De Volta Para Você
15 Incerteza
Notas iniciais
Deitada na cama, remexi ao sentir os beijos molhados subirem por meu pescoço.
Um arrepio gostoso passou por meu corpo quando a mão quente entrou por minha camisola e encontrou a pele da minha barriga.
Me encolhendo na cama, fiquei ainda mais perto daquele corpo forte, quente e familiar.
—Eu sei que você está acordada. – sussurrou em meu ouvido sugando meu lóbulo e o mordiscando.
Apertando os lábios, senti cada reação que aquilo me provocara.
Arrepios, contrações abdominais, e outras coisas mais a baixo.
—Hm. – resmunguei me virando na cama, tive de apertar os olhos quando os abri por causa da claridade. —Chegou agora?
Assim que minha vista ficou firme e consegui olhá-lo claramente, fui deslumbrada com sua beleza.
Já deveria ter me acostumado com o fato de ele ser lindo demais. De seus olhos serem grandes, vívidos, terem o tom de verde mais incomum e ainda serem delineados por longos cílios ruivos. De sua pele ter a brancura exata, ser uniforme e ter ao redor de seu nariz reto, pequenas sardas, que pareciam ter sido feitas à mão. De sua boca ser desenhada, cheia e rosada. De suas covinhas fofas, nas bochechas e no queixo, que o deixavam com o aspecto mais jovem. De seu cabelo ruivo ser fascinante e único.
Passando os braços por seu pescoço, respirei fundo.
Não, eu nunca me acostumaria com sua beleza, porque ela era grande demais para se encaixar e passar batido, para virar algo monótono. Sua beleza era para ser notada e admirada.
—Uhum, agorinha. – respondeu deixando um beijo em minha testa. —Pode voltar a dormir, vou tomar um banho e logo venho te fazer companhia. – me lançando uma piscadela ele se inclinou e beijou minha boca antes de se levantar.
Ainda meio sonolenta, me espreguicei na cama antes de sentar.
De costas a mim, Edward desabotoava a camisa bege de sua farda. Ele havia acabado de chegar do trabalho e eu tenho que admitir, ele ficava absolutamente gostoso naquela farda.
—Está com fome? – maneando a cabeça, tentei tirar aquelas pensamentos de mim, afinal, ele estava cansado. —Se quiser posso fazer alguma coisa para você comer.
Deixando a camisa bege cair por seus ombros, Edward me presenteou com a bela imagem de suas costas largas.
Os músculos desenvolvidos espalhados por seu torço largo se tencionavam e relaxavam, conforme Edward se mexia para abrir o cinto da calça nude.
—Tomei café da manhã no corpo de bombeiros. – respondeu por fim, se virando para mim.
Por um motivo muito nobre, não olhei em seus olhos enquanto Edward me contava sobre como a comida de lá era horrível.
Nu da cintura para cima, Edward tinha as calças desabotoadas, o cinto e o zíper abertos. Uma visão muito, mais muito tentadora.
Remexendo na cama senti o sangue correr com mais ímpeto por minhas veias. Um calor abafou meu peito, um ar gelado contornou meu estômago.
Pigarreando, tentei me livrar de cada pensamento perverso que passara por minha cabeça, repetindo a mim mesma, mais uma vez: Ele está cansado.
—Mas não conte isso a Jéssica, porque ela provavelmente vai contar a Mike e ele continua tão fofoqueiro quanto antes. – Edward riu se aproximando de mim.
Assentindo com a cabeça, tentei soar tão divertida quando ele.
Obviamente eu não contaria, até porque eu nem sabia o que ele tinha dito.
—Sinta-se à vontade para fazer seu próprio café da manhã. – murmurou apoiando um braço de cada lado do meu corpo, seu rosto ficou a centímetros do meu.
—Não estou com fome. – dei de ombros erguendo a mão para bagunçar seu cabelo.
Edward fechou os olhos e abriu um sorriso brilhante, emoldurado pela barba cerrada.
—Prefiro seu cabelo assim. – expliquei quando seus olhos voltaram a me encarar. —Desgrenhado.
—Acho que você é a única. – sussurrou enquanto descia com beijos pela volta do meu pescoço. —Mas...
