De Volta Para Você
7 Idiota
Notas iniciais
Idiota. Cretina. Estúpida.
A cada segundo mais e mais palavras surgiam em minha cabeça, todas se adequando ao quão imbecil eu estava me sentindo.
Queria me socar por ter cedido, queria me socar ainda mais, por ter gostado.
Merda, merda, merda!
—Merda. – estreitei os olhos quando Edward proferiu justamente a palavra que eu mentalizava. —Justo hoje eu tenho que ir trabalhar.
Ouvi suas palavras quietas, apenas respirava fundo sentido sua mão subir e descer por minhas costas.
—Não queria sair daqui por nada. – ainda de bruços, permaneci quieta sentindo o calor subir por meu corpo quando Edward retirou o cabelo que tapava meu pescoço e começou a distribuir beijos por aquele local tão sensível.
Suas mãos se infiltraram por baixo do lenço, correndo por toda a lateral do meu corpo. Um arrepio longo subiu por minha espinha.
—Edward. – fui obrigada a pigarrear para limpar a voz. —Você não tem que ir trabalhar?
Tomei todo o cuidado para não ser ríspida, eu nem queria ser também, só precisava ficar sozinha.
Ele caiu deitado ao meu lado, uma careta de desagrado estampava seu belo rosto.
—Tenho.
Aquilo soou mais como um gemido.
Arrumando o lençol ao meu redor eu girei na cama e com todo o cuidado para me manter coberta, sentei sobre o colchão macio.
—Que horas você entra? – voltei a questionar, evitando a todo custo, olhar dentro de seus olhos.
—Uh, às oito. – assenti com a cabeça voltando minha atenção para o despertador no aparador ao lado da minha cama.
—São sete e quarenta e cinco, você vai se atrasar.
Ele bufou alto e com um impulso forte, parou sentado ao meu lado.
—É impressão minha ou você está tentando se livrar de mim?
Sem me conter, voltei meus olhos para ele. Um sorrisinho maroto enfeitava o canto de seus lábios, seus olhos verdes estavam estreitos e eu pude notar em suas expressões o teor da brincadeira.
Rolei os olhos o empurrando levemente pelo ombro.
—Claro que não, é só que eu não quero que se atrase e tenha problemas por minha culpa.
Edward pareceu não notar a leve mentira por trás das minhas palavras, também nem podia, o motivo que eu dera tinha sim um fundo de verdade.
Ele voltou a me beijar, dessa vez mais calmo. Sem resistir, me entreguei novamente às caricias provocantes que sua boca deixava contra a minha, essas que não duraram muito visto o quão atrasado Edward estava.
Saltando da cama, ele me presenteou com a imagem ilustre de sua bunda redonda e firme. Mordendo os lábios eu assumi mentalmente o quão gostoso ele ficara.
Todo seu corpo havia ganho uma espessa cobertura de músculos o que o deixou bem grande e sarado, e ainda havia sua bela tatuagem maori que cobria todo seu braço
É, como se não bastasse eu ainda nutrir sentimentos por ele, Edward ainda havia se transformado em um tipo de ‘deus grego’.
—Droga, não quero ir! – sua exclamação saiu entrecortada por sua respiração ofegante, assim como a minha que também estava falha, e o causador de toda aquele fôlego perdido fora o beijo —intenso e perturbador— que ele que ele me dera.
Mordendo meu lábio inferior, contive o sorriso que ameaçou surgir. Edward parecia sincero ao demonstrar todo seu desagrado ao ir trabalhar e aquilo agradou muito meu tolo coração apaixonado.
Já fazia um bom tempo que estávamos ali, parados na minha porta de entrada, com Edward adiando cada vez mais sua ida.
—Você...
Minha voz sumiu assim que o toque alto do celular se fez presente. Edward praguejou, se afastou um pouco de mim e então retirou o iPhone do bolso.
