De Volta Para Você
1 Vizinhos
Notas iniciais
Cá estou eu, com mais uma fanfic! o/
Como eu já disse nas notas da história, as postagens serão feitas toda terça-feira :D
Bom, por agora é só :)
hehe
Espero que gostem, boa leitura :D
O dia estava lindo, eu tinha que assumir.
O céu exibia um tom maravilhoso de azul que se fundia em meio aos raios solares, não havia nuvens e a brisa fresca que corria solta, era a finalização perfeita para um ótimo clima.
Mantendo o ritmo da corrida, aproveitei a sobram fresca que as árvores proporcionavam.
Isso era tão bom.
Fechei os olhos momentaneamente, respirando o ar puro que só residia em Louisville.
Aquela cidade era o paraíso.
Não havia transito, não havia poluição sonora, não havia correria.
Eu amava a tranquilidade que as ruas calmas me passavam e mesmo com toda a mudança que ocorrera ali, nos últimos dez anos, eu me sentia em casa.
A música no fone de ouvido cessou dando lugar ao toque do meu celular. Parando com minha típica corrida matinal, peguei o iPhone aceitando de imediato a chamada que eu recebia.
—Alô. – eu estava ofegante, meu coração batia forte.
Respirando fundo, passei a mão por minha testa, o suor molhou meus dedos. Não evitei a careta, odiava ficar suada.
—Filha. — a voz doce de Renée soou do outro lado da linha. —Está ocupada?
—Não. – murmurei puxando a garrafinha de água do suporte que a prendia em minha cintura. —Porque?
—Pensei que podíamos almoçar juntas, o que acha?
Ela soou animada e eu me senti mal por ter que rejeitar.
Tanto Renée como Charlie não escondiam a euforia por minha volta e agora queriam passar todo o tempo possível comigo.
—Eu ia adorar mamãe, mas combinei de ir almoçar na casa de Alice. – respondi retirando as chaves de casa do bolso. —Por favor, não fique chateada.
Tive de pedir, levando em conta como Renée era tendenciada ao drama, tudo para ela era questão de fazer bico e emburrar.
—Oh, tudo bem filha. – soltei um suspiro aliviado quando não notei nenhum fio de ressentimento em seu tom.
—Se quiser, podemos jantar juntas. – sugeri. —E o papai, claro.
—Claro que eu quero, ainda não matei toda a saudade bebê. – sorri de suas palavras, erguendo a cabeça e já avistando minha casa. —Bom então até a noite.
—Até, um beijo.
—Outro meu amor.
Bloqueando o celular percorri o curto percurso até a entrada de casa, não deixei de suspirar ao ver a fachada bonita e bem cuidada de madeira, com a pequena e charmosa área, e a frente o belo jardim com a grama verdinha rasteira.
Quando Alice disse que havia encontrado uma casa perfeita para mim, pensei que ela estivesse se vangloriando, mas ainda bem que eu estava errada.
Ela acertara em cheio com aquele imóvel.
A casa ficava de frente para o Cowboy Park, a rua além de ser repleta de árvores, ainda era super reservada.
Havia apenas uma casa ao lado da minha, que partilhava do lago artificial aos fundos.
Segundo Alice, eu não teria problemas com meu vizinho e eu certamente, após onze dias, eu não tinha o que reclamar.
Os únicos barulhos que saíam daquela casa, vinham dos latidos do seu cachorro, o que não me incomodava e pelo o que eu pude perceber, mal ficava em casa.
Quando entrei em casa, segui direto para o chuveiro. Meu banho fora fresco, tranquilo, tirando de mim cada resquício de suor.
Coloquei uma música suave para tocar quando sai do banheiro, minha mão agitava a toalha em meio ao meu cabelo molhado enquanto eu procurava o que vestir.
Em frente ao meu closet, eu percebi que precisava ir às compras.
Deixar Nova York, não fora uma decisão fácil, assim como deixar Louisville.
Por mais que aquela correria me incomodasse, o transito me deixasse louca e meu trabalho consumisse cada gota de energia que eu tinha, me senti mal.