Deixou um beijo em minha boca e a palavra no ar ao se afastar.
—Mas? – perguntei contendo a imensa vontade de segui-lo.
—Mas é a única que eu quero agradar também. – meu sorriso cruzou com o seu à medida que meus batimentos aceleravam. —Vou tomar banho amor, já volto. – e abaixando as caças, ele entrou em seu banheiro.
Soltando o ar pela boca, esfreguei as mãos no rosto. Uma ardência crescente se acumulava em meu abdômen descendo em direção a minha virilha.
Puxando meu cabelo com os dedos, o prendi em um coque frouxo no alto da minha cabeça. Meu rosto e meu pescoço queimavam, apostava o que fosse que eu estava corada.
Voltando a me mover na cama, senti o resultado de toda aquela excitação. Minha vagina estava toda lubrificada, no ponto exato para receber o pau de Edward.
Sugando meu lábio inferior, o mordi. Ponderando por meros instantes, relutei em silêncios, deixando minhas ultimas desculpas irem embora.
Edward estava cansado, eu sabia. Mas eu também sabia que ele amava sexo matinal.
Ainda mais quando esse começava com um boquete, porque eu queria chupá-lo.
Saltando da cama, senti a expectativa crescer tanto quanto minha excitação. Era como se eu pudesse sentir todas as oito mil terminações nervosas ligadas ao meu clitóris. Meu corpo todo estava sensível.
Mordendo minha boca adentrei no banheiro iluminado pelos raios solarem que passavam através dos vidros finos e iam se chocar contra a pele nevada de Edward.
Puxei o ar pela boca contendo ao menos um pouco, toda a vontade que eu senti de correr em sua direção e agarrá-lo.
E lá estava ele. De olhos fechados, as mãos se agitando na cabeça para retirar cada resquício de espuma branca em seu cabelo, a boca estava entreaberta e o mais importante, seu corpo todo nu.
Acompanhei com os olhos a água que caia da grande ducha de inox e se espalhava por seus ombros, correndo por seu tórax e descendo para suas pernas.
Contraí os lábios e a virilha, assim que avistei seu membro semiereto. Ele tinha tamanho e beleza impressionantes, dono das qualidades perfeitas para estrelar o mais quente dos filmes pornográficos.
Um sorriso satisfeito delineou minha boca enquanto eu me livrava da única peça de roupa que usava: uma camisa cinza de Edward.
Edward era lindo, incrível e tudo de bom. Poderia com certeza estrelar uma desfile de peças intimas, um comercial onde a beleza é o mais importante, ou até mesmo um filme quente, mas sabia que nada disso ia acontecer e apenas eu o teria assim.
Soltando meu cabelo aproveitei que ele continuava de olhos fechados para abrir a porta do box e entrar.
Ele só notou minha presença quando minhas mãos pousaram em seus ombros.
Esfregou as mãos no rosto retirando a água de sua face, para então me olhar meio assustado.
—Meu Deus, Bella! – exclamou, sua voz ficou meio abafada pela água.
Rindo passei os braços por seu pescoço, meu corpo colou no seu recebendo a água quente que caía.
—Assustei você? – mordendo minha boca eu o olhei, as mãos de Edward desceram por minha cintura, um sorriso safado se abriu em seu rosto.
—Hm, um pouco. – assumiu dando de ombros. Curvando o quadril senti a rigidez de seu pau em minha barriga. Edward respirou fundo, pelo visto tão excitado quanto eu. —O que veio fazer aqui, hein? – seus olhos estreitos, me estudaram.
Lubrifiquei meus lábios, tomando fôlego com cuidado para beijar toda extensão de seu pescoço.
—Eu vim aqui. – fiz uma pausa para olhar em seus olhos. —Te mostrar minha habilidade especial...
Entortando a cabeça, ele pareceu não entender.
—Habilidade especial?
—Shii. – soltei pousando um dedo sobre sua boca. —Sim, observe.
Lhe lançando uma piscadela, beijei sua boca, minha língua roçando na sua com o mesmo ímpeto em que meu quadril esfregava no seu. Seu pau estava tão duro, que as colisões em minha barriga chegava a incomodar.
