De repente é amor

4 Memórias de um triste passado


Notas iniciais
Finalmente consegui postar, não tenho tido muito tempo ultimamente, ainda mais porque estou com duas fics ativas, mas aí vai mais um capítulo pra vocês, espero que gostem...

O fim de semana parecia interminável e Ciel nem sabia se realmente queria descobrir o que Sebastian teria como resposta, mas mesmo assim foi para a aula na segunda-feira. Ao chegar Elizabeth chamou sua atenção para o que estava escrito no quadro, seu nome era mencionado como o responsável pela limpeza...

_Sim, é meu dia de limpar a sala depois da aula, mas não entendi a razão de estar falando sobre isso. – Disse ele confuso.

_Sabe qual será nossa última aula hoje, seu bobo? – Perguntou ela irritada.

_Essa não! É com o Sebastian! – Exclamava ele em um tom mais baixo.

_Professor Michaelis. Não o chame pelo primeiro nome em plena sala de aula. – Corrigiu ela dando-lhe um tapinha na nuca.

_É mesmo. E agora o que eu faço? – Perguntou ele desesperado.

_Você só sabe perguntar isso? É claro que vai falar com ele, ou no mínimo ouvir o que ele te disser. – Disse ela com tristeza no olhar.

No fim da aula, Ciel ainda não sabia o que fazer, Sebastian não tinha recolhido suas coisas, o que significava que ficaria na sala enquanto ele a limpava, suas mãos gelaram e começou a sentir tremores repentinamente...

_Elizabeth, você ficará me esperando lá fora? – Perguntou ele com os olhos de quem está prestes a implorar.

_Vou ficar sentada lá no banco, perto do jardim... – Dizia ela e depois de uma breve pausa, continuou – Boa sorte.

Ciel não entendia o porquê de estar se sentindo triste por ela, afinal, parecia que há dias não tinha felicidade em seus lindos olhos verde esmeralda. Deixou isso de lado e foi fazer a tal limpeza, mas em um determinado ponto, Sebastian o chamou para perto de sua mesa...

_Sim Professor, precisa de algo? – Perguntou ele engolindo em seco.

_Pode me chamar de Sebastian, não foi o que combinamos? – Perguntou o mais alto em troca.

_Sebastian, tem algo que eu possa fazer? – Perguntou o pequeno novamente.

_Eu gostaria de falar algo sobre o dia do passeio... Sobre o que você disse quando eu o tirei do rio... – Dizia ele quando Ciel, num impulso, tentou explicar:

_Espero não ter te ofendido, me sentia tonto e estranho.

_Então eu devo esquecer o que disse? – Perguntou o maior o fitando.

Ciel não sabia o que fazer, se dissesse para ele esquecer, voltaria à estaca zero, mas se dissesse que estava certo do que disse, teria que agüentar as conseqüências de suas palavras, era uma situação muito delicada e ele sentia até mesmo náuseas de tanta preocupação.

_Se eu dissesse que estava sério sobre aquilo... O que diria? – Perguntou ele de olhos fechados com medo da reação do maior.

_Eu diria que é recíproco, já que também gosto de você. – Respondeu o professor com um lindo sorriso, mas aquilo não convenceu a Ciel, tinha sido fácil demais.

_Me deixe ver se entendi... V-você me ama também? – Perguntou ele para ter certeza.

_Amar? Não acredito que tenha entendido bem o que disse. Aquilo foi uma confissão? – Perguntava Sebastian se levantando de sua cadeira, mostrando a clara diferença de tamanho entre os dois.

_S-sim, eu realmente gosto de você. – Disse o garoto baixando o olhar e sentindo seu rosto se tornar em chamas.

_Tem certeza do que está dizendo Ciel? Não poderia ser que confundiu a admiração que sente por mim com um romance imaginário? – Perguntou Sebastian novamente se aproximando e fazendo com que o menor começasse a sentir um receio enorme.

Ciel já não sabia o que se passava com sua mente e muito menos com seu coração, estava tudo tão misturado e confuso que sua visão começou a se tornar turva, não sabia o que responder àquilo, já que não era como um problema matemático que tinha uma forma exata de se chegar a uma resposta, mas achou melhor deixar tudo claro já que tinha chegado até ali com aquela certeza.

_Eu o amo, estou certo disso! – Disse o pequeno olhando diretamente nos olhos do maior.

_Se me ama, então prove. – Disse o moreno se aproximando mais e mais.