Por dez anos, aquela cidade, fora o meu lar, mesmo que eu não a visse assim.
Fora nela que eu afoguei minhas lágrimas, me tornei mulher e uma advogada bem-sucedida, contudo eu já não aguentava mais.
Não aguentava mais ficar longe dos meus pais, não aguentava mais fugir de um passado que acontecera há tanto tempo, mesmo que, a ferida deixada ainda estivesse aberta, eu precisava voltar, precisava estar em casa novamente.
Quando sai de Nova York, decidi deixar para trás tudo que me lembrava aquela vida corrida e estressante, isso incluiu minhas roupas.
Tailleurs, blazers, calças sociais e as tantas outras peças que faziam parte do meu vestuário de trabalho.
Ser uma advogada, exigia que eu me vestisse nos padrões mais altos de elegância e refinamento.
Não podia ser casual ou despojada, tinha que ser sofisticada e séria, o que nunca combinou muito comigo.
Na adolescia, eu era a garota que não abandonava o jeans e o all star. Chegava a ser cômico, como eu me transformara em uma mulher que vivia de saias lápis e saltos agulhas.
Maneando a cabeça, eu retirei umas das poucas peças casuais que me restavam.
Uma bata branca de renda e uma saia jeans destroyed.
Eu não queria mais incorporar aquela mulher bem vestida que todos jugavam ser fria, mas também não queria ser aquela adolescente casual que deixara Louisville de modo trágico, até porque, eu não tinha mais idade para me comportar de tal maneira.
Respirando fundo, eliminei aqueles pensamentos que certamente me levariam até uma pessoa que eu não queria lembrar ou pensar.
Usando o secador, terminei de secar o cabelo que como sempre, permaneceu liso. O deixei solto e só então notei como ele estava grande.
Sorri, eu não ia cortá-lo, estava bonito e agora, eu teria tempo para cuidar.
Calçar as sandálias baixas fora a última coisa que eu fiz antes de sair de casa com a bolsa no ombro e o celular em mãos.
Espero que o almoço já esteja pronto! Rs
Estou chegando, beijos.
Assim que mandei a breve mensagem a Alice, abri a porta da garagem e desativei o alarme do carro.
Quando sai com ele na rua, não deixei de reparar no Volvo Xc90 parado em frente a garagem do meu vizinho, as janelas abertas confirmaram minhas dúvidas. Ele estava em casa.
Mordendo o lábio eu me senti tentada a parar o carro e ir até a porta, me apresentar e quem sabe, começar uma amizade.
Isso era tradição em Louisville, os vizinhos confraternizarem um com o outro, e eu não queria passar por arrogante ou esnobe.
Tamborilei meus dedos no volante, soltei o ar pela boca me sentindo frustrada ao perceber que eu não tinha nada para levar até ele.
Quando voltasse, iria fazer uma torta.
Sorri com a ideia acelerando o carro pela rua e torcendo para que ele continuasse em casa.
Enquanto dirigia pelas ruas de Louisville, tive de acionar o GPS. Já tinha ido algumas vezes até a casa de Alice, mas eu não me lembrava muito bem do caminho e a cidade, estava bem diferente do que eu me lembrava.
As pequenas casas, haviam sido trocadas por exuberantes construções; os armazéns da rua principal, Main Street, se tornaram lojas grandes; as ruas, que antes eram bem movimentadas pelos habitantes, acomodavam com certa organização, os veículos modernos.
É claro que eu sabia que a cidade não ia ficar estacionada no tempo, no entanto ver todo o progresso que ela alcançara em poucos anos, me surpreendeu.
Muita coisa mudara, muita gente mudara.
Há dez anos atrás, eu era vizinha de Alice, íamos a pé para a escola e namorávamos os irmãos mais cobiçados do bairro.
Naquela época, eu pensava que aquilo era bom. Achava incrível desfilar ao lado de alguém tão lindo como ele.
E é claro que eu descobri que ele não arrancava suspiros só de mim, ele não beijava somente a minha boca, ele não tocava somente o meu corpo.
Exibir o que é muito bom, acaba causando cobiça e inveja alheia.
