— Liv, querida! Você precisa se alimentar. – Insistiu Mary, mais uma vez. Marcus tinha falecido uma semana após a conversa que tinha tido com Olivia sobre seu dote e seu futuro. Futuro! Liv achou que iria passar a vida no campo, sem se preocupar com assuntos como fitas e bailes. Coisas inúteis. Por que o pai tinha que ter essa ideia estúpida de mandá-la para morar com um amigo que ela tinha visto no máximo 3 vezes em toda sua vida?

— Liv? – Mary chamou outra vez, arrastando Olivia de volta para a realidade, a forçando a deixar de lado os pensamentos negativos.

— Já disse que não quero comer, Mary. Que horas chega a maldita carruagem? – Liv perguntou com irritação na voz.

— Menina, você não deve maldizer. Lembre-se que agora se transformará numa Lady. E não sei que horas eles chegam, mas os criados já deixaram todos os baús preparados para a viagem.

— Ah, por favor, Mary. Sempre falei assim, não é agora que vou parar. – Suspirou com indignação.

— Liv, lembre-se que era a última vontade do seu pai. E você vai ter que parar contra sua vontade. Quando chegarmos à cidade, vai ter uma longa preparação para o seu debute na sociedade. A temporada logo vai começar. E agora pare de ser malcriada e coma esse creme de galinha antes que esfrie completamente. – Mary falou firmemente.

— Ai, tudo bem. Me dê isto aqui. – Pegou a bandeja que a dama de companhia estava estendendo para ela, se ajeitou na cama, acomodando a bandeja em seu colo. Mary se sentou em uma poltrona que ocupava um lugar ao lado da cama. Liv respirou fundo, cobriu o cabo da colher com as mãos e a mergulhou no creme de galinha, para que a concha da ponta do talher se preenchesse com o conteúdo que estava na tigela. Olivia não sabia o quanto estava com fome até levar o creme morno até a boca. Estava delicioso. Terminou rapidamente e se sentiu um pouco melhor, menos fraca.

— Muito obrigada, Mary. Não sei o que seria de mim sem você. — Agradeceu com sinceridade.

— Ainda bem que não vamos ter que descobrir. – A mulher mais velha sorriu maternalmente para Liv, que devolveu com um abraço.

— Espero que não, você é tudo que me restou, Mary! – Liv falou tristemente, se apertando mais contra o peito da mais velha, aproveitando o conforto e o consolo que estavam sendo oferecidos.

— Eu acho que eles estão chegando, menina! – Mary falou com um tom carinhoso, olhando pela janela do quarto que estavam. Liv levantou o corpo, endireitando-se, e virou para a janela. O coração ameaçando sair pela boca. É isto! Tudo iria mudar a partir de agora. E ela não estava nem um pouco curiosa para saber o que viria a seguir.

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— Olá, senhorita Kent. Eu sou Isaac Thomas, mordomo do Marquês de Belgrave, ele me mandou pessoalmente para escoltá-la em segurança para casa. – Falou com uma mesura elegante, e um pouco exagerada para o gosto de Liv, que sentiu o estômago revirar quando ouviu a palavra casa, dita como se fosse lar.

— Olá, senhor Thomas. É um prazer conhecê-lo. – Devolveu a mesura elegante, conforme tinha aprendido com todo o dinheiro que seu pai insistira em gastar com professores.

— Vim para levá-la para sua nova casa. – Disse o homem pomposo e Liiv deixou escapar um suspiro frustrado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.