De onde vem os monstros
1 De onde vem os monstros
Era uma vez um deus da criação, ele estava dormindo vagando pelo espaço. Ao acordar, olhou para um lado e para outro e espantou-se, pois nada encontrou além de escuridão.
— Mais uma vez isso aconteceu!
Respirou fundo desapontado com aquela situação e resolve fazer a coisa que ele mais lhe agradava, criar. Ele voou para a lua de um planeta que estava perto, embora as distancias fossem algo estranho já que ele poderia percorrer rapidamente uma galáxia e ir para outra. Quando pisou naquela lua, ele transformou o chão atrás dele em uma poltrona de pedra e se sentou.
Inclinou-se e pegou uma pedra que passa a brilhar e se transforma em um telescópio gigante. Virava o telescópio de procurando em outra galáxia, estrela por estrela até achar um bom planeta para fazer a sua obra. Quando o achou, mirou bem e voou para lá, seu corpo parecia ter se transformado em uma bola de fogo, era como um foguete ou um meteoro, só que mais rápido. A poltrona e o telescópio desapareceram mediante a explosão do seu impulso, uma cratera se formou. Deve ter demorado algumas horas até chegar ao seu destino, mas cada minuto que se passava parecia uma hora e as horas pareciam dias. Para quem esta com sede de amar, o tempo é um grande vilão.
Quando aterrissou naquele lugar marrom, não perdeu tempo, criava tudo o que sua mente imaginava, primeiro fez uma camada de gases para permitir a vida, e então fez: rios e mares, animais e árvores, montanhas e vales, criaturas gigantes e outras pequenas, algumas voadores e outras nadadoras, a maioria andava pela terra. No terceiro dia, havia completado sua criação, ficou satisfeito com tudo que havia criado e após a excitação baixar, percebeu que estava muito cansado.
Deitou debaixo da maior árvore que havia feito, ela era tão alta quanto às nuvens. O vento quando batia na arvore, entrava pelos buracos que eram como labirintos para os pássaros que ali moravam, por entre seus milhares e milhares de galhos floridos o vento passava, essas flores eram perfumadas, todo aquele ar levava o cheiro delas descendo pelos ramos até chegar ao solo. Quando o ar tocava ao chão, se espalhava com tanta pressão que criava uma pequena maré em num rio próximo a árvore. Sentindo aquela agradável brisa, ele colocou as mãos atrás da cabeça e adormeceu.
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Quando acordou, não acreditou na visão que viu. O céu que antes era azul com pequenas nuvens brancas estava coberto por um manto de nuvens negro-avermelhadas, que relampejavam trovões roxos e fazia barulhos assustadores. O chão estava sem nenhuma relva, pedras gigantes estavam por toda a parte e em cima de mais pedras. O rio que antes era cristalino não mais existia. A única coisa liquida por ali era o magma que fluía dos vulcões. Ele se virou para trás e aquela grande árvore que ostentava paz, não passava de uma gigante bola de feno, semelhantes àquelas que rolam pelo deserto. O deus voou pelo resto do planeta, enquanto voava ele colocava as mãos no ouvido para tentar escutar se havia som de algum ser vivo, mas não ouviu nada a não ser o som de vulcões explodindo, pedras rolando e trovões tricotando o céu.
Quando chegou do outro lado do mundo, não viu fogo, tudo estava escuro por conta que a tempestade cobria todo o céu. Ele bateu uma mão na outra e um cristal de luz apareceu, iluminando quilômetros ao seu redor. Ele olhou para todos os lugares aonde a luz chegava, porém encontrou um deserto que não parecia ter fim, não havia flores, rios ou arvores. Apenas dunas e mais dunas de areia.
O deus sentiu uma lagrima descrer, ela caiu do seu rosto e o vento ia levando-a de um lado para o outro até tocar naquele solo seco. Ele se sentiu muito triste e sozinho, mas refletiu:
— Posso fazer tudo de novo!
Olhou para o céu e flutuou até chegar às nuvens. Fez um biquinho com a boca, como se sugando um espaguete as nuvens iam entrando na sua boca. Puxando um interminável folego, ia tragando toda aquela tempestade. Engoliu todo aquele manto negro que cobria o céu. Olhando para o horizonte restava apenas um enorme marrom com vermelho.
