De Volta Para Você
21 Chegando
Notas iniciais
Edward se apoiou em mim para descer os poucos degraus da varanda frontal de sua casa, mesmo estando bem melhor e recuperado, ele ainda tinha dificuldade para se mover e com isso, as dores apareciam.
Uma semana e meia havia se passado desde o fatídico acidente, o qual lutei bravamente para esquecer que ocorrera.
Como esperado, Edward recebera alta na segunda-feira de manhã e pareceu bastante aliviado ao retornar para casa. O que era bem justo visto o terrível fim de semana que passara.
Carlisle e Esme relutaram para que ele ficasse uns dias em sua casa, contudo, Edward recusara veemente.
Me prontificando a tomar conta de Edward, os deixei mais tranquilos. Sabia que estavam preocupados, afinal, me encontrava na mesma situação.
Conforme o esperado, as dores das fraturas e deslocamento, tiraram várias noites de sono de Edward e minhas também. Vê-lo sofrer me destruía, se pudesse tinha trocado de lugar com ele sem pensar duas vezes.
Com ajuda dos medicamentos e o repouso, elas foram diminuindo e mesmo ainda estando presentes, já não o incomodavam tanto.
Edward respirou fundo ao entrar no carro. Sabia que ele queria me dizer algo, mas não estava interessada em ouvir.
Fechando a porta do passageiro, abri a traseira para Heron, que não demorou a subir no carro e deitar no banco traseiro.
—Não sei porque está tão zangada. – comentou assim que sentei ao seu lado.
Rolando os olhos passei o cinto prendendo-o na trava.
—Não, não sabe. – soltei após bufar.
—Ah, Bella! – exclamou me olhando. —O que tem de mais você ir trabalhar com os meus pais?
Mantendo os dedos fixos no volante dobrei a rua, tive de parar na faixa de pedestre para que três garotos a atravessassem.
—Já te falei mil e uma vezes que não gosto de misturar trabalho com vida pessoal. – mantive os olhos fixos na direção. —E mesmo depois de saber disso, você falou com seus pais.
—Só queria te ajudar, Bella. – de soslaio o vi abaixar a cabeça e então respirar fundo. —Além do mais, Alice trabalha com maus pais e você já disse várias vezes como acha isso legal.
—É diferente.
—Diferente porque?
—Porque Alice é casada com Emmet, eles vão ter uma filha. Ela faz parte da família. – Edward me ouviu em silêncio. —Nós estamos namorando há apenas um mês, percebe a diferença?
Edward bufou alto.
—Você iria trabalhar com os meus pais, não comigo. – alegou meio aborrecido. —E o nosso relacionamento não interferiria em nada.
Olhei-o rapidamente notando como ele estava convicto de suas palavras.
—Claro que interferiria. Imagina se nós dois terminamos de vez, acha que eu teria clima para trabalhar com meus ex-sogros? – indaguei percebendo ainda mais como aquela ideia era horrível.
—Nós não vamos terminar. – disse como se aquilo fosse algo absurdo ou impossível.
—E quem garante? Nenhum relacionamento está livre de rompimentos.
—Não estou disposto a perder você de novo. – suas palavras me tocaram. —Se um dia, você decidir me deixar, não mudaria nada. Você continuaria trabalhando com meus pais.
Prendendo o ar na garganta senti a raiva crescer com sua insistência.
—Edward, já disse que não. – meu tom foi mais firme. —Será que dessa vez você vai respeitar a minha decisão?
Assim que soltei as palavras eu me arrependi. Havia tocado na ferida que ainda não estava cem por cento cicatrizada. Merda!
Edward ficou um longo tempo em silencio antes de respirar fundo e manear a cabeça.
—Ok, Bella. – murmurou. —Você quem sabe.
Remexendo no banco, me senti um pouco mal. Havíamos tido nossa primeira briga e eu odiava o clima chato que havia se instalado entre nós dois. Esse que acabara se tornando ainda pior após minhas palavras mal pensadas.
Tudo começara quando ele propôs que eu fosse trabalhar na empresa de seus pais, Edward havia me aborrecido e muito, ao ir falar com eles sobre a chance de me contratarem.