Sebastian o pegou firme e em seguida o deitou sobre sua mesa, encaixou-se entre as pernas do menor e tentava uma aproximação de seus lábios, mas Ciel assustado se virava de um lado a outro tentando fugir aos lábios de seu Professor, que deixava suas mãos correr livres pelo corpo pequeno e delicado do aluno.

_Pare! Eu não quero isso! – Dizia Ciel em desespero.

_Mas se me ama, não te custa me dar um simples beijo. – Retrucou Sebastian segurando o rosto miúdo de Ciel e se aproximando, agora com calma.

_Não posso fazer isso. – Disse Ciel em lágrimas enquanto sentia a respiração de Sebastian misturando-se com a sua.

_E por que não pode fazer algo que tem desejado há algum tempo? Ou você nunca imaginou que em uma relação, as pessoas se beijam? – Perguntava Sebastian, já saindo de cima dele.

_Não parece certo, sinto que de alguma forma eu estaria muito errado se fizesse isso. – Respondeu Ciel pensativo, já cessando o choro e descendo da mesa.

_Eu imaginava que fosse isso mesmo, mas não se preocupe Ciel-chan, vai ficar tudo bem. – Disse o Professor ao pequeno.

Aquelas simples palavras “não se preocupe Ciel-chan, vai ficar tudo bem” fizeram-no sentir uma forte fisgada em sua mente e ele voltou a se encostar a mesa, depois de já estar um palmo longe dela, uma imagem de um homem exatamente igual ao Professor dizendo as mesmas palavras surgia diante de si, a diferença era que esse homem estava com sangue escorrendo no canto de sua boca e era como se ele pressionasse o olho escondido de Ciel com um lenço.

Um grito pode ser ouvido também, um grito feminino, a voz era familiar, mas não importava o quanto ele tentasse se lembrar, não conseguia. Ciel permanecia em transe e Sebastian o chamava, mas era como se ele não estivesse ali, então o pegou pelos ombros e o sacudiu com um pouco mais de força, só então ele voltou a si, porém quando isso aconteceu, lágrimas corriam de seu olho sem parar.

_Ciel, você está bem? – Perguntava o maior preocupado.

_E-eu só preciso ir. – Respondeu o rapaz sem sequer se preocupar em enxugar as lágrimas.

Ciel andava como que mecanicamente até a saída, ao vê-lo Elizabeth tentou chamá-lo, mas ele não respondia, somente caminhava rápido e desatento. Um carro veio buscá-lo e Elizabeth preocupada entrou no mesmo junto com ele...

_Ciel o que houve? Ele te ofendeu? Você está bem? – Perguntava ela desesperada, mas ele permanecia mudo.

Ao chegar a sua casa foi procurar por Tanaka e enquanto passava pelos corredores pôde notar que em sua casa somente havia quadros de paisagens, o que era muito estranho já que todas as famílias nobres sempre mantinham as pinturas de seus entes queridos e familiares. O pequeno nunca tinha parado para analisar esse fato, mas começou, naquele instante, a suspeitar que sua vida vinha sendo uma mentira.

_Tanaka! – Gritava ele pelos corredores impaciente.

_Ciel, fale comigo. – Pedia Elizabeth temendo pela sanidade de seu amigo.

Quando finalmente ele encontrou Tanaka na biblioteca, foi simples e direto:

_Onde estão as fotos da minha família?

_Jovem mestre, peço que se acalme... – Dizia o pobre senhor, mas foi interrompido:

_Eu disse que quero ver as malditas fotos, e quero agora!

_Ciel, não grite. – Dizia Elizabeth tentando distraí-lo.

_Agora não Lizzy! – Exclamou ele em alta voz, mas só então percebeu que não era próprio dele falar com ela daquele jeito, naquele momento mais uma fisgada o afetou seriamente o fazendo se segurar com uma das mãos na escrivaninha próxima a ele.

_Eu vou embora. – Disse ela ao se virar, já em lágrimas.

Tanaka então tirou do lugar um quadro que ficava atrás da escrivaninha, logo se podia ver um cofre que o magro senhor abriu com calma, porém Ciel já mal podia se manter em pé, suava frio e sentia que mais fragmentos de memórias voltavam diante de si. Quando menos esperava, uma caixa tinha sido colocada bem diante de si pelo homem de cabelos brancos, ele então pegou a primeira foto que podia ser vista ao abrir a caixa, para sua surpresa, eram seus pais e a semelhança entre seu pai e Sebastian era evidente.

_Sente-se. – Disse Tanaka segurando o mais novo pelo braço e o conduzindo até a cadeira.

