De Repente Rainha
2 XVI: Altivez Precede a Queda
Notas iniciais
Ary havia acordado várias vezes durante a noite até conseguir finalmente descançar. Otávio por sua vez estava tranquilo às 9h aproveitando a paisagem na sacada do quarto quando seu celular toca.
– Ivan! Lembrou que tem um amigo?
– Sempre soube, querido Otávio.
– Se for para pedir favor é 50 mil euros e se tiver que sair para algum lugar, 100 mil.
– Nossa! Virou um rei ganancioso. Na verdade tenho que te avisar algo nada agradável.
– E o que é?
– Alguns Palácios tiveram o sistema invadido por algum hacker, inclusive o de Queluz. Além do mais, alguns revoltados invadiram e destruiram o palácio do seu pai. — Mas, morreu alguém? — Perguntou preocupado.
– Da família real, não. Mas, alguns revoltados, sim, e dentre eles, um foi preso. Seu pai quer que você dê uma ordem sobre este.
– E por que você sabe tudo isso?
– Eduardo pediu minha ajuda para controlar o Imperador pai.
– Então é sério.... Liga para preparar o meu jato, que logo volto para Portugal.
– E sua jovem esposa? — Ivan pergunta curioso.
– Ela vai comigo. — Responde sorrindo.
Ivan fez como pediu o amigo e Otávio preparou sua mala, guardando seus pertences.
– O que está fazendo? — Ary pergunta sonolenta.
– As malas. Sugiro que faça as suas para que eu não tenha que fazê-las.
– Voltou a ser aquele grosso. — Comenta e logo faz o mesmo processo.
– É que estamos com problemas no palácio. Precisamos voltar.
– Sério? O que aconteceu?
– Invadiram os palácios de Portugal e temos um dos responsáveis em Queluz. Eu pensei em deixá-la aqui...
– O que? — Se exalta com a possibilidade de ficar sozinha em um país desconhecido.
– Porque aqui seria mais seguro que lá, onde estamos vulneráveis. Porém, pensar na possibilidade não quer dizer que vá fazer.
– E o que te fez mudar de ideia?
– Deixá-la nas mãos de Ulisses... — Sussura — Mesmo que o sistema do Palácio esteja fraco, estaria mais segura comigo, vou te proteger, juro. Então, não fique longe de mim.
– Está preocupado? — Pergunta, fechando sua mala por fim.
– Um pouco para ser sincero. — Diz, sentando-se na beira da cama e continua irônico — O grande imperador espera uma decisão minha sobre tudo.
– Não pense sob pressão. — Ary passa a mão por seus ombros, mostrando apoio — Decida pelo que for justo, não o que melhor beneficícia a eles.
Ele sorriu em agradecimento e ela seguiu ao banheiro para se preparar para a viagem. A cabeça de Otávio estava a mil neste momento.
****************
Enquanto o rei e sua consorte se encontravam no jato particular da família a caminho de Portugal, Eduardo procurava desesperado por uma solução para o caos que estava o palácio.
Ele teve que controlar o pai para enfim administrar todo o problema. As concorrentes imploravam para voltar ao Brasil, os guardas estavam desorientados e os pais continuavam a discutir. Foi então que deu-se em conta que Aline ainda não havia aparecido naquela manhã.
– Vocês viram a Senhorita Ribeiro? — Perguntava a cada funcionário do palácio que via vagando pelos corredores destruídos do palácio de Queluz.
Apenas depois de dez horas após o ocorrido, eles finalmente se encontraram ofegantes no jardim dos fundos.
– Eu ... estava procurando por você. — Disseram em unissono e com dificuldade, quase caindo na grama pelo cansaço da correria.
Logo após recuperar o fôlego, eles começam a rir da situação. Riram bastante até sentarem no chão e recuperar novamente o fôlego.
– Tive medo de perdê-la. — Eduardo confessa e Aline fica sem ação.
Ambos desviam o olhar para observar todos que andavam sem rumo e os dois perderam o tempo sem trocar mais palavras até aparecer o comandante avisando que todos estavam presentes para reunião, fora Otávio que agora estava na estrada, há alguns quilômetros longe do destino.
– Eu... tenho que ir. Você vai ficar bem? — Ela assente. — Ok... até mais tarde.