Carlisle e Esme, obviamente, não negaram e até me fizeram uma proposta de emprego, contudo, fui obrigada a recusar.
Não é porque estava desempregada e namorando o filho deles que eu tinha de ir trabalhar na empresa da família. Aquilo não me agradava nem um pouco.
Quando parei o carro em frente à casa dos meus pais, Edward —meio relutante— aceitou minha ajuda para descer do veículo, no entanto, nós dois nos mantemos em silêncio até alcançarmos a porta.
Toquei a campainha e afaguei a cabeça de Heron que estava pacientemente sentado entre Edward e eu.
Renée, não demorou muito a vir nos saldar.
—Olá! – ela me abraçou primeiro e beijou meu rosto. —Tudo bem, amor?
—Tudo mãe e com você? – ela apenas assentiu com a cabeça antes de se dirigir a Edward.
—Edward querido! Como você está? E os ferimentos?
—Tudo certo Renée, melhorando a cada dia. – seu sorriso iluminou seu rosto. Edward tinha o sorriso mais lindo. —E você como está? – perguntou enquanto passávamos pela porta.
—Estou bem... Oh, olha só quem veio! – e então toda sua atenção fora voltada para Heron.
Se abaixando a frente dele Renée o acariciou por longos minutos enquanto soltava palavras sobre como Heron era fofo e um docinho.
—Já estava pensando que não iam vir. – disse me fazendo rolar os olhos.
—Mãe, nós nem estamos atrasados! – aleguei sentando no sofá a frente da TV desligada. Edward sentou ao meu lado, seu perfume passou por mim me deixando embriagada. Eu amava seu perfume!
—Vou avisar ao Charlie que chegaram e trazer algo para beberem. – nos lançou uma piscadela animada antes de sair da sala.
O silencio reinou entre nós e eu quis desesperadamente que a TV estivesse ligada.
Com um pouco de dificuldade Edward se mexeu ao meu lado, soltando lamurias baixas retirou o celular do bolso.
—Está com dor? – perguntei a ele que me olhou rapidamente antes de negar com a cabeça.
—Não, estou bem.
E então voltamos a ficar a silêncio. Ele de olhos fixos no celular e eu desejando que o clima entre nós dois ficasse menos frio.
Por sorte Charlie não demorou a aparecer.
Abri um sorriso ao vê-lo e me pondo de pé o abracei apertado.
—Como você está filha? – perguntou beijando minha testa.
—Bem pai, e você?
—Bem, como sempre. – abriu um sorriso para mim antes de se voltar para Edward. —Tudo certo, Edward?
Eles trocaram um rápido aperto de mão.
—Tudo certo, Charlie.
—E as dores? Já deixaram de te perturbar?
Edward abriu um sorriso amarelo a ele.
—Elas diminuíram bastante. – respondeu com suavidade. —Os remédios são bem competentes.
Se abaixando para acariciar a cabeça de Heron, Charlie assentiu com a cabeça.
—Sorte sua, quando desloquei meu ombro a medicação não foi tão boa. – sentando em sua costumeira poltrona, papai contou. —Fiquei semanas e semanas com dor.
—Ele até chorou. – a voz de Renée correu pela sala. Erguendo os olhos a vi caminhar em nossa direção com uma bandeja de madeira entalhada. —Chorou várias vezes até. – continuou deixando o objeto sobre a mesa de centro.
—Não me lembro disso. – Charlie disse com os olhos cerrados.
—Mas eu me lembro. – Renée afirmou nos entregando as doses de Mimosa. —Edward querido, sua Mimosa não tem álcool.
Assentindo com a cabeça, Edward pegou o copo comprido, o qual eu julguei ter apenas o suco de laranja.
—Obrigado, Renée. – agradeceu bebericando o suco.
Renée lhe lançou um sorriso carinhoso antes de se sentar na poltrona ao lado da de Charlie que deu continuidade a conversa com Edward.
Os dois aliás, não ficavam sem assunto, era um atrás do outro e quando decidiram ver ao jogo de baseball na TV, Renée me puxou para cozinha.