Mordi seu queixo ouvindo-o respirar com dificuldade, e sabia que não era por causa da água do chuveiro. Minha boca desceu por seu pescoço, lambendo e chupando nos pontos exatos.
As mãos de Edward fixaram em minha cintura me puxando cada vez para mais perto, enquanto as minhas desciam por suas costas arranhando cada centímetro que alcançava.
Beijei todo seu peito largo, apreciando o perfume fresco que o sabonete deixara. Dobrando os joelhos, parei a sua frente tirando o excesso de água em meu rosto.
Edward me olhou com curiosidade, contudo assim que minhas mãos rodearam seu pau ele pareceu entender minhas intenções.
Lubrificando meus lábios eu o usei como sorvete. Percorrendo a língua de baixo para cima e ao redor da cabeça, ouvi seus gemidos baixos. Sua mão emaranhou em meu cabelo quando segurei em sua base grossa, fiz movimentos de vai e vem e suguei sua glande com vontade.
Seu gosto viciante inundou em minha boca.
Descendo os lábios por sua virilha, deixei um rastro de saliva até encontrar suas bolas, chupando-as, lambuzando-as.
Edward gemia com o corpo recostado na parede de pastilhas acinzentadas.
Aumentando o ritmo das investidas, inspirei fundo recuando bem a língua para baixo. Abri a garganta como se fosse gritar e então o engoli todinho, de uma só vez, tomando o máximo de cuidado com os dentes!
Deixando seu pau entrar goela a baixo, controlei as ânsias que ameaçavam chegar até mim, com a minha garganta na mesma linha de seu pau ficou um pouco mais fácil.
Meus olhos começaram a lacrimejar, o que é bastante normal, se tratando de deepthroat.
Seus gemidos altos me deram o impulso que eu precisava, repetindo movimentos para cima e para baixo várias vezes, abrindo mais a garganta e enfiando o mais fundo que podia.
Edward levou a outra mão para o meu cabelo e então, começou a foder minha boca em um ritmo delicioso.
Ele estava perto de gozar, eu sabia, podia sentir seu pau inchar em minha boca. Quando ele fez menção de se afastar, segurei em sua bunda deixando-o dentro de mim.
Edward soltou um urro, puxou ainda mais meu cabelo e então gozou em minha boca.
Sua porra quente desceu por minha garganta, após lubrificar toda minha boca.
Com cuidado eu deslizei seu pau para fora, esse que continuava super duro. Edward não me deu tempo de reação, se abaixou, segurou meus braços e então me ergueu de uma vez.
Abri um sorriso para ele, que me estudava fixamente, a face ainda contorcida de prazer.
—Você é bem danada, não é? – seu corpo prensou o meu na parede.
Passei as pernas por seu quadril maneando a cabeça.
—Só um pouquinho, amor.
—Só um pouquinho. – bufou mordendo sua boca de uma maneira sexy. —Está precisando de uma lição. Um lição bem dada.
Não retruquei, apenas deixei que ele me desse sua “lição”. E que lição.
Sair de sua casa após aquele sexo matinal incrível, foi como voltar das férias.
Frustrante e desesperador, no entanto, eu tinha lugares importantes para ir.
Deixando-o emburrado na cama, fui para casa me arrumar. Após um longo banho, coloquei um vestido longo de alças finas e saia enviesada. Ele tinha um floral claro, rosado e delicado.
Aquela sexta-feira estava realmente quente e deixar o cabelo solto, só me pareceu uma boa ideia quando me refresquei no ar condicionado da pequena agencia turística.
Olímpia Tour era a única empresa do ramo turístico na cidade, ficava numa construção perto da esquina, ao lado do fórum e de uma papelaria.
Os vidros grandes das duas e únicas janelas, estampavam fotos das cidades mais conhecidas de todo o mundo: Paris, Rio de Janeiro, Nova York.
A atendente, uma mulher baixinha de cabelo castanho cortado ao pé da orelha e rosto redondo me recebeu com um sorriso grande.
—Em que posso ajuda-la? – perguntou assim que sentei a sua frente e seu sorriso ficou ainda maior depois que expliquei a ela o que queria. —Uh, viajem a dois para Londres! – exclamou com certa malícia. —Tão romântico!
Meio sem graça eu assenti para ela que não parou de falar.