Bufei tapando meu rosto com as mãos, toda vez que eu me lembrava daquele assunto, me sentia mal.
Respirei fundo antes de sair do carro.
Não seja idiota.
Pedi a mim mesma.
Dez anos se passaram, você superou, está tudo bem.
Garanti mentalmente, forçando o sorriso a aparecer em minha boca, quando Alice abriu a porta.
Quando eu a abracei, a espontaneidade tomou conta dos meus lábios. O volume que sua barriga de seis meses causava contra a minha, era delicioso.
—Como você está? – indaguei beijando seu rosto.
—Um pouco mais gorda. – fez uma careta. —Mas bem e você?
Eu sorri a olhando, de gorda ela não tinha nada. As únicas coisas que aumentara nela, eram os seios e a barriga.
Alice era a gravida mais linda que eu já vira. Sua pele estava ainda mais delicada, seus traços ainda mais femininos e o cabelo, ainda mais brilhoso.
—Estou bem. – sorri apoiando minhas mãos em sua barriga. —E a Mia? Como nossa princesa está?
Alice abriu a boca para me responder, porém o solavanco que saiu de dentro de sua barriga a calou. Eu me surpreendi ao receber o chute, puxando minha mão e a olhando boquiaberta.
—Meu Deus!
Soltei baixo, deliciada com a sensação. Alice puxou o ar pela boca, soltando-o pelo nariz, como se estivesse sentindo dor.
Prendi o riso, já havia lido em algum lugar que alguns chutes doíam mesmo.
—Ela mesmo te respondeu, não é? – murmurou se recompondo, nós duas rimos juntas. —Entre, vamos almoçar!
Segurando minha mão, ela me puxou pela sua casa, que era realmente fascinante. Os cômodos eram altos, decorados com móveis modernos e tons sóbrios, os cristais presentes nas luminárias, lustres ou objetos de decoração, dava um toque a mais de luxo.
—Emmet não vai almoçar conosco? – indaguei enquanto lhe ajudava a pôr a mesa, na qual Alice serviu pratos para apenas duas pessoas.
—Não, ele tem uma reunião com os pais sobre a construtora.
Explicou arrumando os talheres de prata. Eu suspirei pondo a tigela de macarrão sobre a mesa de madeira escura.
Carlisle e Esme.
Há quanto tempo eu não via? Será que continuavam tão simpáticos e amorosos, mesmo depois de terem construído uma fortuna?
Maneei a cabeça, erguendo o olhar percebi que Alice me fitava.
—O que foi?
Questionei meio sem jeito, Alice riu chacoalhando a cabeça em negação.
Segundo Renée, Carlisle e Esme continuavam humildes. Quando, há dez anos, eu fora embora de Louisville, eles já tinham um certo conforto, contudo, agora eles estavam muito bem de situação.
Minha mãe contara que os dois investiram algum dinheiro em uma casa que estava acabada. Uma reforma, móveis novos, todo o bom gosto de Esme e a experiência de Carlisle a deixaram super valorizada.
Eles repetiram o processo várias vezes, até terem dinheiro suficiente para montar uma construtora e imobiliária.
Hoje, eles já estavam montando a terceira filial de Group Empire Cullen, em Colorado Springs.
No fundo, bem no fundo, eu me perguntava como ele estava.
Certamente ainda mais prepotente, convencido, usando e abusando do dinheiro dos pais enquanto seu único trabalho era comer as mulheres mais gostosas de todo o Colorado...
O pensamento amargou minha boca, mastigando o filé, eu me recriminei. Ele, era um assunto acabado.
—E então, gostando do bairro? – cortando a batata gratinada em seu prato, Alice me indagou.
Limpando os lábios, tratei de sorrir.
—Sim, é bem tranquilo e quieto. Tudo o que eu quero e preciso.
—Uh, que bom. – no fundo, eu senti algo estranho em sua voz. —E a vizinhança, já se socializou ou...?
Deixando a pergunta no ar, ela bebericou seu suco natural.