—Não acredito que fez Baby Back Ribs.— proferi quase salivando em cima das suculentas costelinhas de porco.
—Do jeito que você tanto gosta! – Renée respondeu deixando a tigela de purê de batata ao lado dos outros acompanhamentos: salada de repolho, milho cozido, Baked Beans e os deliciosos Fried Chicken.
—Mm, delícia! – mordendo meu lábio inferior, continuei a cobiçar todos as porções.
—Nem pense em beliscar, Isabela! – Renée ralhou me puxando para longe da mesa. —Vá chamar seu pai e o Edward para jantarmos.
—Não ia beliscar. – aleguei com o queixo arqueado antes de sair da sala de jantar, incorporada a cozinha.
Em silencio segui até a sala, onde Charlie e Edward riam alto de algo que eu desconhecia.
—O jantar está na mesa. – avisei a eles, que cessaram o riso e me olharam.
Rolei os olhos, sabia que estava acontecendo um típico “papo de homem” onde mulher não era bem-vinda.
—Como estão os seus pais, Edward? – minha mãe perguntou a ele em meio aos tantos assuntos falados sobre a mesa.
—Estão bem, sabe... – comentou abaixando os talhares para limpar a boca. —Não param o dia todo por conta da imobiliária.
—Imagino, deve ser estressante cuidar de uma empresa. – Renée murmurou antes de dar mais uma garfada em sua comida.
—É, acho que eu não serviria.
—O que é isso rapaz! – Charlie exclamou colocando mais cerveja em seu copo. —Quem enfrenta incêndios, explosões e soterramentos, serve para tudo!
Rindo Edward maneou a cabeça sem proferir nenhuma palavra.
—Verdade, depois do que fez, você pode tudo! – Edward não pareceu muito convencido com a entonação de Renée. —Mas Alice e o Emmet, estão bem? Faz tempo que não os vejo...
—Ah, estão bem também. – o sorriso em seu rosto ficou ainda maior. —Tirando a ansiedade, é claro... – colocou rindo baixo. —Mia está quase nascendo. – Edward comentou tomando o resto do seu suco. —Segundo a minha mãe, Alice não aguenta mais uma semana.
—Isso é ótimo! – Charlie sorriu limpando os lábios com o guardanapo.
—É sim. – concordei com um suspiro. —Estamos todos ansiosos.
Renée se mexeu em sua cadeira e abrindo um sorriso suspeito, olhou intercaladamente para Edward e eu.
—Imagino... Um bebê deixa tudo mais alegre. – começou e pelo tom de sua voz, soube que ela soltaria uma de suas “pérolas”. —Uma casa, uma família, uma senhora desesperada para ser avó...
Rolando os olhos a encarei, e não dando a mínima para minha expressão, ela se voltou para Edward antes de continuar.
—Edward, querido... – seu sorriso dócil estava cheio de segundas intenções. —Já desisti de falar com Bella. – seu tom demonstrava frustração. —Mas agradeço aos céus por ter você como genro...
—Mãe... – tentei impedi-la, mas não tive sucesso.
Quem podia impedir Renée?
—Se recorda da primeira vez que esteve aqui? – perguntou a ele que assentiu com a cabeça inocentemente. Edward nem desconfiava das intenções de Renée. —Pois bem, se lembra daquela conversa sobre nunca abandonar a camisinha?
Um segundo de silencio que pareceu não ter fim dominou a cozinha. Então Charlie começou a tossir engasgado com a cerveja. Edward ficou petrificado e eu quis abrir um buraco no chão e me enfiar nele.
—Se esqueça dela! – sorridente, Renée exclamou. —Esqueça de tudo o que eu disse, todo o tutorial de como colocar.... Esqueça tudo!
Não sabia o que era mais impressionante. A cor vermelha —quase roxa— do rosto de Charlie, o tempo que Edward estava sem respirar e imóvel na cadeira, ou a cara de pau e a total falta de noção, de Renée.
—Oh, não! Não fique constrangido... Por favor! – pediu como se estivesse falando da coisa mais natural do mundo. —É só que andei pensando e Charlie e eu o aprovamos muito como genro.
Edward soltou o ar pela boca e tentou sorrir.
