De Volta A Um Passado Semideus
3 Oficina mecânica
Notas iniciais
Em um segundo, Annabeth e Leo apareceram cambaleando dentro do que parecia uma oficina de carros, um pouco tontos pela viagem no tempo, eles olharam ao redor. Seria muito complicado explicar o que exatamente eles sentiram durante a “viagem”, algo como sonhar e de repente acordar em outro lugar, então os dois não fizeram comentários sobre isso em voz alta.
– Caramba! – Leo exclamou. – Será que realmente funcionou?
Annabeth caminhou até uma das paredes, a qual tinha várias prateleiras parafusadas com diversas ferramentas. Pegou na mão um calendário que estava na parede e olhou para Leo mostrando o ano escrito.
– Rá, com toda certeza.
– Espere, se você consegue pegar nisso, será que as pessoas podem nos ver também?
– Hm, acho que sim. Ou seja, temos que ter muito cuidado para não, tipo, mudar a história da humanidade ou algo assim.
– Ok.
– Leo.
– O que?
– É sério.
– Eu sei.
– Tudo bem... Só lembrando que não é pra você ser visto, ok?
– Annabeth, eu não vou fazer burrada.
– Ok, desculpe. – Annabeth deu mais uma olhada na oficina e depois voltou a abrir a boca. – Mas, tipo, só para frizar...
Leo já estava revirando os olhos quando de repente os dois ouviram um barulho do lado de fora.
– Meus deuses, tem alguém vindo! Esconde-se. – Annabeth disse e rapidamente tirou seu boné não sei da onde e colocou na cabeça, desaparecendo.
Ah beleza. Assim é fácil né. Já Leo estava meio em desespero. A porta já estava sendo destrancada. Espere, aquela era a casa dele, onde na oficina ele se escondia quando brincava de esconde-esconde?
A oficina não era muito grande, com algumas bancadas espalhadas pelo ambiente, estantes nos cantos, prateleiras e papeis pregados nas paredes, um carro coberto com lona no meio e diversas peças de todos os tamanhos espalhadas para todo lado.
Então, quando Esperanza e Mini-Leo entraram, Leo já estava atrás de uma estante com todas as peças quebradas, sem uso, e projetos abandonados que sua mãe e ele costumavam jogar ali, em um dos cantos das paredes. Espiando por um dos buracos da estante, Leo assistiu seu passado.
– Então eu virei para o Sr. Franchesco e lhe disse: “Sr. Franchesco, o problema do seu carro não querer andar, é que você esqueceu de tirar o freio de mão” – dizia a mão de Leo.
Mini-Leo gargalhou alto, enquanto os dois sentavam-se em uma das bancadas mais distante.
– Que bobão!
– São algumas distrações, mi hijo. Sorte que eu estava passando na hora e ele me pediu uma ajudinha, senão ele nunca mais sairia do mercado. – Esperanza voltou a rir.
– Você comprou o Dr. Octopus? – perguntou Mini-Leo esperançoso.
Annabeth sorriu para Leo, e Leo, como se soubesse que Annabeth estava perto dele fazendo isso, comentou bem baixinho:
– Eu gostava muito de Homem-Aranha.
– Ah, não achei. – Esperanza se inclinou e beijou a testa de Mini-Leo. – Mas se trabalharmos na Harley hoje, aí vamos ver se achamos o Dr. Octopus fim de semana, tudo bem querido?
Mini-Leo sacudiu afirmamente a cabeça animado e se pôs de pé.
Leo se lembrava de como gostava de trabalhar naquela moto com a mãe, sonhava em ter uma quando crescesse e adora mexer em suas peças. Parece que havia sido séculos e séculos atrás, não apenas alguns anos. Ver novamente ele e sua mãe trabalhando juntos na oficina, foi como se algo completasse seu coração. Era muito diferente de meras lembranças, fez com que aquele sentimento angustiante de vê-la uma última vez desaparecesse. Ele teve vontade de sair da estante e lhe dar um abraço, apenas de despedida, mas tinha prometido a Annabeth que não faria burrada.
Portanto, antes que fizesse isso, murmurou novamente para Annabeth:
– Está na hora de irmos.
Então apertou o botão do pequeno dispositivo que havia criado, enquanto Esperanza e Mini-Leo riam de algo qualquer.
Em mais um segundo, Leo e Annabeth materializaram-se em suas próprias cadeiras no Bunker 9. Ficaram um tempo sentados, pensando em como a invenção tinha funcionado. Então Leo se levantou em um pulo.
– Cara! E eu lá com 7 anos nem imaginando que tinha outro eu lá! Que maluquice.
– E como você sentiu em relação a sua mãe, Leo?
Na verdade, Leo quase chorou.
– Ah, foi de boa. Tipo, me senti ótimo ao rever ela.
– Legal. – Annabeth sorriu. – Você era bonitinho, era.
– Eu sempre fui, sou e serei bonitão, Annabeth.
– Igual o Peter Parker?
– Ah, não enche. Vamos ver algo engraçado agora. Que tal vermos a suuua infância?
– Vai por mim, você não achará nada engraçado.
– Qual é, deve ter algo legal.
– Sabe quem deve ter uma infância que nos fará rir?
Leo pensou um pouco e sorriu.
– Hmm, já querendo saber o que o namoradinho aprontava quando era criança.
– Ah, podíamos ver o passado de todos os outros, mas podemos começar com o do Percy. – ela deu de ombros.
– É uma boa ideia, às vezes fico curioso de como eles eram quando pequenininhos. – Leo pegou alguns parafusos na mão e começou a brincar com eles. – Para onde e quando quer ir?
– Hmm, deixe eu pensar.
Fale com o autor