—Saco! – soltou bufando alto. —É o coronel, preciso atender. – informou mantendo os lábios curvados em um biquinho, não contive o sorriso, aquilo deixava claro sua chateação. —Senhor.
Sua voz saiu séria e o respeito que seu timbre emitia, era quase palpável.
—Desculpe, aconteceram uns imprevistos. – soltando a mão da minha cintura, Edward a passou pelo cabelo, deixando-o todo bagunçado. —Não, nada grave. – recostada no portal de madeira, permaneci quieta, abaixando os olhos para o chão. —Certo, em quinze minutos estarei aí. – confirmou antes de segurar minha mão.
Ainda de cabeça baixa, observei seus dedos longos se encaixarem nos vãos dos meus. Era um entrelaço perfeito.
—Eu que agradeço e me desculpe mais uma vez. Até.
Soltando o ar pela boca, Edward voltou a colocar o celular no bolso.
—Eu não quero, mas eu vou ter que ir. – sua voz soou mais baixa, mais tranquila e mais amorosa.
Segurando meu queixo, Edward ergueu meu rosto com cuidado. Mordendo o lábio permiti que seus olhos viessem ao encontro dos meus.
Tive de tomar fôlego pela boca, aquilo me desestabilizava por completo.
—Tudo bem, eu entendo.
Ele sorriu torto antes de se inclinar e me beijar. Sua língua passou sobre a minha, enquanto seus lábios se encaixavam perfeitamente entre os meus. Soltei um suspiro apoiando as mãos em seu peito, Edward me manteve presa a ele, segurando em minha cintura e nuca.
—Te vejo amanhã, não é?
Já na rua, ele perguntou. Ainda encostada no batente da porta, assenti com a cabeça, incapaz de negar qualquer coisa naquele momento.
Mesmo de longe eu pude ver o sorriso nascer em sua boca, Edward acenou uma última vez e então, desapareceu do meu campo de visão.
Ele se foi me deixando sozinha naquela casa enorme, com mil e um pensamentos, mil e duas lembranças e mil e três sentimentos perturbantes.
Respirando fundo, fechei a porta da frente tomando o devido cuidado de trancá-la. A angustia apertava meu peito, me deixava com a boca seca e mãos geladas.
Porque eu tinha feito aquilo? Porque eu tinha permitido que Edward entrasse novamente em minha vida?
Será que não bastava a catástrofe que ele causara uma vez? Será que eu era masoquista a ponto de permitir que ele me machucasse de novo?
Cobrindo o rosto com as mãos, caminhei para o banheiro.
Eu estava cheirando ele, cheirado ao sexo que eu fiz com ele e aquilo era demais para mim.
Minha mente estava tão confusa, cheia de pensamentos, lembranças... Tudo o que eu queria naquela momento, era poder me livrar daquele frio na barriga, parecido com nervosismo, que tinha se apossado de mim.
Queria chorar, meus olhos ardiam tanto quanto meu peito, contudo eu não sabia se o motivo daquilo era o arrependimento.
No fundo, bem no fundo, eu sabia que não estava arrependida do que tinha acontecido e tentava me convencer a todo instante que transar com meu ex havia sido um erro.
Era tanta coisa, tantos sentimentos conflitantes. O medo se sobrepunha em alguns momentos, esses que, geralmente, eram coordenados pelo amor e saudade.
Aquela noite, eu não consegui dormir um segundo se quer.
Na cama, ainda estava o cheiro dele, eu ainda podia sentir os toques de suas mãos, a quentura de sua boca.
Mal conseguia respirar tamanha aflição, e sentada na poltrona em minha sala, em frente à minha janela panorâmica, eu vi o dia amanhecer.
Estava cansada, me sentia esgotada, pelo menos mentalmente, porque fisicamente... Foi só o primeiro raio solar iluminar o céu de Louisville, para eu não conseguir mais ficar sentada.
Andei de um lado para o outro, feito barata tonta. Eram menos de sete horas, eu sabia que Edward logo estaria em casa e eu precisava sair dali.