—É bom... Saber disso. – sua voz vacilou um pouco.
—Pois bem, ficaremos muito felizes do seu casamento com Bella!
—O que? Mãe! – minha voz subiu uma oitava, Renée me olhou e deu de ombros antes de bebericar seu vinho.
—Ah, qual é filha? É obvio que vocês vão acabar se casando. – alegou se sentindo a senhora da razão. —Então, acho que não teria problemas se vocês, sei lá... Pulassem o noivado, o casamento, a lua de mel e tudo mais, para irem direto na parte do primeiro filho. – tapando o rosto com as mãos eu quis morrer.
O silêncio dominou a mesa.
O que por um lado, era um ótimo sinal. Renée havia parado de falar bobagens.
—Ok. – Edward soltou com um pigarro. —Acho que... Bella e eu ainda temos que conversar sobre isso. – erguendo a cabeça, o vi coçar a nuca sem graça.
—Temos que conversar muito. – o interrompi com certo desespero. —Meu Deus, mãe... Dá para ser menos maluca?
—Estou maluca para ser avó, então não!
Rolando os olhos, encarei Charlie.
—Pai? – pedi sua ajuda.
—Não sou capaz de opinar! – arqueou as mãos e então se voltou para Edward. —O que acha de irmos de ver as notícias de esporte na ESPN?
—Acho uma ideia excelente. – ainda meio envergonhado, ele se levantou da mesa e seguiu com meu pai para sala.
Apoiando os braços na mesa, encarei Renée. Mantendo um semblante inocente, ela agiu como se não tivesse acontecido nada demais.
—Mãe, você é a pessoa mais doida que eu conheço! – soltei o ar pela boca antes de me colocar de pé. —Como pode ser descarada a ponto de falar sobre sexo e camisinha com o meu namorado... Duas vezes?
Soltando um riso baixo, ela reuniu os pratos sujos sobre a mesa.
—Falar sobre sexo é um tabu para algumas pessoas.... Não estou entre elas.
—Nota-se. – proferi abrindo a lava-louças. —Achei que Edward fosse morrer sem ar... E o papai, meu Deus.... Teve uma crise de tosse horrível!
Renée se aproximou, abaixou e deixou os pratos dentro da lava-louças antes de me dar um leve esbarrão.
—Ah, foi engraçado... Não foi?
Arqueando as sobrancelhas a encarei perplexa.
—Você não presta! – acusei cruzando os braços. —Mas é... Foi engraçado... Só um pouquinho.
Olhando uma para outra, não aguentamos muito e logo caímos na risada.
—Boba! – deixei um tapinha em seu braço reunindo as taças sujas. —Não faz mais isso.
—Tentarei. – rolei os olhos com sua resposta. —Filha, é impressão minha ou Edward e você não estão muito bem?
Prendi o ar na garganta com sua pergunta. Virando, fiquei a sua frente e a olhei.
—Não, não é impressão. Nós discutimos hoje de manhã e as coisas estão estranhas. – contei com o timbre baixo.
—Hm, sabia...
—Porque a pergunta?
Respirando fundo, Renée puxou um cadeira e se sentou, batendo a mão no assento acolchoado ela indicou para que eu me alojasse a sua frente.
—Conheço você muito bem. E sei como ficam quando estão juntos. Vi aquele dia no hospital, quando fomos visita-los em sua casa... – afagando meu joelho, Renée respirou fundo. —Amor para cá, amor para lá... Sempre estão de mãos dadas, sem contar os beijos trocados a cada instante. – narrou me deixando abismada com sua observação. —Hoje não teve isso. Chegaram separados, mal conversaram entre si... Deu para notar.
Mordendo meu lábio inferior coloquei o cabelo atrás da orelha.
—É... – foi a única coisa que consegui dizer.
—O que aconteceu?
—Desde que contei a Edward que ia voltar a trabalhar, ele dizia que poderia me ajudar com isso. Bom, teve a viajem dele para Denver, o acidente... O que adiou um pouco, esse assunto. – murmurei a ela que que me ouvia atenta. —Foi então que ontem ele veio me falar que Carlisle e Esme estavam precisando de um advogado, que a imobiliária tinha alguns probleminhas e que já tinha um tempo em que eles estavam procurando alguém fixo para a empresa. – fiz uma pausa tomando folego pela boca. —Então, Edward sugeriu que eu fosse trabalhar com seus pais... E eu não quero isso.