Ele voa de encontro ao chão e da um soco no planeta. A areia se transforma em água instantaneamente, e uma onda muito maior que qualquer tsunami engole toda a terra ao redor do mundo, apagando todas as chamas.
Levitando ele encontra em baixo dele o mar e em cima o céu agora azul com marrom. Sorrindo, posicionou as mãos na posição de palmas novamente e batendo uma mão na outra e continuou batendo palmas e enquanto fazia isso, diamantes da cor verde iam ao seu redor, esses diamantes irradiavam sua coloração.
— Vão diamantes, façam o mundo brilhar!
A alegria deixa o mundo mais colorido, também, as cores deixam a vida mais alegre.
Ele voa ao redor do planeta, atirando sementes no mar como um semeador. Depois de mergulhadas, quando tocavam o chão elas cresciam quilômetros até ultrapassarem a superfície da água, essas árvores submersas pareciam coqueiros, porém seus galhos eram tão cumpridos e resistentes que chegavam a tocar os das outras árvores, permitindo que criaturas pudessem andar sobre elas.
Criou também flores que se assemelhavam a vitórias-régias, mas estas se assemelhavam a navios.
Era a vez de criar os animais, ele fez todos os animais iguais, eles podiam voar e nadar. Geralmente ficavam pendurados nos troncos das árvores semelhantes a coqueiros. Elas não tinham inteligência, mas eram graciosos em tudo que faziam, onde quer que se encontrassem, fossem saindo do oceano em direção as nuvens ou se apenas estivessem dormindo nas copas das árvores.
O deus estava alegre novamente, ele brincava com as criaturas e criava mais coisas de acordo com sua imaginação, criou nuvens rosas que eram como túneis no céu, com varias entradas e densas o suficiente para suportarem peso dele e dos demais seres que iam até lá. Ele gostou tanto dessa ideia que também fez túneis no oceano, eles eram feitos de gelo que levavam a grandes espaços de ar, dentro deles era possível ver criaturas nadando em cima e ao redor do gelo. Ele então pensou como seria bom se pudesse ver vários tipos de criaturas naquele ângulo. Todos os animais eram iguais e isso havia se tornado chato. A beleza consiste na variedade. E criou muitos outros seres, mas nenhum semelhante ao do mundo anterior. Uma das criaturas que mais gostava eram as águas-vivas-balões-de-ar. Elas poderiam facilmente ser explodidas caso houvesse alguma coisa pontiaguda no planeta. Mas no planeta não haveria perigo e mesmo com esse nome elas eram inofensivas.
O deus cantava e dançava alegremente por entre as coisas que fez e então percebeu que estava muito cansado. Flutuou para aquele céu verde brilhante e entrou numa nuvem-túnel, dentro delas ainda era possível ver pequenos pontos dos diamantes. Colocou as mãos sobe a barriga e pegou no sono.
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Quando ele acordou, pensou que ainda estava na nuvem, pois havia uma nevoa densa ao redor com pontinhos verdes. Mas quando se desloca para sair da nuvem, ele se depara com um cenário catastrófico: Ele estava pairando em pleno espaço e algumas pedras que flutuavam ao redor dele possuíram grudadas nelas os diamantes verdes.
— Como é possível uma coisa dessas? – o deus se perguntava angustiado.
— Será que não posso ter prazer em contemplar minhas criações?
— O que será que ainda faço de errado?
Para descontar sua raiva, decide criar vida num planeta ainda maior, ter experiências ainda mais fortes. Ele levanta as mãos para cima e faz um esforço. Os planetas próximos a ele são arrancados das orbitas, asteroides e comentas também foram sugados, tudo ia se juntando e sendo compilados. Estava se formando um novo planeta.
Quando terminou a criação inicial, percebeu que havia gases e um grande pedaço de terra redonda. Os gases que tocavam o solo eram mais densos que a água, por isso fez um rio que não tocava no chão, a água corria livre como o vento. A terra estava tão compilada que não possuía protuberâncias. Ergueu montanhas do solo, e plantou árvores frutíferas nelas, elas tinham muitos quilômetros de altura, embora não fossem largas elas tinham pontes que se conectavam. Criou porções de terra que flutuavam sobe o solo, elas emitiam uma forte gravidade que movimentavam o rio flutuante.
