De Volta à Plataforma 9 ¾ - 19 anos depois
2 De Weasley para Weasley
Notas iniciais
— Bom dia, filha! – Ron deu uma leve batida na porta antes de entrar no quarto de Rose que, sentada na cama, conferia pela décima vez naquela manhã a lista de materiais para o primeiro ano em Hogwarts.
— Oi, pai! – ela abriu um lindo sorriso. – Ainda bem que acordou. Achei que não conseguiria ir comigo até a plataforma.
— Eu não perderia isso por nada desse mundo – o bruxo se aproximou e deu um beijo afetuoso na filha antes de sentar ao lado dela na cama. – Vamos continuar aquela conversa de ontem?
— Ah, sim, a sua lista de coisas que devo e não devo fazer em Hogwarts – a garota e o pai trocaram sorrisos cúmplices.
— Sua mãe não pode saber disso. É o nosso segredo! Do que está rindo? Se ela descobrir vai me lançar um azaração poderosa – ele exagerou na cara de assustado.
— Combinado, pai. Vai ser o nosso segredo – Rose concordou. – Quer que eu anote?
— Claro! Sempre é bom anotar. Assim você não esquece – Ron aproveitou para dar mais um beijo na filha. – O primeiro item da lista é: nunca diga que um colega não é bom na execução de magias e não corrija a pronúncia de alguém ao formular um feitiço.
— Nem quando for para ajudar? – a garota o olhou com curiosidade.
— Em hipótese alguma. Todos nós temos um talento e qualquer forma de censura pode bloquear o desenvolvimento desse dom – Ron, que demorara a entender as próprias capacidades, hoje podia se gabar do seu poder de conquistar certa bruxa muito inteligente.
— Anotado! Quais são os outros itens da lista? – Rose se virou para olhar melhor o pai.
— Não queira ser a melhor aluna da turma. Nem responder a todas as perguntas. Perder um ponto não é o mesmo que perder a vida – Ron dava ênfase a esses itens, por considerá-los o mais difíceis de serem cumpridos pela garota. – Estude apenas o suficiente. Prefira a companhia das pessoas que a dos livros.
— Pai, com esse último item não concordo. Acho que posso gostar de um jeito igual dos livros e das pessoas – ele arqueou as sobrancelhas considerando aquilo um avanço, já que Hermione sempre preferira os primeiros.
— Podemos negociar. Que tal gostar apenas um pouquinho mais das pessoas que dos livros? Até sua mãe, que dispensa minha companhia pela dos livros – Ron ainda tinha ciúmes disso e admitia –, concorda que as amizades são o que realmente importa.
— Mamãe sempre fala que a maior conquista que fez em Hogwarts foram as amizades. Mas... Pai! Como assim ela prefere os livros? Mamãe disse que sempre preferiu você – Rose deu uma gargalhada e Ron riu junto com a filha.
—Bem, isso nos faz chegar ao próximo item. Hogwarts não é um lugar de namorar e sim de se formar como bruxo e ....
— Eu não quero nem me casar! Vou me dedicar às causas bruxas, como o tio Carlinhos – ela interrompeu o pai.
Ron ergueu uma das sobrancelhas. Aos 11 anos, pensava como a filha. Mas foi então que conheceu uma menina mais esperta que ele, com um jeito mandão, e aos poucos foi mudando de idéia.
— Não custa lembrar desse item, que é muito importante. Nada de namoro em Hogwarts. Mas vamos ao próximo – Ron tentou continuar a conversa.
— Que história é essa, pai?! Você namorou em Hogwarts, que eu sei! Mamãe até hoje tem ódio de uma tal de Lilá Brown – a garota fez um gesto típico de Hermione, colocando as mãos na cintura.
— Foi uma grande burrice. Por isso que falo para não namorar em Hogwarts. Mas fui devidamente castigado pelo erro cometido — ele balançou a cabeça enquanto lembrava claramente de Hermione, enfurecida, lançado os pássaros contra ele.
O pai pigarreou antes de continuar, com a devida solenidade. Afinal, falaria do que julgava mais importante. “Então, Rosinha, a sua maior meta na escola deve ser entrar para a equipe de quadribol da Grifinória”.
— E se eu não for selecionada para a Grifinória? – Rose não conseguiu esconder o pavor que aquela hipótese despertava nela.
— Claro que vai. Todos os Weasley, há muitas gerações, são selecionados para a Grifinória. E você é uma Weasley – o pai a tranquilizou.
— Mas mesmo que eu for para Grifinória, posso não entrar no time. Tia Gina disse que a seleção é muito rigorosa – ela arregalou os olhos.
— Não se preocupa com isso. Tenho certeza que não vai quebrar essa tradição dos Weasley. Todos nós jogamos bem, menos seu tio-almofadinha Percy – ele fez uma careta mais por implicância já que, depois da morte de Fred, havia se aproximado do irmão. – E você é uma ótima artilheira, vai seguir os passos do seu tio Carlinhos.