Renée me olhou sem entender.
—Não me entenda mal. – pedi. —É que eu nunca gostei de misturar as coisas. Carlisle e Esme são maravilhosos, mas não quero tratar de negócios com meus sogros. E se um dia Edward e eu terminamos... Como isso ficaria? – prendendo o ar na garganta, relaxei a postura. —Bom, Edward falou com os pais mesmo depois de eu negar e eles amaram a ideia, agora querem que eu vá trabalhar com eles...
—Vocês brigaram por isso?
—Sim. – assenti. —Ele não respeitou minha decisão, mãe. Isso me deixou puta da vida! E eu acabei falando merda...
Coçando a pálpebra, René suspirou longamente antes de me fitar.
—Pelo o jeito que estão se tratando, parece que aconteceu algo super grave... – notei um resquício de alivio em seu tom. —Bobagem brigar por isso. Bobagem se irritar por isso. Ok, Edward não respeitou sua decisão, te entendo. – deixou claro. —Mas não acho que ele tenha feito com más intenções. – Renée era sincera. —Ele só queria te ajudar filha, e também acho que se Carlisle e Esme estão querendo contratar um advogado e você está procurando emprego, não há nada demais em unir o útil ao agradável.
—Mãe, eles são meus sogros, não é legal misturar as coisas.
—Você não vai misturar. – alegou firme. —Lá na empresa, eles serão seus chefes e fora dela, eles serão seus sogros. – narrou sua linha de raciocínio. —Não há nada de errado nisso.
—E se Edward e eu terminamos? Como fica isso?
—Fica do mesmo jeito. Você vai trabalhar com Carlisle e Esme, não com Edward. – respirando fundo, ela pegou minha mão entre as suas. —Filha, existe uma grande diferença entre briguinhas bobas que apimentam a relação e briguinhas idiotas que acabam com a relação. É bom saber identifica-las para que as coisas não pesem. – seus dedos afagaram meu rosto. —Preste atenção, ok?
Quieta absorvi seus conselhos.
—Converse com ele. Conte o que te aborreceu e o porquê não quer o emprego, que na minha opinião é uma grande bobagem se não for aceito, mas isso é com você. – ela abriu um sorriso carinhoso. —E depois que conversarem, transem loucamente e encaminhem meu netinho!
—Mãe! – a empurrei pelos ombros, sem deixar, é claro, de rir. —Deixe de ser depravada. E de falar de netinhos. Meu Deus!
—É mais forte do que eu. – justificou voltando a me fazer rir. Recendo seu olhar terno, me levantei e então sentei em seu colo para abraça-la.
—Obrigada mãe. – agradeci beijando sua testa. —Você é bem doidinha, mas mesmo assim, eu amo você.
—Também amo você bebê. – ela murmurou e então me fez levantar de seu colo para se colocar de pé também. —Agora vamos... Você precisa se entender com seu namorado.
Me puxando pela mão, Renée me levou até a sala onde Charlie encarava a TV atento, e Edward o celular.
—Charlie, meu amor... Pode me acompanhar até a cozinha um instantinho?
—Ah, Renée... Estou vendo a preparatória para a corrida de Indianápolis. – papai nem tirou os olhos da TV para responder.
—Charlie. Cozinha. Agora. – o tom autoritário dela só não foi mais cômico que a face de Charlie, que emburrado, se levantou do sofá e foi em sua direção. —Muito bem. – elogiou cinicamente, antes de me lançar uma piscadela.
Respirando fundo puxei meu cabelo para o lado antes de caminhar nervosamente até o sofá onde Edward estava.
Sabia que ele tinha notado minha presença, só não demonstrou.
Sentando ao seu lado respirei fundo, minha mão repousou em sua perna e sentir o calor de sua pele me fez respirar fundo.
—Me desculpe por mais cedo. – minha voz saiu baixa e um tanto quanto envergonhada. —Disse aquilo sem pensar em um momento de estupidez.