Ligada no duzentos e vinte, vesti meu short rosa pink de ginástica, um top preto e uma regata cinza cavada, antes de calçar o tênis esportivo.
Parecia que minhas pernas tinham vida própria, elas se moviam constantemente em uma velocidade fora do comum. De fone nos ouvidos, eu nem me preocupei em estar passando por ruas em que eu mal conhecia, ou por ser uma das poucas pessoas na rua.
Eu precisava liberar aquela ansiedade, aquela aflição de mim de algum modo e correndo, fora o jeito perfeito.
Minha play list repetiu por três vezes no volume máximo em meus fones de ouvido e quando eu finalmente parei de correr, já estava cheia de ouvir as músicas de Michael Bublé —se é que isso é possível.
Estava ofegante, minhas pernas tremiam e meus pés queimavam dentro dos meus tênis, eu sabia que mais tarde teria de tomar um remédio para aliviar minhas dores musculares.
Minha boca estava completamente seca e fora isso que me obrigara a entrar na pequena lanchonete em Main Street.
Era uma construção nova, de blocos brancos e janelas de vidro claro, um pequeno cercado de grades prateadas dividia seu espaço, esse que estava com algumas mesinhas de madeira clara.
Uma mulher limpava a vidraça onde estava exposto todos os doces, outra organizava com certa preguiça os pacotes de balas e chicletes sobre o balcão do caixa e por fim, uma terceira garota, estava posta atrás de uma vitrina de mármore.
Ela sorriu simpática em minha direção, meio sem jeito, eu retribui.
—Olá, bom dia. – cumprimentei enrolando o fone branco em meus dedos. —Quero uma água com gás, por favor.
—Bom dia, Bella.
Respondeu dizendo meu nome, para toda minha surpresa. Erguendo a cabeça, eu quis encará-la, contudo, ela já havia se virado e sumido do meu campo de visão.
Eu não prestara atenção em sua feição, no entanto, ela não me pareceu familiar.
Dando de ombros, controlei minha respiração que ainda falhava, por conta da minha intensa corrida e paciente, a esperei retornar.
—Não se lembra de mim? – seus olhos negros demonstraram um pouco de decepção. Mordendo o lábio inferior eu a estudei.
Ela era branquinha, tinha os olhos escuros e bem delineados por um lápis negro, o cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto, mas eu pude notas as ondas mal feitas.
Não, ela não me parecia nem um pouco familiar.
Meio sem jeito, neguei com a cabeça.
—Me desculpe.
—Tudo bem. – ela riu. —Sou Bree Tanner, você cuidava de mim praticamente todo verão, se lembra?
Um estalo surgiu em minha cabeça com suas palavras e a lembrança viva da garotinha meiga e doce, me voltou a cabeça.
Foi impossível não sorrir, eu me lembrava e muito bem.
—Claro. – manei a cabeça, ignorando o fato de ela estar totalmente diferente. —Claro que eu lembro Bree. – seu sorriso iluminou seu rosto redondo, tinha o mesmo ar meigo de antes. —Meu Deus, quanto tempo!
—Ainda bem, já estava desapontada! – brincou ao me estender a garrafinha de plástico. —Sim, muito tempo, você sumiu.
Encolhendo os ombros, soltei um suspiro assumindo minha culpa.
—Pois é.
—Quase não acreditei quando seu pai me disse que havia voltado para cá. – ouvi sua fala, rompendo o lacre da tampa da garrafa. —Achei que não iria voltar mais, também deve ser muito difícil querer ir embora de Nova York.
Tomando um gole da minha água gasosa, eu sorri a ela. Porque todos pensavam que Nova York era o paraíso?
—É, foi difícil. – de tudo não era mentira. —Mas eu amo Louisville, sempre quis voltar. – dei de ombros, voltando a bebericar a água gelada. —Me conte, o que anda fazendo? Você cresceu demais, menina!
