De Volta Para Você
29 Certo
Notas iniciais
Batia na porta com tanta força e vontade, como se dependesse dos ecos que as pancadas na madeira emitiam, para viver.
Já tinha um tempo que estava ali, parada em frente a porta de Edward, chamando e batendo.
Conduzir o carro pelas ruas até ali, fora muito difícil. A ansiedade não cabia dentro de mim, tudo o que eu mais queria era encontra-lo e resolver tudo logo.
Bufando diante de mais uma espera aflita, dei alguns passos para trás avaliando sua casa. As janelas estavam abertas, assim como a porta da garagem que revelava o belo volvo brilhante.
Ele estava em casa, sabia que estava.
Talvez, estivesse ocupado, ou então, não ouviu meus chamados.
Mordendo o canto da boca, observei a maçaneta prateada.
Sem pestanejar empurrei a porta, agradecendo mentalmente por ela não estar trancada. O silencio dos cômodos me incomodou tanto quando a bagunça presente.
Cerrei os olhos vendo a desordem instalada em sua sala. Canecas e pratos sujos ocupavam espaço na mesa de centro, as almofadas decorativas estavam espalhadas pelo tapete que deixava claro a falta de limpeza.
Corri a língua pelos lábios virando o rosto em todas as direções. Nenhum sinal de Edward ou de Heron.
Meus passos foram cautelosos até a escada, apoiando a mão no corrimão, subi degrau por degrau no mais absoluto silencio.
A dúvida começou a vibrar dentro de mim quando ouvi o barulho do chuveiro ligado. O sorriso que apareceu em meu rosto fora tão nervoso quanto meus passos até seu quarto.
A porta entreaberta rangeu um pouco quando a empurrei. O ambiente claro e familiar, exibia a mesma bagunça que os cômodos do primeiro piso, mas emitia um perfume delicioso de lavanda, esse que eu tinha certeza que vinha do banheiro.
Foi então que o silencio voltou a reinar no quarto, quando dei por mim que o chuveiro havia sido desligado, a porta do banheiro fora aberta e então, ele saiu por ela.
Lindo, como sempre.
Com uma toalha branca enrolada no quadril estreito, o peitoral firme e atlético estava exposto exibindo gotículas de água que escorriam tentadoramente em direção a sua virilha.
Edward estava de cabeça baixa, as mãos arqueadas esfregavam a toalha no cabelo molhado.
Meu coração deu um salto.
Com o ar faltante em meus pulmões, dei dois passos em sua direção. Ele ergueu o rosto e seus olhos vieram até mim.
A surpresa logo fora encoberta por um misto de outros sentimentos. Não consegui identifica-los, a cor exuberante de seus olhos me distraiu.
—Bella? – perguntou ainda meio incrédulo.
Sorri diante sua aparente confusão.
Edward era lindo. Lindo demais e eu não conseguia me perdoar por tê-lo deixando sozinho por tanto tempo, com tantas mulheres o cobiçando, correndo tanto risco de perde-lo.
—Desculpe se eu te assustei. – pedi dando mais um passo em sua direção. —Mas eu bati e chamei várias vezes, como não respondeu...
Ainda boquiaberto, ele maneou a cabeça.
—Tudo bem, eu... Estava no banho. – explicou apontando meramente para trás. —O que está...
—Fazendo aqui? – indaguei o interrompendo. Edward mordeu o lábio inferior assentindo com a cabeça. —É que tudo o que você me disse hoje cedo ficou repetindo e repetindo na minha cabeça... – comecei a falar, tendo toda sua atenção voltada para mim. —Talvez o nosso maior erro tenha sido a falta de conversa, Edward. – ele me olhava fixamente. —Você deveria ter me dito como se sentia inseguro e inferior, e eu... – parando a sua frente tive de erguer o queixo para encará-lo. —Eu deveria ter lhe dito como sempre amei cada parte sua, como eu trocaria qualquer oportunidade de um futuro brilhante e bem sucedido, por um em que você estivesse comigo. Eu deveria ter lhe dito como eu me orgulho de você, da pessoa que você é e como eu me sinto imensamente sortuda por ter você ao meu lado.
Mordendo meu lábio inferior, ergui o braço tocando com as pontas dos dedos seu peitoral molhado. O calor de sua pele me atingiu em cheio. Era incrível como apenas a temperatura do seu corpo mexia tanto comigo.