Edward apertou os lábios, abaixou os olhos, bloqueou o celular e só então me olhou.
—Tudo bem. Não devia ter te pressionado. – seu semblante não batia muito com suas palavras.
Sabia que não estava tudo bem e que ele estava chateado.
—Você não me pressionou... Só tentou me ajudar. – retirando o iPhone de sua mão, entrelacei nossos dedos. —Amor. – soltei um longo suspiro. —Não é que eu não queira trabalhar com seus pais, eu realmente os amo... O problema é que eu não quero que eles pensem mal de mim.
—Eles jamais pensariam, Bella. – Edward disse sério. —Eles te conhecem, sabem do seu caráter, da sua índole.
Me aproximando um pouco dele, afaguei seu braço com os dedos.
—Não me sinto à vontade misturando as coisas. – minha voz saiu mais baixa. —Pode ser bobagem minha, só que não é algo que me agrade.
Edward manteve os olhos nos meus até abaixá-los para nossas mãos. Mordendo seu lábio inferior, ele inalou profundamente.
—Ok. Acho que eu entendo você. – seu timbre mais suave me aliviou um pouco. —Também não tinha que me meter e....
—Você tem que se meter sim. – o interrompi. —Quero que você se meta, que você palpite, me aconselhe.... Que faça parte da minha vida, de cada passo que eu der. – um sorriso ameaçou surgir em sua boca. —Quero você do meu lado em tudo e para tudo.
Seus dedos apertaram os meus deixando nossas mãos mais unidas. O clima pesado ia se dissipando no ar.
—Me desculpe por ter dito aquilo no carro. – minha mão livre tocou seu rosto. —Me desculpe por ter sido uma imbecil.
Abrindo um sorriso, Edward maneou a cabeça.
—Está tudo bem.
—Mesmo? – com cuidado, me sentei em seu colo.
—Mesmo. – confirmou.
—Mesmo, mesmo? – sua risada leve me deixou relaxada.
—Mesmo, mesmo. – recostei minha testa na sua, meu nariz roçava no seu.
—Eu te amo. – murmurei com uma leveza incrível no coração. —Incondicionalmente.
Sua mão soltou a minha até tocar meu rosto.
—Eu também te amo, minha linda. – as palavras me tocaram fazendo-me suspirar.
Segurei seu rosto entre as mãos e com todo o cuidado, me inclinei e o beijei.
Havia passado o dia todo sem senti-lo e aquilo era a pior coisa do mundo.
Minhas mãos embrenharam em seu cabelo e erguendo sua cabeça, suguei seu lábio inferior aprofundando ainda mais nosso beijo.
Estar com ele era o paraíso, aliás, Edward era o meu paraíso particular.
O toque alto do celular quebrou um pouco nosso momento, afinal, estávamos na casa dos meus pais e por mais que eles não se importassem, não gostava de ficar me agarrando com Edward ali.
Ofegante, me separei dele quando o toque alto voltou a soar.
Edward estreitou os olhos para mim enquanto tateava a mão pelo sofá em busca de seu iPhone.
Mordendo a ponta do dedo, o observei atentamente.
—É o Emmet. – disse antes de beijar minha garganta. —Hey Emm! – ele saudou animado. Então seu semblante se contraiu. —O que? O que aconteceu? – e então eu me preocupei e só um nome vinha em minha cabeça.
Alice.
—Caramba! Estamos na casa do Charlie e da Renée, mas iremos para aí agora mesmo. – meu coração batia tão forte que doía. —Ok, fique calmo. Estamos indo. Dê um beijo em Alice. Adeus.
—O que aconteceu? – quase gritei, minhas pernas estavam levemente tremulas. Estava com medo.
—Alice. – Edward soltou com um suspiro e então abriu em um sorriso. —Está na maternidade e não para de chamar por você. – suas palavras me deixaram estática. —Ela entrou em trabalho de parto. Mia está chegando.
As palavras correram por meu cérebro até encontrarem a ordem certa, até me fazerem perceber o que estava acontecendo.
Mia estava, finalmente, a caminho.
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