– Edu, espera! — Grita, levantando-se — Preciso falar contigo antes que seja muito tarde e eu chegue a me arrepender. — Aline respira fundo e ambos aproximam-se um do outro — Eu te agradeço de verdade. Fora Aracelly, foi o único que se importou comigo depois de tudo que passei. — Aline já não podia segurar as lágrimas teimosas que queriam rolar — Sempre vai ser uma carga grande aqueles noites e a dor da perda das duas pessoas mais preciosas da minha vida. Mas, Eduardo, só tenho você e a Ary agora. Se eu voltar como uma covarde para o Brasil, não terei motivos para viver. Se eu ficar, terei que suportar todas as maldades e viver num mundo de luxo em que não estou acostumada...
– Não precisa continuar, Aline. — A interrompe, na tentativa de não escutar mais nada — Não vou expor ninguém ao perigo, para depois...
– Eu aceito. — Grita de olhos fechados, não acreditando no que fazia, era como voltar a ser adolescente.
– O que? — Pergunta receoso, apesar que o sorriso que se formava nela só podia significar uma coisa:
– Eu aceito me casar com você. Ser sua mulher, ter filhos e embarcar nesse mundo com você. Não me importam os títulos, Dom Eduardo, eu só quero ser feliz e tenho certeza absoluta que não seria mais feliz se não contigo.
– Está falando sério? — O sorriso dos dois era intenso transmitindo felicidade em um momento que ao redor deles era conturbado.
– Estou. Eu pensei demais por medo. Você é diferente dos seus pais e não vejo nada em você que o torne mal ao meu ver... Eu só quero saber se realmente me ama, Eduardo, porque vou trilhar esse caminho de olhos vendados e sem volta, juro.
Aline queria um refúgio e este lugar seguro era Eduardo. Ela não tinha dúvidas disso, só não quer sair ferida e desiludida. Eduardo por sua vez, realmente a amava.
Ele segurou o rosto dela entre suas mãos, e o acariciou antes de selar seus lábios. Era um beijo calmo para demonstrar o carinho e cuidado que ambos queriam compartilhar.
– Eu te amo. — Ele diz ainda com seus lábios juntos aos dela, e a abraça, confirmando em seu ouvido: — Te amo muito.
****************
Otávio finalmente chega ao palácio. Desce do carro e não larga em nenhum momento sua arma, na mão direita, nem sua mulher, com a mão esquerda. Claro que não confiou em seus seguranças, por isso ficou atento a qualquer ameaça possível até a sala de reunião.
– Que bom que chegou, meu filho. — Cumprimenta Cássia.
– Você está bem, mãe?
– Estou, apesar do susto. Eu..
– Pai, tem mais algo para me informar? — Ele a interrompe e ao olhar Gregório para o filho de mãos dadas a Aracelly, sentiu-se ameaçado.
– É um assunto particular. — Joga a indireta.
– Ela pode saber.
– Tudo bem, Otávio. — Ary sussura para ele — É um assunto mais político de vocês.
– Não vou deixá-la. — Revela firme.
– Confia tanto assim nela para este assunto? — a Imperatriz se impõem e Otávio assente.
– Esta bem. Arque com as consequências. — Gregório avisa — O infiltrado era um empregado nosso, agora está morto porque me irritou demais.
– Não me deu a chance de interrogá-lo. — O filho comenta incrédulo e o pai responde:
– Era um homem inútil.
– Era uma vida! — Ary esbravecha. — O Senhor não tem noção do que fez? Não é Deus para decidir sobre a morte como bem entender. Na verdade, Senhores, — Vira-se para os nobres e oficiais presentes — o vosso imperador acabou de dar o castigo mais fácil para o rapaz — Debocha, rindo — e se ele errou deveria pagar em vida, seria uma questão de pensar, Majestade.
– Otávio, disse que a domaria... Olhe o resultado! — Gregório tropeça nas palavras, sem saber o que exatamente dizer — Quero você bem longe de mim.
– Saiba que seria um prazer, porém somos uma família agora. — Ary o encara com postura firme — A altivez precede a queda, meu sogro. Um dia poderá ter consequências muito graves.
– Sua convicção é grande, minha nora. — Rebate — Por que tanta certeza?
Nesse momento o celular de Gregório apita, ele depara-se com uma mensagem de seu maior inimigo: " Você nomea-se um homem autosuficiente e muito inteligente. Já eu sou um homem de palavra e me divirto com a maneira que desfrutou tão pouco do seu poder absolutista. O tempo está acabando... É um dos meus últimos avisos." Ao terminar, olha para a nora a sua frente que responde mais firme e com um sorriso:
– É apenas um palpite.
Fale com o autor