—Você foi um idiota. Eu fui uma idiota. – voltei a proferir. —Mas isso não importa. O que aconteceu há dez anos, não importa mais, assim como o que aconteceu semana passada. – respirando fundo, vi um sorriso aparecer no canto dos seus lábios. —Eu te amo com todas as minhas forças e é ao seu lado que eu quero estar pelo resto da minha vida.
As últimas palavras que fluíram por minha boca deram início a um longo silencio. Edward me encarou por um bom tempo, como se repassasse cada sílaba que eu dissera.
Fora então que ele ergueu as mãos, segurou meu rosto e sem dizer absolutamente nada, me beijou.
Meu coração perdeu uma batida, para então disparar em meu peito. Ele sugou meu lábio inferior, mordiscou-o levemente e então, tocou minha língua com a sua.
Foi como se o mundo voltasse a girar no sentido certo. Como se tudo que estava fora do lugar, voltasse a funcionar. Como mágica.
Minhas mãos pousaram em sua cintura a medida que seus dedos penetraram em meu cabelo. Meu corpo praticamente se fundiu ao de Edward.
Apertei o pano macio da toalha sentindo-o aprofundar ainda mais o beijo, me prendendo com a boca, empurrando a língua para dentro, exigindo que eu o beijasse de volta. Eu fiz isso, claro, sentindo o gosto delicioso de menta.
Suas mãos escorreram por minhas costas, pararam em meu quadril e com um impulso forte, Edward me puxou para cima. Passei as pernas por sua cintura, nossas bocas se afastaram e então, pude olhá-lo.
Era difícil saber quem estava mais ofegante. Ele ou eu.
—Droga, eu te amo tanto. – sussurrou com a boca praticamente colada a minha. —Achei que tivesse perdido você...
—Você nunca vai me perder, amor. – disse o interrompendo. —Não posso viver sem você.
Ele sorriu grandiosamente fazendo meu coração bater ainda mais forte, com poucos passos Edward alcançou a cama e um segundo depois estava em cima de mim. Gemi enquanto ele abria minhas pernas para se encaixar entre elas, as mãos me pegando, empurrando minhas costas para o colchão e forçando os quadris sobre os meus. Sua boca saiu da minha, escorrendo para meu pescoço fazendo meu corpo amolecer e aquecer para ele.
Meus dedos foram habilidosos acharam o caminho até o nó da toalha e usando de um pouco de força, consegui retirá-la de Edward jogando-a pelo quarto.
—Eu amo você, minha linda. – ele disse com os lábios sobre os meus. Suas mãos seguraram na barra da minha blusa, erguendo os braços permiti que ele me livrasse da primeira peça.
—Eu também amo você. – minha voz saiu entrecortada pelos beijos que ele deixou sobre minha boca, seu quadril pressionou contra o meu e mesmo estando de calça jeans, pude sentir seu pau que já estava enorme; duro, quente, pontudo, e pronto para enterrar até o fim.
Sua boca voltou a se encontrar com a minha, dessa vez com mais calma. Puxando seu cabelo, saboreei o gosto e o calor de sua boca, apertando meu quadril contra o senti o mero resquício de prazer correr por minhas veias.
Eu o queria tanto, mais tanto, que sentia meu sangue ferver dentro de mim.
Com uma mão, ele me ergueu do colchão e me sustentou tempo suficiente para desabotoar o sutiã em minhas costas. Senti a pressão do bojo sumir sobre meus mamilos enrijecidos.
Seus dentes puxaram meu lábio inferior para que ele pudesse suga-lo, antes de quebrar nosso beijo.
Edward me olhou enquanto puxava as alças do sutiã por meus braços. Seus olhos transmitiam todo o amor que eu precisava sentir de sua parte, todo o amor que residia em mim e sabia que era correspondido.
Ele retirou a segunda peça de mim para então, me beijar profundamente, a língua me tomando como antes. E eu sabia que era uma demonstração do que ele queria fazer com o pênis dele.
Descendo a boca por meu corpo, Edward parou sobre meus seios devorando-os com os lábios, a barba espetava a minha pele sensível, provocando os mamilos com chupões, até que eu me transformei numa criatura que gemia debaixo dele.
Enterrei meus dedos no cabelo húmido de Edward e pude sentir o movimento de sua cabeça, conforme ele se concentrava nos meus mamilos.
Foi então que ele parou, arrancou minha calça junto com a calcinha e me encarou, faminto e lindo.