—Meu único vizinho próximo não para em casa. – ainda me sentia frustrada por não conhece-lo. —Parece que hoje ele está por lá.... Quando voltar, caso ele ainda esteja, irei fazer uma torta e ir “socializar”. – fazendo aspas no ar com os dedos, eu usei suas palavras.
Alice sorriu transmitindo algo mais em seu sorriso.
—Bom, faça isso mesmo. – me incentivou. —Você sabe como as pessoas dessa cidade são.... Se demorar a ir até a casa dele, vai passar uma imagem errada.
Fiz uma careta diante a situação, eu não queria aquilo. Meus planos eram viver na mais tranquila paz, causar desarmonia com meus vizinhos, era a última coisa que eu queria.
—Mudando de assunto, Emmet e eu vamos fazer cinco anos de casados daqui uns dias. – vi seus olhos brilharem de emoção. —Como você não veio ao meu noivado, meu chá de panela ou ao meu casamento, ir a esse jantar é praticamente sua obrigação.
Ela me olhou séria, decidida.
Suspirei colocando os talheres ao lado do prato. Deixar Alice, fora tão difícil quanto deixar meus pais e... Ele.
Ela era minha melhor amiga e eu tinha sido uma vadia completa nos últimos anos, mas ir aquele jantar seria a minha ruina.
Alice era cunhada dele. Ele fora o padrinho do casamento, esteve presente em todos esses anos e agora, eles eram amigos. Eu sabia disso, sabia que o reencontraria ali e toda aquela dor que eu passara a dez anos, retornaria.
—Antes que você me venha com o discurso de que: Não quero encontrar com Edward. – ela proferiu e eu saltei na cadeira.
Edward.
A quanto tempo eu venho evitando pensar, falar ou ouvir esse nome? Há dez anos, provavelmente.
Engoli seco sentindo meu coração se contrair dentro de mim. Era apenas um nome de uma pessoa que não merecia tudo o que eu sofri e chorei. Só isso.
—Você deixou bem claro que já superou, que não existe mais mágoas, então, eu exijo que você venha ao meu jantar! – disse parando brevemente para tomar fôlego. —Além do mais, vai ter que aprender a conviver com ele, já que vão ser os padrinhos da Mia.
Eu estanquei na cadeira e pela primeira vez, o fato de ouvir o nome dele ou estar diante a possibilidade de ficar frente a frente com tudo o que aconteceu, não foram tão importantes.
—O que? – indaguei começando a me emocionar. —Nós somos... Quero dizer, eu sou madrinha da Mia?
Alice rolou os olhos e então sorriu pegando minha mão sobre a mesa.
—Claro que é. – concordou para minha total felicidade. —Você tem sido uma amiga horrível, mas eu sei que tem seus motivos. – nós trocamos um rápido sorriso. —Além do mais, sei que você vai amá-la e protege-la, tanto quanto eu.
Mordendo o lábio inferior eu não aguentei, me levantei e corri até ela para abraça-la.
Eu estava muito feliz, o sentimento que consumia meu peito, era inarrável.
Saber que Alice estava confiando a mim, um papel tão importante como o de ser madrinha de sua filha, me deixava muito emocionada.
Como ela mesmo disse, eu vinha sendo uma péssima amiga, mas de agora em diante, ia estar sempre ali, para o que ela, Emmet ou a bebê, precisassem.
Cheguei em casa dando saltos de alegria, abri uma garrafa de vinho e liguei o som, deixando as músicas de Bruno Mars me animar.
Ainda tinha umas coisas para arrumar, caixas para esvaziar e móveis para pôr no lugar, contudo, assim que eu percebi que meu vizinho estava em casa, comecei a preparar a torta.
A escolhida, fora a de maça, afinal, quem não gosta de torta de maça?
Uma resposta ameaçou surgir em minha cabeça, contudo eu tratei de bloquear saindo pela porta de casa.
Hoje, era dia de alegria, não de pensamentos que me deixariam para baixo.
Segurando a tigela com uma mão, usei a livre para deixar três batidas na porta branca. Alguns latidos fortes vieram de dentro da casa, contudo, não me incomodaram.
Aspirei fundo me deliciando com o aroma da torta, o cheiro de canela era maravilhoso.