Novamente seu coração volta a se sentir bem, coloca seres em cada montanha e os dão asas para poderem percorrer o planeta. Também enche o rio de criaturas. No planeta passado ele cria diamantes para irradiarem uma luz verde, mas dessa vez ele coloca no solo milhares de diamantes que emitiam uma luz própria, isso fazia com que o rio fosse colorido. Sua diversão consistia em ver a alegria e a harmonia das coisas. Mas ele já estava ficando cansado, o planeta era muito grande. Só que o deus pensou consigo “criei algo tão lindo, talvez eu durma por muito tempo, vou criar seres que possam pensar e assim eles aproveitarão todas essas maravilhas”.
Por estar sempre sozinho, ele se dedicava a criar coisas, e aprender delas, mas não conhecia completamente a si mesmo. Então resolveu criar algo para saber quanto tempo ele dormia. Fez uma esfera que capitava luz e guardava imagens dentro dela, ele a chamou de “Capsula do passado”, pois poderia guardar muitos anos de “memoria”. Colocou essa esfera em uma lua, a alguns milhares de quilômetros longe do planeta que criara, uma lua diferente que não se movia, assim iria não iria perder os acontecimentos quando estava dormindo.
Educou e ensinou os seres racionais a falar, deu nome a eles e a todos os outros animais. Eles perguntam qual era o nome do deus, e ele responde:
-Harrelius!
O deus ficou muito feliz quando ouviu daquelas criaturas o seu nome. Ficou tão alegre que os batizou de Harrzens. Depois de alguns dias, o deus explicou que precisava dormir e os instruiu para o acordarem, se algum problema acontecesse.
— Boa noite! Falaram os harrzens alegremente enquanto se despediam dele, embora ainda fosse de dia. Harrelius cria uma esfera de gelo e se lança dentro do rio flutuante, enquanto era arrastado pela correnteza, sentiu o sentimento de que merecia ter um bom descanso. Coloca as mãos embaixo do rosto e dorme.
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Quando acorda, ele não abre os olhos imediatamente, tinha um mau pressentimento. Porque será que ninguém tentou me acordar, será que algo ruim aconteceu. Duvidas passavam pela sua cabeça, ainda de olhos fechados ele grita procurando encontrar algum resquício de vida.
— Filhos! Harrzens! Alguém!
Após se conformar de que estava sozinho, parar de gritar e abre os olhos. Contempla a cena de um planeta vazio, sente a frustração de todo seu trabalho ter sido jogado fora, todo o seu amor ter sido assassinado. Todos aqueles diamantes coloridos, os animais, os rios e a vegetação e principalmente os harrzens. Toda a vida havia desaparecido no vácuo do universo, só havia sobrado o chão vazio do planeta, com crateras enormes, que provavelmente eram o lugar das incríveis montanhas.
Estava pela primeira vez sem vontade de criar nada, sentia-se transtornado. Então se lembra de que fez a capsula do passado e vaga lentamente rumo àquela lua, abandonando aquele planeta enorme e vazio. Quando chega ao lugar, pega a capsula e a explode, fazendo com que os acontecimentos que gravou daquele mundo extinto rodassem como um filme.
Para seu horror e medo, ele testemunhou algo que o deixou muito mais apavorado do que a sensação de solidão. Quando ele dormiu, seu corpo que era amarelo começou a borbulhar e foi mudando o tom da cor até ficar uma cor azul-marinho. Quem era aquele ser, Harrelius se perguntava. O ser saiu do rio e começou a soprar e soprar e o mundo iam perdendo a forma, a criação ia sendo enxotada do planeta. Ele pegava as montanhas e ia às arrancando do solo, os animais gemiam e os harrzens e tentavam o acordar, mas os que com luta conseguiam se aproximar, receberam um relâmpago colorido que os transformou em pó. Após destruir tudo o planeta, o ser descontrolado ficou paralisado e não se mexeu mais, era como se tivesse pegado no sono, uma fumaça negra saia dele, e continuou saindo até voltar a ser Harrelius.
— Isso é um monstro! Há um monstro dentro de mim!