Edward levantou minhas pernas e as colocou em cima de seus ombros e então, penetrou fundo, com força. Conforme me preenchia, ele emitia sons de prazer. Fui tomada por essa invasão enquanto tentava controlar toda a saudade o desejo que ardiam dentro de mim.
O sexo era furioso e ele me dizia o quanto sentia minha falra, como ele desejava me ter ali naquela cama e como ele me amava.
Tudo o que fazia com que me sentisse mais próxima dele. Mais dependente dele. Mais apaixonada. Mais dependente.
Edward me fez gozar; ele deu estocadas quase violentas, feitas primeiro no desespero, na ânsia, tomando propriedade, e em segundo lugar, para dar prazer. Mas quando veio, o prazer foi avassalador, ao mesmo tempo em que ele me enchia com o orgasmo explosivo dele.
Senti lágrimas escorrerem para o travesseiro, enquanto recebia o que ele tinha para mim. Falou que me amava, meio engasgado, os olhos travados nos meus como das outras vezes. Sabia que ele tinha visto minhas lágrimas.
Edward tirou minhas pernas de cima dos ombros dele e se deitou por cima de mim, segurando meu rosto e acariciando-o, mantendo o pau ainda lá dentro, aproveitando o prazer até fim.
—Eu amo você. – sussurrou ofegante contra minha boca. —Amo você...
—Eu também te amo. – minha voz falhou miseravelmente.
Nós ficamos ali um bom tempo, apenas aproveitando e suprindo toda aquela saudade devastadora que residia em nós dois.
Era difícil saber quem sorria mais. Ele ou eu.
A felicidade reinava entre nós dois.
—Amor, onde está o Heron? – perguntei vestindo sua camiseta.
—Lá em baixo. – respondeu enquanto escolhia qual boxer iria por. —Não viu ele?
—Não. – neguei rapidamente. —Estou com saudades dele.
Edward sorriu vestindo uma boxer preta.
—Ele também sentiu a sua. – me lançou um sorriso suave.
—Vou descer para procura-lo. – fui até ele e o beijei rapidamente antes de descer até o primeiro andar.
Não foi difícil encontrar Heron, ele estava deitado sobre o sofá e assim que me viu, veio pulando em minha direção.
Sorrindo eu o abracei com vontade, sentando no braço do sofá para acaricia-lo.
—Você sentiu a minha falta, não é? – perguntei com a voz um pouco mais fina, segurando sua cabeça com ambas as mãos.
Os olhos escuros de Heron brilhavam e quando ele latiu, senti que estava me dando uma resposta.
—Awn, eu também senti sua falta, amorzinho. – beijando a ponta do seu nariz molhado, o abracei com força.
Ele já era meu também.
Heron desceu do meu colo abruptamente, por um momento acreditei que tivesse lhe apertado demais, contudo assim que os braços de Edward passaram por minha cintura eu entendi o motivo.
Suspirei satisfeita sentindo sua boca descer por meu pescoço em uma trilha de beijos.
—Você tinha que sentir a minha falta. – murmurou em meu ouvido. Apoiando as mãos em seus braços soltei um riso com seu tom manhoso.
Virando o rosto eu o encarei. Seus olhos verdes estavam leves e absurdamente lindos. Ele era todo lindo.
—Quase morri de saudade de você. – assumi subindo uma das mãos para o seu cabelo, puxando-o para mais perto o beijei rapidamente.
Edward mordeu meu lábio inferior e com um impulso forte, nos fez cair deitados no sofá. Rindo sob seu corpo, abracei seu pescoço com os braços.
—Uh, bom mesmo. – disse mordendo meu queixo. —Porque eu também quase morri sem você.
Sorri ainda mais com suas palavras, erguendo o rosto deixei beijos em toda sua face.
—Essa foi a pior semana que eu já tive. – lamuriou recostando a testa em meu ombro. Respirando fundo, corri os dedos por seu cabelo entendendo-o completamente.
—Foi horrível mesmo. – murmurei após um tempo de silencio. —Se por acaso algum dia eu lhe pedir um tempo novamente, não aceite, ok?
Edward ergueu a cabeça, um sorriso leve e lindo delineava sua boca. Ele se inclinou e beijou o canto da minha boca antes de assentir com a cabeça.
—Ok, eu não vou aceitar. – beijou minha bochecha demoradamente, fechando os olhos suspirei satisfeita.
Quando voltei a abrir os olhos, encontrei seus orbes brilhantes. Conter o suspiro foi impossível, Edward me dizia tudo o que eu precisava saber sem soltar, se quer, uma palavra.
