De frente com o Amor

1 Entre a Espada e a Paixão


O ar soprava quente no rosto daquele garoto, que suava ao encarar seu oponente frente a frente naquele imenso deserto sem fim. Não se sabe bem o que se passava em seu peito naquele momento, ninguém há de saber. Só se sabe que seu espírito vibrava, gritava e cantava ao vento. Seu coração pulsava forte o veneno que chamava de amor por todo o seu cansado corpo. Seus olhos… Brilhavam seco, de uma maneira vívida e forte.

Ele empunhava uma espada rachada. Por algum motivo curioso ele a chamava de Presente, e o agarrava fortemente. Diante do garoto, um ser deformado e sombrio o encarava, rindo de maneira maníaca e sádica. Seus olhos brilhavam em vermelho sangue, completamente envoltos de desespero. A criatura empunhava um grande machado, coberto de sangue, que humilhava a pequena arma do rapaz.

– Trema… Chore diante de mim, garoto! — Urrou a criatura com sua voz grave e estridente.

O garoto abafou sua risada, esboçando um sorriso frenético.

– Que… Que cheiro é esse? É medo…? É isso mesmo? O Amor… Está temendo? O que tem a temer, Senhor da Confusão? Será que pela primeira vez alguém enfim pode te confrontar? Alguém enfim encontrou uma maneira para isso?! — Retrucou o garoto.

Ao ouvir isso a criatura não se conteve, correu de maneira desenfreada até o rapaz. A cada passo que ele dava o ar se tornava mais pesado, o nó na garganta mais apertado, a dor no peito mais forte. O garoto sentia vontade de ir se deitar e esquecer tudo aquilo, queria que tudo acabasse. A confusão penetrava sua alma e consumia sua sanidade. Seu coração pulsava tão forte que ele tinha a sensação de que iria explodir. A assombração chegava mais e mais perto, empunhando por trás do que pareciam ser suas costas, seu machado, sanguinário e pesado. Quantos corações o Amor já não tinha ferido? O sangue de quantos estariam ali? A vontade de quantos… ?

“Não. Não vou fugir. Vou enfrenta-lo… Por todos aqueles que tiveram medo. Por todos aqueles que foram enganados. Cada vitima, cada coração inocente…” Pensou ele, procurando forças para não desistir.

O impacto agora, entre o Amor e mais uma vítima, já era inevitável.