Erguendo o olhar, observei a fachada da casa. Era sem dúvidas, muito bonita, toda composta por pedras claras e bem cuidadas.
O barulho na fechadura chamou minha atenção, do lado de dentro pude ouvir o ralhar baixo “vai deitar!”.
Eu sorri, tentando imaginar qual seria a raça do cãozinho.
A porta se entreabriu e eu respirei fundo, espantando todo e qualquer resquício de nervosismo. Era hora de ser simpática!
A figura alta e musculosa apareceu a minha frente, erguendo os olhos pelo corpo malhado eu tive de dar uns passos para trás, para poder me equilibrar.
Assim que meus olhos entraram em contato com os orbes verdes eu senti minhas pernas bambas.
Não, não...
Minha mente gritou alto enquanto eu analisava o rosto formado por um lindo maxilar quadrado, onde a barba por fazer era o toque perfeito, os lábios finos estavam entreabertos e os olhos vívidos demonstravam espanto.
Espanto. Era isso que eu sentia.
—Bella? – a voz rouca me arrepiou inteira, como uma corrente de choque. Fechei os olhos por dois segundos, apertando os lábios quando voltei a abri-los.
Mais dois passos para trás e eu tentava loucamente recobrar algum pensamento coerente dentro de mim.
Alice não teria feito de propósito. Teria?
Soltando o ar pela boca, apertei os dedos na tigela que eu segurava. A surpresa estava sendo rapidamente substituída pela raiva, que só se apossou mais rápido de mim, quando vi o sorrisinho maroto aparecer no canto dos lábios de Edward.
—Edward. – proferi contraindo os lábios, deixando claro meu desagrado.
—Então é verdade o que disseram. – apoiando o braço no batente, ele me olhou sedutor. —Isabela Swan está de volta!
Sedutor até demais...
Pigarreando arqueei o queixo.
Sedutor o caralho, ele te fez sofrer, ele te traiu, ele....
Os pensamentos foram sumindo da minha cabeça, quando Edward arqueou a mão e a embrenhou no cabelo.
Cerrei os olhos ao ver o misto de tatuagens que saiam de seu pulso e corriam por todo seu braço, subindo por seu ombro e atingindo uma parte de seu peito definido.
Caralho, eu tinha que admitir, ele estava muito, muito, muito gostoso.
Sem camisa e descalço, vestia apenas uma bermuda jeans que pendia em seus quadris deixando à mostra o tentador V abaixo de seu abdômen.
—Admirando a vista? – indagou soltando um risinho provocador. Ergui a cabeça o fitando com raiva, minhas bochechas queimavam tamanho meu constrangimento.
—Cale a boca, idiota! – mandei bufando. —Eu vou matar a Alice.
Bati o pé no chão, pronta para lhe dar as costas.
—Espere. – quando sua mão segurou meu braço, eu quase desfaleci a sua frente.
Sabe quando você pensa que pode encarar seu ex, olhar nos olhos dele, sentir o toque dele e que nada disso vai te atingir?
Pois bem, você está fodidamente errada.
Ele deu um passo se aproximando de mi, engoli seco sentindo o calor do seu corpo, o aroma do seu perfume.
Meu coração bateu mais forte me deixando meio tonta.
—Essa torta não é para mim?
Ele perguntou me olhando, eu bufei puxando meu braço enquanto Edward ria achando a situação divertida.
De modo brusco, entreguei a tigela a ele.
Alice ia me pagar, há se ia!
—Você não colocou canela, colocou?
—Devia ter colocado veneno! – pude ouvir sua risada alta caminhando apressada pela rua.
—Então é você que mora ali do lado. – ele soou levemente surpresa. —É um prazer te ter como vizinha!
Minha única resposta, fora erguer o dedo do meio a ele, antes de entrar em casa. Assim que fechei a porta, eu me recostei nela.
Minhas pernas tremiam, minhas mãos tremiam, meu corpo todo tremia.
Os batimentos do meu coração eram tão rápidos, que chegavam a me perturbar.