Seu sorriso repuxou um pouco, ficando no canto de seus lábios vermelhos. Quieta, apenas observei sua beleza fora do comum.
—Amor? – chamou com a voz levemente rouca.
—Hm? – abracei seu pescoço com os braços ao responde-lo.
—Casa comigo?
Aquelas duas palavrinhas me deixaram momentaneamente petrificada.
Casar com Edward. Era tudo o que eu queria.
Estar oficialmente ligada a ele, construir uma família e passar o resto da minha vida ao seu lado, era tudo o que eu desejava.
Recuperando o ar e as batidas do meu coração, abri um sorriso gigante. Seu olhar de expectativa e ansiedade se esvaiu assim que lhe dei um sonoro ‘sim’.
As coisas voltaram ao normal depressa como se nada tivesse acontecido.
Renée pareceu bem feliz quando fui buscar minhas coisas em sua casa, acompanhada, é claro, de Edward. Charlie também não escondeu o sorriso satisfeito por saber que nós dois havíamos nos acertado.
E foi assim com Carlisle, Esme, Emmet e Alice. Todos eles estavam imensamente felizes por nós dois, o que era muito bom.
Era maravilhoso ter o apoio das pessoas que eu mais amava. Aquilo, só deixava claro como o caminho que eu estava seguindo, era o caminho certo.
Minha semana começou iluminada, era tão bom ver o sol brilhar depois de dias de tempestade.
Edward voltou ao corpo de bombeiros mais cedo, contente por conseguir se concentrar no trabalho e me encontrar em sua cama toda vez que voltasse para casa, como ele mesmo havia dito milhares de vezes.
No meu caso, ir trabalhar deixou de ser uma distração necessária e voltou a ser um prazer. Ter sucesso na vida profissional, era ótimo, mas quando se tem amor na vida pessoal, tudo fica melhor ainda.
—Eu até me atreveria a perguntar o motivo desse sorrisão em seu rosto, mas eu sei bem a resposta. – a voz de Alice me trouxe de volta a realidade.
Maneando a cabeça eu a encarei, um sorrisinho cheio de segundas intenções estava exposto em sua boca.
—Boba. – acusei lhe dando as costas e encarando minha imagem no espelho.
A saia bordô que eu usava marcava bem minha cintura, a blusa branca de mangas flare com renda continha um decote discreto e ao mesmo tempo atraente.
Meu scarpin era nude, alongava minhas pernas e eu amava aquele efeito.
A maquiagem em meu rosto delineava bem meus traços, o tom rosa usado na sombra era próximo ao do batom que marcava cada contorno da minha boca.
Meu cabelo estava solto, ondulado e posto de lado.
Estava bem. Muito bem.
E não era apenas fisicamente, era em todos os sentidos.
Além de todos aqueles detalhes, eu estava feliz. Não era o delineador em meus olhos que se destacava, ou o batom em minha boca... Era a felicidade que transbordava por mim e irradiava todos a minha volta.
—Estou enganada? – perguntou se colocando de pé.
Voltando a olhá-la, neguei com a cabeça.
—Não, você está certa. – disse em meio a um suspiro. —É ele que me deixa assim.
Alice esticou os braços e me puxou para um abraço, fechando os olhos a retribui com toda a intensidade.
—Fico muito feliz por vocês dois. Muito mesmo. – proferiu com o queixo apoiado em meu ombro. —E espero que agora dê tudo certo.
Segurando suas mãos sorri a ela.
—Obrigada, Alie. – agradeci me inclinando para beijar seu rosto. —E sim, dessa vez vai dar tudo certo.
Duas batidas na porta quebraram nosso momento, Esme apareceu no vão seguida por Renée. Elas entraram no quarto com um sorriso grande na boca.
—Ual, que linda! – Esme me elogiou, segurou minha mão e me fez dar um pequeno giro.
—Obrigada, Esme. – agradeci. —Você também está linda.
E estava mesmo, o vestido floral marcava seus seios e a cintura, indo até o chão. O cabelo que já passava dos ombros, estava solto exibindo aquele lindo tom acobreado.
Ela sorriu bebericando o vinho em sua taça e dando espaço para Renée se aproximar. Ela estava linda.
Também usava um vestido, mas o seu era preto e acabava na altura dos joelhos. Seu cabelo estava preso no alto o que deixava seu rosto mais alongado e feminino.
Sorriu docemente antes de me abraçar e beijar meu rosto.
—Linda! – murmurou me olhando.