— Mamãe disse que não devo pensar em quadribol. Tenho que me focar no estudo – ela parecia um tanto confusa.
— Não leva muito a sério o que a sua mãe fala. Você consegue estudar e jogar ao mesmo tempo. Só não esqueça que não precisa ser a melhor aluna – Ron deu uma piscadela para a filha.
— Preciso anotar mais algum item? – ela mostrou ao pai a lista escrita no pergaminho com uma letra desenhada.
— Não, está ótimo assim. No caso de alguma dúvida, mas, principalmente, se você sentir-se confusa e tiver medo, pode escrever para mim. Eu sei muito bem o que é isso. Agora me dá um abraço – ele se levantou e puxou a filha para envolvê-la de um jeito carinhoso e protetor.
Enquanto pai e filha conversavam, Hermione lutava para acordar Hugo, que tinha um sono profundo. Depois de tentar tirá-lo da cama com gestos e palavras suaves, precisou sacudir o filho e puxar a coberta dele.
— Eu não quero levantar. Quem vai para a escola é Rose. Não sou eu – o menino respondeu mal-humorado.
— Mas todos nós temos que levá-la até à Plataforma 9 ¾ . Você não pode ficar sozinho – a mãe impacientou-se.
— Me deixa aqui com Bichento. Ele é uma ótima companhia – Hugo argumentou.
Nesse momento, percebendo que o garoto falava dele, o gato laranja que fora causa de tantos desentendimentos entre ela e Ron saiu debaixo da cama e se aninhou junto às cobertas. Bichento já tinha pelo menos 25 anos, uma vida longa para um felino, e tornara-se o grande amigo de Hugo, com quem dividia o quarto.
— Eu concordo com você. Bichento é uma ótima companhia. Mas você não vai ficar em casa. Vamos todos acompanhar a sua irmã embarcar no Expresso de Hogwarts – ao falar aquelas palavras, Hermione sentiu-se tensa, já que não seria fácil ficar longe da filha.
— Já vou logo avisando que eu não vou estudar em Hogwarts. Vou aprender magia em casa – o garoto, já sentado na cama, surpreendeu a mãe com aquela afirmação.
— Como assim não vai estudar em Hogwarts? Claro que vai. Ao menos que não receba a carta-convite, mas acho isso é praticamente impossível para um Wealey – a mãe falou orgulhosa por agora fazer parte daquela família.
— Não sei por que precisamos ir para Hogwarts. Tio Jorge falou que os alunos da escola passam a maior parte do tempo lendo uns livros pesados e empoeirados, quase não praticam magia – o garoto rebateu.
— Hugo, não é bem assim. E qual é o seu problema com livros? — Hermione ficou séria.
— Mãe, eu não gosto de ler. É muito cansativo. Mas gosto muito quando você conta histórias para mim – ele sorriu.
Hermione afagou os cabelos vermelhos do filho com ternura. Hugo lembrava tanto o pai que não conseguia ficar chateada com ele por muito tempo. Ainda assim, não aceitaria que o garoto tivesse preguiça de ler e estudar.
— Hugo, os livros me ajudaram muito e também ao seu pai e ao seu tio Harry. Graças aos livros aprendi muitas coisas que foram fundamentais para derrotarmos juntos o Lorde das Trevas – a mãe argumentou.
— Mas eu preciso ir para Hogwarts para ler? Você tem tantos livros aqui... – o menino, que era muito inteligente, fez nova tentativa de driblar a mãe.
— É diferente, Hugo. Lá você também vai aprender muitas magias e adquirir conhecimentos que não estão nos livros. Hogwarts nos prepara para sermos bruxos valorosos, que trabalham para um mundo melhor – ela falava com convicção.
— Tio Jorge não terminou Hogwarts e ganha muito dinheiro com as Gemialidades Weasley. Tio Harry também não e é chefe dos Departamentos dos Aurores. Papai não fez o último ano e conseguiu ser auror, como ele queria. Não preciso ir para lá. Posso aprender magia em casa – o garoto herdara a teimosia do pai e a capacidade de argumentar da mãe.
— Hugo, seu tio Jorge sempre teve outras aptidões, mas ele é uma exceção. Harry e seu pai só não terminaram porque precisaram parar os estudos para empreender a jornada em busca das horcruxes. Aqueles meses valeram por uma escola. Mas você não vai enfrentar algo assim, então tem mesmo é que frequentar Hogwarts – Hermione estava colocando um ponto final nos argumentos do filho.
— Você ainda não me convenceu – respondeu o menino enquanto fazia um carinho em Bichento.
— Ainda tenho dois anos pela frente para te convencer da importância de frequentar Hogwarts. Agora coloca logo a roupa e venha tomar o café da manhã. Não podemos chegar atrasados na plataforma – ela cruzou os braços na tentativa de fazer um ar mais sério, sem muito sucesso.
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