O tempo que levou para construir aquele ultimo mundo foram quatro dias, mas o monstro dentro dele o destruiu em vinte e três minutos. O deus estava sem saber mais o que fazer, pois daqui pra frente haveria uma certeza: O que ele fosse criar seria destruído pelo monstro.
O deus então teve uma ideia, mas estava sem animo para realiza-la. Procurou bem pacientemente novamente por um lugar tranquilo no universo, ele acha um lugar pequeno, era o menor planeta que ele já havia trabalhado, e mesmo o planeta possuindo milhões e milhões de quilômetros, comparado ao anterior era como se fosse uma laranja para ele.
Ele vai pacientemente até o local e decide quebrar uma regra própria. Cada planeta criado tinha sua peculiaridade, cada um possuía criações e artimanhas únicas embora geralmente o próximo mundo criado fosse melhor que o anterior. Coloca no planeta todas as peculiaridades dos outro, o que já tinha criado além de coisas novas. Embora fosse bem pequeno para tantas criações, em uma versão reduzida, era possível. Esse era seu ultimo trabalho, resolveu que faria uma ultima obra para partir numa missão abnegada. Percebeu que tinha duas alegrias, uma era criar e a outra era que a felicidade de quem ele amava fazia com que ele próprio ficasse feliz.
Estalou o dedo da mão esquerda e apareceu uma infinidade de criaturas, uma diferente da outra, se não fossem todos herbívoros, os pequenos não durariam uma hora perto de tantos seres colossais. Não quis recriar os harrzens, pois o que amamos é insubstituível. Por ultimo criou novos seres racionais. Mais uma vez ele os educou e os ensinou como cuidar dos animais e do mundo, mostrou o nome de tudo e os ensinou como serem felizes. Concedeu a eles a missão de cuidar do planeta. Esses últimos se excitavam sempre que aprendiam algo novo e em alegria por tanta beleza, saltitavam. Por conta disso ele os chamou de “Carneirotas”.
Harrelius explicou que teria que sair em uma grande missão, que o planeta corria riscos, falou que havia algo muito importante que só ele podia fazer. Os carneirotas não entenderam, mas despediram-se tristes. Antes de partir o ele prometeu que voltaria para aumentar o planeta e fazer coisas ainda mais lindas. Então o deus voou como um relâmpago para o mais longe que podia, temendo liberar naquele ambiente fantástico um monstro sedento por caos.
Depois de voar até se exaustar, alcançou uma estrela enorme, a maior que já tinha encontrado. Entrou dentro dela e mergulhou até chegar ao seu interior.
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O calor que emanava dela era o maior que já sentira, mas isso não o incomodava, as explosões de dentro dela o jogavam para um lado e para outro e já cansado ele achou aquilo muito aconchegante. E então dorme.
Após acordar, ele percebe uma escuridão da qual nunca havia visto, a estrela havia se transformado num buraco negro, ele girava em circulo muito rapidamente, quase tão rápido quanto seus voos para encontrar outras galáxias. Aquele ambiente era extremamente pesado, mas não lhe oferecia medo, nada na natureza poderia lhe dar mais medo que ele mesmo. Sai do buraco negro sem muito esforço e pousa em um planeta um pouco mais distante, pega uma pedra e a transforma em um telescópio novamente. Para sua alegria o seu planeta estava intacto.
Harrelius se concentra e expele de dentro dele o monstro, ele se deparou pela primeira vez com responsável por destruir suas obras e acabar com a alegria de acordar bem. Olhou com repulsa para o ser que estava o encarando e perguntou:
— Qual é seu nome, monstro?
— Meu nome é Sulierrah! Respondeu o monstro.
— Porque destróis tudo que eu crio? – Perguntou o deus furioso.
— Essa é a minha razão de viver, é isso que me agrada, respondeu o monstro e prosseguiu – Você cria, eu destruo, nós nos completamos!
— Se eu pudesse, criaria mais e mais coisas e seres e mais seres. Tudo o que criei, não fiz para ter um fim. Nada é feliz sabendo que se tem um fim, não importa o quanto possa aproveitar. É verdade que o mau não vive sem o bem, mas o bem não precisa do mal para existir.