—Quando está pensando em viajar? – perguntou olhando fixamente para a tela plana do computador, enquanto digitava com rapidez. —E quanto tempo planeja ficar.
—Uns quinze dias no mínimo. – falei puxando meu cabelo para o lado. —Acho que em Maio seria o ideal.
Ela me olhou por breves segundos, ainda sorrindo.
—Boa escolha. – cumprimentou. —Tem algum hotel em mente?
Quando neguei com a cabeça a mulher pareceu se alegrar ainda mais. Sua mão comprida com unhas largas girou a tela do computador para que eu pudesse ver a vasta lista de opções.
Durante longos minutos, ela me apresentou um a um falando os pontos positivos e —raramente— os negativos.
Escolher cada detalhe levou um bom tempo, mas assim que os barulhos de impressão invadiram a sala, soube que estava tudo concluído.
—Já esteve em Londres? – indagou se levantando para pegar os papeis.
—Já, mas não cheguei a ficar nem três dias. – disse vendo-a colocar tudo em um envelope pardo. —Fui a trabalho, não aproveitei nada.
Entregando-lhe o cartão de crédito, esperei paciente por sua resposta.
—Ah. – ela pareceu compreender, logo me devolveu o cartão. —Bom, espero que dessa vez possa realmente aproveitar cada momento.
—Obrigada.
—Aqui estão os papeis. – me entregou o envelope. —E nesse envelope, os comprovantes da compra e da reserva.
Sorrindo eu recebi tudo, pegando minha bolsa e me levantando da cadeira.
—Muito obrigada. – agradeci novamente, apertando sua mão antes de sair contente da agência. —Agora eu preciso ir a uma papelaria... – murmurei baixinho, abrindo a porta do passageiro do carro e deixando meus envelopes no banco.
Já tinha tudo programado na minha cabeça, tudo acertado para deixar o presente de Edward ainda mais incrível.
Fechando a porta, me preparei para colocar os óculos escuros, quando olhei a turma elegante que saia do fórum.
Três homens e duas mulheres. Todos bem vestidos de ternos e tailleurs.
A saudade apertou meu peito e lembranças boas do meu trabalho em Nova York retornaram a minha cabeça.
É certo de que era estressante, mas não podia dizer que só houvera tempos ruins.
Era bom trabalhar, me preocupar com os processos e não ficar à toa.
Colocando os óculos de sol, entrei no carro decidida. Estava na hora de voltar à ativa!
Como planejado, passei em uma papelaria colorida em Main Street, onde comprei uma caixinha pequena.
Ela era branca, revestida por seda e acompanhava um belo laço azul de cetim.
—Oi, mãe. – atendi o celular assim que sai da última loja que precisava ir, essa que era um pouco mais peculiar que a papelaria.
—Olá amor, tudo bem?
—Sim, tudo. E você, o papai, como vão? – perguntei parando no sinal vermelho.
—Tirando a rabugice do seu pai, está tudo ótimo. – não contive o riso com suas palavras. —Vem almoçar conosco? Estou fazendo macarrão com almondegas.
Lubrifiquei minha boca ao imaginar o prato bem feito.
—Passo aí mais tarde. – disse apenas. —Porque papai está rabugento?
—Porque dormiu no sofá.
—E porque ele dormiu no sofá?
—Porque ficou de papinho com a vizinha, ele nega com todas as forças, mas senti o interesse dela por ele. – não me aguentei e ri alto enquanto acelerava o carro pela rua. —Nem ouse defendê-lo.
—Não vou, mãe. Não vou. – neguei com um suspiro. —Olha, fiquei de ir almoçar com uma amiga. – menti. —Mas guarde um pouco do macarrão para mim, ok?
—Hm, ok.
—Prometo que amanhã almoçamos juntas. – coloquei torcendo para que ela não ficasse chateada, Renée sempre fora dada ao drama.
—Certo, vou cobrar.
—Pode cobrar. Tenho que ir agora mamãe. Até mais tarde, amo você.
—Ok, filha. Também te amo, tchau.
—Tchau. – apertando o botão no painel do carro, encerrei a ligação para minutos depois, outra se iniciar.
O nome de Alice estampou a tela touchscreen do meu carro. Batendo o dedo no botão, aceitei sua chamada.
