Notas iniciais
Ah, a inspiração flui no meu sangue. Estou de volta à ativa.

“Sabe, filha, ouve um tempo em que esta paisagem era cheia de flores, com árvores crescendo ao redor de um grande lago, onde vários animais se refrescavam e descansavam, livres de qualquer perturbação. Vários lugares assim existiam por aqui, mas este era o mais bonito, sem duvidas. A maior parte destes paraísos foram destruídos por pessoas inescrupulosas, ávidas por dinheiro e poder, que não se importavam com o que destruíam para chegar ao topo. Mas, este, em particular, não teve esse destino. Aqui, neste exato lugar, foi onde começou a maior guerra já travada na Terra.”

“No começo, as pessoas não perceberam o perigo. Eles continuavam suas rotinas, tranquilamente, sem se preocupar com qualquer coisa que não fosse nele mesmos. Florestas eram desmatadas, rios eram poluídos, os poderosos roubavam, os pobres morriam, mas ninguém dava a mínima importância a nada disso, desde que seu pão diário estivesse na mesa. Era uma época horrível, mas centenas de vezes melhor do que viria a seguir.”

“Tudo começou numa tarde ensolarada. Ali, naquela grande cratera, foi onde o primeiro tiro foi disparado. Era um soldado despreparado, que deixou-se tomar pelo medo e agiu sem pensar. Afinal, quem não entraria em pânico ao ver criaturas várias vezes maiores, com tecnologias centenas de vezes melhores, atacando seu lar? Mas aquele ato impensado foi o estopim da 1ª Grande Batalha. Ah, aquilo foi fabuloso. Cidades inteiras foram ao chão em horas. Eles imploravam, pediam ajuda ao seu Deus, mas nada vinha para socorre-los.”

O ser parou para coçar seu quarto olho. A atmosfera estava muito rarefeita. Os equipamentos que lançavam Ozônio direto no ar deveriam estar com problemas.

“No começo, foi fácil demais. Quase não havia resistência, e a pouca que tentava desesperadamente nos parar era dizimada com facilidade. Eles eram seres inferiores, afinal. Era tão fácil, tão simples, que baixamos a guarda. Paramos de usar nossas armaduras para poupar energia, e usávamos apenas as armas mais fracas. E assim se passou um mês, quando acabamos de conquistar este continente. Eles deram o nome desse lugar vindo de uma guerreira, de um conjunto de lendas de um povo antigo. Patético.”

“E então, já sabendo que os territórios ligados à Europa seriam dominados facilmente por terra, decidimos atacar os países além-mar. Usamos alguns documentos encontrados em grandes edificações, que continham dados preciosos de várias culturas. Chamavam aquilo de ‘Museu’. Foi fácil traduzir os manuscritos, e usando estes documentos como guia, atracamos na Ilha de Vera-Cruz. Não entendemos porque se chamava Ilha, sendo todo um continente, mas decidimos ignorar o fato. E atacamos Vera-Cruz.”

“ Esperávamos encontrar povos semi-nus e com conhecimento quase nulo sobre qualquer tipo de organização civilizada. Encontramos uma derrota tão avassaladora que simplesmente dizimou metade do grupo enviado para destruir o lugar. Vários dos mortos eram meus amigos, então senti uma grande ódio conta os que haviam coletado os dados. Foi então que descobrimos que Museus são lugares para guardar documentos e outras coisas antigas. No caso, 500 Terra-Sol de idade. Um povo pode mudar muito em 2000 anos, ao que parece.”

“Mas a vitória dos humanos foi apenas temporária. Em apenas um ano, ou um quarto de Terra-Sol, atacamos novamente. Dessa vez, não estávamos brincando. Usamos nossas armaduras no máximo, o que tornava inútil qualquer ataque da parte deles. Usamos a munição R-20, e como você deve ter aprendido na escola, elas são destrutivas o bastante para criar um canyon em poucos dias. Achamos que iria bastar. Mas, como sempre, esses anões nos surpreenderam. A resistência deles foi simplesmente perfeita, com emboscadas que eram tão bem camufladas que só percebíamos o que estava acontecendo quando metade do nosso grupo já estava com as cabeças arrebentadas. De algum jeito, eles aprenderam a evitar nossas balas, destruir nossas armaduras, evitar nossas armadilhas.”

“Cada vez que atacávamos, perdíamos mais soldados e recursos. Em pouco tempo, eles aprenderam a imitar nossa tecnologia, criando ainda mais obstáculos para nós. Antes que pudéssemos perceber, estávamos sendo atacados pela África, pela Ásia e pela America, ao mesmo tempo. Bombas que emitiam radiações eram lançadas quase que diariamente sobre nossas bases. Sofríamos perdas terríveis a cada instante. E então foi declarada a nossa derrota, e fomos expulsos em meio à uma chuva de fogo. De nossas forças iniciais, apenas um décimo voltou, após 8 anos de guerra. Mas nossa absoluta não foi absoluta. Tudo que precisávamos... Era paciência.”

O Alien pegou uma pequena pedra do chão, limpando a terra que a cobria. Duas órbitas vazias o encararam, num sorriso onde faltavam vários dentes. Dois grandes buracos mostravam onde o projétil assassino havia entrado e saido. Após alguns instantes, ele jogou a caveira de volta para seu túmulo.

“Nós observamos enquanto eles discordavam, e sorrimos ao ver a guerra se iniciar. Pensamos em atacar naquele momento de crise, mas isso se provou... Não necessário. A tecnologia roubada que os protegeu tinha se voltado contra eles, e usando nossas armas, eles começaram a se matar. Não houve um consenso, e a guerra continuou. Durou bastante tempo. Gerações e gerações de guerreiros dos 3 lados que lutavam nasciam e morriam, mas a guerra permanecia. Quando a trégua foi finalmente estabelecida, já era tarde demais. A raça humana foi extinta.”

Uma criança, com quase um terço do tamanho do pai, saiu de um cratera, sujo de lama. Mesmo sendo pequeno para os padrões dos seres dominantes do planeta, ela tinha a altura de uma casa. Sorrindo, ela abraçou as pernas do pai, antes de correr de volta para a cratera. Uma pequena fortaleza havia sido construída, com esqueletos humanos em suas devidas posições, num retrato do que havia sido as defesas humanas. No meio de todos os restos mortais, uma mulher repousava, com a mão na barriga. Dentro dela, um feto se mexeu, chutando a mãe.

“Calma, calma...” Ela sussurrou, passando a mão na barriga. “Seu tempo ainda vai chegar.”

Ela olhou para cima, observando o céu cinza, enquanto a criança alienígena jogava pedaços de lama para todos os lados.

“E você irá salvar a todos nós.”

Notas finais
Obrigado por ler o/

Terra-Sol = Ano terrestre.
Ano = Ano dos Alienígenas, 1/4 de ano terrestre.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!