—Puxei a você. – ela riu recebendo minha resposta e piscadela.
—Onde está a Mia? – Alice perguntou com uma leve pitada de preocupação na voz.
—A deixei com Carlisle. – Esme proferiu deixando-a mais tranquila. —Nós viemos chamar vocês, Jéssica e Mike acabaram de chegar.
Sorri diante a informação. Jéssica, Mike e os trigêmeos, eram os últimos convidados que faltavam. Todos os outros já estavam ali.
—Bom... Vamos descer, então. – minha voz saiu meio falha, resultado de toda a ansiedade que sentia.
As três concordaram de imediato, e então, nós fizemos o curto trajeto do quarto de Edward —que já era um tanto quanto meu— até os fundos da casa.
O jardim estava todo iluminado e era uma pena não ter o utilizado para o jantar, mas a área gourmet estava perfeita.
Estava toda arrumada com velas lilases e lindos arranjos de rosas brancas, uma grande mesa retangular fora posta no espaço maior, uma linda toalha branca sustentava o jogo de jantar de porcelana —herdado da vovó Swan.
Haviam muitas pessoas ali.
Cinthya e Dylan; Mike, Jéssica e os meninos; Laurent e Gianna —a qual me desculpei após todo o mal entendido—; alguns colegas de trabalho de Edward, Emmet, Alice e Mia; e claro, nossos pais.
Não precisei procurar muito pelas pessoas para encontra-lo.
Parado a frente de mais dois casais, estava ele: Edward.
Ele sorria ao conversar com eles, uma mão segurando a taça com vinho tinto e a outra, posta dentro do bolso da calça social azul marinho.
Devo dizer que ele ficava ainda mais gostoso naqueles trajes mais sociais. A calça slim delineava os músculos torneados de suas pernas e a camisa branca de gola engomada e punhos bem fechados, deixava seus ombros mais largos e era muito sexy.
Respirando fundo, caminhei em sua direção. Edward não demorou a notar minha presença, se virou e abrindo ainda mais o sorriso, estendeu o braço livre para abraçar minha cintura.
Aproveitei os centímetros a mais que os saltos me davam, para beijar sua garganta e seu queixo. O frescor de seu perfume me deixou inebriada.
—Está linda. – elogiou com os lábios colados em minha orelha. Mordendo o canto interior da minha bochecha, tive de tomar ar pela boca.
—Você também. – minha voz saiu baixa o que não permitiu que as outras quatro pessoas ouvissem.
Me voltei para elas com um sorriso no rosto e cumprimentei um a um, tratando de ser o mais simpática possível.
—É muito bom finalmente conhecer a famosa, Isabella. – Julian, colega de trabalho de Edward, disse assim que fomos apresentados.
—Sim, mas Edward fala tanto de você que parece que a gente já te conhece. – Liam brincou, arrancando risos de todos nós. —Ah, a Bella é tão incrível! Eu amo tanto a Bella... – ele afinou a voz, fazendo uma péssima imitação de Edward.
—Não posso viver sem a Bella. – Julian o seguiu e ambos caíram na gargalhada. Não consegui evitar o riso e me uni a eles.
—Amor, vai deixar a Bella constrangida. – Chloé, esposa de Julian pareceu envergonhada com as provocações do marido.
—Está tudo bem. – garanti a ela.
—Não está não. – Edward soltou me olhando. —Você devia me defender deles, amor. – seu tom de falsa chateação não passou despercebido. Erguendo a mão, segurei seu rosto para beijar rapidamente sua boca.
—Eles não disseram nenhuma mentira. – aleguei vendo-o estreitar os olhos. —Ou disseram?
—Não, não disseram. – proferiu arrancando mais risos dos amigos. —Mas exageram... Um pouco.
—Hm, então está tudo bem. – erguendo o rosto, beijei sua bochecha.
—Bella é minha vida... – Liam voltou a provocar.
—Meu eterno amor...
Edward apenas rolou os olhos, a chegada do garçom impediu que ele retrucasse aos amigos.
Cada um recebera uma nova taça com uma rodada fresca de vinho, menos Meredith. Ela recusou a dose de vinho e ficou apenas na água.
—Não gosta de vinho? – perguntei a ela, sem conseguir conter a curiosidade.
—Gosto. – sorriu amena. —Mas não estou bebendo. – fazendo uma breve pausa, ela pousou as mãos sobre a barriga. —Estou grávida.
—Ah, parabéns. – lhe cumprimentei sorridente.
—Obrigada.
