Abro os olhos e percebo que estou em um quarto meio escuro, deitada em uma imensa cama com dossel. Olho em volta e mesmo estando tudo um pouco embaçado, vejo que o quarto é enorme, semelhante ao de filmes sobre conto de fadas. Noto logo a presença de uma mulher bonita, pele clara e rosto estreito, sentada ao meu lado na cama, sorrindo para mim com um sorriso doce, mas seus olhos estão tristes, e não entendo. Ela se encosta mais, acariciando o meu rosto e, apesar de não conhecê-la, eu me sinto bem com isso. Com a proximidade, percebo que seus olhos não estão só tristes, mas inchados e avermelhados, ela estava chorando.

— Minha querida, tente dormir mais um pouco. Agora que seu pai se foi você precisa estar descansada o máximo possível, pois não sei ao certo a hora que teremos de lhe enviar para o esconderijo – sua voz é baixa e engasgada, principalmente no final da frase.

Não entendo o que ela quis dizer com essas palavras. Seu pai? Hora de lhe enviar? Esconderijo? E por que ela está tão triste? Antes que eu pense mais sobre o assunto, ouço passos apressados de homens entrando no quarto. Seus olhares estão tensos e desesperados, como se precisassem correr para se manterem vivos. A mulher que estava me acariciando se levanta e me coloca no colo, não sei como, mas estou pequena a ponto de me encaixar em seus braços. Um homem alto de olhar cansado, vestido com roupas escuras, toma a frente do grupo.

— Rainha Diana, eu não entendo como a notícia da morte do rei pôde se espalhar tão rápido, mas as tropas de Cláudio já estão invadindo o castelo pelo portão sul atrás da princesa. Precisamos leva-la antes que eles descubram este quarto, ou então – ele não termina a frase, e nem precisa, todos já entenderam a mensagem.

A mulher, ou melhor, a rainha me abraça forte e sussurra algo em meu ouvido, acho que ela disse “eu te amo”, mas não consigo ter certeza porque um choro de criança começa a inundar quarto, e o mais estranho é que não havia notado nenhuma criança entrando, apenas os homens. Então eu percebo que o barulho de choro está saindo da minha boca, eu sou a criança, mas como?

Depois disso tudo se passa como um borrão. O homem, que parece ser o líder do grupo, me toma dos braços da rainha e, acompanhado de outros guardas, começa a correr em direção a uma pequena porta que eu não tinha visto antes por estar escondida atrás de peças de tapeçaria – uma passagem secreta. Corremos por um corredor estreito com paredes de pedra e iluminado por algumas velas. Ouço barulho de ratos e noto que o teto está repleto de teias de aranha. Então um grito feminino vindo de onde saímos enche meus ouvidos – a rainha – e começo a chorar mais alto, até que o homem tapa minha boca com a mão. Não sei quanto tempo eu passo naquele corredor até que uma porta a frente se abre e minha visão é ofuscada pela luz do sol, e então eu acordo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.