De Volta Ao País Das Maravilhas

9 Capítulo nove: Uma intervenção pequena e peluda


Notas iniciais
Capítulo curtinho, logo vou terminar essa fic. Quando acabar, já tenho ideia para mais fics, que serão bem diferentes desta. Isso é tudo!

A Rainha de Copas estava pronta para seu próximo movimento (quando digo pronta, gostaria que você imaginasse o seguinte: um lacaio interrompeu seu trabalho de massagear os pés da rainha, foi empurrado para um canto e outro lacaio surgiu, trazendo algo parecido com um megafone. Foi trazido um espelho até a rainha, onde ela ensaiou por cinco minutos sua postura para dar a ordem), quando um coelho branco, de colete e de relógio, surgiu do meio da multidão, tentando correr com suas perninhas curtas, e vez ou outra tropeçando em seus próprios pés. O pobre coelho estava tentando chegar até Mary Ann, e gritava, afobado:

- Rainha Alice! Está atrasada!

Todos encaravam o coelho branco, exceto o público (o público olhava com vigoroso interesse flamingos e ouriços jogando croqué no tabuleiro de xadrez, já que as peças haviam deixado seus postos). A Rainha de Copas ficou irritadíssima:

- QUEM... SE ATREVE... A INTERROMPER... O XADREZ... REAL? — berrou a plenos pulmões. Dava um passo a cada palavra pronunciada, para chamar mais atenção. No entanto, quando deu uma espiada no público, eles ainda estavam mais interessados no croqué.

- M-majestade... e-eu... tenho que l-levar a Rainha Alice... é de importância volumosa. — Gaguejava o pobre coelho.

Mary Ann olhou, desolada, para a Rainha Branca. Mas até mesmo esta estava mais interessada no croqué dos flamingos e ouriços. Tão interessada, que até mesmo deu a ordem:

- Vamos jogar croqué! Venha, irmã, venha! — E saiu arrastando a Rainha de Copas, que, deliberadamente, anunciou ao público:

- Tive uma excelente ideia: vamos jogar croqué!

O público aplaudiu.

...

Mary Ann não teve escolha senão seguir o Coelho Branco (não que se importasse com isto, qualquer coisa era melhor do que aturar a companhia da Rainha de Copas). Ele dava pulinhos curtos, e seu ritmo estava ficando mais lento do que de costume. Mary Ann estava se irritando, mas percebeu que seu próprio ritmo estava lento.

- Onde estamos, senhor coelho? — Perguntou a menina, olhando em volta. O cenário era o seguinte:

A paisagem era desértica. Haviam árvores que pareciam estar derretendo, o sol parecia estar no auge do seu show (estava dançando no céu com uma bengala e um chapéu), estava ficando insuportavelmente quente e uma pedra usava um leque para se abanar.

- É um atalho para a casa do Chapeleiro — explicou o coelho.

Um pouco mais adiante, encontraram uma árvore totalmente diferente das outras: era grande, com muitas folhas verdes e flores amarelas, e havia um grande buraco nas suas raízes.

Quando Mary Ann se aproximou do buraco, só teve tempo de ouvir o Coelho dizer:

- Ache o Chapeleiro. E não toque nos retratos da parede, eles mordem!

E em seguida, foi empurrada pelo buraco.

Estava caindo. Caindo. Caindo...