—Está de quanto tempo?
—Poucas semanas. – deu de ombros para então, aumentar o sorriso no rosto. —Descobri a pouco tempo, sabe... – bebericando meu vinho, assenti com a cabeça. —Primeiro veio o incomodo nos seios, dor abdominal, barriga arredondada e então, os enjoos.
Suas palavras repassaram em minha cabeça. Uma por uma.
Incomodo nos seios. Dor abdominal. Barriga arredondada.... Enjoos.
Fiz um esforço gigantesco para engolir o vinho que estava em minha boca.
Meus seios estavam bastante doloridos. Cólicas vinham me atormentando há dias. Minha barriga havia adquirido bons centímetros a mais e enjoos, bom... Foram apenas leves náuseas.
Tamborilando os dedos na taça de cristal, fiz as contas rapidamente.
Pensava que meu período menstrual havia chegado mais cedo, contudo, ele não viera. Fora apenas um corrimento, nada mais.
—Amor? – a voz de Edward me trouxe de volta para a realidade. Maneando a cabeça, forcei o sorriso para ele. —Você está bem?
—Sim. – concordei de imediato. —Estou sim. – tocando seu rosto, beijei sua boca castamente.
—Tem certeza? – sua voz deixou claro como ele estava desconfiado.
—Tenho. – seus olhos se estreitaram, então tratei de ser mais convincente. —Só estava pensando em como vai ser bom quando nós dois estivermos sozinhos...
Passando os braços por pescoço, vi um sorriso malicioso aparecer em sua boca.
—Hmm, vai ser bom mesmo. – Edward estreitou o abraço em minha cintura, mordendo e sugando meu lábio inferior.
—Hey, vocês dois! – a voz de Emmet interrompeu nosso momento. —Estamos no jantar de noivado, ainda falta um pouco para a lua de mel.
Suas palavras arrancaram risos dos outros convidados. Edward apenas rolou os olhos, enquanto eu tentava não morrer de vergonha.
—Estamos esperando o pedido... – Emmet cantarolou sorrindo diabolicamente.
—Emmet! – Alice ralhou com ele, antes de dar o bico para Mia que estava ainda mais linda.
A cada dia que se passava, mais encantadora ela ficava. Alice já a tinha levado para cortar o cabelo duas vezes e ele continuava a crescer, agora, formando delicados cachinhos em sua nuca.
—Eu já a pedi em casamento. – Edward disse segurando minhas mãos.
—E eu já aceitei... – completei o fazendo sorrir.
—Sim. – ele maneou a cabeça e então, respirou fundo. —Mas ainda não te dei o mais importante. – me lançando uma piscadela, Edward virou um pouco o corpo. —Heron! – chamou e assoviou.
Heron apareceu por entre as pessoas e veio em nossa direção calmamente. Havia uma caixinha em sua boca, uma caixinha azul clara e quadrada que coube perfeitamente na palma da mão de Edward.
Quando ele a abriu fiquei boquiaberta diante o lindo anel de ouro reluzente todo incrustado por pequenos diamantes.
—Eu amo você, já te disse isso um milhão de vezes. – começou atraindo minha atenção. —Só preciso do resto das nossas vidas para te mostrar. – suas palavras me fizeram sorrir. —Então, senhorita Swan, aceita se casar comigo?
—Aceito. Claro que eu aceito.
Edward pegou o anel de dentro de caixinha, segurou minha mão e o deslizou por meu dedo com exímia perfeição.
—Eu amo você. – sussurrei antes de beijá-lo profundamente.
Nossa noite foi incrível, o melhor jantar que eu já tivera na vida. Talvez fosse o fato de ser oficialmente noiva do homem que eu amava, que tivesse deixado tudo melhor.
Apesar de tudo estar maravilhoso, nada conseguiu me fazer esquecer de todos os sintomas que estava sentindo.
E a dúvida me perturbou durante todo o tempo até que finalmente tomei coragem de ir até a farmácia e comprar o testa de gravidez.
Andando de um lado para o outro no banheiro, encarei o palitinho de plástico mais uma vez.
Estava ansiosa e nervosa.
Não sabia exatamente qual resultado eu queria.
Ao mesmo tempo que não me sentia preparada para ser mãe, a ideia de ter um bebê de Edward me parecia incrível.
Respirando fundo, corri a mão por meu cabelo.
—Seja lá o qual for o resultado, vai ficar tudo bem.
Garanti para mim mesma tomando coragem e indo até o objeto de plástico.
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