Mudei de assunto recebendo seu riso divertido.
—Ainda bem, não é? – exclamou dando as mãos para o alto. —Bom, minha vida não é exatamente uma aventura, sabe. – ela pareceu um pouco desapontada ao proferir aquilo. —Trabalho aqui durante o dia, estudo a noite.... Nada demais.
—Uh, está estudando é? Faculdade ou cursinho?
—Nenhum dos dois na verdade. – estreitei os olhos com sua resposta. —Estou terminando o ensino médio. – contou meio sem jeito. —Já era para eu terminado sabe? Mas eu engravidei e bom, tive de cuidar do meu filho.
Aquilo me pegou de surpresa, mesmo tentando não demonstrar, pude notar que ela havia percebido o quão perplexa eu ficara.
Também não era para menos, Bree não tinha nem dez anos quando eu deixei a cidade e além de ser super comportada, ainda era a única filha do reverendo Julian.
—Nossa! – soltei com um pigarro. —Tem um filho então? – minha voz saiu mais natural, o que nos deixou mais à vontade.
—Sim, George. – seus olhos brilharam. —É um garotão, muito lindo e esperto.
Ouvi-la falar de seu filho me fez sorrir, pude sentir como ela estava contente e fiquei feliz por ela.
—Meu Deus, eu preciso conhece-lo!
—Sim, você precisa! – concordou rindo. —Vá em casa, qualquer dia. Mamãe e papai também estão doidos para te rever.
—Eu irei, com certeza.
O senhor e a senhora Tanner. Mentalmente, me perguntei como eles reagiram a notícia da gravidez da filha.
Também me perguntei como minha mãe deixou passar uma fofoca tão grande como aquela. Certamente fora o maior escândalo. A filha adolescente do pastor, grávida.
Tomando mais um gole de água, eu sai pela rua ainda tentando processar a ideia de que aquela garotinha louca pela Barbie, já era mãe.
Certamente fora um descuido, claro.
A camisinha estourou, ou nem fora usada.
Rolando os olhos eu me repreendi mentalmente, estava ficando igual a minha mãe e isso não era algo bom...
Os pensamentos fugiram da minha cabeça, assim que a noite anterior retornou a minha cabeça. Meu estomago gelou e logo mais, começou a embrulhar loucamente dentro de mim.
Engoli o ar com dificuldade sentindo minha cabeça girar.
Meu Deus.
Camisinha.
Edward e eu não havíamos usado camisinha.
O desespero tomou o lugar do meu sangue, correndo por minhas veias em uma velocidade única.
Tive de sentar no banco da praça pois minhas pernas, já não estavam tão firmes quanto antes.
—Droga!
Fora a única palavra coerente que eu consegui murmurar.
Que merda era aquela que eu tinha feito? Nunca, nunca em toda a minha vida, nem quando era adolescente, havia transado sem camisinha e agora, com quase trinta anos, esse descuido.
Eu duvidava seriamente que Edward portasse alguma doença, no entanto, mesmo tomando diariamente as pílulas contraceptivas, eu sabia que a chance de uma gravidez totalmente indesejada se firmar, era no mínimo, remota.
Eu queria que alguém me desse uma surra.
As coisas já não estavam complicadas o suficiente? O que eu queria? Ter um filho com Edward e simplesmente criar um laço infinito entre nós dois?
Não, obviamente não era isso.
Levantando do banco, apressei o passo pela avenida.
Eu precisava ir para casa, tomar um banho e então, dirigir até a cidade mais próxima em busca de uma farmácia que me vendesse a pílula do dia seguinte.
Não ia correr o mínimo risco, ter um filho era algo que eu definitivamente não queria naquele momento.
Quase chorei de felicidade quando encontrei um taxi vazio, não tinha certeza se iria achar minha casa com tanta facilidade e rapidez que eu necessitava.