—Bom dia. – atendi com um sorriso.
—Boa tarde, não é? – brincou rindo atrevida. —Sua tratante, te esperei até tarde ontem...
Contraindo a boca, me excomunguei mentalmente por ter furado com ela. Alice me convidara para jantar e eu havia aceitado visto que Edward estaria em plantão, contudo, acabei caindo no sono assim que ele saíra.
—Oh, Alie! Peço mil desculpas... Eu estava tão cansada, acabei caindo no sono.
—Rum. – resmungou meio a contragosto. —Cansada, é? – senti a curiosidade em sua voz, de olhos na rua mudei a marcha do carro. —O que andou fazendo para se cansar?
—Corri. – soltei a primeira coisa que veio em minha cabeça. —Corri muito. Precisava espairecer e corri quase que por toda a cidade.
—Correu é? – algo em sua voz me alertou de que ela não acreditou em mim. —Hm, que bom. Vida saldável, nada de sedentarismo.
Respirando fundo, permaneci em silencio.
—Bom, deixando isso de lado. – soltei o ar pela boca mais aliviada. —Quero te convidar para uma festa.
—Festa?
—Sim, amanhã à noite. – murmurou, sabia que se tratava da festa de Edward.
—Festa onde? De que? – me fiz de desentendida.
—Vai ser no salão Real, em Main Street. — por obra do destino, eu havia acabado de passar em frente ao prédio. —É uma festa noturna, música eletrônica, barman, pista de dança...
—Hm... Alguma data especial? – mordendo a boca torci para que ela caísse na minha.
—Ah, Bella! Qual é? – soltou meio frustrada. —É aniversário do seu... Quero dizer do Edward! – senti sua provocação. —Trinta aninhos! – cantarolou.
—Aniversário do Edward? Hm, não parece uma boa ideia para mim...
—Ah, por favor! – me interrompeu. —Porque não parece uma boa ideia? Vocês são amigos, não são?
—Somos.
—Então, não tem nada a ver você ir na festa dele.
Ficando um pouco em silencio, parei o carro à frente de casa, a de Edward estava toda fechada do jeito que ficara quando saí.
Ele certamente estava dormindo.
—Nada a ver mesmo. – ela bufou alto. —Ok, eu vou pensar. Tudo bem?
—Já é um começo. – concordou por fim. —Espero que você vá. Edward... Quero dizer, eu vou ficar feliz.
Rolei os olhos ignorando —mais uma vez— sua provocação.
—Ok, Alice Cullen, falo com você mais tarde. – sua risada foi sapeca.
—Está bem. Pense direitinho, hein?
—Pode deixar. – respondi desligando o carro e deixando a ligação apenas no iPhone. —Até mais tarde.
—Até, beijos.
—Beijos. – saindo do carro, desliguei o celular e peguei todas minhas sacolas. Elas iam ficar secretamente e seguramente guardadas em minha casa, até o aniversário de Edward.
O aniversário de Edward.
O tema da semana que rendera muito mais do que eu esperava. Não fora apenas Alice que me intimara a ir, pelo contrário, Emmet, Jéssica e até ele, o próprio Edward insistira durante toda o restante do dia para que eu fosse.
Eu queria ir, queria mesmo, mas sabia que minha presença na festa ia causar falatórios, fofocas, conversação. Essas que poderiam ser devidamente evitadas se eu não fosse.
Por outro lado, sabia que ia magoar Edward.
Ele disse várias vezes como queria que eu comparecesse em sua festa. Aliás, aquele fora nosso último assunto na madrugada de sábado antes de cairmos no sono, após mais uma rodada intensa de sexo.
—Alice me mandou mais uma mensagem. – comentou rindo, deixando o celular o criado ao lado da cama.
—Sobre? – perguntei, contudo, já sabia o assunto.
—A festa de amanhã. – falou se mexendo com cuidado para não esbarrar em Heron, que dormia profundamente aos nossos pés. —Ela está animada, disse que todo mundo vai estar lá.
Tirando o cabelo do meu rosto, passei a vasculhar as pontas dos fios, tudo para não encará-lo nos olhos.
—Inclusive você.
—Eu? – indaguei contento a vontade de erguer a cabeça.