Nada de coerente passava por minha cabeça, mas era assim, sempre fora assim. Edward sempre tirou todos meus argumentos, sempre!
Passando a mão por meu cabelo, tomei mais um gole da agua com açúcar. Eu estava a ponto de surtar, isso não era bom.
Como eu fora capaz de pensar que poderia vê-lo e não sentir nada?
Tudo bem, tinha passado muito tempo, muita coisa tinha mudado, mas o que eu sentia por aquele filho da puta, continuava ali, impregnado dentro de mim. Marcado como tatuagem.
Esfreguei a mão no rosto, tentando me controlar.
Controle, era isso que eu precisava para poder raciocinar direito e avaliar o quão ruim era ser vizinha do meu ex.
Sua casa era a única próxima a minha. Nós dividíamos o lago. Havia todo um passado entre nós dois. Ele fora o motivo que me levara a mudar para Nova York....
Não precisei incluir mais nenhum item à lista, já sabia que aquela situação era no mínimo intragável.
O que eu ia fazer?
A pergunta deu voltas em minha cabeça, disquei o número de Alice, pondo o celular no ouvido.
—Hey amiga!
—Amiga? – perguntei irônica. —Amiga coisa nenhuma! Como é que você me arma uma dessas, Alice? Como?
O silencio que surgiu na ligação me fez bufar.
—Eu armei? O que eu fiz? – a falsa inocência em sua voz, fez minha raiva crescer.
—Me fez comprar uma casa ao lado da de Edward! – aumentei o tom de voz, andando aleatoriamente pela cozinha.
—Oh, e o que isso tem demais? – questionou fazendo-se de desentendida. —Você deixou bem claro que havia superado, não pensei que fosse haver problemas e além do mais, a casa era perfeita para você!
Recostei no balcão tapando o rosto com a mão.
—Não é porque eu superei, que eu vá querer ser vizinha dele!
A verdade era que eu não havia superado coisa nenhuma, só aprendido a controlar tudo o que eu sentia. Antes, porém, eu estava longe, distaste dele e de tudo o que aconteceu entre nós dois. Agora, eu estava ali, a poucos metros de distância dele.
Porque eu sentia o cheiro de desastre?
—Bella deixe de ser rancorosa! – pediu usando seu tom manhoso e mandão, ela sempre fazia isso. —Não se lembra do que eu te disse? Quero que os padrinhos da minha filha vivam em harmonia...
—Eu posso muito bem viver harmoniosamente com Edward mantendo distância dele! – exclamei mais alto. —Droga, Alice.... Porque fez isso?
—Bella, Edward mal fica em casa, você mesmo sabe disso. – começou falando calmamente. —Duvido que você vá ver ele mais do que uma vez na semana. – garantiu antes de respirar fundo. —Há menos que você queria é claro.
—O que quer dizer com isso?
—Uh, nada. – bufei diante sua resposta. —Oh, vamos! Estou começando a achar que você só está assim porque ainda gosta dele.
—Está enganada. – falei rápido, vacilando um pouco e querendo me socar.
Que porra de advogada escrota eu era que não conseguia manter a voz coerente?
Eu não consegui mais ficar em paz em casa, tudo o que passava em minha cabeça era saber que Edward estava próximo, próximo demais.
Fora isso que me levara a sair mais cedo, após me certificar que não o encontraria na rua, para ir à casa dos meus pais.
A proposta de morar com eles, nunca me pareceu tão tentadora.
Desde que eu anunciara minha volta a Louisville, que meus pais vinham insistindo para que eu ficasse com eles, mas morar tanto tempo sozinha, tinha me dado uma independência que eu não estava afim de perder.
Até descobrir que meu vizinho, era ele.
O homem que eu evitei dizer-pensar o nome por longos anos; o homem que fora o maior motivo pelo o qual eu fora embora de Louisville; o homem que me deu o maior amor e a maior decepção do mundo.
O homem que agora, era meu vizinho.
Notas finais
hahaha
Boom, por hoje é só :)
Espero que tenham curtido, nos vemos na terça!
Fiquem bem, se cuideeem ^^
Beijõõões da Nick :*
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