Estava ainda mais nervosa do que quando sai de casa, o que só me fez ter certeza que fora uma má ideia.
Uma má ideia. Tudo parecia uma má ideia. Então porque eu não conseguia me arrepender de ter transado com ele?
Bufando, eu entreguei o dinheiro ao taxista que me olhou de olhos estreitos. Respirei fundo, tentando me desculpar com um sorriso amarelo deixei que ele ficasse com as dez pratas de troco.
A casa de Edward ainda estava toda fechada quando voltei, mesmo me recriminando, não consegui ignorar o fato de querer —ao menos um pouquinho— vê-lo.
Porque eu tinha que ser tão idiota?
Pergunta sem resposta. Mais uma. Já tinha tantas.
Estava com tanta pressa, que tudo o que eu fiz, fora colocar um vestido cinza claro de alcinhas finas com um leve decote V, que parava na metade da minha coxa e por fim, calcar uma sapatilha preta e baixa.
Ainda de cabelo molhado, não me preocupei em passar maquiagem, tudo o que cobriu meu rosto, fora os óculos escuros.
Sai de casa com passos largos e aflitos, meu estomago já doía, tamanho meu nervosismo.
—Chegar em casa depois de uma noite estressante sempre foi maravilhoso, mas depois que você se tornou minha vizinha, só ficou melhor.
A voz de Edward entrou por meus ouvidos, agindo em todo meu corpo com arrepios contínuos. Respirei fundo desativando o alarme do meu carro, meio temerosa, ergui a cabeça correndo os olhos por toda a rua, até encontra-lo.
Lá estava ele, parado em frente a seu poderoso carro, os braços cruzados e um sorriso torto no rosto. Seu semblante não escondia o cansaço, contudo, continuava exuberantemente lindo.
Quando desci os olhos por seu corpo, eu estanquei, quase desmaiando ali mesmo. Edward estava de farda, todo vestido e arrumado em uma roupa bege escura.
A camisa polo de gola perfeita e botões, ficava quase que colada em seu peitoral atlético, deixava seus braços ainda mais fortes e atrativos.
A calça, era do mesmo tom, seguia em modelo fit por suas pernas potentes, parando sobre a camisa com um cinto marrom chocolate, esse que, era do mesmo tom das botinas e da boina em sua cabeça.
Aquela era a visão do paraíso. Edward vestido de farda.
Meu Deus.
—Edward.
Soltei debilmente quando ele começou a caminhar em minha direção. Meu coração batia tão rápido quando o de um beija flor, o que me deixava quase que sem ar. Aquilo era perturbador.
—Bella.
Brincou abrindo mais o sorriso. Apoiei minha mão em meu carro, minhas pernas já davam sinais de fraqueza.
—Está chegando agora? – perguntei na vaga tentativa de iniciar uma conversa coerente, sem olhares intensos, beijos ou qualquer outra coisa que nos levasse para o quarto.
—Sim, estou. – concordou parando a minha frente. —E você está saindo? – sua mão subiu para o meu rosto, tocou meu queixo e então, afagou minha bochecha.
Seu toque aqueceu meu peito trazendo uma sensação boa e familiar, porém sua pergunta me lembrara da minha saída urgente.
—Sim, estou. – usei suas palavras, dando um passo para trás me afastei dele e abri a porta. —Desculpe, estou realmente com pressa. – me atrapalhei um pouco ao entrar no carro e colocar o cinto. —Nos vemos mais tarde.
Acelerando pela rua, senti o peso das palavras: Nos vemos mais tarde.
O que eu estava fazendo? Abrindo as portas para Edward novamente? Deixando-o entrar novamente em minha vida?
Não, eu não podia fazer isso. Não era justo comigo, não depois de tudo.
Ele era e sempre seria o cara que me traiu, que me fez ir embora e deixar tudo. Eu não podia simplesmente passar uma borracha no passado e ficar com ele como se nada tivesse acontecido.
Ele mudou, eu sabia e sentia, mas o que aconteceu não.