—Sim. – sua mão pousou em minha perna. —Ela disse que falou com você hoje cedo e você confirmou que iria.
—Alice é tão exagerada! – soltei bufando. —Eu disse a ela que ia pensar se iria...
Se movendo na cama, Edward se aproximou de mim.
—E já pensou? – pude sentir a ansiedade em sua voz.
—Edward... – soltei com um suspiro. Pousando a mão em meu rosto, ele me fez olhá-lo.
—Tudo bem, não vou te pressionar. – disse com um sorriso. —Sei que essa insistência pode parecer meio infantil. – riu dando de ombros. —Mas ter você lá, vai deixar a noite mais especial, porque acredite, minha linda... – com os olhos nos meus, Edward se aproximou um pouco mais. —Não que as outras não sejam, mas a sua presença é mais importante para mim.
Sorrindo, soltei meu cabelo para segurar seu rosto e beijá-lo.
Ainda mais dividida entre ir ou não aquela festa, adormeci ao seu lado após tanto debater mentalmente.
Sábado chegou ensolarado e logo nas primeiras horas da manhã, Edward já tivera que se afastar de mim, devido uma urgência no trabalho ele iria precisar passar a véspera de seu aniversário trabalhando.
Por um lado, fora ruim, era estranho ficar sem ele.
Por outro, tive uma abertura para pensar e refletir se ia ou não aquela festa.
O dia passou mais rápido do que eu queria. Depois de almoçar com meus pais, recebi uma ligação de Alice perguntando novamente se eu iria comparecer e motivada por um impulso, lhe dei uma resposta negativa.
—Bom, você quem sabe.
Foi sua única resposta. Seca e direta.
Devido o imprevisto no corpo de bombeiros, Edward não voltou para casa e também me ligou querendo saber se iria ou não me encontrar em sua festa.
—Não acho uma boa ideia. – expliquei com um pouco de receio. —As pessoas vão sacar que está acontecendo algo entre nós... Não estou pronta para virar motivo de fofocas, Edward.
Seu suspiro profundo contraiu meu coração.
—Ok, entendo você. – sabia que ele estava mentindo, que não me entendia. Na verdade até eu estava achando aquela desculpa esfarrapada. —Vou me arrumar então, se eu chegar atrasado Alice me mata. – tentou rir, contudo não fora muito eficiente. —Te vejo amanhã.
—Certo, boa festa. – desejei com a garganta apertada. —Beijos.
—Obrigado linda, beijos.
Quando desliguei o celular e me vi no vazio imaculado de casa, percebi como estava sendo idiota.
Edward era uma pessoa incrível, maravilhosa e eu estava sendo uma idiota por não ir a uma simples festa.
Eu queria deixa-lo feliz, tanto quanto ele me deixava.
Precisava parar de bobagens, deixar meus medos estúpidos irem embora e fazer o certo. O certo para nós dois.
Num momento de coragem e motivação corri para o banheiro, tomei um rápido banho e logo tratei de ondular meu cabelo com o babyliss. A maquiagem veio em seguida.
Esfumacei os o preto fosco nas laterais dos meus olhos, puxando o prata no canto para iluminar. O rímel deixou meus cílios ainda maiores e o blush claro iluminou a parte certa das minhas maçãs.
Enquanto colocava o vestido preto justo de paetê pensava na cor ideal do batom e logo me decidi pelo vermelho escuro.
Eram onze horas e vinte um minutos quando entrei no carro e dirigi até o salão Real em Main Street.
A festa já havia começado, mas sabia que não tinha problema atrasar um pouco.
Assim que dobrei a rua e vi a grande movimentação de carros senti meu estomago gelar.
Tamborilando os dedos no volante comecei a sentir minha coragem esvair.
E se tudo desse errado de novo?
Estava tudo tão perfeito, para que correr o risco de nos expor tanto?
Edward ia ficar um pouco chateado, mas eu iria recompensá-lo de outras formas...
Mordi o canto da interno da boca andando um pouco mais com o carro e vendo finalmente, os portões abertos onde dois seguranças liberavam e barravam a entrada dos carros.
Engolindo seco recostei no banco com a incerteza se deveria ou não entrar pelos portões.
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