O deus então fez brotar um jardim de flores naquele planeta, e o monstro as devorou. O deus criava estruturas de vidros, cristais, torres, árvores e monumentos. Tudo quanto criara o monstro destruía e quanto mais complexo as coisas que o deus da criação arquitetava, mais o monstro destruía rapidamente.
O monstro destruiu em fim o planeta antes que o deus pudesse pensar na próxima coisa a criar. O deus da criação pulou para outro planeta e continuou e o monstro o seguiu continuando assim aquela batalha. Quando Harrelius cansava, o monstro também estava perto da exaustão e ambos dormiam. O desejo de Harrelius era ocupar o monstro para sempre, para as coisas que criou para serem felizes, fossem felizes para sempre.
Ambos acordavam e voltavam a duelar e esse ciclo continuou por muito tempo. O deus da criação já estava farto de criar as mesmas coisas e o monstro cada vez destruía as coisas mais rapidamente e Harrelius ficou com medo do monstro solto destruir todo o universo, mas principalmente, destruir aquele mundo que ele tanto amou e tanto estava lutando. O maior temor de Harrelius era dormir primeiro que o monstro. E estava pensando que seria vencido quando o cansaço já estava batendo na porta enquanto seu rival estava vigorosamente pronto para continuar com sua batalha.
-Aquele monstro sem coração não pode destruir minha obra-prima! Não vou deixar não importa o que aconteça!
Só existia uma coisa que monstro não tinha vontade de destruir, o próprio deus da criação, pois sem ele, jamais poderia ter seu prazer realizado. A luta continuou até que Harrelius, já cansado teve uma ideia que o encheu de esperança, criar algo que desse trabalho do monstro destruir e ao mesmo tempo fosse fácil de fazer.
Apostou tudo nessa ideia, voou até uma estrela enorme de cor azul, era quase tão grande quanto a primeira que o monstro destruiu. Ele criava seres que pareciam peixes de cristal vermelho e águias de cristais verdes, estalando os dedos da mão esquerda. Porém aquilo não eram cristais, era um material que não derreteria com o calor daquela estrela. Aqueles seres voavam e nadavam em varias direções. Enquanto produzia essas criaturas, com a mão direita ia criando barreiras para pararem o monstro, ele criava trinta barreiras e o monstro as destruía num segundo, continuou assim até que apagou.
O monstro saia avidamente devorando aquelas criações e explodindo-as, as dilacerava com as mãos e chutava algumas para longe.
Quando Harrelius acordou, encontrou o monstro de costas ele contorna o monstro e quando o encara, percebe que ele estava dormindo. Em fim ele poderia ver os seres e planeta que tanto cuidou, depois de muito tempo ele poderia cumprir sua promessa e criar algo para não ser destruído.
Ele jogou o monstro ainda mais longe para ter mais tempo de cumprir sua promessa. E voa para o lugar que para ele era o coração do universo, era onde sua paixão estava. Sempre que chegava a um planeta ele causava um grande impacto, mas com todo o carinho de uma mãe quando segura seu bebê, parou numa distancia segura e aproximou-se devagarinho. Quando entrou no planeta ele encontrou muito menos verde do que quando o criou, procurou a infinidade das criaturas que havia enchido o mundo e com dificuldade achava um perdido aqui e ali. Ele vagou pelo planeta e encontrou muitos dos Carneirotas feridos. Ele não entendia o que estava acontecendo, criou o mundo de uma forma que não havia espaço para a dor. O deus da criação chamou todos os carneirotas e perguntou:
-Que ano é esse?
Um carneirota olhando para o chão por não conseguir encará-lo sussurra:
Duzentos e sete!
Harrelius ficou triste, todo seu esforço foi em vão.
— O planeta que lutei tanto para proteger está arruinado, sinto muito por não ter cuidado de vocês como deveria, sinto muito por não ter sido mais forte!
Ao ver o criador deles tão triste, os carneirotas começaram a chorar, eles olhavam um para o outro tentando ver quem iria explicar a situação. Até que um deles, que possuía uma postura de líder falou:
— Ah mestre... Perdoe-nos! O senhor foi tão bom para conosco e mesmo assim a gente... Não foi o senhor que falhou em sua missão, fomos os culpados!
— O monstro dentro de nós causou essa destruição!
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