Dirigir quarenta minutos até Denver apenas para comprar uma simples pílula do dia seguinte, poderia parecer uma grande bobagem, no entanto, quando se mora em uma cidade pequena onde tudo é motivo para fofoca, comprar algo como aquilo, era pedir para virar notícia de jornal.
Depois de finalmente tomar o pequeno comprimido, eu resolvi ficar pela cidade o resto do dia. Precisava pensar e tendo Edward tão perto de mim, isso seria impossível.
Alice e Renée me ligaram, ambas tentando marcar algo comigo, e também estranhando o fato da minha ida repentina a Denver. Com sorte, consegui enganá-las, ou ao menos, assim pareceu.
O sol ainda estava alto quando parei o carro na vaga em frente minha casa. Estava cansada, muitas coisas aconteceram, e eu mal conseguia processar tudo.
Tudo estava uma bagunça total. Era como um labirinto, haviam vários caminhos a seguir, mas qual era o certo? Como eu poderia entrar em um e correr o risco de me perder ainda mais?
Não, eu não poderia fazer isso comigo.
Não quando estava tão bem, tão organizada, com a vida encaminhada.
Agradeci mentalmente por não ter encontrado com Edward, mesmo que lá no fundinho, eu tenha me sentido meio decepcionada. Em casa, eu terminei de arrumar a bagunça na cozinha, tentando não lembrar do que acontecera naquela ilha. Na minha ilha.
Eram quase oito horas da noite, quando finalmente me vi sem nada para fazer. Estava exausta e apesar de não ter dormido um segundo se quer, na noite anterior, não estava com sono.
Visto isso, preparei um chá de camomila e sai para minha varanda afim de aproveitar a noite enluarada.
O céu estava lindo, não haviam muitas estrelas, mas elas nem faziam muita falta, o brilho da lua redonda era o suficiente para encantar e hipnotizar.
Dizer que fora difícil dormir naquela noite, seria uma mentira absurda. Estava tão cansada que assim que deitei em meu sofá para assistir Friends, cai no mais profundo dos sonos.
—Hoje eu tenho uma consulta, minha mãe vai comigo. – a voz de Alice soou pelo celular, era incrível como ela era sempre doce. —Depois vamos começar a ver as coisas para o jantar de aniversário do meu casamento, Esme irá se juntar a nós.... O que acha de participar também?
Olhei atentamente para os dois lados da rua, me certificando que não vinha nenhum carro para poder atravessar.
—Fiquei de ir na casa dos meus pais, Alie. – proferi chateada. —Minha mãe está enchendo o saco, você a conhece muito bem.
Sua risada ecoou pela linha.
—Sim, está tudo bem. – seu suspiro foi longo.
—Hey, Be-Bella! – a voz de Emmet soou longínqua, sorri rolando os olhos diante ao apelido usado.
—Emmet! – Alice murmurou rindo leve.
—Tão bobo! – ele sempre fora tão divertido. —Mande um oi, para ele.
—Vou mandar. – ela concordou. —Amiga, preciso desligar, conversamos mais tarde, certo?
—Certo. Me mande notícias sobre a consulta e os preparativos para o jantar.
—Mando sim. Um beijo.
—Outro.
Já estava na rua de casa quando desliguei o celular. Passando pelas sombras das árvores, comecei a respirar mais forte somente com a possibilidade de encontrar Edward.
Estava seriamente dividida entre querer e não querer aquilo.
Seu carro não estava parado no mesmo lugar de sempre, as janelas e a porta, estavam fechadas.
Soltei um suspiro, ele não estava.
Mordendo meu lábio inferior, me impedi de começar a pensar onde ele tinha ido. Não era problema meu.
Com um leve incomodo no peito, resolvi aproveitar o resto da manhã para tomar um pouco de sol, estava precisando.