_Eu não lembrava mais do rosto deles. Como eu pude... ? – Perguntava o garoto decepcionado consigo mesmo.

_Foi nas férias de seu último ano no fundamental... Vocês voltavam de uma pequena viagem, seu pai dirigia o carro naquele dia, ele não queria funcionários durante os dias que estavam destinados a ser passados somente com a família, mas um animal saiu de detrás de um arbusto e o acidente foi inevitável, foi assim que perdeu o olho direito e quase que sua vida se foi junto. – Contava o bondoso senhor calmamente.

_Eu sei sobre o acidente, mas não me lembro de nada... – Dizia o pequeno se esforçando para montar o terrível quebra cabeças em sua mente.

_Assim que acordou do coma, foi constatado que tinha sofrido uma amnésia, nós não sabíamos bem o que fazer, mas sabíamos que seu pai sempre evitava que sofresse com qualquer coisa. No mesmo dia, antes que voltasse do hospital, todos se empenharam para que nenhum dos retratos deles fossem vistos com facilidade, já que não queríamos que um trauma o fizesse sofrer ainda mais. Nunca escondemos o fato de ser órfão, mas evitamos ao máximo as memórias que pudessem tirar a alegria que ainda lhe restava. – Explicava Tanaka com grande tristeza no olhar.

_Eu agradeço por tudo o que fizeram em meu favor, mas acho que vou precisar de um tempo até me recuperar desse baque. – Disse o garoto que se levantou e com a caixa de fotos nas mãos, foi para seu quarto onde ficou por quase três dias, deixando até mesmo de ir à aula.

O ano letivo já estava quase em seu fim, Elizabeth continuou a freqüentar a escola como sempre, mas a ausência de Ciel lhe incomodava, porém não havia nada que pudesse fazer, preferiu não interferir mais nos assuntos do rapaz assim que deixou a casa naquele dia. Quase no término da semana Ciel voltou a marcar presença nas aulas e no mesmo dia em que voltou, sentiu a frieza vinda da garota, que sequer lhe olhava no rosto.

_Elizabeth, peço que me perdoe por ter te maltratado, mas se não quiser mais minha amizade, eu entenderei perfeitamente, afinal, eu não deveria ter gritado com você. – Disse ele sem receber nenhuma resposta em troca, a aula estava prestes a acabar, então se despediu e se foi.

A jovem loira tinha percebido que ele também já não era o mesmo, seu olhar estava diferente e não de uma forma positiva, havia tristeza e um vazio profundo, até mesmo seu jeito de falar e de se portar tinham mudado, a seriedade reinava em cada ação de Ciel. Os olhares calorosos que tinha pelo Professor tinham sumido também e mesmo tendo a notícia de um baile em comemoração ao final do bimestre, não se animou.

Os dias se passaram e o baile seria naquela noite, Elizabeth se arrumou como a dama que era, ou pelo menos seria. Depois de tudo pronto, ela se foi mesmo sem ter um acompanhante, sabia que não ficaria sozinha, pois sempre tinha muitos partidos interessados em conhecê-la e não a deixariam só, assim entrou no carro e foi levada até o salão onde de pronto, um rapaz da sala ao lado se ofereceu para entrar com ela na festa.

A noite se passava e ela foi convidada a dançar por várias vezes, mas nenhum sorriso foi tirado de seus lábios, a noite estava perto de seu fim quando uma mão lhe foi estendida mais uma vez e ela aceitou devido a sua educação, porém ao olhar no rosto do rapaz que a convidara, teve uma enorme surpresa, pensou em voltar a se sentar, mas ele a puxou para junto de si e a levou para o meio do salão. Era Ciel, que ao fitá-la profundamente, perguntou:

_Quem é você e por que teima em aparecer a toda hora em minha mente?

Notas finais
Uma música sobre mistérios combina bem com esse capítulo... Jamgyeoseo nan suyeonghagopa neoreul jom deo algopa Neoran mijiui supeul gipi moheomhaneun tamheomga Neoran jakpume daehae gamsangeul hae, neoran jonjaega yesurinikka Ireoke maeil nan bamsaedorok sangsangeul hae, Eochapi naegeneun muuimihan kkuminikka Tradução~ Eu quero saber mais sobre você Como explorador que se aventura através de sua floresta profunda do mistério Eu aprecio a obra-prima que é você, porque sua existência é uma arte Eu imagino isso todos os dias Porque é só um sonho sem sentido mesmo Just One Day BangTan Boys (BTS)