! – O loiro disse, admirando o interior do carro enquanto ajeitava os sacos de papel e o apoio para os copos em seu colo.
— He, he, he. – Riu sem graça, olhando para o outro de viés. – Não vai comer?
— Não! Temos que comer juntos! Já que iremos para a escola juntos, achei que poderíamos tomar o café juntos também! – Propôs, sorridente, fazendo Peter sorrir em reflexo. – Agora sim! Sorriso Colgate! – O moreno ficou sem graça de novo e corou, dando uma pequena risada. – Príncipe, sua risada é gostosa de ouvir, além de ser fofinha. Deveria rir mais.
Peter sentiu suas bochechas arderem de vermelhas e se recusou a responder, permanecendo em silêncio durante todo o trajeto até a escola, deixando que o loiro tagarelasse sobre qualquer coisa.
— Chegamos, mas faltam alguns minutos para o sinal tocar. – Comentou o moreno olhando rapidamente no relógio do painel enquanto se esticava para pegar sua bolsa no banco de trás.
— Então, vamos aproveitar para comer, que ainda está tudo quente. – O loiro sugeriu, passando o que segurava para Peter que já tinha saído do veículo. – Vamos príncipe! Tem uma mesa vazia ali! – Pegou os saquinhos de volta e saiu andando. Ele apenas parou quando reparou que o moreno continuava no mesmo lugar. – Que foi príncipe? – Ergueu uma sobrancelha e o encarou confuso. Só então percebeu que todos ao redor tinham parado para observar aquela cena.
Peter Benjamin Parker Stark-Rogers, o principezinho da escola, saindo de um Ford Fusion preto de última geração junto com Wade Winston Wilson. Não só isso, mas o outro estava mais que alegre, chamando o príncipe com a intimidade de uma amizade de anos. Como aquilo era possível?
— Vamos? – Wade chamou e Peter, totalmente sem jeito, caminhou até o lado do mais velho. Wade não ligava muito para as outras pessoas ou para o que elas pensavam e Peter tinha que ser assim também. Peter queria ser livre daquela maneira também.
— Ok, vamos logo ou se não meu cappuccino vai esfriar. — O menino respondeu com um pequeno sorriso, nervoso, mas sincero.
Ele é tão fofo! (É sim!). [Vou devorá-lo]. Não, quero saboreá-lo pedacinho por pedacinho. Caminhou até o jovem, depositando o que estava em suas mãos na mesa.
Conversa vai, conversa vem até que o sol desaparece e Peter fica sem entender. A sessão de meteorologia do jornal não tinha chuva prevista, nem mesmo tempo nublado. Olhando para cima o moreno finalmente entendeu, já que tinham duas pessoas enormes atrás de sim.
— Eddie! Venom! – Wade levantou um dos braços e bateu nos assentos ao seu lado. — Sentem! Eu e o Petey estamos tomando café. Se eu soubesse que iriamos nós encontrar, eu teria comprado para vocês também.— A essa altura, Peter não deveria mais se surpreender com a intimidade que o loiro falava com todos que encontrava.
Eddie Brock tinha cabelos loiros escuros, beirando ao castanho claríssimo, e uma cara que sempre parecia radiar impaciência com a humanidade como um coletivo. Ele trabalhava no jornal da escola junto com Peter. Eddie era seu veterano e parecia não gostar dele. Mas, para ser justo, Eddie parecia não gostar de ninguém que não fosse seu namorado. O loiro estava no último ano do ensino médio e pretendia cursa como major Jornalismo e minor Literatura Inglesa. Suas roupas eram despojadas e largas, feitas para conforto e não para estilo. Apesar de sua altura e musculatura avantajada, sua coluna se mantinha curvada e pendia ou para frente, em uma corcunda, ou para um dos lados e o mesmo parecia muito confortável daquele jeito, o fazendo parecer que era mais baixo do que realmente era. O modo mais correto de descrevê-lo era: um desastre bissexual ambulante. O menino tinha depressão e por causa disso, tentava lutar contra seus efeitos fazendo tudo que queria e precisava. E isso incluía ficar muito mais tempo procrastinando do que realmente fazendo algo.
Ozzy Klyntar, assim como Wade, era temido em toda a escola. O seu estilo motoqueiro com jaqueta preta, jeans estrategicamente rasgados, coturnos, além cabelos longos e pretos por si só faziam sua fama de bad boy e encrenqueiro. Ele vinha de uma família que possuía um serpentário para fabricação de soro antiofídico. Por isso, apelido Venom caiu como luva. O rapaz tinha até uma Mamba Negra tatuada em seu braço. Assim como seu namorado era alto e corpulento. Porém, diferente dele, sua coluna era ereta, orgulhosa, dando-o um ar ainda mais intimidador.
Enquanto os dois se sentavam nos assentos indicados, o coração de Peter já estava na boca. Nada poderia ser mais óbvio do que isso, um delinquente — lindo, diga-se de passagem – sendo amigo de outros delinquentes. Como pudera achar que poderia ser diferente? Que eles existiam numa bolha quando estavam juntos? O pobre moreno, que já era pequeno por maldade da mãe Natureza, estava se sentindo ainda menor cercado de pessoas enormes e corpulentas.
Eu quero morrer, meu Deus. Alguém me ajuda. Pensou o menor se encolhendo enquanto os oferecia seu melhor sorriso.
— Então... Venom, Eddie. Esse é meu baby boy, Petey. – Wilson abraçou o menor e beijou sua testa.
Jesus, me salva.
Fale com o autor