Deixando minhas roupas suadas na máquina de lavar, vesti um biquíni rosa pink. Ele tinha o tamanho certo para mim, a única coisa que me incomodava, era o fato da calcinha ser um pouco cavada demais.
Dando de ombros, me lambuzei de protetor solar, afinal, não queria ficar igual a um camarão. Pondo os óculos escuros e uma camisa branca de véu, peguei minha toalha e sai para o jardim.
O dia estava lindo, o céu límpido e sem nuvens deixava o sol ser o protagonista e apesar de estar quente, corria uma brisa fresca amenizando tudo.
Caminhando pelo jardim, encontrei o lugar perfeito para deitar e relaxar. Minha espreguiçadeira no meio do deque no lago.
Não contive o sorriso enquanto estendia a toalha sobre ela e cruzando meus braços, segurei na barra da minha camisa puxando-a para fora do meu corpo.
Esticando os braços para cima, me espreguicei sentindo a vitamina D entrar por meus poros.
—Caramba! – a voz rouca chegou em meus ouvidos, dando um pulo, eu me virei assustada. —Não sei se prefiro você com esse biquíni, ou sem ele.
E lá estava ele. Edward.
O corpo recostado na cerca baixa, estava sem camisa, apenas de shorts.
—Edward.
—Bella. – murmurou piscando, abrindo um sorriso ele pulou a pequena cerca, com uma facilidade impressionante.
—Pensei... – tive de pigarrear, afinal, vê-lo vestido já me deixava abobalhada, agora sem camisa... —Pensei que não estivesse em casa.
—Porque? – parou a minha frente, seus olhos eram intensos. Podia sentir o calor do seu corpo, aquilo me arrepiava, me fazia lembrar de como era ter ele sobre mim, me tocando, me atiçando.
Respirei fundo, passando a mão pelo rosto, tentei manter a coerência.
—Não vi o seu carro e está tudo fechado.
—Ah, bom, acordei e vim aqui para fora. – explicou dando de ombros, o sorriso não saia de sua boca.
—Hm. – coçando minha nuca, pude sentir seu olhar queimar em minha pele.
Ele deu mais um passo em minha direção, engoli seco recuando o corpo.
Isso não vai prestar! Minha mente me alertava.
—Edward, para. – pedi apoiando a mão em seu peito, na vaga tentativa de pará-lo. Mordendo a boca, ele estreitou os olhos, entortou a cabeça e se fez de inocente.
—Parar com o que amor? Não fiz nada.
Abri a boca para contestar, no entanto o enlaçar de seus braços em minha cintura me calou. Prendi a respiração por breves segundos, Edward ergueu meu corpo sustendo-o no ar para nos deixar na mesma altura.
—Me põe no chão, vai. – pedi sem a menor vontade de que ele realizasse.
—Você é muito baixinha, assim fica melhor para eu te beijar. – explicou com naturalidade.
Rolando os olhos, tentei não demonstrar como estava afetada e com vontade de que ele me beijasse.
—Me desce. – minha voz saiu tão fraca e baixa, que não causou impacto algum nele.
—Você não quer descer. – inclinando a cabeça, Edward deixou um beijo em meu queixo. —Minha linda.
—Edward... – tive de desviar os olhos dos seus. —Estou falando sério, me solte. – sua boca passou por meu pescoço o que resultou em um longo arrepio.
—Você não quer que eu te solte. – sua confiança me deixava sem argumentos. Eu não queria mesmo.
Respirando fundo, fechei os olhos aproveitando os beijos que ele distribuía por meu rosto. Meu corpo estava pressionado contra o seu e aquilo, só servia para me deixar cada vez mais entregue.
—E eu também não quero te soltar. – pegando meu lábio inferior com os dentes, Edward olhou dentro dos meus olhos. —Nunca mais.
Suas palavras me deixaram sem reação, até sua boca cobrir a minha, pois fora impossível não retribuir aquele beijo.
É, eu era mesmo uma idiota, mas no momento, não estava nem ai.
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